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NADA SE CRIA, TUDO SE COPIA
"Está lançado o desafio"
Márcia Camila Ribeiro
Essa era a frase slogan para chamar a atenção do público para o novo programa do mais poderoso canal de televisão do Brasil. E chamou mesmo, pois os índices de audiência no primeiro dia do programa foram altos. Era a grande novidade, fez-se tanto mistério que é lógico que as pessoas iriam querer saber do que se tratava. Mas o maior desafio na verdade é o de manter os telespectadores ligados na televisão, interessados e na expectativa do próximo. Para quem não tem nada melhor para se fazer num domingo à noite e depois de já ter assistido ao show de variedades da Globo, o Fantástico, vale até a pena ver o No Limite, mas deixar de fazer
alguma coisa para assisti-lo, nem pensar!
No Limite nada mais é do que uma cópia de programas europeus e norte-americanos que fazem sucesso. Mas para que a Globo não precisasse pagar os royalties, a taxa cobrada por
estar "emprestando a idéia original", foi inventado uma espécie de gincana entre dois grupos onde o que perder terá que "eliminar" um integrante.
Esse programa pode até convencer, mas comete algumas gafes, como por exemplo o fato de que as mulheres, depois de ficarem mais de uma semana numa suposta ilha deserta, estarem
higienicamente depiladas e os homens com suas barbas feitas. Outra curiosidade é que as roupas dos integrantes estão sempre limpas e passadas e seus cabelos não estão nada gordurosos, mesmo com todo aquele sol e a água não ser igual a qual estão acostumados. Fora o fato de ser mostrado a público um dos integrantes chamando o outro de "crioulo", vangloriando-se perante os outros, mulheres com biquinis pequenos e shorts curtos para mostrarem seus corpos. E o mais gozado, quando ocorre a votação para saber quem vai ser eliminado do programa, todos votam numa mesma pessoa, menos ela mesma e nunca dá empate quando o número de pessoas é par.
Esse novo programa de entretenimento está buscando audiência e credibilidade, esperando para ver se esse novo estilo de programação trará lucros. É visível também a estratégia desse programa para chamar a atenção do público ao mostrar assuntos polêmicos, tais como o racismo e a fome.
Como a TV brasileira já está esgotada de tantos programas iguais, o jeito foi buscar uma novidade. Resta saber até quando essa novidade vai durar e quais serão os próximos a copiá-lo, pois como dizia o velho guerreiro Chacrinha, "nada se cria, tudo se copia".
INÍCIO DE CARREIRA
Valor corrige Folha, mas
patrãozinho é incorrigível
A.D.
Na edição de quarta-feira, 16/8, pág. B-4, a Folha de S.Paulo relata o depoimento de quatro grandes empresários nacionais sobre o início de suas carreiras para estudantes da FGV-SP.
Luís Frias, presidente da Empresa Folha da Manhã S.A., proprietária do jornal, um dos depoentes, revelou uma estréia atribulada: aos 15 anos foi trabalhar como redator durante a malfadada greve dos jornalistas (1979). A confissão, politicamente incorreta, não pegou bem – a mesma matéria foi reproduzida no dia seguinte em versão melhorada no Valor, devidamente expurgada do episódio.
Honra ao mérito: com 15 anos Luís Frias comandava sozinho uma complexa granja avícola, inteiramente verticalizada, na região de São José dos Campos (SP), de propriedade da família.
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