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CASO EJ
Lobby por justa causa
Não há nada de pitoresco no que o Sr. chamou de "lobby de missivistas com sobrenomes iguais que teria deixado de lado jornais e jornalistas que produziram dezenas de manchetes e artigos" contra Eduardo Jorge, simplesmente porque estes não foram deixados de lado. Vários jornais e jornalistas respondem a processos e receberam e recebem manifestações destes missivistas e de tantos outros. Só que nenhum deles se coloca como o revisor ético da imprensa, o que lhe aumenta em muito a responsabilidade.
Curioso e estranho é chamar a isso de lobby e, tanto quanto o seja, terá sido pela mais justa das causas: a defesa da honra indevidamente atingida. Se o senhor não sabia – até por não lhe terem informado na época – quem era o responsável pelo barramento das verbas do Metrô não devia tê-lo atribuído a Eduardo Jorge.
Se V.Sa se sente num corredor polonês por uma dezena de respeitosos protestos, certamente compreende as razões que sobram a Eduardo Jorge e daqueles que honrosamente possuem o mesmo sobrenome e se sentiram atingidos. Felizmente ninguém julga – nem tentou convencê-lo de – que o "sistema de eminências pardas" seja correto ou eficaz. Ao contrário, suas incorreções são bastante conhecidas, incluem a imprensa e devem ser criticadas e corrigidas, mas sempre com razões de fato, e não com suposições falsas.
Um artigo opinativo é de fato opinativo. Mas quando envereda na divulgação incorreta de fatos e atribuição de responsabilidades deixa de sê-lo, e a opinião se transforma em, no mínimo, equívoco, sustentado quando intencional e retificado sem desdouros quando involuntário. Respeitosamente,
Fernando J. C. Pereira
Revolta, sofrimento e tristeza
Sou irmã de Eduardo Jorge. Vocês podem então imaginar com que atenção e minúcia acompanhei todo esse Caso EJ; e, lógico, com que revolta, sofrimento e tristeza, que até hoje permanecem no fundo da alma de todos nós, Caldas Pereira. Fomos injustamente ridicularizados, apelidados por jornalistas de Brasília de "sacra famiglia" e de "família estatal". Na verdade, esses jornalistas conseguiram chegar aonde vocês, do OI, se propõem: nunca mais nenhum de nós vai ler jornal do mesmo jeito.
Por isso, tenho grande satisfação e – digo mesmo – gratidão ao OI, por abrir esse espaço de discussão sobre um assunto que, na verdade, nem mesmo nós conseguimos até hoje entender. Não é minha intenção acrescentar qualquer informação, ou emitir opinião. Quero apenas colocar duas questões para o debate:
1)
Como algumas denúncias frágeis, requentadas, sem evidências
reais ou fatos concretos que as embasassem, conseguiram ser agigantadas e realimentadas
por meses a fio, transformando-se num escândalo de dimensões poucas
vezes observado nesse país? De onde veio a orquestração,
o poder que levantou toda a mídia numa campanha cuja virulência
condenou de imediato o acusado, e que não o destruiu – e a toda a família
– porque somos de verdade, inocentes e unidos?
2)
De onde vem a perversa necessidade da imprensa de, ao crucificar o acusado
– seja ele inocente, que importa? – envolver no escândalo toda a sua família,
multiplicando em muito seu sofrimento, sem qualquer acréscimo em termos
de informação ou esclarecimento politicamente útil à
população?
Quero finalizar com uma explicação. Li as respostas que meus irmãos lhes enviaram. Como vocês podem ver, em alguns casos a dor que perdura em nossas almas ainda está bem à tona, e tão viva que nos impede de perceber de onde pode vir a verdade, e com ela a justiça. Procurem entender o desabafo de quem, durante dois anos, apanhou sem poder se defender.
Maria de Jesus Caldas Pereira
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