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OBSERVATÓRIO ELEITORAL
Malsinada edição

Quando li o artigo de Luís Weis no OI tive incontrolável impulso de dizer que fiquei orgulhosa de ter sido contemporânea dele na Veja, naquela prisca era em que se podia ler a revista sem tapar o nariz. Foi a melhor coisa que li sobre a malsinada edição. Vou me despedir com um Agora é Lula, porque sempre fui e serei petista de carteirinha, com muito orgulho. Como sei que Weis nunca foi petista, mas sempre foi um excelente jornalista, com quem muito aprendi, meu orgulho é maior ainda.

Tânia Maria Mendes

 

Do lado da degradação

As três cabeças aludidas poderiam ser plenamente substituídas pelas de Bush, Blair e FHC, e quem sabe o rabo de Margareth Tatcher. Fiquei enojado com a parcialidade de Veja, demonstrando claramente de que lado está. Do lado da degradação moral deste país, tão violentado e lesado nos últimos oito anos de FHC e seus apaniguados. Paciência, nem sempre se lê o que se quer.

Alexandre Oliveira

 

Favelização do Brazyl S/A

A decadente e reacionária revista Veja tem medo do regime democrático, que pressupõe a transparente alternância de poderes. A revista Veja apostou em Collor et caterva (e em seu modus operandi) e ganhou a eleição – mas o Brasil perdeu, a ética e a democracia social também. A revista Veja apostou num ocasional ex-sociólogo, ex-marxista, ex-ateu – e amigo de Maluf, Jáder Barbalho, Romeu Tuma, Hildebrando Paschoal, ACM, Sérgio Naya (todos liberais e amigos do alheio) – e a social-democracia (que o tucanato preconizava) perdeu. O Cassino Brazyl S/A ganhou. O povo, ah, o povo, razão de ser do próprio espírito do estado de direito (e ético-conunitário-plural-humanista), perdeu. Veja errou? A Veja não reconheceu isso, não admitiu...

Vamos a um juízo de valores. Um político comum como FHC quis ser presidente dessa até então republiqueta de bananas. Mas, como nunca chegou a ser realmente pop, nem tinha um trabalho de base na política em favor dos fracos e oprimidos – apesar de ser sociólogo, professor e marxista (e do povo ser a razão de ser do Estado) – ele, sonhador, todo vaidoso e impoluto, sentiu/captou que, se um falso plano econômico de ocasião (importado do FMI) de cara equiparasse nossa moeda ao dólar (para enganar a maioria alienada da população), independentemente dos problemas sociais que geraria no futuro, poderia dar-lhe uma falsa notoriedade via open-doping de grande parte da mídia conivente e atrelada ao Cassino Brazyl Sociedade Anônima. Então, eureca, garboso e trancham, não titubeou e, por troca de pencas de favores suspeitos de bastidores político- empresariais, de uma hora pra outra, sem ser economista de renome (ou que prestasse com fito social-humanista), virou ministro da área no governo Itamar. De presto e sem medir acertos, entre maracutaias, frustrações, engodos, pacote pronto, fez a parnafernália toda, acabando num verdadeiro estelionato eleitoral.

Toda a imprensa ao estilo maria-vai- com-as-outras entrou nessa. A Veja levou FHNistão ao sétimo céu. Quem lucrou com isso?

Só que, resultante, FHNistão foi eleito. O Brazyl de hoje é toda a soma de um trajeto hediondo e nefasto nesse sentido. Que país é esse? Quem é que vai pagar por isso? Quem é o ladrão? Valendo-se disso e também de um esquema sujo (alto custo social) de privatizações-roubos suspeitas e amorais (e mal- feitas) – vide falsa crise do apagão – como os amigos do alheio (e a Veja) não crendo na democracia como alternância de poderes, FHNistão resolveu pagar alto valor para ser reeleito: segurou o peso-moeda do embuste chamado Real (porque o lastro era falso). Mal reeleito (até com facilidade, porque a mídia foi vassala), de uma hora pra outra (a dura realidade) nossa moeda passou a valer quase nada, como não vale nadica até hoje (na quebrada Argentina o dólar é mais barato),. Até economistas internacionais de renome dizem que o erro de nosso FHNistão foi exatamente isso: querer ser mais do que era. Ficar muito tempo no poder. E que esse é o verdadeiro Risco Brasil. O circo-horror-shor de sua sórdida Reeleição. Mas parte da imprensa dita ex-direita foi na onda. A Veja embarcou nessa, sem medir transparência ou mero conhecimento tácito de estratégias e purgações sociais.

