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Edição de Marinilda Carvalho
Nesta edição, o Observatório é chamado de "esquerdista" não por alguém da direita, mas por um leitor de "esquerda". Olhares diferentes...
Cabe-nos esclarecer, entretanto, que não temos desfechado "ataques sistemáticos deploráveis" ao governo gaúcho nem lhe devotamos "ódio" – ao contrário.
Criticamos, sim, como é de nosso direito, a decisão que levou à retirada do programa do ar na rede pública gaúcha. Classificar o OI na TV como um dos shows massificantes que destroem culturas regionais, feito no centro do país para o centro do país... convenhamos, amigos, é um pouco demais. O ataque às grandes redes em defesa de programações locais já teve alvo mais pertinente...
No mais, agradecemos a resposta do presidente da Fundação Cultural Piratini. Se ele pesquisasse um pouquinho o passado descobriria que as coisas não aconteceram bem assim.
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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.
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MÍDIA GAÚCHA
OI na TV não foi banido
A propósito da nota intitulada "OI na TV banido no Sul" gostaríamos de esclarecer que, como já fora informado anteriormente pelo nosso ex-diretor de Programação, jornalista Geraldo Canali, o programa Observatório da Imprensa não foi retirado da grade de programação da TVErs durante a atual gestão. Ao assumirmos, em janeiro de 1999, este programa já não era retransmitido ao vivo, e sim em reprise gravada em outro dia da semana. No horário do Observatório da Imprensa já era veiculado o programa Frente à Frente, produção própria da TVErs. Aliás, desde julho de 1995, mês de sua estréia, o Frente a Frente é veiculado nas noites de terça-feira. Trata-se de um programa de entrevistas semelhante ao Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo.
A atual gestão manteve o programa Observatório da Imprensa no dia e horário em que era retransmitido anteriormente durante os primeiros meses de 1999, até que foi tomada a decisão de manter em nossa grade apenas os programas de rede transmitidos ao vivo. Nessa ocasião, vários outros programas da TV Cultura e da TVE do Rio de Janeiro deixaram de ser retransmitidos por nossa emissora, principalmente porque a estratégia de programação da TVErs durante a gestão atual é de ampliar a produção local. Com isso, perdemos a qualidade dos debates do Observatório da Imprensa – assim como vários outros programas da TV Cultura, entre eles Conversa Afiada e Opinião Nacional – em troca da ampliação dos horários de programação regional. Entendemos que este é um dos papéis de uma emissora pública: lutar contra a homogeneização da programação da televisão brasileira, hoje quase totalmente concentrada no eixo Rio-São Paulo.
Atualmente nos orgulhamos de produzir praticamente metade da programação veiculada pela emissora. Sempre com extremo respeito ao princípio da pluralidade. Além disso, nosso compromisso com a defesa da democratização da comunicação nos leva a pautar este tema constantemente em nossos programas, como o Antena da Aldeia (único programa da televisão no Rio Grande do Sul destinado à análise da mídia), Jornal da Cidadania, Crônicas do Tempo e TVE Repórter. Também a FM Cultura, emissora de rádio da Fundação Cultural Piratini, veicula semanalmente o programa Mídia em Debate, igualmente destinado a analisar o comportamento dos meios de comunicação em todo o país.
Ao leitor Gustavo Stella Acauan, colocamo-nos à disposição para esclarecer outras dúvidas ou receber sugestões pelo endereço eletrônico <asscom@tve.com.br>. A programação e os demais projetos da emissora podem ser conferidos na página <www.tve.com.br>.
José Roberto Garcez, presidente da Fundação Cultural Piratini
Alberto Dines responde
A nota oficial emitida pela Fundação Piratini é um coquetel composto por engabelação, ocultação e inverdades. Veja-se o que disse logo no inicio:
"Ao assumirmos, em janeiro de 1999, este programa já não era retransmitido ao vivo, e sim, em reprise gravada (...)".
Inverdade – Entre 9/2/99 e 24/8/99 o programa Observatório da Imprensa na TV foi transmitido DEZ vezes ao vivo dos estúdios da TVE-RS, em Porto Alegre, numa média de dois por mês [veja a lista abaixo]. Em 1998 foram transmitidos ao vivo, dos mesmos estúdios, SEIS programas sendo que o último, em 13/10/98, com a participação de Ruy Osterman.
Perguntará o leitor: qual a razão de tão grande intervalo entre o último de 1998 e o primeiro de 1999?
Ocultação – Porque foi omitido na nota o fato de que, com a posse do novo governo gaúcho, o diretor de programação, também recém-empossado, procurou a produção do programa para informar que o jornalista Augusto Nunes (colaborador regular) era persona non grata no estado.
Recebeu a seguinte resposta: não aceitamos esta interferência porque é uma forma de censura. O jornalista participava regularmente dos estúdios de São Paulo, o veto a seu nome era uma intervenção aberta e antidemocrática. Augusto Nunes foi poupado da constrangedora ameaça, só soube do ocorrido dois anos depois.
Por coincidência, algumas semanas depois da primeira pressão da TVE-RS, no início de 99, Augusto foi convidado a comandar o programa da Globonews N de Notícia e afastou-se do Observatório. A TVE gaúcha, por intermédio do mesmo diretor, declarou então que desejava indicar o convidado que participaria do programa em seus estúdios.
Exigência descabida e impertinente porque isso jamais acontecera mas, para evitar um caso político com o governo recém-empossado, solicitamos uma lista de profissionais capazes de participar de um programa com estas características. O primeiro foi um desastre, outros profissionais ou políticos do estado convidados pela produção no Rio saíram-se bem. Então, em agosto de 99, a punição final – os estúdios para transmissões ao vivo por satélite estavam comprometidos e o programa não seria mais retransmitido pela rede, mesmo em reprise.
Engabelação – O signatário informa que dentro princípio da pluralidade a emissora transmite um programa sobre mídia denominado Antena da Aldeia. Se o princípio da pluralidade está sendo levado a sério, a direção da emissora gaúcha deveria solicitar um compacto do Observatório para ser encaixado no seu programa. Isto porque a TVE-RS foi uma ativa parceira do projeto desde a sua primeira emissão, só perdendo para a TVE mineira (ligada, como se sabe, a um governo chefiado por um político da oposição e que jamais prejudicou a parceria).
Conclusão: considerando o sucesso do programa, sua isenção política e sua preocupação em examinar a mídia pelo ângulo do interesse público, fica evidente que a TVE-RS não está interessada na despolitização da crítica da mídia.
Quem sai perdendo é o contribuinte gaúcho que paga seus impostos para que a sua rede pública de TV lhe ofereça o melhor em cada segmento. (A.D.)
Programas do Observatório com convidados gaúchos e transmitidos ao vivo dos estúdios da TVE-RS, com datas e nomes:
05/05/98 – Antonio Brito
19/05/98 – Elmar Bones
09/06/98 – Elmar Bones
14/07/98 – Marcelo Rech
15/09/98 – Marcelo Rech
13/10/98 – Ruy Osterman
09/02/99 – Carlos Alberto Kotecza
09/03/99 – José Antonio Pinheiro Machado
06/04/99 – Ruy Osterman
04/05/99 - Ruy Osterman
18/05/99 – Otto Bender
08/06/99 – Paulo Gasparotto
29/06/99 – Julio Redecker
13/07/99 – Pedro Simon
27/07/99 – Eduardo Bueno
24/08/99 – Omar Ferri
Ataques sistemáticos deploráveis
São deploráveis os ataques sistemáticos produzidos e/ou permitidos pelos editores do Observatório da Imprensa contra o governo gaúcho. Este semanal eletrônico, que há cerca de um ano eu admiro (ou admirava, não sei mais), demonstra hoje todo o seu ódio contra um governo que apenas quis defender a programação local na emissora de televisão pública, cujos programas são de extrema qualidade e acrescentam muito à vida de cada cidadão gaúcho. Em contrapartida, o OI é mais um veículo de informação feito pelo centro do país exclusivamente para o centro do país. Agora pergunto: será que a população do RS não tem direito a uma programação local, que trate dos problemas próximos à ela? O Rio Grande do Sul, e não só ele, está cansado de ser citado apenas em escândalos de governo e como um bom local para o turismo no inverno.
Quero deixar claro que não sou contra o fato de pessoas escreverem criticando o governo Olívio, desde que elas tenham credibilidade e idoneidade, e não estejam ligadas a partidos e instituições de caráter duvidoso, que sempre estiveram interessados em gerir poder público em busca de favorecimentos privados. Cabe ao OI julgar quem realmente tem opiniões válidas. Sempre achei que dizer que a imprensa deve ser imparcial é uma grande falácia. A imprensa deve sim defender claramente a sua ideologia, com argumentos que tentem convencer o leitor.
Este, por sua vez, deve buscar um maior número de fontes de informação/opinião, para confrontá-las e, a partir delas, montar sua própria consciência. A mídia que não emite suas opiniões forma leitores que apenas reproduzem fatos, mas sem condições de influir na vida política de sua sociedade. Neste quesito, admiro o Observatório, pois sempre deixou clara a sua tendência "esquerdista", sem por isso impedir os comentários provindos de diferentes ideologias. Contudo, surpreendi-se com as recentes notas e artigos venenosos em relação ao governo do RS, apenas porque ele, como já disse, defende a programação local da emissora de televisão pública.
Prezados editores, quero que saibam que não deixarei de ler o OI, mas se antes eu os elogiava incessantemente para meus amigos hoje já falo a eles que vocês também se vingam, como a grande maioria da grande imprensa, daqueles que se opõem a seus interesses.
André Costa
Leia também
OI na TV banido no Sul – Caderno do Leitor (rolar a página)
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