OBSERVATÓRIO NA TV

 

OBSERVATÓRIO NA TV

TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30

Você pode participar ao vivo

DDG: (0800) 216-689
Fax: (021) 221-0566

E-mail: obstv@tvebrasil.com.br

 

DOS TELESPECTADORES
Carlos Roberto Garcia Cottas

Birigüi / SP

Gostaria de perguntar ao adido de Imprensa do Consulado dos Estados Unidos no Rio: por que nos EUA há mais de um sistema de cédula, pois, pelo que foi informado por alguns jornais, alguns estados têm sistemas eletrônicos, outros, manual, e outros cédulas para perfuração? Por que os EUA não caminharam para a unificação destes sistemas? E por que um estado tem autonomia para definir a forma de sua cédula, uma vez que se trata de uma eleição federal?



Eduardo Zanete

Este já é o segundo correio eletrônico que envio para reclamar do excesso de intervalos do Observatório da Imprensa na televisão. E já li no Observatório (internet) reclamações de outras pessoas e a explicação: exigência da TVE para que o programa tenha cinco blocos. Pois eu, como telespectador, gostaria de solicitar que o programa volte a ter apenas dois intervalos (três blocos), pois notei que a qualidade caiu por este motivo.



Clayton Brasil

Goiânia

A Rede Globo deveria rever vários aspectos de sua suposta abertura em favor da democracia. Ao mesmo tempo em que cria todo esse alarde diante de uma intervenção judicial que me parece bem coerente, continua exibindo por exemplo, todas as tardes, novelas originalmente de 21h, e sem cortes, num programa já antigo, Vale a pena ver de novo. Acho que vale a pena revermos esse monopólio de opiniões novamente.



Fábio Alessandro Palagano Francisco

Londrina / PR

Com relação à eventual "censura" alegada pela Rede Globo, deve-se mencionar que uma decisão judicial, proferida por um juiz competente, legalmente investido no cargo e exercendo seu poder jurisdicional, de nada lembra a ditadura militar e a censura existente naquela época. Aproveitando a presença do procurador geral do Estado do Rio de Janeiro, gostaria que ele respondesse à seguinte indagação: a presença de crianças em novelas não viola a garantia constitucional prevista no capítulo dos direitos sociais, que consiste na "proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre aos menores de 18 anos e de qualquer trabalho a menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos?" Em resumo, não seria vedado o trabalho de menores de 16 anos?



Alfredo D’Elia Nunes

Primeiramente, gostaria de parabenizar o Ministério Público do estado do Rio de Janeiro pela propositura da ação civil à Rede Globo de Televisão. Gostaria de dizer que está mais do que provado como "a todo-poderosa" manipula a opinião pública e distorce os fatos. E mais: é de se espantar ver atores e atrizes afirmando que aquilo é censura. Ora, senhores, não há que se confundir censura com decisão judicial. Nesta, há todo um sistema de defesa, totalmente diferente daquela censura imposta no passado.



William Valdevino da Silva

Santos / SP

Por que quando a extinta Rede Manchete foi proibida de continuar apresentando a novela Marajá a mídia não se manifestou, e agora que a Rede Globo foi advertida a mídia se manifesta? Isto é uma hipocrisia.



José Amadeu Rocha

Certa vez ouvi uma citação na qual os meios de comunicação falados (rádio e TV), do ponto de vista de seus proprietários, não são canais de veiculação de programação com intervalos de propaganda; são sim canais de veiculação de propaganda com intervalos de programação. Desse modo, como poderemos esperar que tais pessoas a venham se preocupar com o conteúdo de sua programação, se o que querem mesmo é audiência para supervalorizar o espaço de propaganda?



Vania Regina Moreira Teixeira

Odontóloga, Aracaju

Fico feliz de ver que a Justiça brasileira finalmente se manifestou com relação aos abusos da programação da Rede Globo, que entra em nossas casas deturpando valores e destruindo toda a ordem moral das famílias. Na minha opinião mais uma vez a Rede Globo manipula a opinião pública fazendo-se de vítima.



Octavio Pessoa Ferreira

Belém

Não soa estranho a Rede Globo, do Sr. Roberto Marinho, queixar-se de "censura", ela que durante todo o regime autoritário permitiu-se censurar e coonestou todos os atos da ditadura?



