7/11

Envie para um amigo  Procure no arquivo

REGINA DUARTE
A premissa é errada

A premissa básica que justifica o artigo do Sr. Deonísio da Silva ("Se ela tivesse dito que tem medo do José Serra, estaria tudo bem") é inconsistente. Em primeiro lugar, porque ela não o disse, e nada nos leva a crer que viesse a dizê-lo. Serra é declaradamente seu candidato, não foi o PT o partido a contratá-la para fazer campanha, nem é perfil do PT fazer as coisas dessa forma. As últimas duas décadas deixam assinalado no processo eleitoral brasileiro como esforço exclusivo do PT estabelecer um patamar de lisura e ética na condução das campanhas eleitorais. Rememorando, o então candidato Fernando Collor de Mello foi sujo no último debate; Lula perdeu calado as eleições e não baixou o nível. Acredito que ele estivesse ali muito bem-informado e poderia ter questionado fatos da juventude do alagoano.

Não o fez. Calou-se e tudo seguiu como sabemos. Foi ético, não pagando para ver na mesma moeda, e não o fez porque não considera justo agir dessa forma. Porque sempre insistiu que não jogaria com essas regras. Portanto, não faria a política do medo agora. Anos passados, Lula agora é regularmente alvejado pela revista Veja, que insiste em publicar capas no pior estilo, pois sabe do poder de uma imagem estampada aos milhares e distribuída pelo país. Mesmo assim, Lula não muda o tom. Nada indica, portanto, que se cumprisse a premissa do jornalista.

Ademais, grande parte do jornalismo brasileiro vem tratando o assunto de forma distorcida. O conteúdo do script interpretado pela artista tem caráter de mordaça, pois investe no argumento do medo para causar medo. E consegue. É manipulador e baixo, justificando a indignação de tantos, como eu.

Já meu conterrâneo acertou a mão em seu artigo ["O ‘medo’ da atriz global", ver remissão abaixo]. A moça dançou e entrará para a história como entrou o pobre do Gérson, com sua lei tola. Pois agora teremos a síndrome de Regina: aquela que atrasa os relógios e nos catapulta para os idos tempos em que ela mesma parou. Como Serra já avisou que será candidato na próxima eleição é de se esperar que ela ressurgirá lá, no tempo futuro, tentando catapultar a gente de novo para o passado. Acho que a Regina virou portal. Xô!

Ralph Gehre

 

Ela pode, nós não?

O texto "A namoradinha odiada do Brasil" é simplesmente ridículo, totalmente fora do contexto em que se deu a declaração de Regina Duarte. Em nenhum momento ela expressou seu medo de uma volta à inflação, mas sua idéia, representada teatralmente, de que Serra é a salvação para o Brasil e Lula a perdição completa. O que mais me causa náuseas é o fato de a Regina Duarte poder falar o que bem entende, do modo que bem entende, e seus opositores são considerados censores. Ora, só a atriz global tem o direito de falar? Não é permitido fazer-lhe oposição? O autor do texto "A namoradinha odiada do Brasil" é, este sim, o maior dos censores. Cuidado com ele.

Fernando Damm

 

Referência do medo

Parabéns pela lucidez do artigo. Apenas acrescento uma pergunta: desde quando a porquinha, digo porcina Regina Duarte serve de referência para alardear o medo? Não tenho conhecimento de alguma manifestação pública desta senhora durante a ditadura militar.

Alexandre Oliveira

 

Regina e Mario Amato

O artigo de Deonísio da Silva sobre a suposta censura à atriz Regina Duarte não tem fundamento. Quem disse que ela foi impedida de dizer que tem medo? Os pró-Lula se manifestaram porque estava se repetindo o episódio do empresário Mário Amato: caso Lula vença, os empresários vão embora do Brasil. Se ela realmente sentisse medo ela que procurasse alguém do Partido dos Trabalhadores e perguntasse quais são as reais intenções deles. Assim como eu fiz e como muitos estão fazendo. Infelizmente, a propaganda eleitoral do candidato José Serra optou pela estratégia do terrorismo, desde o começo, para desconstruir a imagem do candidato do Partido dos Trabalhadores e de outros.

