|
OBSERVATÓRIO NA TV
OBSERVATÓRIO NA TV
TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30
Você pode participar ao vivo
DDG: (0800) 216-689
Fax: (021) 221-0566
E-mail: obstv@tvebrasil.com.br
Videoconferência: veja instruções em http://200.18.184.210/participa/participe.htm
PARA COMEÇO DE CONVERSA
Editoriais de A.D. na TV
Editorial programa 58 08/06/99
Por Milton Coelho da Graça
A primeira vítima de qualquer guerra é a verdade, conforme nos mostrou Phipil Knightsley em seu muito bem documentado livro. Na guerra do Golfo, as forças armadas americanas deixaram claro que nunca mais cinegrafistas e jornalistas teriam acesso livre e direto à informação como no Vietnã. Somente a CNN, comandada por Peter Arnett, conseguiu dar uma visão independente da guerra porque já estava em Bagdá e teve o senso profissional de não fugir. Chegamos a curiosos e perigosos paradoxos. Os Estados Unidos, protagonistas de quase todas as guerras neste final de milênio, continuam a defender ardorosamente a liberdade de imprensa. Mas, em nome do interesse de sua segurança nacional, procuram estabelecer o controle mais formal e rigoroso possível sobre imagens e informações relativas a essas guerras. por sua vez, o rápido avanço da tecnologia de informação permite que tenhamos imagens instantâneas de qualquer ponto do mundo. mas - na prática - a CNN tem o monopólio das imagens produzidas pela CNN. Controle governamental e monopólio da informação - duas expressões temidas por qualquer sociedade democrática - estão diante de nossos olhos todos os dias quando procuramos saber o que realmente ocorre nesta guerra dos Balcãs. Há 183 anos, um repórter numa colina em Waterloo testemunhou o desbaratamento das tropas de Napoleão pela cavalaria prussiana de Blucher. escreveu à mão sua reportagem numa prancheta, amarrou o papel na patinha de um pombo-correio e, poucas horas depois, Londres tinha uma versão independente e confiável sobre aquela batalha decisiva para a Europa. A velocidade da informação hoje é infinitamente maior do que a do pombo. Mas, quando se trata de guerra, a credibilidade é cada vez menor.
Editorial programa 57 01/06/99
Exatamente uma semana depois da divulgação das fitas grampeadas no BNDES, o assunto esfriou. Bom para o denunciado e ruim para o denunciador porque o que sobrou foi a discussão sobre os procedimentos jornalísticos. É isso que interessa a este OBSERVATÓRIO. É pacífico: um jornal deve publicar tudo aquilo que serve ao interesse público. Essa é a sua função. Mas as denúncias que andam sozinhas são duplamente suspeitas e por isso precisam ser duplamente investigadas. Se o fossem, o assunto das fitas ainda poderia estar fervendo. Uma reportagem pressupõe a busca de informações. Aqui deu-se o contrário: as informações foram buscar o jornal. Uma coisa é o jornalista movimentar-se para buscar a verdade. Outra é a fonte que se movimenta para trazer ao jornalista a sua versão da verdade. Fazer barulho não é propriamente a função da imprensa mas quando faz, deve dispor de evidências ou pelo menos indícios concretos e comprometedores. O logotipo da matéria "os segredos do poder" continha a foto de FHC, esperava-se que além das conversas gravadas clandestinamente houvesse uma investigação para comprovar ou pelo menos indicar comportamento impróprio do presidente. Isso não foi feito. A reputação da imprensa saiu arranhada porque preferiu apostar na presunção da culpa sem ter as provas para isso. Nunca é demais repetir: o objetivo deste OBSERVATÓRIO é examinar o desempenho da mídia. Queremos estabelecer a controvérsia em torno da imprensa. Se ela é um poder, o debate sobre sua conduta deve funcionar como contrapoder. Se ela se enfraquece como poder é a democracia que sai perdendo.
EMAILS:
Mensagens recebidas entre 01/06 e 08/06
Majosa, Ribeirão Bonito / SP
Em um país com uma alta taxa de impostas, com tantos contrastes, miserabilidade e corrupção, mantidas legalmente pela falta de moral ética política é possível discutir a ética da imprensa? Neste caso, discutir a ética da imprensa, não seria legislar pela manutenção da total falta de moral ética política e incentivar a corrupção?
Ercole Novello, Rio de Janeiro
A notícia do grampo publicada pela Folha de São Paulo foi mais um episódio de mau jornalismo que este jornal participa. Mau jornalismo pelos seguintes aspectos:
- Não confirmou a existência de novas informações sobre o grampo, apenas requentou a notícia;
- Não se prestou a ouvir o governo ou as pessoas envolvidas para saber seus posicionamentos;
- Não se limitou a prestar a informação, induziu ao público, e expôs uma opinião pessoal.
Há muito a Folha vem colecionando tais deslizes. Gostaria de saber quem transformou um dos melhores jornais do país num folhetim sensacionalista.
Quanto aos fatos do grampo , a minha opinião é de que o erro não está na tentativa de formar um novo consórcio para que houvesse concorrência na Tele Norte Leste. O grande erro foi na elaboração do edital de licitação. Ele em momento algum previu a necessidade de capacitação técnica dos habilitados, tal como ocorreu nas empresas espelho.
A falta de capacitação técnica aliada ao corporativismo das Teles componentes da Área de Abrangência fez com que as estruturas arcaicas existentes fossem mantidas. Outro dado importante foi a falta de capital da empresa Telemar para honrar seus compromissos. Teve de recorrer ao BNDES para financiar os valores devidos. Por tais fatos , a minha única lamentação foi a vitória , prevista nos grampos, do grupo Telemar que nada mais é do que a estrutura estatal numa empresa privada. Maus serviços e altos lucros.
Ana Lúcia Amaral, São Paulo
O ato de grampear é ilícito, mas o fato revelado refere-se ao interesse público, no qual a autoridade administrativa veio a intervir ao arrepio da lei. Por que o governo precisa escolher quem vai ser financiado pelo BNDES? Por que dinheiro público para deixar a coisa pública privada ? São problemas distintos, o grampo não pode impedir que se discuta a atuação do governo em procedimentos como estes.
Roberto Willians de Santana, Rio de Janeiro - Sociólogo
Caro debatedores
A questão desse processo não constitui numa manifestação da diferença entre as posições - do PFL e do PSDB - sobre os rumos pós estabilidade (1a fase do Real)?? Poderia colocar para nós telespectadores, o que está em jogo nesse quadro político nesta nova fase da república, a exemplo do ministério da Produção - hoje do Desenvolvimento??
Atenciosamente
Joilson Andrade, Recife / PE
Jornalista Mauro, o senhor não acha que conhecer o que faz o homem público, na administração do patrimônio público, é não só um direito como também um dever de cada cidadão, inclusive seu ? Sendo assim, não é nosso dever, de acordo como o que diz a Juíza Denise Frossar, analisar a fundo o que realmente ocorreu, já que partimos de um ato ilegal, que é o grampo ?
Fridolin Janzen, Campo Grande / MS
Prezados amigos,
Gostaria de fazer umas perguntas à Juíza para ela expandir os pensamentos já iniciados:
1. Se o grampo é ilegal, porque somente neste caso a discussão da ilegalidade aconteceu? Por que em outras instâncias o grampo ilegal foi usado para punir, como no caso do futebol e a punição do Atlético Paranaense?
2. Se a Telebrás é pública, é do povo, e a vida do político é pública, não deveria ser liberado o grampo em qualquer privatização, para nem sequer surgir a suspeita de ilegalidade?
3. Se o grampo é ilegal, a publicação do conteúdo não deveria ser punida?
João Pedro, São Paulo / SP
Muito oportuno o debate de hoje. Parabéns.
O leitor deve agir diante dos atos da imprensa também, participar mais.
Exemplo: Essa semana, enviei e-mail de protesto a Folha comunicando o cancelamento da minha assinatura por achar que este meio de comunicação vem se excedendo em sensacionalismo e perdendo sua credibilidade.
André Ciasca
Meu nome é André Ciasca. Sou estudante do 3Ί ano do curso de jornalismo da UNIBAN campus ABC. Também sou ex-aluno do professor de sociologia Marcelo Buzetto, preso há alguns dias na cidade de Porto Feliz por envolvimento com o Movimento dos Sem Terra (MST).
Ao saber que um professor universitário estava sendo preso com outros integrantes do movimento, a mídia não perdeu tempo. Muitas coisas foram ditas. Mas, como leitor, telespectador e futuro jornalista, questiono a veracidade dos relatos sobre o professor Marcelo Buzetto.
Nenhuma equipe de reportagem procurou alunos ou colegas professores do Marcelo para saber mais a respeito de sua conduta dentro da sala de aula e, até mesmo, com seus amigos e colegas. Como seu ex-aluno posso dizer que sua intenção como professor e cidadão é alertar a sociedade para as injustiças sociais provenientes de governantes que visam o bem estar próprio, antes mesmo do bem da sociedade que representam. Visa também produzir em seus alunos a consciência crítica e a participação na sociedade. Como participante do MST, Marcelo tem o objetivo de proporcionar uma melhora na condição de vida daqueles que realmente passam por dificuldades.
Todas as informações divulgadas atribuindo a ele adjetivos pejorativos como: agitador, baderneiro e outros deveriam ser melhor pesadas antes de publicadas. Talvez o jornalismo precise de sangue novo. Profissionais questionadores, curiosos e envolvidos com as causas da sociedade estão em falta no mercado de trabalho. O que nos leva à conclusão de que a falta de competência está presente nas redações de hoje em escala grandiosa. Prova disso são as infelizes inverdades divulgadas em troca de agrados políticos. Isso tudo em um país governado por um sociólogo participante da luta contra a ditadura, que pediu ao povo para esquecer tudo o que disse antes de sua eleição a presidência da República.
Paulo Figueiredo, Manaus / AM - Advogado
Por que o Observatório não trouxe ao debate um dos jornalistas da Folha de São Paulo? Por que o Dines foi logo tomando partido no início do programa? Pretende, de plano, orientar os debates, com franca inclinação em favor do governo? A verdade é que o "não tenha dúvida" do presidente da República é de uma clareza que dispensa maiores comentários. A intervenção foi direta e viciou completamente o processo licitatório. Mais grave é que na nota oficial da presidência, a primeira reação depois do escândalo dos grampos, ainda se tentou mascarar a realidade, com a história de que não haveria processo licitatório, pois leilão não seria licitação. Convenhamos, seria cômico se não fosse trágico!
Paola Campos - Jornalista
Prezado Dines,
Escrevo-lhe esta mensagem para chamar a atenção para um grave problema que coloca em risco a Rede Minas de Televisão, a TV supostamente pública do Estado de Minas Gerais.
Desde a posse do governador Itamar Franco, em janeiro, a emissora passa por uma enorme crise de falta de direcionamento: demissões em massa, substituição da equipe de jornalismo por critérios políticos, produção de matérias tendenciosas e posicionamento assumidamente em favor dos interesses do governo do estado em qualquer circunstância e, o mais grave, distribuição de cargos políticos, e não por critérios técnicos, para cargos diretores e presidência.
Além de não entender de televisão, os dirigentes parecem também não ter projetos administrativos consistentes, e a Rede Minas está "indo para o buraco". O nível da programação vem caindo a olhos vistos, os parâmetros de qualidade são baixos e a credibilidade da emissora já está absolutamente comprometida. Uma credibilidade conquistada a duras penas nos últimos anos.
De 94 a 98, uma série de melhorias técnicas, a possibilidade de contratação de pessoal qualificado e pagamento de salários de mercado graças a um acordo de terceirização da mão de obra, e, principalmente, profissionalismo e objetividade na implantação de um projeto para a criação de uma TV realmente cultural e educativa transformaram a Rede Minas.
Essa mudança fez com que a emissora, antes vista como "amadora", passasse a ser atrativa para jornalistas mineiros. A imprensa repercutiu as melhorias e os projetos implantados. O público deu o retorno mais que positivo.
Apesar de os custos de funcionamento da emissora terem se elevado consideravelmente, a Rede Minas passou a gerar grande parte desses recursos através da venda de apoios culturais, uso das leis de incentivo a cultura e prestação de serviços de produtora de vídeo. A qualidade da programação contribuiu muito para que esses contatos fossem bem sucedidos. Estávamos caminhando cada vez mais para maior independência financeira e consequentemente política, um processo que foi interrompido.
O problema é que desde a fundação há 15 anos, a Rede Minas esteve a mercê do humor dos governantes; na gestão de Newton Cardoso (hoje vice-governador do Estado), a Rede Minas praticamente faliu. Agora não parece ser diferente. Estamos às voltas com mais uma demissão em massa. 80 funcionários devem ser dispensados até o final desta semana. (no início do ano foram 76). Isso implica inclusive, na redução do tempo dos programas e das coberturas.
O que me parece é que a nova administração, mais uma vez, se recusa a aprender com o que já foi feito. Cada novo mandato é quase que o início completo do trabalho. E, o que deixa a situação ainda mais crítica, uma televisão de má qualidade tem muito mais dificuldades de buscar recursos na iniciativa privada, com isso cortes são quase inevitáveis.
Pelo visto o futuro próximo da Rede Minas é ser mantida apenas pelos cofres públicos, com uma produção de baixa qualidade, sempre em favor do governo, o que é absurdo, já que esse dinheiro vem do pagamento de impostos.
Outro fato grave: o mandato do conselho curador, órgão responsável por avaliar os rumos da emissora e interferir nos objetivos da TV, terminou no final do ano passado e até agora não houve, é claro, a preocupação de empossá-lo.
Em suma, estamos à mercê do governo, dos dirigentes que nomeiam assessores e demitem jornalistas e nem sequer sabem do que se trata fazer uma TV educativa e cultural.
Qual é afinal o objetivo e a missão de uma tv educativa e cultural?
Essas emissoras são públicas ou estatais?
Quem deve direcionar e traçar objetivos destas tvs?
Onde está o nosso conselho curador?
Vamos perder mais uma tv educativa no Brasil?
O certo é que nós, jornalistas interessados em trabalhar seriamente um projeto de televisão cultural, sem baixarias e sem apelação por pontos no Ibope, já estamos com as forças e esperanças minadas. Acabam ficando no barco apenas os que buscam uma "boquinha" no serviço público e os que, como admitiu o Diretor de Jornalismo, estão aqui para defender os interesses do governo.
Vamos tentar, mais uma vez levantar esse debate. Experiências em outros países e no Brasil já nos mostraram a importância da existência de TVs que não estejam ligadas apenas a interesses comerciais.
Um abraço
Amilcar Brunazo Filho
Acabamos de ver pela TV as imagens das eleições na África do Sul. Eu vi aquela imagem tradicional que todo político gosta de encenar: Vi o Mandela e os principais candidatos, depositando o seu voto IMPRESSO numa urna tradicional! Alguém viu alguma imagem de uma urna que recebe o voto sem que o eleitor tenha visto o que está escrito nele? Alguém já viu alguma vez, em qualquer país do mundo (fora o Brasil) uma imagem assim?
Mensagens recebidas entre 25/05 e 01/06
CARTAS:
Ely Bueno Cunha, Rio de Janeiro
Aos apresentadores do excelente programa "Observatório da Imprensa"
Saudações,
Apreciadora dos vários programas da TVE que assisto com assiduidade e enorme interesse, venho a presença de ambos na qualidade de jornalista amadora Curso de Jornalismo de Extensão Cultural, com um ano de duração parabeniza-los pelas apresentações da área jornalística, onde se reaprende matérias de suma importância com as chances de conhecer, pela TVE, jornalistas bastante respeitados. Nesse último programa que lembrou os saudosos tempos do jornal "Correio da Manhã" do corajoso e fantástico Paulo Bittencourt, os convidados presentes citaram outros jornais daquela época que empregariam o mesmo estilo (coragem, independência, impetuosidade e total liberdade nas idéias e opiniões) e não entendi porque silenciaram sobre o excepcional jornal "Tribuna da imprensa" de minha preferência. (...)
FAX :
Romeu Ferreira Ribeirinho, São Paulo
Não seria interessante que se promovesse a oitiva da sociedade via fone/fax/carta/e-mail, criando órgão ouvidor em parceria ABI/ABERT/Conselho Regulamentação/Representantes dos Ministérios Justiça Comunicações? A partir da maioria de reclamações/impugnações chegadas da sociedade classificadas por temas seriam analisados os casos considerados prementes impondo-se os pareceres como regulamentadores, caso a caso, criando jurisprudência que só seria alterada caso provocados novos pareceres? Caso considere a proposta válida, como poderemos trabalhar por ela? Como promover sua implantação e divulgação?
Sandra
Adoraria parabeniza-los pelo sucesso e audiência e também solicitar que me tiram algumas dúvidas sobre a mídia propriamente dita: quem é manipulado nesta enorme bola de informações? As grandes massas ou os veículos de comunicação pelos nossos líderes? Por que, ao que nos parece, todas as vezes que está para acontecer algum fato "bombástico" politicamente me refiro as grandes e pequenas emissoras colocam um par de "óculos cor-de-rosa" nas massas que infelizmente são condicionadas e impulsionadas involuntariamente a assistir fenômenos sexuais como Carla Perez ou Tiazinha do H e também futebol ou carnaval. Isso só consegue atingir às pessoas que menos têm senso crítico, é uma pena! Porque a mídia deveria estar ao lado do povão e não o atropelando. O que é conseqüência do quê? Quem é o verdadeiro vilão da história?
Sérgio de Souza Tôrres, Rio de Janeiro
Dado o enorme poder político, conseqüência do econômico, dos grandes conglomerados de informação, que tiraram do jornalismo sua função de coletar, analisar e divulgar fatos, transformando-o em fomentador/farejador de escândalos e tragédias; dado que o assim chamado Jornalismo Investigativo pode se constituir em instrumento de coerção de adversários ou concorrentes; dado que a investigação é prerrogativa do Estado; a liberdade de imprensa pelos excessos não pode se transformar em ameaça à sociedade?
Suely Carvalho, Cabo Frio / RJ
Prezados Senhores debatedores,
O povão quer cultura! De "incultura", eles já estão saturados. Este mesmo povão, tenham certeza, quer assistir, por exemplo, o programa "Direito em Debate", para saber seus direitos. Os "Ratinhos" da vida nada acrescentam. A TVE é fundamental na formação de opinião. Os anunciantes tem que ser ligados à cultura, como por exemplo: livrarias, jornais.
Grata
Pedro Vieira
Caro Dines,
A "defesa" que o Flávio Cavalcanti Jr, está fazendo das TVs comerciais é tão frágil e tão corporativa que só falta ele erguer os dedos e, imitando seu genial pai, gritar "nossos comerciais por favor!" Um abraço
Willian Barros, Fortaleza / CE
Em prol da qualidade na programação das TVs públicas, é mais do que justo que sejam veiculados comerciais. As TVs privadas que se cuidem!!! Parabéns à TVE e TV Cultura!
Devanir Ferreira, Ribeirão Pires / SP - Publicitário
Assisti a um comercial de produto na TV Cultura. Achei estranho ver um anúncio de telefone celular. Não era propaganda institucional. O sr. Jorge da Cunha Lima, que já foi empresário de publicidade, poderia nos dizer: propaganda de produto, em TV pública, pode ser veiculada?
Juvenal Marques Jr, São Sebastião / SP
O que é certo, as TVs educativas, as quais eu assisto, abrirem espaço para algumas propagandas para a sua sobrevivência e as demais que tem suas concessões limitadas por leis e não cumpridas apresentando o nível baixo até hoje. Já que educação e cultura são necessidades primárias como alimentação, moradia etc, ou não são, porque as TVs comerciais com seus lucros não são taxadas de uma porcentagem para a suficiência das TVs educativas? Ou essa idéia é comunista?
Fernando Mello, Franca - Estilista
Venho através deste expressar minha indignação ao ver estes empresários se preocuparem com os poucos neste país que realmente estão fazendo o que eles deveriam estar fazendo, que é levar cultura e educação à comunidade brasileira que é tão carente. Estes empresários na maior parte dos casos adquiriram seus veículos através de barganhas políticas, com certeza não estão nem um pouco preocupados com cultura e educação, estão, sim, preocupados em ter seus lucros afetados. Tenho certeza que toda sociedade brasileira sabe da importância e da qualidade da TV Cultura e nós jamais podemos permitir que o poder que destrói este país com canais de TV que só levam violência e imoralidade para os lares brasileiros, venham nos tirar o direito de ter acesso a tudo o que eles não proporcionam que é cultura, educação.
Luís Claudio, Rio de Janeiro - Estudante da UFRJ
Pergunta a Alberto Dines
A invasão da publicidade privada nas TVs públicas não resultaria no fim do conteúdo qualitativo das programações destas? O aumento de verba nas Tvs não deveria surgir de outras fontes?
Fábio Martins Affonso, Rio de Janeiro
Caros membros do Observatório,
Gostaria, primeiramente, de agradecer a vocês pela exibição de um belo programa, o que, atualmente, é raro. Em relação aos temas debatidos, é óbvio que as Tvs públicas devem buscar recursos através da publicidade para que possam manter a crescente qualidade em sua programação.
Obs: Gostaria de uma consideração do Dines a respeito desta questão: Em um país onde as elites lutam para manter uma massa de energúmenos, a exibição de programas que mostram a realidade e geram cultura, não seria perigosa e por causa disto é que estão usando este tema da publicidade para enfraquecer as Tvs públicas?
Carlos Romero Mendes, Rio de Janeiro
Gostaria de conhecer a opinião do "Observatório" sobre a proposta de recuperar o público leitor dos periódicos com as estratégias propostas pelo "Guru", objetivando ajudar os jornais a tornarem-se mais relevantes para os leitores e anunciantes.
E-MAILS:
Jacyntho Salviano, Minas Gerais
Acho que devem abrir a discussão acerca das outras Tvs espalhadas pelo Brasil a fora. Já que o programa está em rede. As tevês educativas nada mais são que cabides de empregos dos governos estaduais. Aqui em Minas fala-se até em corredor de 4 em 4 anos. Muda o governo, demite-se todos, muda a cara da TV, para defender o novo dono da cadeira do Palácio da liberdade. Deve-se tomar cuidado hoje para não transformar o Observatório da imprensa em porta voz da TV Cultura de SP. Mas concordo que o assunto deve ser debatido. Desde que seja para todas as tvs educativas do Brasil...
Vocês estão discutindo um tema importantíssimo, mas a partir de uma realidade que existe apenas na TVE e na Cultura de SP. Onde existem conselhos curadores que norteiam eticamente essas televisões. Mas no restante do país se a lei de 1967 for modificada pode virar um pandemônio. Imagine centenas de tevês regionais espalhadas pelo Brasil a fora que são dirigidas por deputados, senadores e seus apadrinhados. Aqui na TV Minas que é grande muda-se o perfil a cada mudança de governo? A realidade da TV Cultura de SP é bem diferente das tv educativas do restante do País. Pode parecer conservadora a minha opinião. Mas pelo contrário. Acho que TV Cultura de São Paulo deveria ser modelo obrigatório para todo país. Assim as tvs educativas não serão mais canais de informação, porta-vozes dos governos estaduais. Chamado jornalismo chapa branca!!!
Vocês acham que é possível fazer jornalismo responsável, pensando única e exclusivamente no interesse público quando a televisão é dirigida por pessoas ligadas aos governos estaduais?? Na TV Cultura de SP dá. Porque existe um conselho curador. Mas e pelo Brasil a fora?
Roberto Galassi Amaral - Administrador
Prezados Senhores debatedores,
É necessário explicar ao representante da Abert e a outros que compartilham suas idéias que TV pública é pública e não estatal. Se é pública é a sociedade que deve financiar sua atividade. E é esta a grande diferença com relação à rede privada, pois para ela o interesse é apenas privado e não público. É necessário ressaltar que há um conjunto expressivo de organizações da sociedade civil que hoje capta parte de seu orçamento com a iniciativa privada e nem por isso deixam de atender sua agenda que é pública. Pergunto ao representante da Abert, esta postura está a serviço de quem?
Maristela Cardoso, Novo Hamburgo / RS - Estudante
Pergunta ao Sr. Jorge da Cunha Lima:
Parabéns por incluir comerciais institucionais nos intervalos da TV Cultura! Com a inserção de publicidade regular na extraordinária TV Cultura, essa emissora não poderia, em benefício da ciência, da filosofia, e da universidade brasileira, incluir conferências de alto nível de notáveis homens e mulheres de ciência, arte e pensamento brasileiros e estrangeiros (penso no seminário que, nos anos 70, o psicanalista-filósofo Jacques Lacan ofereceu na TV estatal francesa, seminário aliás intitulado "Télévison")? Desejo-lhe saúde, felicidade e que continue a ajudar, com tanto interesse e com tanta competência profissional o povo brasileiro ou, pelo menos, a parcela dele que deseja aumentar o repertório cultural e a sensibilidade artística, teórica e científica, assistindo a programas televisivos de grande qualidade.
Caroline Almeida
Olá a todos,
Sou estudante de jornalismo e, quanto a divulgação de comerciais na programação da TV Cultura, acredito que, se não é a saída ideal para permitir que a emissora permaneça no ar, é a mais viável enquanto o Estado não se responsabilizar dignamente por ela. A pergunta que não cala pra mim quanto ao assunto é: até que ponto uma propaganda institucional pode prejudicar a recepção de um programa que é educativo, informativo, enfim de uma grade de programação que permanece exatamente a mesma, com conteúdos cada vez melhores. Um comercial institucional pode fazer tão mal assim à saúde dos telespectadores da TV pública? Não defendo a utilização dos comerciais da tv pública, mas, se órgãos governamentais já fecharam seus olhos diante dos sérios problemas administrativos que a TV Cultura já passou há pouco tempo, por que não buscar outras alternativas? Isso passa a ser uma questão de instinto de sobrevivência da TV.
Obrigada pela atenção
Fabiano Trigo, Sertãozinho / SP
É sabido de poucos neste país, mas as emissoras de rádio e televisão são isentas de impostos, como ICMS, por exemplo. Com o pretexto de devem manter independência, as emissoras privadas realizam contratos milionários e não pagam um tostão sequer aos cofres públicos. O pior é que além de não pagarem impostos, cobram dos governos, para a divulgação de propagandas, até mesmo de interesse popular, como campanhas de vacinação, campanhas de prevenção, etc. Se não bastasse, prestam ainda, um desserviço ao país e a população, fazendo campanha contra a veiculação dos horários políticos gratuitos, o único meio democrático de divulgação de idéias e planos políticos. Tenho uma proposta. Por que não desobrigar o horário gratuito em troca do pagamento dos impostos, e direcionar esta arrecadação às televisões públicas? Com certeza, o valor arrecadado será alto o bastante para colocar muitas TVs públicas em primeiro lugar no IBOPE.
Alair Fragoso, Pompéia / SP
Sou totalmente a favor das propagandas nas TVs públicas, assim como os Governos pagam propagandas nas TVs comerciais, qual o problema da propaganda para ajudar a manter a TV pública. Sabemos que é difícil o governo arrecadar tantos impostos e ainda quer aumentá-los, porque não deixar essa manutenção das TVs pelos patrocinadores?? O dinheiro destinado para as TVs pode ir para os hospitais que estão no caos e as Tvs podem continuar a manter a boa qualidade de programas que tem hoje. É muito melhor que privatizá-las.
João Luiz de Castro
Parabenizo o programa Observatório da Imprensa e a profundidade com que se trata os assuntos. Gostaria que em uma oportunidade bem próxima se falasse a respeito das rádios e tvs comunitárias. Estou de pleno acordo com o pensamento do presidente da fundação pe. Anchieta e suas preocupações. Quanto ao pensamento do vice-presidente da Abert, creio que não poderia ser diferente, em defender o lado da iniciativa privada de comunicação (ou manipulação). Quando as coisas começam a dar errado, apela para o governo (como é o caso da Manchete). O dinheiro do contribuinte, sempre foi motivo de abuso e descaso... Porque o vice-presidente da Abert não defende uma maior democratização dos M.C.? Quanto ao veículo público de comunicação, creio que não é correto afirmar que existe. O que existe mesmo é o estatal. Público seria aquele de fácil acesso para qualquer cidadão, o que não ocorre. Gostaria que os senhores comentassem. Acrescento mais alguma coisa: o que é público ou estatal não deveria consistir em viver eternamente em prejuízo.
Reinaldo Ferreira, Itatiba / SP
Gostaria de Perguntar ao Jorge da Cunha Lima:
Há um anúncio na TV Cultura de uma companhia aérea que é, sem dúvida, comercial e não institucional. Se isso ficar corriqueiro, não se corre o risco de dar ao governo o argumento de que TVs públicas não precisam de verba pública? E desse modo, um massivo investimento privado tornar-se-ia forte pressão sobre o que vai ao ar ou não? Cito o exemplo de que nos últimos anos não se debateu na imprensa o endividamento do Estado. Isso porque os bancos são grandes patrocinadores de TVs e, ao mesmo tempo, beneficiários da atual política econômica. Obrigado.
Wlad Farias, SP Dir. e Apres. Progr. Internetando - Canal Comunitário
Gostaria de convida-los a ampliar a discussão abrangendo também os Canais Comunitários. Levados ao ar pelo terceiro setor e que não contam sequer com o apoio que o governo dá às tvs educativas. Elas sofrem ainda mais pois são mais restritas, mas são, sem dúvida nenhuma, alternativa a uma programação massificada e muitas vezes de péssimo conteúdo artístico e social. O mercado disputa verbas de apoio e investimentos da iniciativa privada a programas educativos e culturais. No momento em que estamos às vésperas de uma nova discussão do formato de apoio cultural vale a pena ressaltar a necessidade da liberdade do mercado em poder anunciar em projetos e propostas que tenham relevância social e cultural.
Roberto Willians de Santana, Rio de Janeiro - Sociólogo
Caro Alberto Dines e os demais debatedores,
Estamos assistindo na verdade, um falso dilema na medida que o que está em jogo, não é o grau de monopolização da mídia brasileira conforme existe na legislação americana e o direito à antena como há na legislação francesa??....
Atenciosamente
Sara Eduarda, Curitiba / PR - Coordenação Técnica Canal Comunitário
Uma Tv pública incomoda muita gente! Imagine então várias tvs públicas, incomodam muito mais! Além das tvs de rede nacional, os canais comunitários também vêm enfrentando dificuldades de construir sua programação. Aqui em Curitiba estamos no ar teimosamente desde agosto/98. A lei que regulamenta o terceiro setor será a nossa saída para buscar apoios culturais? Acho que o representante da ABERT demonstra seu preconceito às tvs públicas ao mencionar que não temos audiência. Temos e teremos muito mais, pois fazer programação de qualidade interessa à população!
