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CARTILHA DA DESINFORMAÇÃO
A diferença é a impressão

Entendo a preocupação do autor, e como tem a essência do verdadeiro jornalismo em sua veias fica difícil aceitar a cartilha do PT. Mas devemos considerar o jornalismo que é feito no Brasil, a monopolização por grandes grupos – estamos ainda sob o domínio de famílias que representam grandes grupos econômicos –, a realidade que o jornalismo vive no mundo, em que suas teorias acadêmicas não condizem com o produto final, quando entram em jogo palavras como mercado, bolsa, dólar, concorrência etc. Qualquer profissional de jornalismo é obrigado a seguir metas e linhas editoriais que acabam frustrando e matando de vez os "Tim-Tins". Quanto ao PT, está agindo apenas com uma única diferença dos demais: imprimiu e distribuiu um documento. Não duvido da autenticidade do fato que desencadeou a matéria, mas me preocupo com o seu perfume espalhado por aí.

Patrice Lima

 

Nós (do RS) avisamos

Já tivemos cartilha aqui no Rio Grande do Sul, e o resultado foi desastroso. Vamos levar no mínimo um década para voltar à qualidade de informação sobre as atividades do poder público que tínhamos há até cinco anos. A semelhança também se estende aos autores da cartilha: em Brasília, agora, como aqui, são jornalistas (no caso gaúcho, jornalistas que, em sua maioria, pouco ou nunca estiveram em redações, e, em grande maioria, nunca se destacaram como repórteres, editores, ou colunistas e editorialistas). O passo seguinte à cartilha, aqui, foi mais desastroso ainda, embora corolário lógico: jornalistas e jornais começaram a não receber informações sobre as atividades do governo, e menos ainda publicidade. A propósito, li ontem sobre um ministro admitindo censurar a FSP.

Nada como um dia após o outro, e agora a história se repete aí com vocês. Nós avisamos.

Erico Valduga

 

A mais pura verdade

Concordo ser um absurdo o que foi publicado no manual petista. Porém, é preciso dizer que ele está falando a verdade mais pura do jornalismo. Ele nunca foi imparcial, e certos repórteres e jornais só publicam o joio, sendo que o trigo é ignorado. Essa não é, certamente, a situação ideal, mas é a realidade do nosso jornalismo. Portanto, o absurdo não é o que foi publicado na cartilha, e sim como os jornais trabalham e agem – de maneira completamente antidemocrática, visando interesses elitistas.

Bruno B. Arruda, Belo Horizonte

 

Receitinha pronta

Como professor de Comunicação e Jornalismo sinto cada vez mais a inutilidade de regar o jardim da imprensa livre e democrática. As deficiências da tal cartilha devem ser mais creditadas à incompetência técnica (em seu sentido amplo) do que a vieses político-partidários. Quem produziu o tal manual provavelmente não terá desenvolvido ainda a sabedoria das cãs e, imbuído da maior boa-vontade, terá achado que "receitinhas" – como planos de vôo para pilotos – prontas funcionam. O diploma.... ah, o diploma... Observatório da Imprensa e Alberto Dines: Deus lhes dê vida longa!!!

Moisés Mishel Levy

 

Sem traves nos olhos

Concordo com a visão de que a imprensa seja uma via democrática de informação e transmissão de opiniões. Mas não se deve esquecer, entretanto, a atuação de "profissionais" mal-intencionados que, na verdade, acabam atuando conforme menciona a dita "cartilha". Devemos tirar as traves dos olhos e admitir que o mau jornalismo está presente, sim! Deve-se, em função disso, esperar dos próprios jornalistas sérios uma forma de combater essa situação. Não se deve proclamar o quarto poder como uma forma de democracia que não pode ser atacada quando, com a omissão dos jornalistas sérios, os "trambiqueiros" da informação continuam atuando a serviço da desinformação de uma massa incauta e inocente, despreparada para separar o joio do trigo.

Sólon Curiale

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