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"ESTOU PARA MORRER. PODEM PUBLICAR"
Veja Online
"Irritado, Covas nega afastamento do cargo e discute com a imprensa", copyright Veja Online, 16/01/01
"Governador mantém agenda de audiências e dá expediente no Palácio dos Bandeirantes. Assessores dizem que ele não sente mais dores de cabeça. Cadeira de rodas é necessária por causa da sensação de fraqueza
‘O que vocês querem? Ver o governador ruim, em pedaços?’ Com esta frase, dirigida aos repórteres que cobriam uma reunião no Palácio dos Bandeirantes, o governador Mário Covas, demonstrou, na manhã desta terça-feira, irritação com parte do noticiário em torno de sua doença.
Num dia em que alguns veículos chegaram a especular como seria uma eventual posse do vice-governador, Geraldo Alckmin, Covas negou a possibilidade de afastamento para tratar do câncer de meninge, confirmado pelos médicos na segunda-feira.
Na manhã de terça, o governador participou de um encontro do Programa Estadual de Desestatização. À tarde, manteve agenda de reuniões e despachos internos.
Os médicos confirmam, até o momento, que o tratamento do governador não requer que ele se afaste do cargo. Covas poderá ser submetido a quimioterapia na nuca, tratamento definido como menos agressivo pela equipe médica.
A assessoria do governador afirma que ele passou bem a noite de segunda para terça, sem as dores de cabeça sentidas na semana passada. O governador ainda sente fraqueza nas pernas, que o obriga a usar cadeira de rodas.
Novo foco - O resultado dos exames feito pelo governador Mário Covas, na sexta-feira passada, revelou presença de células cancerígenas na meninge. A meninge é a membrana que fica entre o cérebro e os ossos do crânio. ‘As perspectivas são piores do que já foram’, admitiu o infectologista David Uip.
Na manhã de segunda-feira, dia 15, um dos médicos da equipe que cuida do governador, pedindo para não ser identificado, afirmou que Covas estaria com câncer no cérebro. Apesar do agravamento do quadro, não há recomendação de afastamento do cargo.
Promessa - Dona Lila Covas, a primeira-dama do Estado de São Paulo, confirmou nesta sexta-feira que fará uma caminhada de São Paulo até a cidade de Aparecida, no interior do Estado, para pedir a Nossa Senhora Aparecida, que ajude no restabelecimento da saúde de seu marido.
Devota da santa há muitos anos, dona Lila reconhece que a promessa não é simples. A a distância entre a capital e Aparecida é de 170 quilômetros. ‘É uma caminhada longa. Não tem estrada para isso, mas vamos organizá-la’, disse.
A caminhada deve acontecer no dia 21 deste mês. A princípio, dona Lila será acompanhada pelo padre Rosalvino Vilãyo, responsável pelo Centro Social Dom Bosco, que realiza projetos sociais com menores carentes na zona Leste de São Paulo.
As especulações sobre a degradação da saúde do governador cresceram depois de sua aparição em público na última quarta-feira. Durante a cerimônia de posse do novo presidente da Febem, Saulo de Castro Abreu Filho, Covas teve bastante dificuldade para pronunciar palavras, completar frases e estabelecer um raciocínio.
O governador fez um discurso de quase meia hora e foi interrompido quatro vezes pela mulher dona Lila, que o acompanhava, e pelos aplausos da cerca de 300 pessoas presentes, entre convidados e autoridades.
Dona Lila explicou que a dificuldade se devia ao medicamento que Covas havia tomado. ‘Na verdade, ele está com uma dor de cabeça muito grande, tomou um remédio perto do outro, e eles são muito fortes’, disse a primeira-dama. O médico David Uip confirmou a informação de Dona Lila.
Pernas moles - Já na terça-feira o governador havia se irritado com repórteres que perguntaram sobre sua saúde. ‘Os jornais vivem afirmando que vou morrer e acho isso muito engraçado. Queria deixar bem claro para vocês que eu acredito na minha recuperação plena’, disse.
Covas estava em um ato pela paz em homenagem às vítimas do assalto a um supermercado em Jacareí. Abatido, permaneceu sentado durante toda a celebração e reclamou que sentia ‘as pernas moles’.
Só ficou nervoso mesmo quando foi questionado sobre como estaria se sentindo sob um sol de 33 graus. ‘Oras, estou me sentindo exatamente como vocês. Eu não tenho nada de especial para me sentir diferente, estou normal’, afirmou.
Alguns integrantes da equipe médica encarregada do tratamento do governador Mário Covas defenderam a necessidade de realizar exames neurológicos para avaliar as razões de sua dificuldade de locomoção."
Primeira Leitura
"Barbaridade", copyright Primeira Leitura (www.primeiraleitura.com.br), 16/01/01
"A família de Covas tem de pôr freios na boca de alguns médicos. Não é verdade que a imprensa tenha sabido de seu estado de saúde antes de ele mesmo saber. Mas é verdade que a coletiva foi dada sem qualquer controle da família. Uma coisa é transparência. Outra, a chacrinha em torno da saúde do governador."
Flávio Freire
"Mário Covas tem câncer no cérebro", copyright Jornal do Brasil, 16/01/01
"Exames neurológicos feitos no governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), constataram a presença de células cancerígenas na meninge - membrana que reveste o cérebro e a medula óssea. Os médicos suspeitam que o câncer tenha se espalhado por meio do sistema linfático ou pela corrente sanguínea. As sessões de imunoterapia, iniciadas no último dia 5, foram suspensas definitivamente, uma vez que os medicamentos utilizados na injeção de anticorpos não tiveram ação contra a doença. A nova terapia não foi definida e somente será anunciada após uma conversa da equipe com o governador.
O infectologista David Uip confirmou a metástase no foco de células detectadas na região cerebral do governador. Mas frisou que a ressonância magnética no corpo inteiro de Covas não constatou outro tumor.
Para o oncologista Ricardo Brentani, que sugeriu o tratamento à base de imunoterapia, as condições de saúde do governador são mais delicadas do que da última vez em que foi submetido ao tratamento de um câncer. ''É um tumor que surgiu há dois anos, pensamos que tivesse sido curado, mas que voltou. Por isso, não acho razoável discutir sobrevida. Razoável é discutir perspectivas.''.
Em entrevista coletiva no Instituto do Coração (Incor), tanto Uip como Brentani evitaram falar sobre o grau de agressividade do câncer. Para eles, a questão diz respeito apenas ao paciente e seus familiares. Disseram ainda que não foi possível detectar a extensão da meninge comprometida pelas células cancerosas. O aumento da pressão intracraniana, descoberto em exames neurológicos feitos na sexta-feira, continua sendo controlado com medicamentos produzidos à base de corticóide.
O controle da hipertensão - que tem provocado fortes dores de cabeça no governador e é também um dos sintomas do câncer na meninge - está sob responsabilidade do neurologista Milberto Scaf. Para Uip, a preocupação dos médicos é atacar a conseqüência da doença. Daí, segundo ele, a importância de controlar a pressão intracraniana. Segundo a assessoria do Palácio, Covas tem sido assistido diariamente pelo neurologista.
Os médicos reiteraram que o problema de fala apresentado pelo governador na última quarta-feira não tem ligação com o câncer. O problema, garantem, foi ocasionado porque Covas ingeriu, sem orientação médica, três comprimidos de analgésico em um período de três horas.
O oncologista Ricardo Brentani disse ontem que tem ''relativa urgência'' para conversar com o governador e definir, a partir daí, um novo tratamento. Sessões de quimioterapia e radioterapia não foram descartadas, mas apenas poderão ser adotados depois de uma discussão da equipe médica. O caso do governador de São Paulo voltará a ser discutido esta semana com os médicos do Memorial Sloan Kethering, de Nova Iorque.
Especialistas norte-americanos acompanham o drama de Covas desde 1998, quando foi extraído o primeiro tumor, entre a bexiga e o intestino. Também orientaram a equipe brasileira no novembro do ano passado, quando o governador retirou dois tumores malignos na região pélvica.
O infectologista David Uip disse que não há orientação médica para que o governador abandone suas atividades à frente do governo do Estado. Segundo ele, o governador passa bem e pode continuar com a rotina no Palácio dos Bandeirantes.
''O governador demonstrou hoje (ontem), ao participar de uma solenidade, que seu estado de saúde não compromete seus atos''. Na sexta-feira, Uip havia dito que a decisão sobre um possível afastamento dependeria exclusivamente do governo estadual."
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