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ORIENTE MUITO PRÓXIMO
Folgas da Semana Santa,
brechas na informação
Alberto Dines
Diabo solto na Terra Santa mas em nossas redações a preocupação não era a escalada da guerra, mas a escala de trabalho. Na última quinta-feira, 28/3, quase chegamos à perfeição: fazer as edições de uma semana inteira num único dia.
Além do jornal de sexta foram adiantadas substancialmente as edições de sábado, domingo e segunda. Ficaram abertas apenas as páginas de noticiário "quente" cobertas pelos plantões de fechamento – a tropa de choque encarregada de encher os espaços em branco deixados pelos anúncios.
Mas como o jornalismo impresso há muito deixou de ser meramente noticioso (substituído pelo eletrônico), a magreza das edições combinou-se à pobreza do teor analítico. Acrescente-se a essa indigência dos quotidianos a antecipação dos fechamentos dos semanários (para quarta e quinta-feira) e assim obtém-se o flagrante de corpo inteiro de uma indústria em crise. E o pior: sem inspiração e disposição para tentar uma saída.
Funcionou a clássica "operação-padrão": fatos noticiados, manchetes escolhidas, mantidas a aparência, as atrações e os colunistas. Mas com 5 minutos de navegação na internet e 10 minutos de escuta radiofônica estava o cidadão abastecido para o gasto e os jornais, intocados, prontos para a reciclagem.
O que nos leva a uma pequena questão: a periodicidade é o único vinculo entre veículo e leitor? Sair todos os dias não é suficiente para cumprir com a missão da imprensa na sociedade democrática.
O segredo do jornalismo diário nos últimos 200 anos não se resumiu apenas em colocar nas mãos dos leitores, a cada 24 horas, algumas folhas de papel com informações consideradas novas. Novo é o que esclarece e não apenas o que surpreende.
Quatro dias sucessivos de manchetes dramáticas sobre os desdobramentos da guerra no Oriente Médio não são suficientes para explicar e aclarar o que de fato está acontecendo. Sobretudo porque, tratando-se de uma guerra, pressupõe-se a existência (nas diversas etapas da elaboração da notícia) de partisans de ambos os lados trabalhando as palavras e os seus significados. Ao fechar "no tapa" uma matéria ou edição, pode-se cair nas armadilhas da guerra psicológica.
Jornalismo é sinônimo de vigilância, cuidado, atenção. A mera satisfação das rotinas que culmina com a entrega dos jornais nas mãos do cidadão não é o bastante para cumprir com a função social da imprensa.
A pequena pilha dos pobres jornais produzidos neste angustiante feriadão é uma triste demonstração de que a informação copiosa mas insuficiente equivale à desinformação.
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