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DIPLOMA EM XEQUE
A sociedade vai ao paredão
A decisão da juíza Carla Rister é hedionda. Em sua justificativa, a excelentíssima juíza se agarra na Constituição brasileira de 1988, que garante a todo cidadão brasileiro o direito de exercer sua liberdade de expressão e comunicação. No entanto, tal decisão carece de capacidade de discernimento. Todo cidadão brasileiro tem, sim, o direito de exercer sua liberdade de expressão e comunicação. Porém, essa liberdade difere, drasticamente, do grande papel e dever do jornalista.
O jornalista, no dia-a-dia, é aquele profissional que apura as numerosas faces de um acontecimento e depois transforma, para os meios de comunicação, todo esse trabalho em notícia e reportagem. É claro que, em decorrência das funções da área editorial de um veículo de comunicação, muitos jornalistas produzem "apenas" um jornalismo voltado para o gênero opinativo, seja com crônicas, artigos, resenhas.
Porém, para manifestar sua liberdade de expressão, o cidadão pode e deve fazê-lo de acordo com suas convicções e ideais. Já o jornalista deve, tecnicamente, apurar todos os fatos relacionados a um determinado acontecimento e, imparcialmente, informá-lo ao seu leitor. Não é por meio de uma reportagem informativa que o jornalista, no seu direito de cidadão, exerce sua liberdade de expressão ou comunicação. Nesse espaço ele deve exercer – com responsabilidade social e ética – seu compromisso de procurar e levar à sociedade as informações.
Inúmeras são as pessoas que sofrem, ou já sofreram, conseqüências negativas oriundas de abusos cometidos pelo Quarto Poder. Diariamente cidadãos têm seus direitos feridos por "profissionais" que não conhecem, minimamente, o procedimento e a ética jornalístico.
No momento em que a fiscalização das pessoas que exercem ilegalmente o jornalismo deveria ser muito mais eficaz, acontece uma atrocidade como essa. O exercício jornalístico por todos aqueles que se acharem neste direito, independentemente de terem cursado a faculdade de Jornalismo, coloca a sociedade brasileira num paredão, apenas esperando os primeiros tiros de sua inevitável execução.
É óbvio que muitas das irresponsabilidades cometidas pelo Quarto Poder são provenientes de ações de profissionais graduados em Jornalismo. Mas precisamos entender que a abertura do mercado a profissionais que não sejam especializados na área jornalística aumentará muitas vezes o número de vítimas da mídia.
É necessário lembrar a juíza que sólida formação cultural e prática profissional são indispensáveis ao exercício de qualquer profissão, independentemente da vocação, e não apenas aos jornalistas. É por essa razão que, nos dias de hoje, cada vez mais, as universidades oferecem estágios e programas de treinamento aos estudantes das mais diversas áreas.
Cabe a nós, sociedade, e não somente aos jornalistas, fazer ecoar nos quatro cantos desse país que a não-obrigatoriedade do diploma de jornalismo corresponderá à multiplicação dos abusos provocados pelos holofotes da mídia. Legitimar tal devaneio é reconhecer que estamos no começo do fim.
Edinho Baffi, jornalista, Campinas
As voltas do corporativismo
É engraçado como o mundo dá voltas... Neste caso com os jornalistas, aqueles que a todos acusam de corporativismo e são, talvez, os mais corporativistas. A imprensa brasileira é marrom: tente denunciar um fato de corrupção, ninguém vai dar a mínima. A decisão da juíza não é contra os jornalistas ou contra uma categoria, é contra a imbecilidade que dela tomou conta, contra a mídia que explora até à exaustão as Carlas Perez e as Sandys da vida, explora e transforma em heróis Leonardos Parejas.
Fico chateado e ao mesmo tempo alegre, pois ao escrever ou falar besteira não se vai precisar de curso superior. Por outro lado, é mais um disparate da Justiça. Está na hora de passar a profissão a limpo (lembrando o Boris). Precisamos é de passar este pais a limpo. Claro, para isto precisamos de profissionais competentes e devidamente qualificados, e ai é que entra a minha pergunta: temos hoje jornalistas independentes, qualificados e somente comprometidos com a informação e com a verdade dos fatos?
O que pode ser pior do que uma mentira? Uma meia verdade... E esta é a minha visão da mídia e dos senhores jornalistas....
Luciane dos Santos Minder
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