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Edição de Marinilda Carvalho
De uma coisa o consumidor de imprensa não está podendo se queixar: de falta de notícia. Nem de cobertura da mídia. Raras vezes, nos últimos anos, a indústria da comunicação brasileira foi obrigada a tamanho esforço de reportagem. Os barões devem estar lamentando o enxugamento das redações...
Mas, como quantidade não basta, o leitor do Observatório compareceu em peso para se queixar, e de quase tudo! Da cartilha do PT, do perpétuo – e nem por isso mais ético ou ajuizado – ACM, do jornalismo feminino, das pautas-abobrinha, da muita ignorância, das baixarias na TV, da mídia esportiva, ufa! Assunto não faltou para comentar.
Boa leitura!
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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.
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CARTILHA DA DESINFORMAÇÃO
À espera de esclarecimentos
Ao ler a crítica de Alberto Dines sobre a "Cartilha da Desinformação", percebi que pode existir uma falta de comunicação entre a Assessoria de Comunicação do PT, a Secretaria de Comunicação de Governo e a Secretaria de Imprensa e Divulgação. Ao ler a nota intitulada "Decálogo para bem informar" (Jornal do Brasil, A4, 22 de janeiro), tive uma dúvida: como os "comandantes" da comunicação no governo pretendem "jogar limpo", ou seja, apresentarem um governo transparente, se parte do Poder Executivo está mais preocupada em brincar de tapear jornalistas?
Em entrevista à Globo (não me lembro a época), o presidente nacional do PT, José Genoíno, disse que o partido não poderia se misturar ao governo em certas ocasiões, como nas reuniões de planejamento, por exemplo. Então, vale o lembrete: os assessores do partido não devem interferir na comunicação do Palácio de forma que comprometa sua unidade e, principalmente, não aprenderam que voltar aos velhos moldes de assessoria de comunicação é prejudicar a tão desejada transparência do atual governo (qualquer estudante de Jornalismo sabe que a melhor maneira de empresas e governos se apresentarem é pela característica da transparência). Perde-se a credibilidade, pois cadê a unidade da comunicação? Se eles disserem que a assessoria do PT é uma coisa e a do governo é outra, eu me pergunto: então Poder Executivo é uma coisa e deputados do PT são outra?
E depois ainda querem que os profissionais da área de comunicação acreditem que haverá grandes propostas para o surgimento da TV Pública no país. Projetos existem, mas será que os deputados estarão interessados em criar uma mídia de qualidade se a preocupação atual é driblar a mídia, como o autor disse? Acredito que o jornalista Ricardo Kotscho faça um trabalho honesto desde que assumiu a Assessoria de Comunicação na campanha do Lula e agora no governo. O que eu não acredito é que os comunicadores do palácio não percebam o quanto esse manual prejudica a imagem de um governo que deseja e precisa ser transparente. Repetindo a fala de Dines: eles nos devem explicações sobre a existência desse manual. Gostaria que me respondesse e desse sua opinião sobre assessoria de comunicação. Pelo que entendi você faz uma diferenciação entre jornalista e assessor de imprensa. Entendi mal?
Mariana Rocha
Alberto Dines responde
Mariana, nada tenho a acrescentar. Na minha opinião, jornalistas que trabalham nas redações têm uma função, e os jornalistas que trabalham em assessorias têm outra função. Geralmente são conflitantes. Razão pela qual sou radicalmente contra a inclusão de assessores em estatutos e organizações de jornalistas (sindicatos, federações etc.). Mas quando um assessor de imprensa deixa a assessoria tem todo o direito de qualificar-se como jornalista. Assim é em todos os países civilizados. Menos aqui. Abraços. (A.D.)
Estamos começando mal
Essa matéria só vem reforçar aquilo de que eu sempre tive certeza: o PT do poder age completamente diferente do PT fora do poder. Claro que, para o bem de todos, deve haver diferenças, até certo ponto saudáveis, de quando alguém é governo e oposição. Porem, o PT tem extrapolado. Está agindo como aqueles que criticou. Alem do mais, a cartilha da desinformação vem coroar a incoerência do partido. Estão querendo calar a imprensa. Não querem que seus representantes dêem opiniões, sempre se aproveitaram de declarações do governo anterior, divulgadas pela imprensa, às vezes descontextualizadas, para tirar proveito disso. Talvez eu esteja exagerando, mas essa atitude do PT cheira a ditadura.
O que eles querem dizer com falar pouco? E explorar notas curtas dos jornais? Querem que as pessoas tenham um conhecimento superficial daquilo que acontece no pais e daquilo que está sendo realizado pelo governo? O que querem dizer com "deixar a circulação na sala de imprensa para assessores"? Estão insinuando que os parlamentares de seu partido não têm capacidade e competência para dar declaração sem meter os pés pelas mãos? Isso parece, sim, ditadura. Ditadura que apareceu e aparece principalmente no município de São Paulo, onde num tempo não tão distante um vereador foi expulso por não concordar com um projeto imposto pela prefeita. Teve seu escritório apedrejado. Depois da ampla cobertura que felizmente a imprensa deu ao caso, o partido procurou o vereador e aceitou-o novamente. O PT precisa se cuidar, já que para quem disse que ia fazer um governo "paz e amor" estamos começando muito mal.
Fernando Luis Leite Carreiro
FHC e Maquiavel
Qual o problema em assumir uma posição cética em relação às "boas intenções" da imprensa brasileira em geral (as mais consumidas pela massa)? Sabemos de antemão que ela atende a um só interesse (ou ao menos o atende principalmente, dentre outros proveitos "menos-materiais", digamos...) por mais que se diga que não: o mercado. Senão cética, que seja pessimista, porém que ninguém diga irreal. Penso que seria razoável pensar numa cartilha assim. E, para reflexão: perguntem a Fernando Henrique qual seu livro de cabeceira desde sempre. Resposta: O Príncipe, de Maquiavel. Ser e dever ser.
Rafael Aruga, Teresina
Imprensa como meretriz
Acho que a idéia não é liquidar com a imprensa, mas usá-la como uma meretriz, isto é, quando a necessidade for premente... Sempre, parabéns.
Carmen Lucia Borges de Abreu
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