Pois bem, numa das edições dominicais da Folha de S.Paulo de semanas atrás, um belo cartum mostrava o Ar. Viajando Henrique Cardoso conversando com a Dona Ruth – por acaso minha parente distante (e com meu sobrenome) – dizendo que saía sem dever nada, quando no enorme vidro ao fundo do desenho via-se/espelhava-se a miséria cercando seu feudo tucano inumano e aético, lá em Brasília. Dias depois, na mesma Folha, o nome FHC em alto relevo, construído com barracos. A favelização... A Veja não faz crítica de candidato oficial? Quem a Veja quer enganar?

Bem, que o povo quer mudanças, todo mundo sabe. É um voto atrasado de protesto, de revolta contida. Sim, somos um povo pacífico. Que o Lula Light vai ganhar e dar um couro no "laranja" do Serra, também. Ora, o FHC não apóia o Serra, nem o Serra se sente bem dizendo que FHC é seu amigo. Eles se conhecem bem. Roto e rasgado? Tudo muito estranho. Se o Serra ganhasse, tudo iria estourar pra esse tucano (que até é melhor do que FHC), e o culpado seria crucificado no próprio partido. Como isso ficaria para o ego abilolado do FHNistão? Como os corruptos e ladrões têm medo do Brasil, como no fundo FHC sempre admirou Lula – que é melhor do que ele, mais inteligente, mais digno, tem mais natural representatividade pertinente (só não tem estudo e nem é poliglota), que tal deixar a Bomba-Brazyl (quebrado) estourar no Companheiro das Diretas, o Lula? A Veja já viabilizou essa hipótese? Ou vai se camuflar, hipócrita?

Sim, porque moro em São Paulo, tenho amigos no exterior, no país todo, tenho parentes no interior, na rabeira com o Paraná, e temos uma enorme favelização desse Brasil que o FHNistão nos deixou, e que vai piorar, tanto pelas riquezas injustas, pelos contrastes sociais, pelas tantas propriedades que são roubos (capitalismo é mesmo outra coisa?), quanto pelos lucros impunes, concessões de pedágios que precisam ser auditadas até mesmo as privatizações-roubos e outros rombos e novos abismos mais. A violência generalizada é só um reflexo imediatista disso. Mas a Veja não avalia impunidade (até com relação ao governo FHNistão), improbidades sazonais, corrupção institucionalizada em todos os níveis, violência por atacado e tudo mais.

Mas não é que já tem tipinho pivete, babaquara e arigó aí, inclusive jornalista (perdendo a boquinha?) criticando o Lula e dizendo que, com ele, vai ocorrer a Cubanização do Brasil? Ora, e a nossa Favelização Desordem Sem Progresso, que rótulo leva, ou só estão disfarçando o camuflo? Ridículo. A que a Veja se presta? Pensar pode.

Já sacanearam a Erundina do PT aqui em Sampa, o estado mais reacionário do Brazyl. O próprio decadente Estadão, a Veja e a acabada Rede Bandeirantes fizeram isso. Ruralistas, a extrema-direita, os barões de Brasília, os corruptos e ladrões que financiam o nosso capitalhordismo americanalhado não querem um Brasil limpo, progressista, nem forte concorrente de outros países, ou mesmo um líder exportador nesse lado subdesenvolvido da América Pobre.

