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OBSERVATÓRIO NA TV

 

OBSERVATÓRIO NA TV

TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30

Você pode participar ao vivo

DDG: (0800) 216-689
Fax: (021) 221-0566

E-mail: obstv@tvebrasil.com.br

Videoconferência: veja instruções em http://www.tvebrasil.com.br/video.htm

 

PARA COMEÇO DE CONVERSA
Editoriais de A.D. na TV

Editorial programa 72 – 28/09/99

Bem-vindo ao Observatório da Imprensa. A partir deste momento você está sendo convocado para discutir um problema que diz respeito à sua vida e da sua família. Vamos tratar da seguinte questão: a violência é assunto que concerne apenas às autoridades? Todos sabemos que às autoridades cabe impedir a violência mas a violência concerne também a você porque você é sua vítima. E ela não acontece por acaso. A violência propaga-se, é um processo múltiplo que está em curso em todos os níveis. Uma epidemia moral. E a mídia, sobretudo a mídia eletrônica comercial tem muito a ver com a virulência e extensão dessa epidemia. mas preste atenção: assim como não é gratuita, a violência não existe sozinha. A agressão física é o último estágio de uma série de agressões. A apelação aos baixos instintos e à vulgaridade são agressões aparentemente inofensivas, toleradas, mas acabam degradando todos os valores até converter-se em violência propriamente dita. Nesta semana a mais importante revista semanal alemã e uma das maiores do mundo, Der Spigel, publica uma matéria sobre as aberrações da TV brasileira -- Ratinho, Tiazinha e outras glórias da cultura nacional. Há poucos dias esse mesmo Ratinho tentou humilhar publicamente num seminário sobre mídia o alto executivo de uma grande multinacional que ousou questionar os seus métodos e padrões. E a platéia delirou. Ontem ficamos sabendo que as agências de propaganda começaram a curvar-se ao poderoso ratinho. Isso significa que os donos do mercado não se importam com os interesses permanentes da sociedade, querem vender, não importa por que meios. Isso é grave. porque de ratinho em ratinho vamos criar uma sociedade monstruosa, intrinsicamente agressiva. Violenta. E isso concerne a você.

 

EMAILS

 

Semana de 14/07 a 21/07:

Jesse Vieira
Vocês não comentaram, mas nos meios de comunicação veicularam notícias que incluem (corretamente ou não) o Badan no escândalo do desaparecimento de equipamentos dos laboratórios da Unicamp.

Júlio Galvão, Teresina / PI - Jornal Meio Norte
O jornalista Éfren Ribeiro do Jornal Meio Norte foi espancado ontem (14) por um homem armado de facão. O jornalista recebe várias mensagens via e-mail com ameaças de morte e o último atentado aconteceu quando ele investigava casos de empresários envolvidos com escândalos de notas frias pagos ao governo do estado.

Wellington Antônio Pereira, Vitória / ES – Engenheiro mecânico
Gostaria de ressaltar a diferença que há entre imprensa-empresa de imprensa- jornalista, pois resido na "Alagoas do sudeste" e aqui depois que o Sr. governador José Inácio (comparsa de FHC) tomou posse, na imprensa-empresa nada sai contra a sua pessoa ou das descabidas decisões de sua autoria mas na imprensa-jornalista que não é publicada em lugar algum mas dita a miúdo em toda roda de conversa, sabemos de tudo.

Sérgio Santos, Rio de Janeiro
Caros colegas do Observatório,

Que falhas na investigação criminal ocorreram, a população não tem dúvidas, agora o que todos gostariam de saber é até que ponto as investigações podem mudar o curso da história, e quem poderia ser apontado como responsável e com que objetivos...?

Carlos Gatto, Rio de Janeiro
Uma questão interessante em relação ao crime de PC Farias:

Eu lembro-me muito bem que a imprensa esgotou a revolta do irmão de PC, Augusto Farias, logo após o crime. Curiosamente, uns dois dias depois, ele e toda a sua família estavam todos conformados e aceitando a sua morte. Muito sinistro.

Eduardo Maia e demais cidadãos brasileiros, Recife / PE
Quero parabenizar as atuações dos dois jornalistas da Folha de São Paulo na investigação do caso PC Farias, bem como enaltecer o exercício da cidadania que ambos exercem em suas jornadas, demonstrando-nos maturidade e responsabilidade em primeiro investigar os fatos e não fazer juízo de valos, ao contrário de alguns outros "jornalistas", integrantes da chamada "imprensa marron". Estamos com vocês!!!

Obrigado.

Maria Aparecida Claudino de Oliveira Franco, Guaratinguetá / SP
Pela mãos de quantos delegados passou este processo (quanto maior o número de delegados mais pressões estariam eles sofrendo)? Tanta pressão não teria a sua origem na base governista ou federal ou estadual?

Adolfo Galan, Araraquara / SP
Gostaria de perguntar aos participantes do Observatório, quais são suas opiniões em relação a posição apressada da revista Veja em considerar o caso PC encerrado, defendendo irredutivelmente a versão de crime passional?

Nelson Minami, Itaquera / SP - Funcionário público
Congratulo a V.Sas. pelo belíssimo programa e pelo respeito a todos e principalmente à ética. Acompanhei aquele sobre Getúlio Vargas e foi muito esclarecedor. Continuem.

Parabéns Sr. Alberto Dines e todos os profissionais.

 

Semana de 21/09 a 28/09:

Erico Freitas
Assisti ao programa "Observatório da Imprensa" de 05.09.99 na TVE, que veiculou uma discussão sobre a conveniência da entrada de capital estrangeiro nos órgãos de imprensa nacionais. Por se tratar de assunto de grande interesse e importância, desejo colocar minha opinião, esperando que seja digna de reflexão.

Falou-se muito em Jornalismo Investigativo, área intimamente ligada a denúncias e interesses da coletividade. A meu ver, caímos no campo minado de sempre: a confiabilidade das fontes de informação, a isenção do responsável pela matéria, a apresentação e a análise igualitária de argumentos e dados fornecidos pelas diversas partes interessadas na questão, etc... O que via-de-regra se tem visto é que, sequiosos de conseguir o brilho rápido da vitrine, ou obedientes à orientação viciosa do senhor dono, joga-se irresponsavelmente na goela do público com grande estardalhaço, notícias já acompanhadas de conclusões apressadas e sem base. É a primeira notícia, já com o tom impresso da verdade irrefutável, em cima de uma suposição ou de coisa não pesquisada, carente de dados lógicos e completos para a elaboração de uma conclusão. É o veneno forte direto na veia, com prazo de pelo menos 24 horas de evolução, para que venha o antídoto. Se vier...

Alguns Exemplos..

Sem querer aqui fazer juízo de valor ou partidarismo, lembro que essa prática chega às raias do desvario quando se deseja "queimar" pessoas. Collor, Brizola, Getúlio, que o digam! Os mais antigos ainda se lembram da "Carta Brandi", que foi usada por Carlos Lacerda para incriminar Getúlio e desestabilizar o regime, forçando sua destituição.

Os mais novos – os "cara-pintadas" fabricados pela TV Globo –ainda devem se lembrar de coisas incríveis que foram veiculadas contra Collor aproveitando a maré de denúncias que o atingiam por todos os lados. O engraçado do fato, é que eram divulgados como nocivos, atos e práticas ignorados ou elogiados pouco antes de ser deflagrado o processo de "queima". Alguns bons nomes (poucos, é verdade!) foram arrastados naquela enxurrada de intrigas.

Não faz muito tempo, aconteceu o caso da relação de possíveis beneficiários da "caixinha" do bicheiro Castor de Andrade. A relação andou por aí, manuseada livremente pela Imprensa, como se viu na TV. A cada dia apareciam nomes novos e depoimentos inconseqüentes e irresponsáveis de Delegados e Repórteres, surgindo, então, folhas com 1 nome apenas, inclusive uma em que constavam as iniciais NB, imediatamente identificadas como Nilo Batista, Governador do Rio, na época. As folhas com os nomes escandalosamente divulgados, jamais tiveram sua autenticidade reconhecida pelo sr. Castor ou pelo Juiz responsável pelo processo que se abriu. Só que o público não soube disso!

A Irresponsabilidade Sádica .

Primeira e mais constante vítima da fúria neo-liberal, o funcionalismo público viu seu pequeno patrimônio (carro popular usado, etc...) esvair-se entre seus dedos, sendo atirado à inadimplência. Ele, que subiu a rampa do Planalto carregando a bandeira brasileira, foi chamado de marajá cheio de mordomias e exposto à execração pública pelas mentiras oficiais e a divulgação pela Imprensa, de valores e condições irreais e destorcidos. Os neo-repórteres tatibitates de nossa televisão entrevistavam os poderosos de plantão sobre alguma nova perversidade contra o funcionalismo, e a pergunta sempre presente era: "Vai haver demissões?". Nos noticiários, e de cima de muitos milhares de reais, os Casoy, Amorins e Bonders chegavam ao orgasmo a cada violência cometida, fixando no vídeo os olhares estupefatos das esposas e filhos dos funcionários. Enquanto isso, em Brasília, os Aspones, o pessoal da Gráfica do Senado, a família Consuelo Badra e outros, eram reestruturados e escapavam de tudo isso. Nenhuma Associação de funcionários ou Sindicato foi ouvido. Para disfarçar, esporadicamente entrevistavam o bem-tratado whiskólogo Medeiros, da "Farsa Sindical" que, como bom Cabo Anselmo moderno, aprovava tudo e pedia mais. Pois é, assim os "elefantes" sumiram e, como se vê, as tarifas subiram, a qualidade dos serviços caiu, o desemprego aumentou, e a Saúde e a Educação que dependiam do afastamento do paquiderme, mergulharam no caos. Mas, prá que lembrar? Por que cobrar? Cobrar de quem?

Acrescentando...

E quando as notícias somem abruptamente dos noticiários? Não faz muito tempo foram encontrados conteineres cheios de armas no porto do Rio de Janeiro, lembram-se? O assunto ocupou os noticiários durante 2 ou 3 dias com grande espaço e, subitamente, sumiu por completo sem deixar qualquer rastro ou vestígio de vida.

E quando o jornalista é demitido por veicular matéria não agradável a algum anunciante? A Justiça do Trabalho reconhece esse poder para uma pessoa que não é o patrão direto do trabalhador? E quantos milhares de vezes já se viu isso?

O tamanho do pires mostra o que é grande parte da Imprensa hoje, um balcão de negócios. O mercantilismo desvirtuando a informação, a influência extrínseca pressionando consciências, o "uso do cachimbo" conduzindo ao desvio de personalidade. À censura da Ditadura seguiu-se a censura governamental – já ele, Governo, censurado pelo FMI – e a censura dos anunciantes. Assim, acho que não se deve usar eufemismos quando se discute a entrada de capital estrangeiro nos órgãos de imprensa brasileiros. Até porque ele já está aí, e os mais atentos sabem disso! Nesse país que ficou sem capital e sem patrimônio, à mercê de qualquer injunção internacional, por mais tímida que seja, deve-se tomar cuidado com as palavras brilhosas e argumentos falsos que, à falta de discussão, empurraram esse país para privatizações e desnacionalizações. Palavras como modernidade, parceria, eficiência ficaram na moda e foram descaracterizadas de suas boas acepções, virando instrumento de patifarias, vendilhonismo, fonte de indigência patrimonial, caos econômico, perversidade trabalhista, estupidez administrativa e falência nacional. E tem gente que ainda não enxergou isso!

Cuidado, gente de Imprensa! A propaganda e a informação maciça e unilateral de opinião dominaram os últimos anos, e esse golpe bem planejado nos deixou sem dinheiro, sem patrimônio e sem perspectivas. Previnam-se contra essa "moda" já desbotada.

Marcus Eustáquio Machado, Belo Horizonte / MG
Boa noite!!!

Gostaria de agradecer pelo excelente programa que é exibido todas as terças-feiras, principalmente pelo programa exibido hoje, dia 21.09.99, onde o entrevistado foi Jô Soares.

Que o sucesso sempre esteja com vocês.

 

 



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