Otávio Vieira

São Paulo

Senhores, evidente que de forma alguma queremos a censura de volta, porém, não é segredo para ninguém que a violência, a péssima falta de educação e cultura, a exploração de menores, as drogas etc. estão acabando com nossas crianças, adolescentes e com todo o ser humano. Ora, ao meu ver já passou e muito da hora de a mídia televisiva e em geral assumir postura de seriedade e respeito. Já não basta a total falta de seriedade e responsabilidade de nossos governantes? Ainda temos que conviver com uma mídia hipócrita, egoísta, burra, aproveitadora, abusiva e principalmente imoral? Resumindo: estamos entrando no 3º milênio e a humanidade deve ter maior senso de valores morais, responsabilidades, respeito e amor a Deus e ao próximo. Estamos cheios de programinhas com peitos, bundas, abusos e baixarias. Pouco se informa, pouco se instrui e se educa, e a violência, em telejornais, jornais, revistas etc., é mostrada em forma de show. E por último, questiono aqui mais uma vez a atitude de nossa Justiça, que mais uma vez age pela contramão: em vez de coibir tudo o que está aí em matéria de violência, sexo indiscriminado (vide novelas, filmes, o Programa Livre do SBT, pegadinhas, banheiras etc.) vem com essa balela de proibir menores em cenas de novela. Vamos promover a educação, o entretenimento, com competência, inteligência e bom senso. Vamos entrar no 3º milênio com a divulgação de valores morais e espirituais. Censura não, mas respeito e responsabilidade sim.



Thereza

Finalmente alguém viu o mesmo que eu na histeria da classe televisiva contra uma decisão inteiramente diferente do que se entende por censura. Parabéns, Dines! Impressionou-me mutíssimo que só tenha visto/ouvido pessoas dando exaltadas declarações contra a pretensa "censura", e nem uma única voz esclarecendo o fato, lamentando a grosseria e a "baixaria" que povoam os programas televisivos ou defendendo a atitude do Juizado de Menores, porque duvido que, no caso, tenha havido a tal "unanimidade burra".



Luís Carlos

Não se trata de censura, porém de uma mudança de mentalidade ao se elaborar a programação da televisão. Não basta colocar uma tarja preta embaixo da tela dizendo este programa é desaconselhável para tal idade. Observe que as novelas das 7 e das 8 da Rede Globo estão praticamente a um passo de um filme pornográfico. Parece que a criatividade foi substituída pela pura e simples exploração do sensual, como se o telespectador fosse um imbecil. Eu não quero ficar mudando de canal. Quero uma programação de qualidade que demonstre que por trás da telinha também tem gente inteligente. Determinar limites não significa censurar, implica se dizer que do outro lado existem pessoas que devem e querem ser respeitadas.



Maria Ap. Bohmann

É inconcebível que em alguns debates de TV sobre o assunto "censura" se utilize o argumento do "controle remoto". Eu sou telespectadora, consumidora do produto "TV". Exijo ser bem-atendida e não venho sendo faz tempo. Inclusive, estou sendo violentada e usurpada de todas as formas: na minha inteligência, meu senso crítico e no meu bom gosto. Como escolher outro canal, se está tudo muito ruim (com raríssimas exceções)? Foi sugerido, me perdoem a imprecisão, por um debatedor que se "não se desejar ver a novela e se tiver criança pequena, que se vá tomar um sorvete na esquina..." Conclusão: a mídia e os cartéis televisivos podem jogar para dentro de minha casa tudo. Eu, que quero um pouco de descanso ao final na noite, dentro de minha casa, devo sair e tomar um sorvete... Acho que estão "é me dando bananas..." Bravos ao Ministério Público!!!!



Devair Batistela

Curitiba

Não foi censura o ato de proibição da participação de crianças na novela Laços de Família, mas sim um filtro e valorização da figura da família brasileira que dia a dia deixa ou espera entrar em sua casa por meio da televisão diversão e entretenimento. O que infelizmente não tem acontecido atualmente pela gritante falta de qualidade nas programações das redes de televisão brasileira. Não sou a favor da censura mas um filtro que pudesse elevar o padrão de qualidade da programação exibida, pois a maioria dos adeptos de programas de televisão não tem o senso crítico ou a opção de desligar a televisão na hora em que se sinta ofendido, ou lhe sejam vendidos padrões de família e postura não corretos e éticos por programas de baixa qualidade. Eu me sentiria lisonjeado se além deste ato de proibição tirassem das redes de televisão os programas sensacionalistas e ridicularizantes de pessoas humildes.