Ela estava interpretando e muito bem, como ela nunca antes fizera. Temos que separar o fato do factóide. Espero que o objetivo do artigo seja o de testar a perspicácia dos leitores do OI. Se não for, paciência. Democracia é isso mesmo. Eu, se fosse Lula, faria chacota da aparição da atriz, como o Tutty Vasques faz.

M. Apis

 

Não entendi a mensagem

Sinceramente, não entendi... O que o autor quis dizer com o texto? Qual foi sua mensagem? Não consegui entender o que ele quis passar, mas entendi muito bem o caso da Regina Duarte. A questão que fica não é se ela fosse à TV falar que estava com medo do Serra, pois isso não aconteceria nunca, mas sim o subterfúgio que a direção da campanha do candidato tucano está utilizando para tentar inverter um quadro na minha opinião, hoje (24/10), irreversível. A crítica que deve ser feita é o fato de a atriz ter saído de sua rotina para ler um texto de 171 palavras onde medo aparece diversas vezes.

Quanto ao texto em questão, não consegui pegar o ponto do autor. Ele chama os jornalistas, mas chama para fazer o que? Se puderem me responder, gostaria de saber o que o autor quis dizer.

Rafael Limberger

 

Direitos já!

Quero salientar a brilhante sensibilidade do autor. Muitos não se lembram do que passamos neste país. O direito à liberdade de expressão não é muito importante, é claro. Regina tem sim, direito. Nós, os demais não-engajados na onda Lula, temos direitos sim!! Mesmo que eles não queiram. Direitos já! Já assisti a este filme. Ou será que todos esqueceram.??

Antonio Santoro

 

Gramática desprezada

A namoradinha odiada do Brasil x A gramatiquinha desprezada do Brasil. O articulista e professor Deonísio da Silva, no fim do quanto parágrafo do texto, está a revelar uma curiosa criatividade gramatical: "(...) mas por obrigar a todos a expressões a favor do poder epocal." Madame Natasha, que tem horror a construções frasais monstruosas, traduziria como "... mas por obrigar a todos a expressões a favor do poder instituído."

Paulo R Propp, Porto Alegre

 

PT censor

A pretensa superioridade moral do PT leva a seus instrumentos manipuladores e censórios. Exemplos recentes e contundentes são muitos e muito conhecidos. Assim, os processos do governo petista no Rio Grande do Sul contra os jornalistas que criticam a administração petista no estado, pretendendo assim intimidar as vozes discordantes, funcionam como instrumentos censórios. As censuras que levaram ao expurgo do programa do OI na TVE do Rio Grande do Sul mostram a intolerância petista, quando no poder, contra simplesmente quem não se alinha ao partido.

Assim também as diferenças gritantes de procedimentos discursivos e políticos empregadas pelos seus partidários quando na oposição e quando nas administrações. É o caso do vereador petista expulso do partido por votar a favor de projeto de lei apresentado por vereadores petistas no mandato anterior, como aconteceu em São Paulo ano passado. No mandato anterior, quando Celso Pitta era prefeito, vereadores petistas apresentaram projetos de lei que, na prática, restringiam o poder decisório do prefeito. Deste modo, quando o prefeito era de outro partido, aquelas medidas eram consideradas boas pelo partido; em 2001, quando assumiu a prefeitura a alcaidina do partido, as medidas passaram a ser vistas como desnecessárias. Um vereador do partido ousou votar em conformidade com o que partido apresentara um ano antes e foi expulso. Depois, ante a má repercussão, o partido voltou atrás na decisão de expulsão.

Na campanha para a prefeitura de São Paulo no segundo semestre de 2000, a candidata do PT tinha como um de seus temas principais criticar duramente as administrações anteriores por investirem pouco em educação. Poucos meses depois de eleita, a alcaidina e o partido conseguiram aprovar uma lei que reduzia o mínimo que a prefeitura era obrigado a investir em educação de 30 para 25% do orçamento anual. (A imprensa não cumpriu o seu papel: quantos da população paulistana sabem dessa tomada de atitude do PT e da alcaidina, mudança radical em relação ao que a campanha eleitoral do partido defendia menos de um ano antes e que afeta os interesses da população?)

