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BORIS CASOY
Entrevista "sabonete"

Extremamente preocupante a entrevista do Sr. Boris Casoy com o ministro das Comunicações, Sr. Juarez Quadros. Em contraste com as brilhantes e "esclarecedoras" entrevistas que o apresentador nos proporciona nas noites de domingo, não houve uma pergunta sequer que o titubeante Sr. ministro respondesse que pudesse trazer alguma luz à já duvidosa e obscura atuação do Ministério das Comunicações e da Anatel.

Entre perguntas que partiam de lugar nenhum e respostas que levavam a lugar algum, evidenciou-se o constrangimento de entrevistador e entrevistado, que em detrimento do telespectador cortejavam-se entre si. Por quais razões permitiu-se tal desrespeito, desconsideração e superficialidade talvez nunca saberemos. O pior foi ouvir ao final da entrevista "sabonete" que ela fora esclarecedora. Anseio que em nome do bom jornalismo o jornalista Boris Casoy, por quem tenho a maior admiração, mantenha o bom senso e a ética nas entrevistas que estão por vir.

Alexandre Othero

 

VISCONDE DE CAIRU
Rastro de destruição

À imprensa cabe noticiar o que acontece e é de interesse da sociedade. Antes de tornar pública uma informação, em nome da ética jornalística, acredita-se, o bom profissional da área deve verificar a qualidade da sua fonte. Em se tratando das reportagens envolvendo o Colégio Estadual Visconde de Cairu, veiculadas nos dias 18, 19 e 20/7 em jornais de grande circulação, isso não aconteceu.

Tendo ouvido apenas um informante, as equipes responsáveis pelas matérias publicaram falsas informações sobre a realidade do dia-a-dia da escola, especialmente no que diz respeito à qualidade do seu corpo discente. Outras fontes – a escola é composta por cerca de 3.200 alunos e mais de 250 profissionais da educação – teriam dito aos jornalistas que a escola não é "dominada por agentes do narcotráfico disfarçados de alunos, que vivem ameaçando de morte os professores". Poderiam mostrar, ainda, quais são os reais problemas da comunidade escolar do Cairu, tanto quanto as ações positivas que ali acontecem, capazes de garantir, apesar dos inúmeros obstáculos, um ensino público e de qualidade.

Hoje, alunos, professores e funcionários da escola sentem-se vítimas, por conta de tudo o que foi publicado nos jornais O Globo e Extra, do oportunismo dos que não medem esforços no sentido de atrair para si mesmos as atenções do público, não se preocupando se para isso deixam um rastro de destruição pelo caminho.

Marcia dos Passos Neves, professora de Sociologia do Colégio Estadual Visconde de Cairu

 

ACIDENTE NO JN
Esquadrilha não foi à Ucrânia

Como telespectador e piloto de aviões, achei péssima a matéria sobre o acidente com o avião ucraniano no Jornal Nacional de sábado 27/7. A matéria menciona que em 1988, na Alemanha, aviões da "esquadrilha da fumaça" se chocaram a 500 km por hora. Transcrevo a seguir parte do texto da matéria: "Um tipo de espetáculo que está longe de ser seguro. A média é de dois acidentes por ano em todo o mundo. E nem países desenvolvidos como a Alemanha escapam dessa estatística. Em agosto de 88, 70 alemães morreram quando aviões da esquadrilha da fumaça se chocaram a 500 quilômetros por hora".

Na verdade, os aviões eram da equipe Frecci Tricolori, esquadrão de demonstração italiano – dado importantíssimo, pois o erro que produziu o acidente dizia respeito a este grupo, mais do que ao país em que ocorreu. E "Esquadrilha da Fumaça" é o nome pelo qual é conhecido o EDA (Esquadrão de Demonstrações Aéreas), equipe de demonstração da Força Aérea Brasileira baseada em Pirassununga, SP – e apenas ela.

Deixaram também de mencionar que o avião acidentado na Ucrânia é um dos aparelhos que estão disputando a falada licitação para troca dos caças para a defesa aérea brasileira, o que a meu ver é um dado instigante e jornalisticamente relevante. Além de deixar de informar, quem redigiu a matéria ajudou a desinformar e ainda ofendeu injuriosamente a nossa brasileiríssima esquadrilha verde-amarela.

Jornalismo decente e de qualidade exigiria retratação pelo grave erro. Por que a Globo não tem um ombudsman?

Mauricio Franklin Pontes

 

LEITOR CENSURADO
Carta sem padrinho não sai

Há seis anos consegui que carta minha conseguisse furar a censura de O Globo, graças ao auxílio de Renato Maurício Prado. De lá para cá, não querendo usar padrinho, tive todas as minhas cartas recusadas por não estarem de acordo com a linha defendida pelo jornal, inclusive a última, de 19/7, referente ao linchamento de um desembargador que errou como todos podem errar quando vítimas de situações injustas.

Carlos Aquino, Niterói

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