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ABOBRINHA DA SEMANA
Padrão de pobre
A patrulha sanitária é só porque ele é pobre. Pobre, para passar pela ponte que leva ao castelo do burgomestre, tem que ser perfeitinho. Eu, por exemplo, que sou pobre, filha de pobre, tenho um dente escuro, desses tratados nos consultórios dos grupos escolares do Lourenço Filho, em SP, nos anos 50, já me disseram que para os cargos que exerço não deveria ter o dente assim. A observação poderia ser outra: por que nossas crianças das escolas públicas não têm acompanhamento de saúde adequado, para que cheguem à idade adulta com dentes brancos e brilhantes, óculos adequados, falas adequadas ao padrão da classe dominante?
É difícil atravessar o fosso cheio de crocodilos sem uma ajudinha...
Ana Lagôa
De utilidade pública
Creio que Dines não fez a melhor leitura da matéria em questão. "Lula tem língua solta" não é uma fofoca sobre questões ou tópicos privados (do tipo "X arrota"), mas um diagnóstico. Aliás, a matéria é uma resposta interessante – embora ainda imprecisa – a outras reportagens (das revistas semanais de duas ou três semanas antes) que "informavam" que Lula, Palocci e Cia. têm língua presa, e uma das soluções apresentadas para o "problema" por especialistas era a cirurgia – um picote no freio da língua. Ora, a fonoaudióloga ouvida nesta matéria informa aos leitores aquilo que um aluno do primeiro ano de Letras aprende: para produzir fricativas interdentais (que caracterizam Lula e Cia.), a língua presa seria um empecilho. Assim, creio que a matéria da Folha é até de utilidade pública.
Um dos efeitos indiretos de doenças de personalidades públicas (Tancredo, Covas, Ana Maria Braga...) é que acabamos informados sobre cuidados e profilaxias. Tratar de uma idiossincrasia anatômica quase irrelevante pode não render a matéria das matérias, mas o caso está longe de ser uma fofoca. Seu tratamento, aliás, não deixa de ser um sintoma da capacidade da imprensa para dar informações precisas ou para analisar adequadamente eventuais escorregões.
Sírio Possenti
NOVO CÓDIGO CIVIL
Os advogados que escrevam
Não se preocupe, meu caro advogado. A partir de agora, os próprios advogados vão poder escrever, diretamente, as notícias de legislação. Advogados são uma categoria, jornalistas, não.
Paulo Henrique de Sousa
A falha foi das fontes
Achei estranho este artigo de Márcio Marcucci. Em primeiro lugar, e aqui não faço nenhuma defesa dos veículos citados pelo articulista, se há alguma falha, esta se encontra nas fontes (os advogados), e não nos jornalistas. Essa história de jornalista fazer especialização para cobrir determinada área deve ser encarada com cautela. As coisas são mais simples do que a gente pensa. O jornalista deve perguntar o que a maioria da população quer saber sobre determinado assunto; não precisa de nenhuma especialização para isso.
Alguém pode perguntar: então, para que fazer Jornalismo? A responsabilidade social do jornalista é a diferença. Hoje mesmo assisti a uma entrevista no Bom Dia Brasil de uma especialista em economia (que eu nem sabia que era jornalista, mas acabei descobrindo que é formada pela UnB), Miriam Leitão, que ilustra bem o que um entrevistador não deve fazer.
Entrevistando o enviado especial do governo brasileiro à Venezuela, com toda a empáfia que lhe é característica, Miriam perguntou por que o Sr. Marco Aurélio Garcia teria dito à imprensa venezuelana que a oposição era golpista e que não falaria com eles, e por fim os procurou sem sucesso. Marco Aurélio desmentiu a entrevistadora por duas vezes e ainda afirmou que ela publicou somente o que interessava a ela, além de desafiá-la com provas. Não é a primeira vez que isso acontece com a "nossa colega". Nas entrevistas com os presidenciáveis, ela levou "um chega pra lá" de Anthony Garotinho e também de Ciro Gomes.
Quero deixar claro que os (poucos) jornalistas que conseguem devem fazer uma especialização. Mas nunca devem esquecer os fundamentos básicos de uma boa entrevista estudados lá na faculdade em livros como Entrevista, o diálogo possível, de Cremilda Medina, cujo título encerra qualquer dúvida.
Luiz Carlos de Oliveira, São Paulo
É muita ignorância
O autor tem toda a razão. Nem no Fórum(?) Social(?) Mundial o novo Código Civil tem oficina de debates para discutir um monte de regras que afetam a vida social dos brasileiros. Agora, tem cada jornalista que não sabe diferenciar código de lei de estatuto e de convenção... é muita ignorância.
Joe Segel
Leia também
Cobertura lamentável – Márcio Marcucci
RBS E FSM
Futilidades e desinformação
Boa mesmo está sendo a cobertura da RBS – de Porto Alegre para todo o estado – sobre o Fórum Social Mundial. No jornal de ontem à noite foi mais ou menos assim:
Primeira chamada: "Os corredores da PUC ficaram lotados porque estava ali Sebastião Salgado." Nenhuma imagem de Sebastião Salgado. Ninguém ficou sabendo sobre o que ele falou. Apenas a referência de que ele tirou fotos sobre a miséria em todo o mundo. Puxa vida, que bom que eles informaram!
Segunda chamada: "As pessoas de fora estão experimentando a caipirinha." Sem comentários. Ainda bem que não deram a receita da caipirinha, ou se deram, desculpem, eu perdi.
Terceira chamada: uma lista de shows que estão acontecendo, misturados aos shows de um outro evento que é promovido pela própria RBS em uma praia do estado.
No meio dessa salada de futilidades e desinformação, alguns títulos soltos e vagos sobre o que estava sendo discutido no Fórum. Perdi o jornal do meio-dia, mas deve ter sido por aí, com as suas três inserções de vários minutos sobre a previsão do tempo, além das muitas imagens de como está o tempo em várias cidades.
Tão bom estarmos bem informados...
Solange Mittmann, Rio Grande, RS
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