Da mesma forma, o PT criticou durante anos o governo Fernando Henrique por fazer retornar a cobrança da antiga CPMF, o famoso Imposto do Cheque – e o partido sempre procurou se beneficiar junto à opinião da população por votar contra o imposto. No final de 2001, vislumbrando suas chances de ser eleito, Lula passou a defender a prorrogação do tal imposto no mandato seguinte. (Parte da grande imprensa noticiou, mas de forma pouco enfática, certamente não como a notícia merecia. Basta ver quantos, da população, sabem dessa mudança de posição tomada em 2001.)

Novos exemplos da manipulação, da censura e da intolerância do partido contra os adversários aconteceram nas últimas semanas. O candidato do partido ao governo de São Paulo ressaltou como um de seus principais temas de campanha a crítica à adoção, pelos governos Covas e Alckmin, da progressão continuada nas escolas. No entanto, o candidato petista nunca esclareceu dois pontos diretamente relacionados: 1) que a primeira vez que a progressão continuada foi adotada foi na prefeitura petista quando Erundina era do partido (sendo que as pessoas responsáveis pela política educacional continuam sendo do partido); e 2) que a atual alcaidina de São Paulo, a quem o candidato petista repetidamente elogiou na sua campanha, também adota a progressão continuada. O candidato petista nunca esclareceu por que a progressão continuada adotada por seus adversários merece censuras veementes, enquanto a mesma prática adotada pelas administrações petistas não.

Talvez isso possa ser explicado pela pretensa superioridade moral dos seus partidários, superioridade moral decorrente da concepção intolerante e autoritária que marca o partido: quando os outros fazem, é ruim; quando os seus partidários fazem, é bom simplesmente porque são os partidários que fazem em conformidade com os interesses do partido. A superioridade moral dos partidários do PT é, assim, a-histórica, ou melhor, supra-histórica: não importa o que eles venham a fazer quando na situação – nem mesmo se for totalmente similar àquilo que eles criticavam nos adversários quando estavam na oposição –, a superioridade moral permanece.

O ataque múltiplo, nesses dias, a Regina Duarte é outro exemplo. A imprensa em geral tratou desses ataques como se fossem um caso de patrulha ideológica. No entanto, a patrulha ideológica faz parte do passado, quando da época dos ditadores militares – e o patrulhamento ideológico foi forte sobretudo nos anos 70. Eram tempos mais facilmente percebidos em termos maniqueístas: se tratava de, basicamente, enfrentar um regime ditatorial, autoritário. Os soldados que atacaram Regina Duarte não fazem parte da patrulha ideológica, mas mostram uma faceta fortemente intolerante, contra a liberdade de opinião. A intolerância quer forçar a censura pretensamente moral contra qualquer dissonância, intolerante a todas as diferenças. Cabe ressaltar, Paulo Delgado, deputado petista, e Chico Buarque, simpatizante do partido, saíram em defesa, não do que disse Regina Duarte, mas do direito dela de dizer sua opinião sem ser moralmente censurada pela intolerância.

Na atual campanha, qualquer crítica ao partido tem sido chamada de terrorismo político. Foi exatamente assim que a expressão de opinião da atriz foi nomeada. Quando Serra criticou Lula por evitar os debates no segundo turno, apontar a ausência do candidato petista foi chamado de terrorismo político. Mas não houve nessas críticas nenhuma intolerância, nenhuma intenção de censurar ou calar os partidários do PT; pelo contrário: Serra chamou o adversário petista para falar, não quis calá-lo. A intolerância, a censura pretensamente moral, tem sido característica de boa parte do PT quando na situação ou na iminência de se tornar situação. Assim, quando interrogado sobre suas relações com Fidel Castro, Lula, em vez de responder à pergunta – de esclarecer, afinal, qual a sua postura em relação ao líder político cubano e o que pensa dele –, preferiu mandar o jornalista se calar. Em vez de preferir a postura do esclarecimento, oPTou pela intolerância.

Pedro Eduardo Portilho de Nader

Leia também

A namoradinha odiada do Brasil – Deonísio da Silva

O "medo" da atriz global – Ariosto Mesquita

Mande-nos seu comentário


Observatório | Índice da edição | Busca
Objetivos | Purposes | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe