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Alberto Dines

Homem que foi Hitler
ajudou imprensa alemã

Morreu em setembro na Alemanha um gordão de 62 anos que adorava cerveja e atendia pelo nome de Konrad Kujau. Até aí nada demais. Sabia pintar e era dono de uma loja mambembe onde vendia uniformes e capacetes nazistas. Nada demais num país que continua impregnado pelas idéias hitleristas.

Era um falsificador. E foi o homem que forjou sozinho os 62 cadernos contendo os "Diários de Hitler". Um maluco? Vendeu os "diários" para a revista Stern, hoje equivalente à Veja, que os revendeu para o Sunday Times (de Rupert Murdoch) e o Newsweek. Um negócio de milhões de dólares.

Quando foi desmascarado e preso vivia de biscates. Quem embolsou o dinheiro foi um funcionário da revista, Gerd Heidemann, que montou a mirabolante história sobre o esconderijo dos diários e com ela convenceu os chefões de sua autenticidade. Também foi preso.

O vivaldino Heidemann está vivo. Seu testemunho aparentemente insuspeito confundiu os editores, que esqueceram-se de encomendar as perícias mais elementares. Como por exemplo verificar o amarelado do papel – era chá.

Konrad Kujau e Gert Heidemann quase acabaram com Stern. São hoje símbolos da sólida parceria entre veiculadores de falsificações com os autores das falsificações. A eles deve a imprensa alemã sua seriedade. [Dados obtidos no obituário da revista The Economist, edição 23 de setembro]



Submissão às panelas

De tanto viajar, Renato Maurício Prado está com jet-leg [veja sua entrevista a O Estagiário, no Entre Aspas desta edição]. E redondamente enganado: não larguei a profissão. Quem largou foi ele. Confunde submissão ao baronato da mídia com o exercício profissional. Pensa que jornalismo só se pratica com carteira assinada, 14 salários e bônus no final do ano. Tome note, rapaz:

  • Escrevo uma coluna semanal (reproduzida num jornalão nacional e outros três jornais regionais).
  • Sou um dos colaboradores e editor de um site jornalístico com atualizações semanais que está na internet há quatro anos e meio, lido e discutido na maioria das redações brasileiras inclusive a dele – provavelmente à sua revelia.
  • Sou o pauteiro, apresentador e editor-responsável de um programa semanal de TV apresentado ao vivo em rede nacional que existe há quase três anos – e ao qual comparecem seus superiores hierárquicos.
  • Vivo confortável e honradamente de honorários jornalísticos. No item conforto talvez ele me supere, no outro duvido.

Prado está no negócio de vender panelas, eu estou em outro ramo. Está por fora e acho que nunca esteve dentro.



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