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VENEZUELA
Lições do subliminar
A Rede Globo, pelo Bom Dia Brasil, continua dando lições de como se pode apresentar um conteúdo neutro com forma comprometida. A mensagem subliminar funciona a pleno vapor na adesão da emissora à oposição a Chávez. Uma vergonha, como diria o Bóris Casoy. O Observatório tem obrigação de pôr a boca no trombone.
R. R. Baldino, Uergs, Guaíba, RS
Velhos e eternos interesses
Acabei de correr as páginas virtuais dos principais jornais brasileiros na sua cobertura sobre o Fórum Social Mundial, particularmente naquilo que se possa debater sobre mídia nesse foro, e noto o quanto o Manual do deputado petista 2003, de que nos falava Alberto Dines no último Observatório da Imprensa está certo, a despeito dos melindres de indignação que o próprio Dines expressa.
No âmbito do seminário "Informação, comunicação e globalização", realizado com a presença, entre outros, de Armand Mattelart e Giuletto Chiessa, abordou-se, entre outras coisas, o "caso" venezuelano como exemplo lapidar do que é a mídia empresarial a serviço dos seus velhos e eternos interesses. Isso mesmo! Velhos e eternos! E não vejo por que haveria algo de paranóia conspiratória abordar-se, com a frieza sociológica que merece, coisa como essa. Mas o que me parece mais instigante, além das constatações via de regra óbvias para todo aquele que não se rende nem à ingenuidade nem às idealizações românticas dos profissionais de imprensa, é a pergunta que poderia muito bem flutuar por trás desse cenário: e será que se pode falar de outra mídia efetiva hoje que não a empresarial?
E continuo me perguntando, agora para retomar o fio dos assuntos específicos que deixei no ar logo acima: Por que diabos, frente a uma iniciativa como a de Bernard Cassen, de escancarar um "muro da vergonha venezuelana", como painel da inescrupulosa imprensa daquele país – que gente como os liberais de punhos-de-renda do Observatório (virtual e televisivo) insistem em defender impassivelmente – toda a grande mídia se cala?
De fato, mutatis mutanti, se tivermos que pensar então, pragmaticamente, como a mídia brasileira deve ser encarada (por quem tem que, de alguma forma, encará-la), as recomendações que arrepiaram tanto o Dines no tal Manual do deputado petista 2003 parecem não ser muito mais que apenas o trivial! A Venezuela é aqui também, senhores jornalistas?
Ricardo Cavalcanti, antropólogo, pesquisador
Nota do OI: Solicitamos ao prezado leitor que indique algum artigo em que o Observatório defenda a mídia venezuelana anti-Chávez.
MÍDIA EVANGÉLICA
Falta interesse
Quanto ao parágrafo "A corrida dos evangélicos atrás dos veículos eletrônicos e a transformação dos sacerdotes em apresentadores de rádio e de TV constituem uma das distorções mais graves do processo mediático, já que as emissoras são concessões públicas de um estado democrático e deveriam atender a todas as crenças e também acolher o direito à descrença": não há nenhuma distorção do processo mediático nisso.
As concessões são públicas, sim, e não há nada de antidemocrático em evangélicos buscarem esse meio. Não está proibida a busca por outras religiões. O que acontece é que elas não têm esse interesse. Nada as impede. Os evangélicos fazem isso por ser a única maneira de divulgar sua fé. Afinal, terreiros e macumba, espíritas e católicos sempre estiveram na mídia, como pauta de matérias, participações em programas etc. Os evangélicos, não, os programas são sua divulgação, já que jornais só os citam quando há escândalos, o que há em todos os ambientes da sociedade.
Logo a mídia atende a todas as crenças, sim, e não força ninguém a crer nelas, logo, também há o direito à descrença.
Ricardo Ferreira
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