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DIPLOMA EM XEQUE
Patrão, o maior interessado

A decisão da juíza torna pública uma discussão que há muito acontece nos corredores das redações. O que torna rico esse debate é justamente a amplitude das causas e conseqüências de tal desobrigação. Comecemos pelas causas.

O primeiro interessado no fim do diploma é o empresário da comunicação. Em princípio, quem se dedica por um longo tempo a "aprender" uma profissão deseja ter o retorno desse investimento. Jornalistas sem diploma são sinônimo de mão-de-obra barata. Em um país onde jornalismo e entretenimento se confundem, não é preciso ser letrado, culto e articulado para informar. Quem não reúne essas qualidades como jornalista não exige muito de salário.

Basta assistir a alguns programas de televisão para se comprovar o trabalho das emissoras para desacreditar a profissão e os profissionais do jornalismo. As modelos-apresentadoras, os quadros no estilo Repórter por um dia vão, aos poucos, construindo na opinião pública o conceito de não-necessidade de diploma para o exercício da profissão.

Não cabe aqui comparar profissões, mas um esforço de imaginação é válido: e se fosse ao ar um quadro chamado Cirurgião por um dia, com algum cantor, modelo ou humorista extirpando um tumor do cérebro de alguém? Pasmem, isso só não acontece porque, ao contrário do jornalismo, a medicina (ou o direito, a história, a engenharia etc.) não é alvo – ainda – das manipulações dos meios de comunicação no quesito que agora avaliamos. As condições não são favoráveis. Ainda.

As funções de apresentador e de radialista, por exemplo, estão livres da exigência do diploma, em virtude de brechas na legislação que regulamenta a profissão de jornalista. Tais brechas foram construídas (não foi erro ou ingenuidade, foi má-fé mesmo) e agora criam verdadeiras aberrações, que servem como justificativa dos desavisados para o fim do diploma.

A questão do ensino de Comunicação é ainda mais espinhosa. O processo de abertura de novas universidades, e conseqüentemente de novos cursos – auxiliou a demonstrar o que todos intimamente já sabiam ou, pelo menos, desconfiavam. Não se forma um profissional – seja de qualquer área – apenas na universidade. Nem depois. Essas duas etapas dependem, fundamentalmente, do desempenho do indivíduo nos anos anteriores ao terceiro grau. Se antes o vestibular – de maneira precária, é verdade – fazia uma seleção natural dos candidatos, hoje ele se transformou em etapa puramente formal, já que na maioria dos cursos (Jornalismo inclusive) a relação candidato/vaga é menor que 1.

Temos também uma massa de iludidos que faz questão de confessar que nada aprendeu na faculdade e usam isso como argumento a favor do fim do diploma. Mas é interessante notar que, ao contrário dos novos paradigmas pedagógicos contrários à reprovação no ensino de primeiro e segundo graus e que privilegiam os famigerados cursinhos pré-vestibular, o processo ensino-aprendizagem no meio acadêmico faz do aluno responsável por – pelo menos – metade do esforço necessário a uma boa formação. Para dizer o mínimo. A velha máxima de "quem faz a faculdade é o aluno" nunca foi tão presente nos dias atuais. Se a faculdade cursada em nada ajudou é porque faltou empenho tanto na hora de estudar quanto na luta por melhores condições de ensino. Esses realmente nunca serão bons jornalistas, e o diploma não fará diferença alguma. Cabe também perguntar: se para ser jornalista não é preciso diploma, será que não é correto afirmar que para ensinar Jornalismo o mesmo diploma também não seria dispensável? Atualmente, não, por força de lei. Mas essa também pode ser mudada. Basta um devaneio de algum juiz.

Quanto às conseqüências, algumas já podemos observar antes mesmo do fim do diploma: a precariedade das condições de trabalho e de grande parte dos profissionais, o piso entendido como teto salarial, a autocensura, a falta de ética... E, principalmente, o medo. E jornalista com medo é tudo, menos jornalista.

Clóvis Augusto Melo, jornalista diplomado

 

O ensino precisa ser revisto

Para a mídia restrita aos grandes centros, talvez o diploma não faça mesmo nenhuma diferença, mas para nós que atuamos no interior dos estados, a exclusão da obrigatoriedade só faz aumentar o poderio patronal em detrimento da informação de qualidade, ética e profissionalismo. Quanto mais barato o "jornalista" – já que qualquer um poderá exercer a profissão –, maiores serão os lucros.

Se o problema está nas universidades, em especial aquelas que despejam recém-formandos aos montes no mercado de trabalho, então que se encontrem mecanismos para aperfeiçoar e rever o sistema de ensino nessas instituições. Não adianta cobrir um santo e descobrir outro ou descontar em quem lutou a vida inteira para conseguir concluir uma faculdade e exercer uma profissão dignamente aquilo que deveria ser cobrado das instituições de ensino. Parece mesmo que a corda sempre estoura do lado mais fraco!

Elaine Avancini, Hortolândia, SP

 

O$ intere$$e$ do $i$tema

A obrigatoriedade do diploma tem intere$$e$ de um sistema viciado que conta com o apoio de coleguinhas corporativistas e elitistas.

Pedro Notaro, Guarulhos, SP


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