|
OBSERVATÓRIO ELEITORAL
Golpe sujo em Sergipe
Sou sergipano, estudante de Ciências Econômicas da Universidade Federal da Bahia e eleitor de Zé Eduardo Dutra. Recebi um e-mail cujo suposto remetente é o atual prefeito de Aracaju, Marcelo Déda <prefeito@aracaju.se.gov.br>, contendo um vídeo em que um suposto Zé Eduardo seria agredido pela mulher na presença de uma amante (como afirma categoricamente o texto presente no e-mail e no site). O e-mail remete o leitor a um endereço <http://zecagao.tripod.com>, onde o candidato ao governo de Sergipe é atacado de forma covarde. Não sei quem, de fato, enviou este e-mail. A verdade é que ele começará a circular na internet, na tentativa de destruir a reputação do candidato do PT. Como eu conheço bem a oligarquia que governa com botas e chicote o meu estado, só posso pensar que tal atitude beneficia diretamente o candidato do PFL, o Sr. João Alves Filho, por sinal, um integrante de longas datas da pitoresca oligarquia sergipana. Espero que os senhores, representantes da informação livre e limpa, apurem esse fato que significa uma violenta ameaça aos princípios democráticos e significa a possibilidade de um golpe sujo da direita em Sergipe.
Antônio de Pádua Melo Neto
Mercado ditou a campanha
A grande batalha midiática em que se transformaram as eleições, no Brasil, nos remete a estás terríveis indagações. Quem será o grande vencedor? Qual é o marqueteiro mais esperto? Qual das agências conseguirá o melhor faturamento? Este é o quadro em que se transformou aquilo que deveria ser a expressão maior da democracia, a eleição. Magos da comunicação, isto é, renomados marqueteiros, assumem o comando das campanhas dos principais candidatos aos governos estaduais e à Presidência da República. A grande massa incauta formada por "cidadãos" pós-modernos, fragmentados e televisivos, adere ao espetáculo.
Os produtos "candidatos" são adaptados para atender ao mercado de consumo. Os ventos indicam que a atual tendência é a "mudança". A ordem inquestionável é: o mercado dita a tendência, o importante é vencer, as alianças fortalecem o produto não importando se no passado e no presente as divergências eram de caráter inconciliável, é preciso agregar valor ao produto. Mudança segura e cautelosa que podemos frear ao sinal da inquietude do mercado é outro mote. Nos bastidores especialistas em efeitos especiais, aliados aos melhores roteiristas da ficção, comandam o espetáculo.
De um lado os azuis, do outro os vermelhos. As torcidas estão uniformizadas, as bandeiras empunhadas, os hinos ensaiados, televisores ligados. O show vai começar. Depois de mais de um mês de programação "competição" os dirigentes dos partidos e seus torcedores aguardam no Sambódromo o resultado das primeiras apurações. Como resultado do primeiro turno, algumas surpresas, os vermelhos cresceram bastante no parlamento, mas os azuis de todos os tons ainda são maioria, os serdes, quase inexpressivos, conseguiram algumas cadeiras, e até o cinza dos 30 segundos, mesmo sem marqueteiro, incomodou muita gente.
No segundo turno os ânimos se acirram. Afinal de contas o que está em jogo, além dos milhões de reais, é a melhor campanha publicitária, a honra e a competência dos marqueteiros. O Big Brother anuncia incessantemente em horário nobre, "A arena está montada", os representantes das campanhas estarão defendendo as qualidades inerentes aos seus produtos perante um grupo de representantes de vários segmentos do mercado de consumo. Diante deste absurdo em que se transformou o processo eleitoral no nosso país, é mais que urgente a necessidade de uma profunda reforma política e eleitoral, que somente será viável e factível se esta vier da vontade popular, de um movimento cidadão descomprometido com as oligarquias políticas existentes. E é bom lembrar, não importa cor ou tons favoritos de cada um, todos teremos que arcar com as conseqüências.
Sergio Diniz
Serra não ficou em segundo
A soma de abstenção + brancos + nulos representa o "segundo lugar". A imprensa destaca que Lula teve 46,4% dos votos válidos no primeiro turno, mas esconde que os 39.420.323 votos recebidos por Lula representam apenas cerca de 34% (34,2%) dos votos totais dos 115.254.113 eleitores do Brasil. Isto significa que cerca de 66% dos eleitores não escolheram Lula para governar o país no primeiro turno. No segundo turno, este índice subirá. Mas é bem possível que o próximo presidente seja eleito sem a vontade explícita de mais de 50% dos eleitores (total) do Brasil. Isso num país onde o voto é obrigatório. Somando brancos, nulos e abstenção temos: 30.323.838 eleitores. Ou cerca de 26,31%, muito mais do que os votos conseguidos por Serra. Significa que o segundo turno deveria ser entre Lula e abstenção/brancos/nulos. Se abstenção/brancos/nulos for maior que algum candidato as eleições serão anuladas e novos candidatos convocados para novo pleito.
Roberto Resende
Ditador, não
Permita-me discordar da afirmação de que o presidente Chávez é um ditador. Ele foi eleito por votação direta do povo, daí que a qualificação é improcedente. Podemos e devemos questionar o seu "método" de governo, que aliás está a merecer uma maior e mais detalhada cobertura da imprensa brasileira.
Alexandre Oliveira
Lula é de esquerda?
Também concordo com o autor do artigo, a esquerda tem que ter uma chance de mostrar do que é capaz de fazer em benefício do país e de sua população e como suas propostas podem ser aplicadas em nosso sistema capitalista e explorador e como fazê-lo com competência e responsabilidade. Porém, uma parcela da população brasileira (não é possível quantificar, obviamente), na qual me incluo, não sabe mais em que posição está Lula, se ao centro, à esquerda, à direita ou mais ou menos, tantas foram as suas mudanças de discurso e de posições ao longo da campanha.
Os apoios que procurou e recebeu, e a um deles até ajudou em sua campanha (caso do Quércia em São Paulo), foram muito preocupantes para aqueles que o vêem como um candidato de esquerda mesmo, sem tergiversações. Porém, caso ele seja eleito, teremos a oportunidade de conferir, desde que possamos ser capazes de fazer uma análise isenta, sem facciosismos politico-partidários.
Edward Wilson Martins
Leia também
Por uma chance à esquerda – Edmar Bernardes DaSilva
|
|