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CIDADES
Novos prefeitos, velha cobertura
Marta Suplicy assume a prefeitura de São Paulo no dia 1/1/2001 e um dos seus problemas imediatos será enfrentar as enchentes de verão. A primeira amostra da temporada de inundações ocorreu na tarde de quarta-feira [13/12], quando a cidade ficou submersa depois de 30 minutos de forte chuva.
Dia seguinte, 24 antes da posse, Folha de S.Paulo e Estado de S.Paulo deram uma demonstração conjunta do distanciamento olímpico dos problemas da cidade.
Compreende-se que naquele dia George Bush deveria ser a manchete obrigatória de qualquer jornal sério, com uma foto dominante na capa. Mas a calamidade que afetou a vida de dois terços dos leitores de ambos os jornais ficou minimizada abaixo da dobra da primeira página. Na Folha, a velha foto de um carro empinado numa mureta pela enxurrada (na reportagem havia uma foto mais dramática). No Estadão, a imagem rotineira de um grupo atravessando uma praça com água pelos joelhos.
Como nos dois jornalões a cobertura local não fica no primeiro caderno, mas exilada num dos sete suplementos editoriais (por sua vez acompanhados por duas ou três seções de classificados), a reportagem sobre a enchente do dia anterior com suas implicações políticas e administrativas foi lida pela minoria disposta a desfolhar aquela desconjuntada maçaroca.
Há uma relação de causa e efeito entre os problemas de uma cidade e o distanciamento com que os veículos jornalísticos a cobrem.
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