Fernando A.C., Curitiba / PR
Caros senhores,
Estou orgulhoso de ser brasileiro, dentre alguns poucos motivos, cito sem qualquer dúvida, de ser um assíduo espectador de uma das melhores emissoras de TV do mundo (sem exageros) !! Da TV Cultura e de suas parceiras TVEs. Salve toda a equipe da TV Cultura. Nota 99 para que não parem de buscar o melhor. Fico agradecido às ainda poucas empresas que gastam um pouquinho de sua verba publicitária em campanhas institucionais na TV Cultura. Na minha opinião deveria, de toda a verba publicitária dos governos Federal, Estadual e Municipal, um percentual ser gasto nas TVs Públicas (não menos de 30%). Em tempo, convém lembrar que o "povão" está, via de regra, em elevado grau de ignorância, mas burro não é e gosta de informação limpa e digerível sobre sua realidade.
Parabéns ao Observatório da Imprensa.
Arlinda Lopes
Esta é pro Flávio. Bem, gostaria de lembrar que o povão não deva gostar tanto da violência, dos Ratinhos da vida. Acho que as TVs educativas atendem ao povão quando colocam no ar o Castelo Rá Tim Bum, o programa do meio-dia do domingo, onde a música é a tônica, o Rural tem também o seu programa. Enfim, acho que a TV pública começa a incomodar porque fatalmente é o próprio povo que começa a reagir à selvageria dos canais privados e os anunciantes podem deixar de enriquecer aqueles que gostam dessa falta de educação. Acho ótima essa discussão e, com certeza o mercado das TVS educativas é ascendente sempre que as privadas baixarem o nível. Legal, vão em frente...
Robson Fontenelle
Boa Noite!
Sou editor numa TV pública que sobrevive de uma fundação com recursos da Prefeitura de Itabira, Minas Gerais. Nossa luta na tv, que tem sido vitoriosa, é provar que a tv é pública e comunitária e não estatal. Tem que estar em benefício do público e não de interesses do governo ou de grupos comerciais. Temos dificuldades financeiras e estamos procurando conhecer as formas com as quais TVE e Cultura estão levantando dinheiro para sobreviver. Mantemos um nível bom de jornalismo e estamos cada vez mais discutindo nosso papel na TV e na comunidade. E venho insistindo em investir cada vez mais no jornalismo com a compra de links, a produção de programas ao vivo de debates sobre os problemas da comunidade. Logo Pergunto: - Como sobrevivermos sem recursos num mundo onde a tv é cada vez mais rápida, dinâmica e usa de recursos poderosos com helicópteros, carros com equipamentos caros teleguiados e via satélite. Quer dizer que porque somos tv pública (Rede Cultura) não podemos investir e dispor dos recursos disponíveis ( publicidade institucional e merchandising cultural) ?
Patrícia Rodrigues
É uma pena, mas acho que a tv privada está preocupada com o abandono dos anunciantes que provavelmente preferem vincular seus produtos de acordo com a ética imposta pela TV pública. Particularmente, todos os anúncios que vejo na TV Cultura, da qual sou telespectadora de carteirinha, são de elevado bom gosto. Aliás, bom gosto atinge a todos, não só aos 'intelectuais', ou 'eleitos' que adoram seus umbigos..... obrigada pelo espaço.
Mauro Giller
Boa Noite!
Segundo o Flávio Cavalcanti Jr. a TVE deveria ser orientada a atingir mais o povão, bem é muito simples, é só a TVE começar a mostrar o suprasumo da arte popular atualmente nas TVs comerciais: Show de loiras , muitas loiras com bundinhas maravilhosas e rebolantes como pano de fundo do Observatório da Imprensa e como assessoras no Nossa Língua Portuguesa por exemplo! !
José Luiz
Boa noite,
Acabo de assistir ao debate sobre propaganda nas TVs Cultura e Educativa . O que acontece é que a "grande mídia" está preocupada com a popularidade desta TV alternativa e está querendo bagunçar, não satisfeitas em contaminar milhões de pessoas com programações calhordas! Que se faça o debate, venceremos! Tenho TV a cabo e a comum, pois assisto a vários programas de vocês e incentivo meu filho e minha mulher a vê-los. Entre todas estas opções, as TVs Educativa e Cultura são as melhores . Qual das outras tem um Sem Censura , um Observatório de Imprensa , um Castelo Rá Tim Bum, Documentários, MPB, Jazz, Samba, Cinema, Educação? Vocês são um oásis no mar de lama da TV Brasileira! O Dines tá certo quando diz que não é só a "elite " (as aspas são minhas) que assiste, rebatendo insinuações do filho daquele apresentador ...
Abraços,
Denize, Várzea Grande / MT
Boa noite aos debatedores do programa Observatório da Imprensa. Não pude assistir ao debate inteiramente, porque trabalho o dia todo, mas gostaria de parabenizá-los pela postura dialógica, reflexiva e pela "baita" paciência que tiveram com o senhor presidente da ABERT, é essa a sigla? Sou da classe, C, D, sei lá, mas gosto de programas que me auxiliam a entender minha realidade. Aprendo muito e entendo que uma concepção de comunicação não deve se restringir a mercado, comércio, quantidade de informação. As tvs comerciais se "empanturram" dessa concepção. Comunicação é troca solidária, é experimentar a contra-palavra. E a TVE tem dado e feito a gente experimentar a possibilidade de reflexão. Eu sei que vai parecer antiético, mas o senhor da ABERT não respeita a vontade de pessoas, como eu, em querer entrar e mergulhar em outros mundos. Ele foi, no mínimo, preconceituoso pra não dizer que a visão de tv dele é reducionista demais. Pra quem sempre trabalhou em tv, poderia ser menos arrogante e aprender que há outros modos muitos interessantes de se representar o mundo, conforme pode conferir através dos argumentos dos debatedores. Continuem o excelente trabalho de vocês. Um abraço.
Vinicius Araujo - Jornal Comércio da Franca
Assisti ao programa da última quarta-feira (25/05/99) e gostei do que vi. O programa Observatório da Imprensa é muito útil para se discutir a comunicação brasileira nesta transação de milênio que vivemos. Espero continuar assistindo a este programa que tem um grau de excelência reconhecido no Brasil.