Georges Khouri

Como presidente de entidade filantrópica Associação de Assistência aos Menores de Formiga, localizada no município de Formiga, MG, que tem Certificado de Fins Filantrópicos e Utilidade Pública Federal, mas que não está associada ao sistema SENAI / SENAC, que caracteriza o menor como "menor aprendiz", estamos impedidos de oferecer oportunidade de trabalho a menores de 14 anos (com 12 ou 13 anos, por exemplo), pois não temos como caracterizá-los como menores aprendizes. E se trabalhassem poderiam ajudar a família com um ganho significativo e substancial. Como professor de Psicologia na Fundação Educacional Comunitária Formiguense, em diversos cursos, aos estudarmos o conceito comunicação, trabalhamos e damos destaque ao item fundamental: a intenção contida na comunicação. Então, as perguntas:

1. Por que não sou autorizado a oferecer emprego, a verdadeira iniciação ao trabalho destes jovens, e a Rede Globo pode utilizar crianças, que não estão, na idade que têm, aprendendo coisa alguma?

2. Qual é a verdadeira intenção da Rede Globo, em várias de suas novelas atuais, em exportar meios e formas de comportamento, básicos de cidades como o Rio de Janeiro e outras grandes metrópoles, para o interior deste grande país, tão diverso culturalmente?



Rogério Neves

Belo Horizonte

Não é coincidência as redes de televisão (no caso especifico, a Globo) e a indústria do cigarro utilizarem o mesmo e famigerado argumento da censura quando os seus abusos são coibidos judicialmente? Quais os mecanismos necessários para a fiscalização da qualidade da programação das TVs, visto que não demostram interesse no debate e muito menos na sua auto-regulamentação?



Ellen Gianini e Cristian Romancini

Jacareí / SP

Somos de Jacareí, interior de SP, onde ocorreu dias atrás a maior chacina do estado de SP. Este debate se soma a muitas tentativas de se falar como a televisão banaliza o ser humano, seja em novelas de pouco conteúdo, programas que incentivam valores como tchan, boquinha da garrafa, pagode... Nossos jovens não lêem sequer um livro bom, não se discute sobre nada útil. Estamos diante do aumento da violência e as pessoas achando que essa medida, tomada pela justiça é censura!!! Que absurdo. Até que enfim estamos falando da grande alienação promovida principalmente pela Rede Globo, que funciona melhor e mais efetivamente que qualquer droga.

Estamos muito felizes em ver na televisão um programa realmente crítico e de caráter construtivo. Sou professora, tenho 26 anos e convivo diariamente com a alienação, seja em jovens ou mesmo entre alguns professores. Realmente a discussão sobre as crianças estarem ou não na TV representa todo um questionamento sobre o conteúdo difundido por quem faz televisão. Não criticamos, em hipótese alguma, a criação artística, criticamos sim a comercialização da arte, a banalização do ser humano em produções medíocres e hipócritas, onde não se propõe nada construtivo mas sim uma alienação em massa. Não poderíamos deixar de comentar o abuso de crianças em programas de TV, estimulação precoce da sexualidade e do instinto. Uso irracional, não uso da consciência e do exercer lógico do raciocínio. TV Cultura, ainda bem que vocês existem!!!!! Não somos tão minoria assim. Um voto para a cultura, filosofia e humanidade.



Rubens

Não acredito que a Rede Globo de televisão tenha sido censurada pela decisão da Justiça. O Ministério Público agiu de forma correta dentro das normas legais, das garantias sugeridas pela Constituição Federal. A Rede Globo tem a possibilidade de recorrer à Justiça para a normalização de sua programação, ação garantida pela Constituição Federal. Não acredito que esta ação desencadeie algo sugerido pelo diretor da Globo, de que a ação da Justiça possa acabar sendo desencadeadora de um processo de censura. Como podemos averiguar, os alicerces democráticos no Brasil estão cada vez mais rígidos graças a debates como este, que promovem a exposição de temas assim, tão importantes no processo democrático. Aproveito a oportunidade para perguntar ao Sr. mediador Alberto Dines o que ele acha sobre a criação de uma lei que obrigue as concessionárias de rádio e TV a terem ombudsman, como já existe na Folha de S. Paulo.



Norberto

São Paulo

Claro que a TV influencia não só as crianças, mas a todos. Estamos chegando a um momento crítico, de rompimento do tecido social, da desagregação da família. Dizem que é sinal dos tempos, evolução, transformação de valores etc. Mas, com certeza, estamos assistindo a uma libertinagem sem precedentes e, no meu entender, irreversível. O maior meio de divulgação de costumes e comportamentos é a televisão, que depois de 1994 (Plano Real), passou a fazer parte de quase todos os lares brasileiros. Dizem que a TV apenas passa programas que o povo quer ver. Mas, será que não é o inverso? De tanto ver programas ruins o povo se acostumou a vê-los, como uma verdadeira lavagem cerebral? Sem dúvida o povo brasileiro, em sua grande maioria, não tem condições mentais favoráveis para tomar decisões desse tipo, haja vista sua pouca escolaridade e cultura (apenas 3% da população tem nível superior).

Enquanto perdurar essa situação dependeremos de alguém com condições para tomar essa decisão. Na verdade, na minha opinião, gostaria de ver um general de 80 anos com mentalidade dos anos 30 tomando conta da programação de TV (apenas da TV!).



Frederico

Niterói / RJ

Será que esse não será mais um tema que vai "acabar em pizza"??? Por exemplo, a famosa Banheira do Gugu não ficou uma semana proibida e já está novamente no ar? Mas acho que o problema não são os quadros mostrados na televisão, mas sim o modo como são mostrados... Citando novamente a Banheira do Gugu, o que eles estão fazendo é colocar biquínis minúsculos nas mulheres para filmar ângulos dignos de filmes pornográficos. Isto é que deveria ser revisto. O problema das crianças em novelas também. Como já foi dito, se o Estatuto não permite que uma criança trabalhe, como podem essas mesmas crianças fazer novelas e comercias? Só porque é a televisão? Qual a diferença de um trabalho na TV e um trabalho "comum"? Quantas vezes vemos jovens talentos trabalhando na TV e deixando os estudos de lado???



Andréia Nery

Guarujá / SP

Demagogia pura! É totalmente indigno esse "carnaval" sobre a participação de crianças na novela Laços de Família. Há outras crianças em outras emissoras, há outras novelas e vários programas que usam a criança como chamariz para o aumento da audiência, vide Programa Raul Gil. Este chega a incutir nas crianças o desejo de namorar ao perguntar a elas se elas têm namorado. Para os direitos constitucionais da criança e do adolescente serem resguardados é preciso ter bom senso. Não podemos criar estes seres humanos sem mostrar-lhes a realidade das coisas. Não há no mundo um pai que não brigue com a esposa (mãe) na frente dos filhos. Que atire a primeira pedra o juiz ou qualquer outro cidadão de bem que não tenha feito piadinhas sobre português, negros ou gesticulado algo que "criança não possa ver ou ouvir" perto de suas crianças. A demagogia reina neste país diversificado de crenças, raças e poderes onde a aparição de crianças em novelas fere o ego daqueles que não conseguem arrumar o país de outro modo senão "mexendo" com pessoas de bem que trabalham e se sustentam sem roubar nada do próximo. O que podemos falar se o SBT importa novelas como Chiquititas, em cuja trama crianças são maltratadas, gritam e têm uma diretora que é uma bruxa e a Justiça nada faz? Demagogia, de juiz, da igreja e de qualquer pessoa ou entidade que é contra o processo de civilidade, educação, moral e progresso que vive este grande país. Amem o Brasil e deixem o povo trabalhar!



Alvimar Calazans

Caros senhores, acho extremamente válida a preocupação com nossas crianças e esta deveria ser uma constante da nossa sociedade tanto no sentido moral quanto físico. Porém o que se vê no nosso dia a dia é exatamente o contrário. São crianças abandonadas, jogadas nas ruas, sem família e sem nenhum apoio de nossas autoridades e que muitas vezes utilizam o "direito da infância e da adolescência" para justificar o abandono dessas crianças. Creio que deveria ser utilizada a mesma rigidez de ação na proteção e amparo físico de nossas crianças quanto a que se está utilizando na proteção moral. O grande diferencial entre as duas situações é que enquanto a visualização da programação pressupõe uma casa com uma TV e possivelmente uma família, que poderia exercer um controle sobre esta visualização, o segundo grupo, o das crianças abandonadas, não tem o básico para a sua sobrevivência, indo terminar como estatística da violência em nosso país. Concordo que a programação de nossa TV está de péssima qualidade, porém acredito que esta fiscalização deve partir da sociedade e nunca ser imposta.



Alcimar Moretti

Cuiabá

A questão é a seguinte: o Ministério Público está realmente preocupado em defender os direitos da criança e do adolescente, ou está querendo se promover, através de uma polêmica com a Globo? O MP poderia estar se ocupando em defender os direitos das crianças de rua, que passam fome sem ter quem defenda seus direitos!! E não perderia tempo com apenas meia dúzia de crianças, que estavam acompanhadas dos pais, que são responsáveis por elas! Com relação à programação da TV, quando ela não é conveniente para meus filhos mudo o canal, ou desligo! Aliás o Congresso não tem moral para questionar moralidade na TV! Obrigada pela oportunidade de desabafar!!!



Maria da Penha Amaral

São Paulo

Será que vocês poderiam fazer um programa sobre aspectos da vida de Carlos Lacerda? Sou assídua espectadora de seu programa, o qual considero um dos melhores da TV brasileira.



Antonio Antunes

Apesar de ser um grande admirador do programa, gostaria de fazer algumas críticas ao programa de ontem (21/11) sobre a censura na Globo. Em primeiro lugar sou um dos maiores críticos da manipulação de notícias praticadas pela Globo. Em segundo lugar, defendi a posição da Globo por considerar que houve de fato uma censura. Eu gostaria de ver não a proibição de crianças na TV, mas as críticas sobre a manipulação de notícias, que promovem verdadeiras lavagens cerebrais no telespectador. Por último, a maior crítica que faço ao programa de ontem é o que mais luto contra o sistema Globo. No programa de ontem, todos os debatedores tinham a mesma opinião, portanto não houve debate, mas sim um consenso em defender o papel da censura. Por isso, o telespectador votou em massa na posição do Observatório. Com 61 anos, vivi o golpe de 64, sei o sofrimento de uma censura, logo, não posso aceitar, como foi dito no programa, que todos que defendiam a posição da Globo estavam sendo manipulados. Mais uma vez gostaria de parabenizá-los pela linha do programa.



Maurício

É ridículo... as pessoas não entendem (ou não têm capacidade para isso) que se elas não assistirem a tal canal ele simplesmente não terá audiência??? Não lhes parece óbvio que isso aconteça? As pessoas precisam compreender isso! Aqui em casa ninguém assiste à Globo! Somos anti-Globo. É só isso, não precisa discutir mais nada! Vocês não acham???



Eduardo A. de Souza Netto

Ubatuba / São Paulo

Essas manifestações, algumas até histéricas, de artistas da Globo, inconformados com a decisão da Justiça do Rio de Janeiro, e todo o enfoque dado ao assunto por parte da imprensa, é apenas uma erupção cutânea de uma ferida cancerosa que está arraigada num órgão vital e sensível da sociedade brasileira – o órgão responsável pela formação ética e cultural do homem tupiniquim. O Brasil é hoje a Atenas pós-Péricles (tivemos um?). Precisamos de uma elite que nos dê uma Paideia, caso contrário será o caos. Mas que elite?! É o retorno da censura!, bradavam alguns, por estupidez ou de caso pensado. Não creio que seja estupidez.

A lógica e o sentido desse argumento, e de tantos outros que proliferam no Brasil, é um só: desestabilizar, desacreditar instituições, o Estado, as tradições que nos restam, princípios éticos e morais consagrados, fazer prevalecer o relativismo e o hedonismo. Com que finalidade? Criam-se primeiro as condições adequadas, amanha-se aos poucos a terra, aqui, ali e acolá e, depois, joga-se a semente. É a volta da censura! O Estado, os homens do poder não têm competência, nem moral para resolver as questões sociais! É uma máfia, são uns corruptos! Vejam o Lalau! Vejam como são tratados os sem-terra! Vejam o que estão fazendo com a Amazônia, com o meio ambiente! O Estado faliu! Viva o Estado Novo, sob o governo da esquerda, do PT et caterva. O pessoal da esquerda não agüenta mais esperar, querem dar o salto qualitativo. O processo democrático é demorado demais, causa desgastes, cansa. O pessoal da direita usa também dos mesmos métodos: promover, direta ou indiretamente o caos, a terra devastada, para que chegue logo o momento do confronto, e decidir no pau. Não nascemos ou não estamos preparados para a democracia. A nossa elite é adepta do mecanicismo, do positivismo e do maniqueísmo. Que dialética, que nada! Esse negócio de conviver e respeitar os contrários é conversa fiada! É preto ou branco, e fim de papo!

O que vemos hoje é um hedonismo e um relativismo moral que nem mesmo os romanos sob Calígula poderiam imaginar. É essa elite que ocupa os meios de comunicação, a da tal mídia, as universidades, as escolas e os órgãos públicos, e logo veremos essa ação deletéria nos dois últimos baluartes do país: as Forças Armadas e a Igreja. Nesta já temos o pessoal da CNBB e o padre Marcelo, que já vi saltitando com a Xuxa, uma das nossas formadoras de futuros cidadãos. As xuxas, as martas, as sheilas vêm, quotidianamente, preparando nossas crianças (e isso não está acontecendo somente pela TV) para ver a vida cor-de-rosa, um mundo de prazeres, em que todos têm o "direito de ser feliz", consumindo e balançando a bundinha. Durante a ditadura havia a censura prévia nos meios de comunicação às informações e manifestações artísticas, logo, sempre que houver censura a qualquer dessas manifestações, correremos o risco de uma ditadura.

Assim, abaixo qualquer censura! Sofismas como este, a manipulação da verdade, da realidade, da semântica, o uso de palavras polissêmicas e outras estratégias retóricas é um dos métodos usados, a arma de que se utilizam nossos intelectuais, políticos, artistas e jornalistas que sonham com o socialismo, com o comunismo ou qualquer outro tipo de regime em que o Estado esteja integralmente presente em nossas vidas, totalitário, paternal, porque só esse pessoal sabe o que é bom e justo para a sociedade. São craques em apagar os fósforos que, vez ou outra, se acendem para alumiar a escuridão do túnel em que querem ou já nos meteram. Só não vê quem não quer. É assim em questões como a proibição do porte de armas para a defesa da vida, na questão do menor, do cigarro, do meio ambiente, das "nações indígenas" etc. etc. etc. É a total inversão de causa e efeito, de meios e fins.

Fico imaginando o dia em que uma loja de ferragens, dessas que vendem martelos, foices, machados e enxadas, sejam obrigadas a ter o registro de cada ferramenta e a venda rigorosamente controlada pela polícia, porque, nunca se sabe, esses instrumentos poderão ser usados para matar. Conheço alguns casos de pessoas que foram mortas com marteladas ou enxadadas. Penso que a idéia é acabar com a vida privada, particular de cada um de nós, tornar-nos cada vez mais dependentes, um rebanho assustado ansiando pelo toque do berrante e, ao entardecer, o recolhimento no estábulo seguro, acolhedor. Lembrei-me de um texto do Monteiro Lobato – a História do Rei Vesgo – em que um certo rei tinha grande vontade de dominar a paisagem, mas havia um morro sagrado que lhe estragava esse prazer. O morro chamava-se "Morro da Democracia". Um dia o rei teve uma idéia: chamar algumas pessoas para cavoucar e retirar um craguatá espinhento. Se o povo reclamasse diria que era para destruir o craguatá e que, se havia tirado um pouco de terra, era para que não ficasse no chão nem uma raiz ou semente. Os cavouqueiros removeram o craguatá e vários caminhões de terra. O povo não protestou. Não era o caso. A intenção era boa, a quantidade de terra não iria fazer falta. Em seguida o rei determinou que arrancassem outro pé de qualquer coisa, com a alegação de que era planta daninha, sempre com um punhado de terra. E, como o povo não protestava, com sua política de extirpar as ervas daninhas, acabou removendo o tal morro sagrado.

Menor trabalhando na TV pode, porque é filho de gente de bem, de gente bonita, classe média, filho de artista, da elite. Agora, filho de pobre... Onde já se viu criança trabalhar para ajudar no sustento da família! Lugar de criança é na escola e o pai que não cuidar disso tem que ir para a cadeia! Mesmo que a escola pública já não saiba mais o que ensina, nem por que ensina. O negócio é que filho de pobre, trabalhando de office boy, de engraxate ou na lavoura é coisa feia. O raciocínio é estético? Mas deve ser de uma estética de perspectiva hollywoodiana, de mundo globalizado, moderno, tecnológico, onde ser pobre é defeito, é feio. A nossa elite é só cosmética, meu caro Dines, mas de uma cosmética cancerígena.



Urgeuten Olyvaera Jr.

Infelizmente não pude cumprir com esta obrigação ontem mas gostaria de chamar atenção para os excessos de um programa da TV Gazeta (Canal 11 São Paulo) transmitido em 21/11/00. Ao procurar informações sobre as condições de trânsito devido à forte chuva daquela tarde assisti ao que segue: às 15h15, um entrevistador, usando até de tom de voz sugestivo das propagandas de sexo-por-telefone, conversava na cama com uma modelo (Nana Gouveia), perguntando sobre suas preferências e experiências sexuais, se ela fazia de tudo, se usava acessórios, se já fez a três ou com desconhecidos etc. etc. À noite a sociedade e alguém com poder de fiscalizar parecem estar tomando providências. Mas e à tarde, em horário absolutamente impróprio?



Jatobá

Recife

A Justiça brasileira está obrigando a Rede Globo a reescrever alguns capítulos da novela Laços de família e a retirar cenas de sexo (quase explícitos). Algumas pessoas estão considerando tal atitude como um "retorno à censura prévia" etc. Parece que a medida está dando o que falar! Bom, na novela, exibida num horário em que a grande maioria das crianças e adolescentes se encontra à frente do televisor, há uma personagem que representa uma jovem, de classe média, prostituta, ou, como se diz de maneira mais "suave", uma "garota de programa". Acontece que, em decorrência daquilo que se chama, em Psicologia Social, reflexos de imitação, uma enorme quantidade de mulheres adolescentes nas grandes cidades brasileiras está se transformando em "garotas de programa". A revista IstoÉ, em recente reportagem de capa, tratou desse tema. A reportagem da revista é de fazer chorar!

Não se pode esquecer do impressionante poder que a televisão exerce sobre as pessoas. A Rede Globo chegou, inclusive, a derrubar um presidente da República! É um poder que pode ser para o bem ou para o mal. Se canais de televisão, em suas programações diárias, tivessem programas em que por exemplo fosse exaltado o lado bom do ser humano ou o fato de que o "crime não compensa", certamente a coisa seria outra, bem diferente. Mas, não é essa a realidade. As novelas, especialmente da Rede do Globo, notabilizam-se por incentivar os aspectos maléficos da personalidade humana. E isso só faz piorar a grave crise moral que se instalou no país, há pelo menos duas décadas! Sou contra a censura política, mas não posso, nesse momento, deixar de bater palmas à Justiça!!!



Joaquim Xavier

O anúncio interessante não foi o de que Bush ganhou, mas o anúncio anterior, de que Gore ganhara na Flórida. O funcionário diplomático americano disse que houve um erro metodológico? Gostaria de saber mais detalhes sobre esse erro. Porque há a possibilidade de o anúncio do resultado da pesquisa de boca de urna favorável a Bush ter provocado ações visando a corrigir ou modificar os resultados reais. Parece haver uma preocupação da imprensa americana em evitar falar sobre esse seu primeiro suposto erro. Ou será preocupação em evitar falar sobre a mudança no resultado após esse primeiro anúncio?



Volta ao índice

Observatório na TV – próximo texto

Observatório na TV – texto anterior



Mande-nos seu comentário




Observatório | Índice da edição | Busca | Objetivos | Purposes
Caderno do Leitor | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe | Quem é você