29/07/2003 7/10

Envie para um amigo  Procure no arquivo

FALSIFICAÇÃO ELETRÔNICA
Aprender com os erros

Acredito que o senhor Klester ainda esteja extremamente ressentido com a última pendenga com o jornalista Lúcio Flávio Pinto. O OI agiu com extrema cautela. Mesmo que tenha cometido um erro anteriormente, demonstrou com extrema sabedoria que soube aprender com esse erro. Mas parece que o Sr. Klester continua remoendo erros do passado e se nega a enxergar a realidade presente. O OI segurou a matéria até o tempo correto. Ou seja, não abortou precocemente uma matéria que poderia conter uma verdade. O que queria o Sr. Klester? Que se derrubasse uma matéria antes mesmo de se constatar sua evidente falsidade? Não seria a mesma coisa se tivesse sido publicada sem corroborar a autenticidade?

Creio que o Sr. Klester se mostra extremamente vingativo quando tenta habilmente disfarçar sua "acusação" de que o Falso e o Verdadeiro Lúcio Flávio Pinto seriam a mesma pessoa. Ele se utiliza de um "discurso" que aparentemente apenas especula, mas que na verdade, disfarçadamente, lança acusação sobre o jornalista. Quem costuma trabalhar com análise hermenêutica de discurso percebe isso facilmente. Sr. Klester, bola pra frente, faça como o OI. Aprenda com os erros do passado e tenha a humildade de reconhecer seus próprios erros.

Anna Jansen, Rio de Janeiro

 

A quem interessa o crime?

"Nós não estamos no mercado, queremos saneá-lo." O comentário feito pelo Sr. Alberto Dines é tão preocupante quanto todo esse episódio sórdido. O que significa "sanear" o mercado? Espero que não seja uma tentativa de imitar um Comitê de Salvação Pública ou um Tribunal do Santo Ofício – como bem sabe Dines, autor de um excelente livro sobre o tema, o bem documentado Vínculos do fogo. Um princípio elementar do direito foi quebrado neste caso. Todo sujeito é inocente até provado culpado, E o ônus da prova cabe ao acusador. Ora, os três jornalistas difamados foram instados a provar sua inocência, sem que houvesse alguma evidência de sua culpabilidade a não ser um e-mail! Isso é uma atitude própria de ditaduras. É louvável do Sr. Dines que defenda sua equipe (faltam editores assim no tal mercado). Mas a equipe errou feio em inverter o ônus da prova. Meu colega Claudio Angelo – cuja irritação é perfeitamente válida – teve que provar que não escreveu algo, em vez de ser confrontado com a prova, o suposto texto! É patético.

Tempos atrás um colega, então assessor de imprensa de uma universidade, se divertia em mandar e-mails anônimos xingando pesadamente jornalistas de vários órgãos. Em dado momento, tentou me intrigar com um amigo (e colaborador do OI), Ulisses Capozolli. Uns dados biográficos que ele antes inadvertidamente passara, mais a identificação do endereço IP, me permitiram identificar o sujeito. Era apenas um pobre coitado. Mas que poderia ter causado danos com sua atitude. A quem interessa esse novo "crime"? Quem ganharia em envolver quatro jornalistas respeitados, todos autores de matérias sobre ambiente e Amazônia, em uma trama destas? Ciúme de algum colega psicótico? Brincadeira de alguém que precisa de tratamento psiquiátrico? É, de fato, um caso de polícia.

PS – Se quiserem me identificar de fato, podem pedir meu telefone.

Ricardo Bonalume Neto, repórter Folha de S. Paulo

 

Silvio Santos? Não, um fake...

Date: Wed, 23 Jul 2003 13:55:43 -0300

From: silviosantos@sbt.com.br

Reply-To: marcel@grapiuna.com.br

Organization: Grapiuna Web

To: obsimp@ig.com.br

Impressionante a tentativa de fraude, o que serve até como elogio: ninguém se daria ao trabalho se o OI não fosse a referência que é. Gostaria de comentar sobre as formas de se evitar este tipo de manipulação via e-mail. O Lúcio escreveu que "um serviço de cadastramento e checagem preveniria golpes como esse". Infelizmente não previne. O e-mail do fraudador pode nem ser do Yahoo!. Qualquer pessoa que tenha um servidor de e-mail instalado no computador pode forjar a identidade nos cabeçalhos. Spammers fazem isso com freqüência, e quem usa Linux, como eu, pode fazê-lo até no formulário de envio de e-mail, sem esforço.

