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Os Observadores
Não existem no mundo muitos boletins regulares de acompanhamento da mídia pela Internet. Os poucos são reproduções on-line de veículos impressos. Na verdade, somos um dos únicos neste formato e com esta periodicidade. A adesão, participação e, sobretudo, a reprodução dos nossos boletins nas redações e na mídia indicam que o nosso compromisso original foi aceito pela outra parte, a sociedade.
Já passa de 12.000 o número de "sessões de usuários" que chegaram até as páginas do OBSERVATÓRIO desde outubro de 1996, quando começou a ser feita a contagem. Outro indicador valioso é que cresce muito o número de pessoas que respondem à pesquisa Quem é você?, que dá a este O.I. precioso instrumento de conhecimento e de interlocução com os leitores. (1)
O Escândalo dos Precatórios - o fato mais importante do semestre, quiçá do ano - é o nosso diploma maior.
* Começamos o rastreamento imediatamente após as primeiras denúncias do Jornal da Tarde.
* Não titubeamos em indicar os nomes dos opinionistas que àquela altura - por afobação - tentaram desqualificar o desdobramento da investigação jornalística.
* Quando, através de reportagem de Maria Cristina Fernandes (ver, nesta edição, seu artigo "A CPI condena, a imprensa sentencia") e Elvira Fantin na Gazeta Mercantil, os jornalistas abandonaram o estado de prostração hipnótica diante da truculência do relator da CPI, fomos os únicos a cobrar da imprensa a grave omissão, quando deixou de informar na hora devida (três meses antes), que o senador em questão estava moralmente impedido de assumir tamanha responsabilidade com o seu mandato sub judice.
* Arrostamos a ira e a covardia de um parlamentar sem escrúpulos numa luta desigual em que muitos editores - para não prejudicar o circo armado - recusaram o nosso direito de resposta.
* Agora, o prêmio: o cardeal arcebispo de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns, depois de uma inequívoca declaração à Folha de S.Paulo (27/3), porém sem dar os nomes aos bois, resolveu deixar tudo em pratos limpos. Com o peso da sua autoridade moral e do seu passado como campeão das causas justas sentenciou com todas as letras ao Jornal do Brasil (1/4): "Continuo achando que deveriam investigar quem está investigando..Eu me refiro ao relator da Comissão, Roberto Requião."
* Sábado de Aleluia: "ACM vai cobrar da CPI falta de rumo das investigações. Presidente do Senado se irrita com Requião por ações precipitadas" (O Globo, manchete de primeira página). O Jornal do Brasil, também na principal matéria da primeira página, revela como o senador-sub-judice manipula em proveito próprio as informações que lhe chegam. Todos os jornais desde este dia começaram a apontar as distorções nos procedimentos da CPI sem desapertar a pressão em cima dos incriminados.
* O Dia 1o de Abril, Fool's Day, Dia dos Tolos, foi definitivo. Não houve matéria, título, texto e contexto onde Requião e seus métodos não fossem argüidos. Foto de Requião passou a ter legenda menos incensadora, o adjetivo sensacionalista começou a ser utilizado embora nenhum jornal se lembrasse que o sensacionalismo foi dos jornais que não souberam comportar-se com distanciamento crítico.
Não pode haver melhor maneira de comemorar um primeiro aniversário. Este OBSERVATÓRIO já é uma instituição dentro da imprensa brasileira.
Os Observadores
(1) Até o final de fevereiro, o cruzamento dos dados mostrava que a idade média dos nossos leitores é de 35 anos. As mulheres ainda são bastante minoritárias: 25%.
Juízes, advogados, médicos, funcionários públicos, empresários, analistas de sistema, bancários e comerciantes são as profissões que se destacam. Os jornalistas são maioria relativa: 28%. Estudantes chegam a 8%.
Os índices de leitura de jornais e revistas são altíssimos: 74% disseram ler jornais nos 7 dias da semana, e, desses, 64% lêem mais de três ou mais jornais por dia e três ou mais revistas por semana. Voltar
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