Rodrigo Garcia, SP Est. jornalismo da Univers. São Judas Tadeu
Olá amigos,
Na segunda-feira (24-05), por volta das 22 horas, na TV Record, estava sendo apresentado o programa do Goulart de Andrade. O tema era o roubo e o comércio de veículos. Confesso que não acompanhei o programa do início, mas em determinado momento os repórteres foram a Foz do Iguaçu, com um carro importado e se passando por ladrões, procuravam um contato para levar o carro ao Paraguai. No dia seguinte, do lado paraguaio da Ponte da Amizade encontraram-no e foram até um depósito de carros roubados, onde seria fechado o negócio. Dentro deste depósito, a câmera oculta que carregavam, filmou vários veículos brasileiros, que se tratavam de golpe em seguradoras. Ofereceram pela perua Renault dos repórteres US$4000, o que eles rebateram tentando elevar o preço do veículo. Porém em determinado momento um dos paraguaios pega a chave do carro e diz confiante, esse carro é alugado (vejam o amadorismo). Em seguida o repórter diz que vai sair, que precisa pensar um pouco, então a câmera corta e quando volta já estão dentro do carro e o repórter dá a seguinte notícia:
- Nossa equipe foi descoberta. Estamos agora fugindo do Paraguai, por sorte estamos próximos à ponte. Porém nosso contato não conseguiu fugir e ficou nas mãos dos bandidos. Não sabemos o que será feito dele (o texto não é uma cópia na íntegra, mas o contexto é esse). Agora eu pergunto, que tipo de reportagem é essa? Nunca vi tanto amadorismo numa investigação. Eles pensaram que estavam lidando com amadores? E o pior, colocaram uma vida em risco, deveriam ser punidos por isso. Correto? Gostaria muito de ver algum comentário sobre o assunto, nos próximos programas. Gostaria também de dizer que concordo com a veiculação de propagandas comerciais nas TV Públicas, desde que não interfiram na programação. Inclusive acredito que há produtos, que só poderiam ser anunciados nas redes públicas. Alguém por acaso já viu propaganda de Instrumentos Musicais em TV Privada? (um exemplo).
Um abraço a todos.
Marcelino Yuki Tanaka
Ao programa Observatório da Imprensa,
Eu tive o prazer de assistir a parte do vosso programa transmitido no dia 25/05/99. O tema levantado foi bastante interessante e gostaria de expressar a minha aprovação quanto à programação da Rede Pública, no caso, à Rede Cultura de Televisão, que apresenta programas de muito boa qualidade. Sou plenamente favorável à veiculação de propaganda na rede pública, mas gostaria de fazer uma pergunta relativa àquela pesquisa (tema do 1° bloco do programa). A propaganda transmitida pela TV Cultura passa por alguma forma de "controle de qualidade"? Ou seja, existe alguma restrição às propagandas que apresentem teor de baixa qualidade ou inadequado para o público em geral? O que eu estou perguntando e ao mesmo tempo sugerindo é que a propaganda das redes públicas seja de tão boa qualidade quanto o são os seus programas. Por exemplo, não permitindo cenas apelativas, ou que comercializem produtos de baixa qualidade, etc. Não estou querendo ser nem moralista ou utópico, mas creio que seria uma questão interessante a ser analisada. Outra sugestão, seria abrir espaços publicitários para campanhas beneficentes. Por exemplo, permitindo que a APAE, faça campanha para angariar fundos. Mesmo que seja apenas em forma de boletins, pois estas instituições sobrevivem em condições de carência e também têm pouco amparo do Estado.
Atenciosamente
Sergio Galuppo, Campinas / SP
Anteontem tentei me comunicar no 0800 na hora de debate mas só deu ocupado. Minha sugestão é que deveria ser criado um imposto na TV particular, para subsidiar a TV Cultura. O imposto deveria ser gradativo como o é o imposto de renda. Quanto mais medíocre a programação mais imposto. Já que a concessão é estabelecida pelo governo, ele poderia criar normas, para que esses privilegiados donos de TV ajudassem um pouco, patrocinando a TV Educativa, a educar um povo semi analfabeto. Assim poderíamos criar patamares de 10% do faturamento bruto, 25 % com adicional de 10% como é a tributação de renda para pessoa física. Segue cópia do e-mail que mandei para a Rede Globo na semana retrasada com cópia também para várias emissoras de TV assim como para o Ministério da Justiça, Comunicações e Procuradoria Geral da República:
Há muito tempo tenho observado o desserviço que a televisão brasileira (com exceção da TV Cultura) vem prestando ao País. De um modo geral as televisões exploram o sexo, erotismo, promiscuidade, violência, drogas homossexualismo etc...quando não, estão voltadas a assuntos fúteis que não acrescentam nada à educação e crescimento dos verdadeiros valores humanos. Não há dúvida que a televisão exerce influência tanto para o bem quanto para o mal no comportamento humano, principalmente em um País onde a maior parte da população não tem escolaridade nem sequer do primeiro grau completo. É sabido que quanto menos cultura um indivíduo possua, maior é o risco tomar decisões erradas. Na verdade, quando a televisão entra em nossos lares, ela está praticando uma espécie de "invasão domiciliar, trazendo muitas vezes em suas mensagens, maus exemplos de conduta e da moral. Fiquei estarrecido quando assistindo ao Jornal Nacional ouvi o repórter dizendo que o enfermeiro usava 20ml de "cloreto de potássio" na veia dos pacientes da UTI para matá-los, inclusive que após algum tempo seria impossível o IML determinar que a morte ocorreu em razão do uso deste produto. Acho que um jornalista não precisa dar detalhes para ser fiel ao seu juramento. Basta dizer "usava uma injeção letal " e pronto; a notícia está dada. Muitas pessoas irão morrer no futuro (com cloreto de potássio) em virtude dos ensinamentos dados pelo Jornal Nacional. Não sou a favor da censura, mas acho que certos princípios deveriam ser mantidos. Nem todas as pessoas estão preparadas para ouvir tudo, principalmente as que estão voltadas para o mal. Sou dentista há 27 anos, e até então, desconhecia que essa dosagem de cloreto de potássio seria suficiente para matar. Antes do Fantástico ter exibido os "Skin heads" da Alemanha, nos não tínhamos no Brasil tanta violência, guerra de gangues em bailes de periferia, etc....