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OBSERVATÓRIO NA TV
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TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30
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ORIENTE MÉDIO
Mídia para a paz
Alberto Dines
Editorial do programa Observatório da
Imprensa na TV, transmitido pela rede pública de TV em
2/4/02
Bem-vindos ao Observatório da Imprensa. Você deve estar sentido isso: o noticiário sobre o Oriente Médio está alucinante. Exatamente por causa disto, este programa vai insistir no seu objetivo e razão de ser: fazer pensar. A alucinação só ocorre onde não há espaço para a reflexão nem para a racionalidade. Onde há informação compreensível a insanidade fica confinada. A guerra não foi declarada mas o estado de guerra está implantado. Temos a convicção de que qualquer guerra é fruto da exaltação e da irracionalidade. E temos a certeza de que a partir de 1914 todos os conflitos militares, mundiais ou não, foram precedidos de uma intensa exploração do ódio através dos meios de comunicação existentes.
As guerras começam nos corações e mentes daqueles que estão na retaguarda e só depois chegam à linha de frente. O pacifismo como nome e movimento foi inventado justamente na Primeira Guerra Mundial porque um grupo de intelectuais de todos os países envolvidos reuniram-se na Suíça neutra para condenar toda e qualquer violência. Tanto a ação como a reação, tanto a violência causadora, como a violência conseqüente. Não se pode ser pacifista pela metade, o pacifismo é um estado de espírito absoluto. Obrigatoriamente apartidário e necessariamente apolítico, não pode ser confundido com militância sectária sob pena de transformar-se em lenha para a fogueira.
Para mostrar o que a mídia pode e deve fazer para pacificar os espíritos e evitar a contaminação belicosa vamos citar o editorial de hoje da Folha de S.Paulo [reproduzido abaixo]. Ao mostrar que todos têm razões mas ninguém tem razão, ao condenar os atentados suicidas contra civis e as represálias moralmente suicidas contra civis, os jornalistas oferecem um caminho para a própria cobertura dos acontecimentos. Nesta edição do Observatório, mais do que nunca, vamos insistir no propósito de não entrar nas razões dos radicais. Vamos nos fixar no desempenho da mídia porque a mídia é o último recurso para exercitar a razão e chegar à paz.
Radicais por toda parte
Editorial, copyright Folha de S.Paulo, 2/4/02
Israel tem razão quando reage à sangrenta onda de atentados suicidas que vem sofrendo ultimamente. Os palestinos têm razão quando argumentam que Israel, pela força e pela usurpação territorial, impede a consecução do seu direito à autonomia nacional. Mas a articulação prática dessas duas "razões" tem frustrado toda tentativa de pôr um fim à violência no Oriente Médio. Nem a ofensiva militar israelense será capaz de acabar com o terrorismo palestino, nem ações terroristas serão capazes de expulsar Israel dos territórios palestinos.
Isolar os extremistas de parte a parte é, desde sempre, a tarefa a ser cumprida por qualquer missão que se proponha a instaurar um processo de negociações promissor. E o cenário político na região, neste momento, está dominado por extremistas. Iasser Arafat não consegue evitar que os grupos radicais palestinos sabotem todo processo negociador que ameace instaurar-se. Ariel Sharon é, ele próprio, um radical da direita israelense que ascendeu ao poder beneficiado pela escalada da violência, cujo estopim foi um "passeio" que ele próprio, Sharon, realizou pela Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, numa ostensiva provocação aos muçulmanos.
Não se pode deixar a questão entregue apenas a israelenses e palestinos. Isolados, tendem a agredir-se indefinidamente. Dado que a ONU não está, infelizmente, à altura do desafio, é fundamental que os EUA assumam papel mais ativo neste momento. Um papel de fato moderador, agregador das forças -regionais e internacionais- que desejam a paz e a instalação de uma agenda promissora de negociações no Oriente Médio.
Para abraçar de fato a causa do entendimento entre israelenses e palestinos, George W. Bush terá de impor uma derrota aos seus assessores que empurram a política externa norte-americana para o militarismo e o unilateralismo. Precisará, por exemplo, deixar em segundo plano o projeto de angariar apoio internacional para uma ofensiva militar contra o Iraque. Reside, pois, na política interna dos EUA um terceiro vetor de resistência a ser superado.
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