FALSIFICAÇÃO ELETRÔNICA
Carreira fala por si
Tomei há pouco conhecimento da trama de que é vítima o jornalista Lúcio Flávio Pinto. Fiquei estarrecida com o tratamento dado pelo Observatório da Imprensa a um profissional cuja carreira e os serviços prestados à imprensa brasileira falam por si. Indignada por saber que dediquei tanto tempo de minha audiência a um programa e a um grupo de profissionais que, pela atitude neste episódio, deixaram de merecer dessa leitora-espectadora o status de boa fonte de informação. Fico imaginando se a vítima desse ataque fosse um jovem profissional, sem a capacidade de resposta e defesa que tem Lúcio Flávio. Horrorizada pela baixa acuidade dos editores do OI, pois é flagrante para qualquer razoável observador que o texto atribuído a Lúcio, pelo estilo e qualidade da informação, não saiu de sua pena.
Li a correspondência entre os editores do OI e o Lúcio Flávio verdadeiro, e fiquei apavorada com a rapidez com que os editores do OI presumiram a responsabilidade de Lúcio no caso. Fico pensando por que a equipe do Observatório da Imprensa, chefiada pelo experiente Alberto Dines, preferiu acreditar na fraude.
Mirtes Rocha Morbach, Belém
Cuidados e cautelas
Certamente o pessoal do Observatório já tirou todas as lições possíveis do episódio "Pinnochio ambiental". Mas atrevo-me, à distância, conhecendo dos fatos apenas o que o próprio Observatório deu a conhecer, ajuntar um par de palpites, sem querer que a fogueira dure mais do que deve ou que a fumaça suba além do que precisa. Para efeito deste comentário vou deixar de lado a reação atabalhoada e confusa do Lúcio Flávio Pìnto, concentrando-me nas ações do OI.
1) Da leitura de todo o "dossiê" ficou-me um ressaibo: a defesa apaixonada e enfática que o Dines fez de seus colegas, responsáveis por um processo que teve altos e baixos. Não foi, a meu ver, um desarme que mereça elogios incondicionais. Esperava ler, do Dines, além da justa defesa dos acertos do seu pessoal, alguma crítica às falhas. Ele não dirige um jornal, dirige um instituto cultural de evidente função didática. Onde os erros devem ser examinados com desassombrado olhar profissional.
2) As queixas dos citados no texto acusatório (ainda que o Dines tenha se revoltado defensivamente com o tom das queixas), são claras e coincidentes: a condução do processo criou problemas adicionais. Um pouco mais de tato (e experiência?) teria evitado alguns atritos.
3) A denúncia, a matéria quente, o fato sensacional, sempre nos animam. Despertam o jovem impetuoso mesmo no peito dos velhos jornalistas. Mas a experiência ensina (e a gente nunca aprende) que não se deve ter pressa para publicar denúncias não-confirmadas. Mesmo num jornal diário. O Observatório, parece, reconhece isso ao anunciar que a partir de agora essas matérias não estão sujeitas à pressão do fechamento. Fosse eu um pouco mais ranzinza e ajuntaria um "só agora?" Mas não farei isso.
4) No mais, é claro que o editor cumpriu sua obrigação ao tentar ouvir os citados. Poderia ter feito isso de forma mais hábil, mas estava no caminho certo. E é lógico que quem quer que tenha usado o e-mail do Yahoo! sabia que usando o nome de um velho colaborador tornaria tudo menos difícil. Afinal, o editor estava atuando de boa-fé e o malandro, enquanto não é descoberto, sempre está alguns passos adiante das pessoas a serem enganadas. O pedido de desculpas da equipe demonstra maturidade e humildade, qualidades valiosas, porque escassas.
5) E só para encerrar: espero que o Observatório, se um dia receber um texto acusatório de fonte conhecida, de autoria confirmada, tome também todos os cuidados e tenha todas as cautelas, apurando com calma antes de publicá-lo. Esta casa, tanto quanto aquelas que são observadas, precisa ajudar a desenvolver rotinas de trabalho que reduzam o risco da exposição da honra a alegações falsas e criminosas.
Cesar Valente, jornalista. Florianópolis
Digno de riso
Termino de ler o dossiê elaborado pelo jornalista Lúcio Flávio Pinto sobre o deprimente episódio de uma fraude eletrônica envolvendo seu nome. É digno de riso verificar como vossas senhorias foram apressadas na investigação e na denúncia contra o jornalista Lúcio Flávio Pinto. É digno de riso já que vossas senhorias estão sempre acima do bem e do mal, enquanto eternos arautos da verdade, mas se deixam seduzir por uma história tão pífia. Daí a gravidade dessa história. Se Lúcio Flávio Pinto não tivesse reagido à altura da agressão da qual foi vitima, com toda certeza estaria sentado no banco dos réus por um crime que não cometeu. Fico pensando que se na apuração das noticias forem tão aplicados como no caso em questão estão com sérios problemas a democracia e o cidadão. Vamos ao e-mail emitido pelo jornalista Alberto Dines ao denunciador-denunciado (palavras dele), Lúcio Flávio Pinto, um primor de oportunismo e descompromisso com a verdade.
Pergunto: 1) Quais são os antecedentes que prejudicam o jornalista Lúcio Flávio Pinto (conforme e-mail de Alberto Dines, datado de 17 de junho de 2003) e que foram responsáveis pela negação sobre as evidências de que não havia sido o jornalista Lúcio Flávio Pinto quem havia escrito aquela tola matéria?; 2) Vossa Senhoria acolheu uma acusação assinada por Lúcio Flávio e remetida ao Observatório da Imprensa por "boa-fé" ou porque o trabalho jornalístico de Lúcio Flávio Pinto é digno de ser chamado como tal? 3) Por que a acusação realizada por Lúcio Flávio não pode ser contestada? Afinal, a liberdade de expressão é tão incômoda assim ao OI? Será que Lúcio Flávio não teria condições de argumentar em defesa de suas acusações? 4) Por que um jornalista que tem tido a coragem de enfrentar toda sorte de obstáculos para manter, talvez, a única fonte de informações que pode ser denominada de imprensa livre no Pará, não assinaria a autoria dessa matéria se a tivesse escrito?
Senhores, lamento informar que a imagem do Observatório da Imprensa ficou bastante arranhada neste episódio. Mesmo com as desculpas que com toda certeza vossas senhorias devem ao insigne jornalista, não dá para deixar de fazer uma estreita relação entre essa atitude e a velha prática das elites brasileiras que para silenciar a liberdade de expressão, na ausência de bons argumentos, sempre preferiram a bala, certeira e mortal. Assim tem sido. Nada de novo no front.
Marise Morbach, Belém
Estilística diferente
Sobre o caso da bomba desarmada, discordo inteiramente de Klester Cavalcanti. Quem leu o texto do falso Lúcio e conhece o estilo do verdadeiro sabe muito bem que os textos são completamente diferentes... Só se o leitor for míope ou não souber diferenciar a estilística do LFP. Até a forma de se expressar é diferente...
Karla Ferreira, Belém
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