(apesar de a Alemanha possuir milhares de coisas interessantes que dignificam a natureza humana...mas essas coisas quase ninguém mostra ). Logicamente as TVs não são responsáveis por tudo de errado que está acontecendo por aí, mas elas têm na minha opinião sua parcela de culpa. Elas poderiam ajudar a minimizar esta situação, usando suas programações para educar um povo quase que completamente alienado. Estamos no que estamos pelo desamor, pela paternidade irresponsável, pela falta de religiosidade, pela corrupção impune, pelo desemprego, fome, desintegração da família, falência da moral, banalização da ética etc... etc... e tal. A televisão poderia trabalhar no sentido de educar para que uma série de coisas ruins que ocorrem no nosso País fossem aos poucos eliminadas. Como é que uma criança observando um crápula chutar a imagem da Padroeira do País através do vídeo de uma TV poderá no futuro ter respeito por algo? Vocês já viram algum Judeu profanar um templo Cristão ou de qualquer outra religião que seja em algum lugar do mundo? Sabem porque não o fazem? Porque eles têm berço, educação, princípios e principalmente família. No Estado de Israel em respeito a 3% da população Cristã que lá habitam, foi proibida a exibição de dois filmes: Je vous salut Marie e A última tentação de Cristo. E aqui? Certa ocasião, há muitos anos atrás, ocorreram inúmeros assaltos seguidos de homicídios na Rodovia dos Bandeirantes, próximo a uma região de periferia do município de Campinas. Os marginais atiravam pedras nos vidros dos carros e assim que estes paravam eles praticavam os assaltos e homicídios. Se não estou enganado, mataram desta forma 17 pessoas. Após serem presos, foi designado pela Assistência Judiciária Gratuita um advogado amigo meu para defendê-los. Quando este advogado foi ao presídio dizendo que estava ali para defendê-los e que queria saber o porque faziam isso, os dois que eram irmãos responderam: a vida inteira a gente quis ter as coisas; a vida inteira a gente quis ter carro; casa; roupa; comida, mas a única coisa que encontramos foi emprego de um salário mínimo. Daí, um dia a gente estava vendo televisão e um repórter perguntou para o Presidente: Se o senhor ganhasse um salário mínimo o que o senhor faria? O presidente respondeu "que daria um tiro no ouvido." Aí a gente pensou... o que? Eu me matar? Eu não,... eu vou é dar um tiro na cabeça dos outros, assaltar, roubar para poder ter as coisas que quero. Vejam como as palavras impensadas de um Presidente da República pode ter talvez (sem intenção é claro) influenciado esses indivíduos. Me desculpem, mas estou cheio de ver asneiras. Um querendo fazer campanha para arrecadar dinheiro para seqüestrador. Outro divulgando que pegaram os seqüestradores através do clipe nas cédulas. Um entrevistador mal educado que interrompe a resposta do entrevistado quebrando e desvirtuando o raciocínio do assunto. Porque vocês acham que o maníaco do parque conseguiu matar todas aquelas moças? Porque ele é mais bonito que o Leonardo DiCaprio ou porque elas, pobres, sem estudo, oriundas de lares desestruturados e sem perspectiva de futuro queriam uma vaga de modelo, manequim ou talvez na banheira de algum apresentador? Como ficou o Japonês dono de uma escola maternal que foi levianamente acusado pela TV, de prática de abuso sexual com criancinhas? Estou cansado de ver a TV dar ênfase para bandido, entrevistar traficante etc...e até querer verba do Ministério da Cultura para fazer filme sobre vida de bandido. Existem tantas pessoas boas, dignas, verdadeiros heróis nesse País como os Bombeiros, Professores etc... mas poucas TVs se interessam em exibi-los. Porque? Lamento muito, já passou da hora da Televisão Brasileira ser mais inteligente e responsável, e do Governo estabelecer melhores critérios quanto às concessões.
Roberto Ribeiro
Prezados Senhores,
Até que ponto pode a mídia (ou mais especificamente uma empresa jornalística como a "Folha de São Paulo") explorar com recursos sensacionalistas para ficar em evidência e vender mais?.. Compactuar com criminosos que praticam atos ilegais como um grampo telefônico?... Violar a privacidade pessoal fofocando aos quatro cantos o teor de conversas alheias? ... E servir-se de instrumento para que aqueles bandidos que praticaram o crime atinjam o seu objetivo inconfessável? O jornal exagerou, seja no tamanho da reportagem com várias páginas querendo conferir-lhe um status de dossiê, seja no envolvimento que se desejou atribuir ao presidente (as palavras deste eram falas banais como: "não" ...."também acho" ...."certo"...etc.). A "Folha", além de dar uma interpretação (e manchete) tendenciosa, não se preocupou em ouvir a outra parte (o governo). Não quero entrar no mérito se o que o presidente e seus assessores fizeram foi certo ou errado, mas no método utilizado para a reportagem. De agora em diante teremos vários grampeadores profissionais vendendo suas gravações ilegais para a imprensa?
Atenciosamente
Claudio Vidal, Niterói / RJ
Sou assíduo espectador deste programa e gostaria de parabenizar a todos pelo modo como o mesmo é produzido e também conduzido. Vendo o programa desta semana, no qual foi debatido a propaganda nas redes públicas de televisão, fiquei muito impressionado com a presença do representante da ABERT, por coincidência, funcionário do SBT. Demonstrando, durante todas as suas intervenções, o incômodo que as TVs públicas estão causando às televisões privadas, o referido participante chegou ao cúmulo de afirmar que as redes educativas estariam se elitizando, pois estariam produzindo programas de alto nível cultural e não programas dirigidos as classe D e E. Esta afirmação me causou revolta por ser bastante discriminatória, por ele imaginar que estas classes poderiam assistir aos Ratinhos, Leões e Gugus da vida. Eu penso justamente o contrário, pois imagino que cabe às TVs públicas e também às privadas contribuírem para a elevação do nível cultural e educacional da nossa população. Imagino que você tenha o mesmo pensamento. Continue com estes seus programas, não se deixe abater por comentários preconceituosos de pessoas incomodadas com a evolução cultural do povo brasileiro.
Sem mais, atenciosamente
|
|