Amigos meus comentam: será que o Serra entrou de "laranja" nessa? O Lula vai assumir uma bomba-relógio. Tudo bem disfarçadinho, claro. Milhões de desempregados. Milhares de ex-empresários caindo na marginalidade da economia informal. O narcotráfico a mil por hora. Com know-how. Os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Que país é este? Um resto de restos... Isso a Veja não avalia? Ser inteligente não é obrigatório, mas o povo não é tão mané assim. Pelo menos não o tempo todo. Não agora.

FHNistão foi mesmo um presidente muito chique e culto. Mas só ajudou banqueiros e amigos do alheio. A parte social (dívida homérica) do tucanato ficou só no papel, nas promessas. José Aníbal, presidente do partido, rejeitado nas urnas (teve uma merreca de votos aqui em SP), ainda se esgoela para defender o indefensável, pensando que pensa, achando que é o que não é, com conversa fiada pra boi dormir, achando que o povão é sempre trouxa. E vale-se de terrorismo eleitoral sem precedentes... E grande parte da mídia babaquara sem vergonha na cara para sacar o óbvio. A Veja continua literalmente fazendo tipo.

O PT perder pro Collor e a maracutaia da Rede Globo pode. Com a Veja indo de bubuia na vazão do momento. O PT perder pra maracutaia do embuste chamado Plano Real pode. Com a Veja tecendo hilários aleluias ao açodado engodo financeiro-econômico. Mas o Laranja Serra perder para o Lula não pode. A Veja, como Antonio Ermírio de Morais (devedor do BNDES), tem medo do que mesmo? Ficam inventando "medismos" como o da ex-namoradinha do Brazyl, agora chamada "Amebinha" do Brazyl. Ela devia ter medo da grana que o partido com o qual simpatiza aplicou no estelionato eleitoral a favor do podre lastro-moeda via Proer. Só para contar uns dos tantos podres do governo. Não deu na Veja?

Se o leitor da Veja e do Estadão tiverem acesso à internet, numa busca do Google ou do MSN colocarem "Corruptos e ladrões", ou mesmo "Corrupção no governo FHC", vão ver que tá tudo ali. Sem tirar nem pôr. Mas o povão não lê jornal. Quem lê a Veja? O povão só compra gás e pãozinho. E bem sabe (e sente no bolso) quanto custou tudo isso e muito mais (e sem aumento salarial) quanto subiram os preços desde os 8 anos do FHNistão, falindo a classe média, como no Iraque, na Argentina, no Afeganistão. Só não vê quem é mané. Ou riquinho janota e boçal. Ou quem vai na fiúza da Veja!

E depois, a bem da verdade, ganhe quem ganhar, o partido nosso, de coração, será sempre o Brasil. Os amebas da extrema-direita anti-petista que vão se acostumando. Ninguém na Veja vai sofrer revés. Não aceitaremos terrorismos. Não aceitaremos golpes. Não aceitaremos continuísmos, mesmices. Queremos investigar direitinho tudo o que essa cambada fez. Sonhamos uma auditoria até mesmo bancada por ONGs internacionais. Vai ser uma podridão jogando lixo no ventilador das etiquetas burguesas. Talvez nem dê na Veja. Talvez a revista acabe ou alguém a assuma com mais verve, patriotismo, transparência.

O Risco Brazyl é continuarmos indo pro abismo, a vaca Brazyl pro brejo, como estamos indo. Aliás, numa das passadas capas da Veja, estranhamente ela colocou Brizola e Maluf como sauros, nem desconfiando que um é patrimônio histórico da democracia – a Veja adora regimes de exceção? (a canalha de 64 odiou Brizola, sobre o qual não pesa o que pesa sobre FHNistão) – e o outro representa o capitalhordismo (somos bancados por ele) que a decadente Veja adora, defende (e pelo qual se norteia) de forma até amoral, inumana e pouco ética nas relações leitor-linha editorial, se é que tem uma. Falando sério: a Veja está sempre na contramão da história... Será de propósito? Por quê? Suspeito...

Um Brasil para todos os brasileiros. A Veja precisa despertar para a dura realidade é a dura resposta das urnas. Isso é democracia. Gostoso. Veja, sai de baixo! Agora é a hora da Estrela.

Silas Corrêa Leite

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