30/12/2003 6/7

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VIOLÊNCIA JUVENIL
Chuva de perguntas

Este texto é apenas um comentário sobre o texto de Alberto Dines, "Violência Juvenil: Quem trava a discussão?" Além de a imprensa não estar discutindo a assunto como deveria, outros aspectos deixam de ser considerados quando se fala sobre a violência juvenil: em primeiro lugar, o que leva um jovem à criminalidade? Como funciona o submundo do tráfico de drogas, que tem prolongamentos inclusive em lugares que deveriam existir para proteger a sociedade?

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), considerada uma lei ideal e inclusive copiada como modelo em alguns países, realmente não pune o adolescente infrator? Se todos os artigos do estatuto fossem cumpridos, realmente seria necessária a discussão sobre a maioridade penal? E ainda, o jovem infrator realmente sairia impune?

Por que existe essa sensação de impunidade? É a lei que não é eficiente ou é o Estado que não anda cumprindo seus deveres sociais? E quando o Estado não cumpre seu papel, a quem devemos recorrer? Na prática realmente existe a liberdade de expressão? E quando essa liberdade é aparente, qual o papel da imprensa aí? Questiona-se o modelo atual de jornalismo (que por sinal tem várias críticas e algumas soluções apresentadas), mas algo de concreto foi feito até agora? E se não foi feito, pode-se saber o porquê? É apenas culpa de quem quer apenas vender notícia? E quem faz? A desculpa do desemprego? Os jornalistas também andam questionando seus próprios tabus e pré-conceitos?

Infelizmente, quando se fala da questão social, "esquece-se" da origem da maioria dos problemas. A questão da terra, por exemplo, há quanto tempo já existem as soluções inócuas? Desde quando existe o tráfico nos morros? Há quanto tempo já existem irregularidades acontecendo e quase nada foi pensado e falado (eis o papel da imprensa) para resolver a questão? Por que os fatos históricos não são lembrados na hora de se questionar um evento ocorrido? Não tem importância saber a origem do problema para entender o porquê do contexto atual? E quanta informação deixa de ser repassada à sociedade quando não se contextualiza o fato? Estão os comunicadores sociais realmente dando informação de qualidade? A questão é formar opinião ou conscientizar? Falar o que um político deixou de fazer no passado pode fazer a diferença no futuro?

Infelizmente as perguntas não se calam apenas aí: quando Estado e mídia não querem discutir tabus e o problema está acontecendo (como a criminalidade juvenil, por exemplo), o que resta fazer? Como pode a sociedade cobrar seus direitos quando não existe a informação para a maior parte dos brasileiros que infelizmente não tiveram uma educação de qualidade, dificultando-lhes seu direito de cidadania?

Herma Ekfaa, estudante de Jornalismo

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PRIMEIRA LEITURA
Vôo raso

Uma publicação de 130 páginas (Primeira Leitura, 22/12/03) que supostamente tem a pretensão de fazer uma resenhanálise da conjuntura nacional e internacional, sequer sobrevoa brevemente o imenso estuário de corrupção construído durante a era FHC. Entende-se. New Ipês.

José Paulo Silva Côrte Real, Brasília

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