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Caderno
da Cidadania
EDITORIA DE ONGs
Mesmice e cochilos
Regina Scharf, Repórter da Gazeta
Mercantil, editora de ONGs do
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA,
rescharf@uol.com.br
* Responda rápido: Se toda a imprensa, inclusive Veja e IstoÉ, está divulgando os Jogos Mundiais da Natureza, competição que o governador Jaime Lerner promoverá no fim deste mês em Foz do Iguaçu (PR), os ambientalistas devem estar comemorando, certo? Errado. "É o maior absurdo: um caso típico de superexposição na mídia de um fato que não existe. Mas ele envolve o governador Lerner, então ninguém questiona", protesta Mário Mantovani, superintendente da Fundação S.O.S Mata Atlântica, uma das entidades ambientalistas mais bem sucedidas no país tanto no número de sócios - 12.000 - quanto na exposição à mídia. Num dia de poucas novidades Mantovani chega a dar quatro entrevistas, sobre temas tão diversos como o gasoduto da Bolívia ou a despoluição do Tietê. "Se tem alguma coisa acontecendo por lá - e ninguém noticia - é a população que quer invadir o Parque Nacional de Foz do Iguaçu". Neste caso, trata-se de uma reincidência: a imprensa perdeu sua primeira chance em maio, quando 30 mil pessoas invadiram o parque, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, tentando forçar a reabertura para carros e caminhões de uma estrada que atravessa a parte mais preservada da unidade de conservação. Quase ninguém deu.
* A imprensa reservou este mesmo olhar rasteiro para a Lei do Crime Ambiental, que pretende regulamentar as punições para quem destruir o meio ambiente. Há menos de um mês, quando estava em vias de ser aprovada pelo Congresso, ela foi barrada por uma intervenção dos representantes dos evangélicos - que se consideram discriminados pelo dispositivo que proíbe a poluição sonora, o que impediria seus cultos tardios e freqüentemente barulhentos. "Infelizmente, foi a intervenção folclórica dos religiosos, e não a importância da lei, que acaba com a licenciosidade do governo, que hoje permite tudo, o que ganhou espaço na imprensa", analisa Mantovani.
* Os lapsos da pauta não são o único problema dos jornalistas. "Duro mesmo é quando fazem questão que a gente faça o contraponto, como se as não-governamentais tivessem sempre que ser do contra", explica. "Às vezes o repórter quer a todo custo tirar da boca da gente a informação que interessa. No caso do rodízio de carros em São Paulo, esta postura foi particularmente difícil de gerenciar. Todos queriam que fôssemos contra, insistindo muito, e só descansaram quando conseguiram declarações de oposição por parte do Greenpeace e da Ordem dos Advogados do Brasil".
* "Muita gente fala que a imprensa é comprada, que não abre espaço para as não-governamentais, mas isso remete à nossa própria incompetência de abrir espaço", diz Mantovani. Ele conta como é importante, para uma ONG, contar com uma boa assessoria e editar um boletim, instrumentos de prestígio. O diálogo constante também ajuda. Nos últimos dois anos, a SOS promoveu quatro encontros com jornalistas, um em Salvador, outro no Vale do Ribeira (SP) e dois em São Paulo, sobre temas variados como o ecoturismo ou a preservação da Mata Atlântica. Se, de quebra, ela produzir informação própria - como o Atlas da Mata Atlântica, periodicamente revisto pela SOS - e aprender a falar a linguagem de cada veículo, pronto, está feita a conexão. Daí, é só conseguir emplacar no Jornal Nacional, porque "jornalista vive correndo atrás do próprio rabo e todo o mundo vai querer dar a matéria atrás da Globo". Mantovani admite que toda essa estrutura exige dinheiro, mas que fundamental, mesmo, é empregá-lo bem. Ocupar espaço publicitário, por exemplo, não é das melhores soluções. Na época da ECO-92, a SOS chegou a publicar anúncios de duas páginas na Veja durante seis semanas. Resultado: nem um só novo sócio.
