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CARTA CAPITAL
Distorção grave

Sempre prezei as qualidades de conteúdo da revista Carta Capital. Mas estou chocada com as distorções cometidas pela jornalista (?) Phydia de Athayde e com seus editores na reportagem "Quixotes da Ciência". Em vez de confirmar as informações mentirosas da presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, Regina Parizi Carvalho, segundo as quais "há consenso internacional quanto aos termos da Resolução nº 1480", a repórter deveria saber (por dever de ofício, ao investigar o assunto eticamente) que:

** O assunto está no âmbito do Conselho Federal (e não no estadual de São Paulo) de Medicina;

** O assunto não é objeto de consenso porque médicos e pesquisadores com trabalhos publicados em revistas científicas, como a British Journal of Medicine, mostram, demonstram e explicam que não existe uma prova definitiva dos limites da morte encefálica (o que derruba os critérios da resolução citada na matéria);

** Entre esses médicos está o Dr. David Evans, que tem estudos nos quais aponta as impropriedades científicas defendidas por transplantadores para declaração de morte encefálica, que é condição indispensável para realização de transplantes de órgãos vitais;

** O Vaticano apóia a posição de Evans e do Dr. Cícero Galli Coimbra, que foi desacreditado pela matéria, pela forma como a repórter conduziu o texto, dando a entender que ele está conformado com o assunto da forma como ele é tratado pelo meio médico oficial brasileiro, o que é mentira;

** Existe, desde 18 de junho de 2000, uma interpelação judicial junto ao Ministério Público Federal inquirindo o Conselho Federal de Medicina a apresentar argumentos técnicos e científicos que sustentem cabalmente a Resolução 1.480/97 do COnselho Federal de Medicina (CFM). Até hoje, o CFM não respondeu a esta interpelação.

Dados estes argumentos preliminares, gostaria que a Carta Capital se posicionasse de maneira responsável sobre o assunto, ouvindo a comunidade científica internacional sobre o tema, bem como o Conselho Federal (e não o estadual) de Medicina e reportando- se a documentos científicos e à interpelação judicial que existe a respeito desta questão. (a revista não tem colaboração com o jornal Guardian? Por que, então, não ouve o Dr. Evans?) Do contrário, apenas estará fazendo um jornalismo irresponsável e medíocre, igualando- se à maioria das revistas semanais que estão circulando. A conivência com o que foi colocado nesta reportagem implica a desqualificação do jornalismo científico, o que só corrobora teses de juízes que querem "nivelar por baixo" a formação profissional e acadêmica dos jornalistas.

Cláudia Viegas, jornalista,

 

OBRIGADO, OBRIGADO
Crítica à Opus Dei

Escrevo para agradecer ao Observatório, porque vocês também estão atentos com relação às mazelas que grupos como a Opus Dei são capazes de fazer. Através da leitura dos artigos de Alberto Dines (que não permite que o senhor Di Franco simplesmente faça na mídia aquilo que seus "companheiros" fazem lá dentro da seita), pude perceber que o OI foi para mim muito mais que um crítico da mídia. Ele me fez perceber que tanto na igreja quanto na mídia, enfim, na sociedade, estamos sempre nos deparando com conservadores e progressistas, com radicais e moderados, com interesseiros e altruístas. Ao misturar tudo isto com religião, a Opus Dei acaba, através da confusão nos incautos, causando males como o que aconteceu na minha família.

O apoio do OI foi como sair de um lodaçal de dúvidas e insegurança e cair em terra firme. A partir do momento em que tenho que trabalhar apenas com os problemas de um relacionamento pai-adolescente tudo fica mais fácil. Um grande abraço para vocês.

Nelson Yokoyama, Londrina, PR

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