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Alberto Dines


Entre o grampo e a mordaça (I)

Só o debate público evita abusos e censura

Embora ausente da última edição do Observatório da Imprensa na TV (17/7), o advogado Sérgio Mazzillo ofereceu valiosa contribuição ao debate sobre o "jornalismo fiteiro", que neste momento domina a mídia. A carta que nos enviou, junto com um texto mais longo (reproduzido no Jornal do Brasil dias depois), constituem peças sobre as quais conviria ponderar. [ver remissões abaixo]

O advogado manifestou-se como parte interessada, representando o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PSB), mas os conceitos que ofereceu juntam-se e reforçam a posição teórica e portanto mais abrangente assumida pelo professor Dalmo de Abreu Dallari no mesmo programa.

O eminente jurista, um dos campeões da causa da liberdade e dos direitos humanos na resistência aos desmandos do regime militar, não estava defendendo clientes (o que não tem nada de errado). Dallari defendia a Constituição que, segundo ele, vem sendo ferida por esta epidemia de grampos ilegais [ver remissão abaixo para a transcrição das intervenções de Dallari durante o programa].

O saldo daquele Observatório evidenciou que é imperioso manter vivo o debate sobre o desempenho da imprensa. Esta é uma discussão que não deve estar confinada ao âmbito corporativo ou mesmo acadêmico. É um dever da imprensa apresentar-se diante da sociedade para justificar seu comportamento quando este é questionado. O Globo foi questionado pela Justiça, o programa pretendia questionar uma sentença que prejudicou o direito d’O Globo de informar.

Um veículo não se enfraquece quando se expõe para discutir pública e francamente pontos de vista ou comportamentos, sobretudo quando isso se dá além do seu espaço e do seu tempo, em cenários sobre os quais não tem controle. Este tipo de disponibilidade só o engrandece.

A imprensa, porque é exercida por empresas privadas, porque deve ser pluralista e porque goza de privilégios excepcionais, não pode omitir-se de um escrutínio constante. Quanto menos olímpica, mais legítima. E respeitada.

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