* Mantovani admite que existe um certo comodismo que faz com que os repórteres procurem sempre a mesma fonte. Ele cita o caso de uma reportagem do Estadão pautada por uma denúncia da Rede Aipa - agência de notícias ambientais montada pela jornalista Silvia Czapsky, da Associação Ituana de Preservação Ambiental. A nota informava sobre a extração irregular de pedras de matacões em Itu (SP), mas foi na SOS, distante uma centena de quilômetros, que o jornal foi buscar mais informações, enquanto a fonte original, a Aipa, desaparecia da matéria. Isso tem a ver com o fato de a SOS ser a fonte que os repórteres sabem que fala a qualquer hora, sobre qualquer assunto - situação confortável para eles, mas que, em certo sentido, impede o surgimento de novas lideranças ambientais. Outro exemplo: apesar do seu interesse local, um release sobre um mutirão de catação de lixo às margens do Tietê, também em Itu, enviado para a Agência Estado, foi reproduzido até por jornais do Piauí e do Amazonas. É muita falta do que publicar.
Fundação S.O.S. Mata Atlântica
Rua Manoel da Nóbrega, 456 - CEP 04001-001 - São Paulo - SP
Tel. (011)8871195 - Fax. (011)885-1680
e-mail: smata@ax.apc.org
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SERVIÇO PÚBLICO NA INTERNET
Site do BNDES valoriza privatizações
Pedro Doria (*)
BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
http://www.bndes.gov.br/
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Avaliação
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Uma visita à página principal do site do BNDES não indica todo seu potencial. Numa apresentação gráfica agradável, seremos remetidos a quatro sessões distintas: Produtos e Serviços, Privatização, Publicações e Conheça Nossa Empresa, com o institucional. A divisão é clara, mas a interface atrapalha: nesta mesma primeira página temos três maneiras (menus) distintas de chegar a cada um dos pontos. Se aqui o usuário não fica confuso, ficará mais adiante.
O site é atualizado com freqüência. O fato de dedicar toda uma área a informações sobre a privatização indica o comprometimento do Banco com o projeto. As diversas publicações disponíveis ora em versão para Web, ora em arquivos de texto para download, trazem informação sobre os diversos setores da economia brasileira e a atuação do BNDES. Mas o internauta que procurar alguma informação específica - siderurgia, por exemplo - terá dificuldades: não há nenhuma ferramenta de busca.
Releases não estão lá, fazendo com que o site sirva mais para consulta à informação que contextualize do que para a notícia em si. No entanto, a página principal traz "manchetes" com links indicando aquilo que a instituição considera mais importante.
É um bom site, quando comparado com a média dos brasileiros. Ainda assim, fica difícil saber a que público se destina.
LEGENDA:
* - Ruim
** - Regular
*** - Bom
Visual: Que tal a parte gráfica? A diagramação é boa, profissional e auxilia a visita?
Navegação: Quão fácil/difícil é encontrar a informação disponível?
Conteúdo: Quão recentes parecem ser as informações? Há preocupação de manter qualidade de conteúdo?
Conheça o site do BNDES
(*) Pedro Doria é estudante de Economia da UFRJ.
Para o Libération rodízio é utopia!
A.D.
O tablóide matutino parisiense, modelo da Folha antes de ser desbancado pelo USA Today, estampou como manchete na sua edição de 10 de setembro o início da proibição à circulação de qualquer veículo no centro da cidade de La Rochelle (na costa atlântica). Título: "A Utopia de La Rochelle", saudação à primeira iniciativa no gênero tomada por qualquer municipalidade francesa e primeiro passo de uma cruzada nacional para melhorar a qualidade de vida. (veja ao lado).
Quantos jornais brasileiros saudaram o início do rodízio de carros em S.Paulo em agosto de 1996? Qual será o jornal carioca que proporá um rodízio semelhante no Rio?
O cidadão brasileiro não é pior do que o cidadão francês. Mas os respectivos jornais fazem uma grande diferença.
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