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CORREIO BRAZILIENSE
Leitura de classificados

Sabe-se que, em Brasília, o candidato ao governo do DF Joaquim Roriz considera como seu mais forte adversário o jornal Correio Braziliense. A principal causa da queda das intenções de voto para Roriz é apontada, segundo assessores, pela sistemática publicação de notícias sobre o envolvimento do governador com a grilagem de terras no DF pelo Correio. Causou-me grande surpresa e indignação saber que toda a alta cúpula do Correio, incluindo seu diretor de Redação, Ricardo Noblat, estarão deixando o jornal. Há fortes indícios de que o controle acionário do jornal tenha sido adquirido por pessoas ou empresas ligadas ao atual governador e candidato Joaquim Roriz.

Aqui no DF, até agora, somente o Correio garantia ao cidadão uma fonte (escrita) confiável e ,até certo ponto, isenta de informações regionais. Se os indícios da compra do Correio se confirmarem, temo que o leitor brasiliense ficará submetido a informações direcionadas pouco ou nada confiáveis. Entendo que um jornal é uma empresa, submetendo-se a todas as leis de comércio e de mercado. A minha dúvida consiste no seguinte fato: será que as leis comerciais que regem as organizações garantem às "empresas" de imprensa a liberdade de atuação necessária que o leitor-cidadão precisa?

Aqui em Brasília, pelo menos, este leitor-cidadão sério sente-se impotente e forçado a buscar informações em fontes estrangeiras (não-regionais), já que a única utilidade dos jornais locais parece ser, num futuro próximo, anúncios de classificados.

Roberto Dias Algarte

 

Brasília sofre com a censura

Os dias 23 e 24 de outubro de 2002 vão ficar marcados na história da imprensa brasileira como um grande retrocesso na democracia. Como vocês já devem ter visto na edição de hoje do Correio Braziliense, a censura voltou a agir. É vergonhoso presenciar um ato tão descabido contra a liberdade de opinião. "Só no regime militar se viu coisa parecida: um oficial de Justiça esteve ontem à noite na redação do Correio Braziliense com o objetivo de censurar todas as páginas da edição de hoje e impedir que fossem publicados trechos ou a íntegra de escuta feita com autorização judicial nos telefones dos irmãos Passos, acusados de grilagem de terra no Distrito Federal. O desembargador federal Jirair Meguerian determinou que o oficial de Justiça apreendesse todos os exemplares do jornal caso neles houvesse transcrição das fitas. Meguerian atendeu a pedido do candidato Joaquim Roriz."

Lana Pinheiro

 

Escritores solidários

O Sindicato dos Escritores do Distrito Federal repudia publicamente o atentado contra a liberdade de expressão/liberdade de imprensa, da qual o Correio Braziliense foi vítima na noite de 23 de outubro de 2002 e na edição do dia 24 do corrente. Somos gratos ao Correio Braziliense e a seus jornalistas pelo inestimável trabalho de apoio e divulgação à cultura, em especial à literatura. Esperamos que fatos lamentáveis como este jamais se repitam na capital do Brasil. Recebam o nosso respeito e a nossa solidariedade.

Gustavo Dourado, presidente

 

Vou cancelar a assinatura

A se confirmarem as notícias do afastamento do presidente, Sr. Paulo Cabral de Araújo, e do diretor de Redação, Sr. Ricardo Noblat, do Correio Braziliense, e a conseqüente posse do ultraconservador Sr. Ari Cunha, atual vice-presidente – cujo esporte predileto na coluna Visto, Lido e Ouvido era bater em Lula –, seja por ter sido vendido o Correio a algum grupo "ligado" a Roriz ou por outro motivo quaisquer, tratarei de cancelar, imediatamente, minha assinatura deste jornal. A linha editorial independente, imparcial, e o projeto gráfico inovador, ímpar, merecedor de diversos prêmios nacionais e internacionais, mudará completamente, caso as notícias se confirmem, a partir do dia 1º de novembro. E mais, vou propor a dezenas de amigos que façam o mesmo. Infelizmente, ficaremos, os brasilienses, órfãos de um jornal sério e independente. Com pesar e tristeza, mas com a consciência limpa, é que ora me manifesto. Absurda a invasão da redação, a partir de decisão questionável de um juiz. Rasteiro o pedido feito pelo candidato Roriz para censurar o jornal! Viva o, até agora, brilhante, Correio Braziliense! Parabéns, Sr. Cabral! Parabéns, Noblat! Parabéns a toda a equipe dos Diários Associados em Brasília, desde o faxineiro até o diretor industrial, pelo que já fizeram por Brasília e o seu povo!

Lafaiete Luiz do Nascimento

 

Órfãos de justiça

Estou perplexa com o que estão fazendo ao Correio Braziliense. O atual governador, em associação com o TRE-DF, nada isento nestas eleições, agiu como nos tempos da ditadura, impedindo o jornal de publicar notícias acerca do crime organizado no DF. Estou me sentindo oprimida, perdendo a perspectiva de ter um canal de informações isento de coloração partidária. O Sr. Paulo Cabral está sendo humilhado nos seus 80 anos por uma quadrilha instalada no poder, e não vejo perspectiva de mudança. Como a ABI, ou o Observatório podem contribuir para alterar essa situação?

Agradeço qualquer ação de vocês, pois em Brasília estamos órfãos de justiça. Não é possível que num momento tão bonito de nossa história democrática truculências dessa natureza imperem na capital da República.

Cely Bertolucci

 

Brasília sob ameaça

Não bastassem as recentes barbaridades perpetradas pela justiça, decretando a censura prévia ao diário Correio Braziliense, Brasília está sob grave ameaça de perder seu único veículo de imprensa digno desse nome, com as já declaradas renúncias de seu diretor- presidente, o jornalista Paulo Cabral e seu diretor de Redação, jornalista Ricardo Noblat.

Durante muitos anos, desde que vim para Brasília, sempre comentava com amigos que Brasília, como capital do país, carecia de um jornal sério, independente, como o Washington Post, da capital americana. Finalmente, de uns anos para cá, vi esse sonho realizado com a nova linha editorial assumida pelo Correio Braziliense.

Eis que vejo meu sonho ameaçado, já que com as saídas de Cabral e Noblat do jornal este, com certeza, irá se transformar em ridícula e ameaçadora linha auxiliar do que há de pior na política brasileira.

Luiz Henrique Minhoto Quevedo

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