Como exemplo enviei este e-mail como se fosse do Silvio Santos, vindo do servidor do SBT (não me dei ao trabalho de eliminar outras pistas do cabeçalho, como Reply-to, já que é só um exemplo). Não (ha ha... oiiii), não sou o Silvio nem estou fazendo pegadinha com a Contigo!...

O fato é que aquele endereço <luciofpinto@yahoo.com.br> poderia ter sido forjado sem a necessidade de abrir uma conta no Yahoo!. Por isso, um cadastro de e-mails não resolve o problema. Investigar o IP também não, já que ele também pode ser forjado e freqüentemente o é pelos spammers.

O melhor a fazer é exigir do denunciante um telefone de contato e ligar para ele. Um cadastro, construído ao longo do tempo, com os telefones de quem colabora, ajudaria. A propósito, os meus são (...). Mesmo assim, é possível falar ao telefone se passando por outra pessoa (hackers fazem muito isso, para obter nomes de administradores de sistema e senhas). Continuo tendo o e-mail <radio@morena.com.br>, mas às vezes uso outros. A Rede Morena tem um provedor de hospedagem/e-mail/loja virtual/registro de domínios chamado Grapiuna.com, daí o e-mail diferente.

Conclusão? Nestes casos o melhor mesmo é a boa e velha investigação jornalística, checar todos os fatos e fontes e só depois publicar. Como, aliás, mestre Dines já tinha aventado no final do artigo. Abraços.

Marcel Leal, empresário de comunicação no Sul da Bahia <http://www.aregiao.com.br>

 

Vou esperar 60 anos

Fiquei muito decepcionada com a maneira como o Observatório da Imprensa procedeu no caso do falso Lúcio Flávio Pinto. O verdadeiro – a quem conheço há 13 anos – sempre assumiu tudo o que escreveu, mesmo pagando caro por isso. Não conheço nenhum dos três jornalistas citados no tal artigo, mas tenho certeza de que todos mereciam melhor tratamento deste OI. Na minha opinião – formada, em parte, a partir do que li neste site e da admiração que sempre nutri por jornalistas como o senhor Dines – foram vários e graves os erros do OI: 1) Comunicou-se com os denunciados por e-mail. E se um dos três não tivesse visto a mensagem? O OI teria se limitado a publicar o tradicional "o acusado não quis falar sobre o assunto", que tanto vemos nos "jornalões" tão criticados neste Observatório? Todos nós sabemos o efeito que esse tipo de opinião causa sobre a opinião pública. 2) Como um site como o OI se permite receber e-mail de colaborador sem pedir sequer um dado pessoal? Identidade, CPF... 3) Uma vez contactado, Lúcio afirmou reiteradas vezes que não foi o autor do e-mail e os editores do OI consideraram a fraude um problema exclusivo dele (Lúcio) e, subvertendo o princípio básico do direito de que todos são inocentes até que se prove o contrário (como essa frase está gasta e ainda assim tão necessária!) passaram a tratá-lo de "denunciador/denunciado".

Como leitora/telespectadora do OI exijo que a confiança que sempre depositei neste espaço e que me foi roubada com o episódio seja devolvida. O Observatório tem a obrigação de levar a investigação até o fim e de nos dar repostas. De onde partiu o e-mail fraudado? Qual o propósito? Essa é uma pauta sem deadline porque merece ser apurada até que não restem dúvidas. Tenho 30 anos e espero viver mais 60 para, se necessário, esperar a resposta que salvará este Observatório do descrédito.

Rita Maria Costa Soares, jornalista, Belém

Leia também

Observatório desarma uma bomba – A.D.

A história de uma fraude – Luiz Antonio Magalhães, Marinilda Carvalho e Luiz Egypto

Mande-nos seu comentário


Observatório | Índice da edição | Busca
Objetivos | Purposes | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe