3/7

Envie para um amigo  Procure no arquivo

JORNALISMO ECONÔMICO
Triste cobertura

Parabéns pelo texto desta semana, "Crise do capitalismo começa na mídia". Já estava achando que tinha ficado maluco, que tivesse desenvolvido uma paranóia grave e virado trotskista. Ou pior: tivesse perdido meu princípio de realidade. O texto de Alberto Dines me confortou e serviu para mostrar que meu caso ainda tem cura. É triste assistir à cobertura da crise americana, seja na TV ou nos jornais. Nem falo da mídia brasileira. Nem merece meu tempo.

João Pombo Barile

Leia também

Crise do capitalismo começa na mídia – Alberto Dines

 

Troca-troca na redação

Depois de acompanhar bem de perto a onda de balanços fraudados de grandes empresas americanas podemos chegar a alguns questionamentos e conclusões e bem interessantes:

1) Onde estavam os "analistas" de mercado, de empresas tão grandes quanto as que estão metidas até o pescoço nestas fraudes, para não identificar os "jeitinhos" dados nos balanços destas companhias? Da forma como a imprensa divulgou os acontecimentos, eles eram tão simples de ser identificados que chegavam a ser banais.

2) Seriam estes mesmos "analistas" os que elaboram as listas de risco dos países em desenvolvimento? Se forem, como se pode acreditar em suas análises depois destes acontecimentos?

3) A grande imprensa brasileira, talvez muito festiva e pouco analítica em sua cobertura econômica, muitas vezes colocava estas empresas, que agora estão falidas, como exemplos de organização e excelência administrativa. Ainda não vi nenhum mea-culpa até agora. Seguiram o exemplo da cobertura esportiva da Copa: sentam a lenha no que é nosso e vangloriam o que é de fora, só porque é de fora.

Talvez seria o caso de propor um rodízio de profissionais. Os jornalistas que trabalham na cobertura política, craques em farejar um escândalo e investigar suas vísceras, seriam transferidos para a cobertura econômica. Quem sabe assim escândalos como estes, que com toda a certeza também acontecem por estas bandas, seriam identificados muito antes de causar tanto prejuízo e dor de cabeça.

E todo mundo já ouviu essa história muitas vezes: os governos devem intervir o mínimo possível nos mercados. Eles mesmos determinarão seus caminhos e farão sua auto- regulamentação. Bem, agora a valsa mudou. O "presidente" Bush está determinando novas e mais severas formas de punição para os administradores flagrados, como os que agora foram, fraudando balanços de suas empresas. O engraçado, para não dizer vergonhoso, é que se estas regras fossem introduzidas antes o próprio Bush seria uma das vítimas.

Cai, assim, o mito de que o mercado, esta entidade quase ectoplásmica, consegue seguir com suas próprias pernas. Acontece que o mercado é invocado por quem dele faz parte, da mesma forma que o povo é tomado refém pelos políticos: o mercado reagiu de forma negativa à subida de Lula nas pesquisas (mercado? qual? onde?). Da mesma forma que sai da boca de um político: "O povo exige a minha permanência." (povo? que povo? onde?). Na explicação, uma conjunção de palavras em economês, os analistas e especialistas discorrem várias interpretações sobre o mais novo estouro da boiada. São craques em apontar erros e causas dos problemas que acabaram de acontecer, mas terrivelmente ruins quando se trata de acertar projeções futuras. Talvez Mãe Diná tenha uma taxa de acertos em suas previsões bem melhor que várias equipes de grandes bancos internacionais. Ou seja, nossas aplicações são entregues, praticamente, nas mãos de adivinhadores. E o pior, sem ninguém para regulá-los.

Fábio Alencar, publicitário

Mande-nos seu comentário


Observatório | Índice da edição | Busca
Objetivos | Purposes | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe