29/07/2003 2/10

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MÍDIA ESQUARTEJADA
Perdido como bala

Lendo a matéria "Vamos esquartejar a mídia", é preciso cuidado para não se cair em extremos. O falastrão ex-governador (ou atual também?) do Rio, em mais um exercício de retórica, desvia o foco da sua responsabilidade pela segurança do Rio deixando a imprensa em xeque. O problema é que, populismos à parte, há uma certa razão quando se fala dos exageros da imprensa na cobertura policial carioca. As "ondas de violência" são tão sazonais quanto as águas de março, e quem é morador e tem consciência dos apelos sensacionalistas dos jornais compreende o que estou falando.

Há pouco, cada bala perdida ou homicídio era primeira página (com o sugestivo título "A guerra do Rio" ou "A nossa guerra", paralelo ao conflito no Iraque). E hoje? Terá a violência diminuído de fato? Ou nunca existiu nas proporções alarmistas antes alardeadas? Essa é a dúvida cruel do morador do Rio hoje, tentado à paranóia. O que apenas compromete a credibilidade da imprensa, que em sua apuração deixa o leitor tão perdido quanto as balas – que já foram parar até na novela das oito.

Marcos Lessa

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"Vamos esquartejar a mídia" – Luiz Weis

 

MÍDIA & GOVERNO
O que é direito social?

Sobre o artigo "Uma imagem muito confusa", de Muniz Sodré, e a conclusão de que a mídia deveria considerar sua própria reforma informacional, OK, isto é o óbvio. Qualquer instituição, pública ou privada, comercial ou não tem que se questionar diariamente para sobreviver neste mundo moderno. Mas dizer que "para colunista de jornal ou de televisão com salário superior a dez mil dólares mensais todo direito social é um "privilégio" e todo progresso da sociedade é apenas um avanço do mercado", francamente!

O que é "direito social" num país como o Brasil ? Será necessário relembrar que estamos num dos países mais desiguais e injustos do mundo? O foco desta reforma não é um mero ajuste fiscal, embora apenas isto a justificasse, pois trata-se de dinheiro arrecadado com impostos pagos por todos os cidadãos, desde os mais humildes que compram um quilo de feijão até o mais abastado. O foco é justiça social, e Justiça pressupõe que todos sejam iguais, ou não? Se o jornalista que recebe 10 mil dólares mensais não atender às expectativas de seu jornal, certamente ele irá pra rua, e não é bem assim no setor público, como todos sabemos...

O que eu queria era ver os milhões de famintos, jovens e velhos carentes e desempregados, sem assistência médica, segurança, educação séria, enfim, sem nenhum direito "adquirido" marcharem até nossa capital pra fazer frente a essa elite corrompida dos servidores e juízes que burocratizam e atrasam há décadas o desenvolvimento deste gigante adormecido e eterna futura potência que conhecemos como Brasil. Infelizmente, quem trabalha no "mercado" não pode faltar ao trabalho pra ir atrás de reivindicações em Brasília...

Rodolfo de Paula

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Uma imagem muito confusa – Muniz Sodré

 

COMUNICAÇÃO CORPORATIVA
Hemácia agradecida

O texto do professor Paulo Nassar sobre comunicação corporativa também se poderia intitular "Como Maquiavel levou a melhor sobre Kant", no sentido de que a lógica empresarial tende a considerar o homem que trabalha como um simples meio para que a empresa funcione, uma simples hemácia que oxigena a empresa, mas que, sozinha, não faz a menor falta. O homem que trabalha se apresenta, então, como uma ferramenta do homem que manda (a cruel metáfora é de Aristóteles na Política) e deve agradecer a infinita benevolência de quem lhe oferta o ganha-pão.

Não, nada de identificar esquerdismos ou direitismos na minha observação, já vou esclarecendo logo (como se sabe, a rotulagem prejudica o debate): apenas uma constatação de uma conseqüência necessária de tal concepção. E tal lógica, que se contrapõe francamente ao liberalismo de um Kant – para quem a dignidade do homem consistia em nunca poder ser considerado um simples meio, mas sempre um fim em si mesmo – e, mesmo, a uma lição antiga de Confúcio, estampada nos Analectos, segundo a qual um homem não é um utensílio, vai se estendendo mesmo ao trabalho denominado "intelectual", em que a conveniência econômica passa a determinar até mesmo o que pode e o que não pode ser objeto de pesquisa, consoante se pode verificar na Teoria geral da política de Norberto Bobbio.

Ricardo Antônio Lucas Camargo, advogado em Porto Alegre

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Big Brother e o exército de bonecos – Paulo Nassar

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