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OBSERVATÓRIO NA TV

 

OBSERVATÓRIO NA TV

TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30

Você pode participar ao vivo

DDG: (0800) 216-689
Fax: (021) 2232-3271

E-mail: obstv@tvebrasil.com.br

 


DOS TELESPECTADORES
Paulo Berti
São José do Rio Preto / SP

Não estariam, duas das maiores emissoras, abdicando do necessidade, ou do dever de contribuir para cultura, de que o cidadão tem tanta necessidade, com programação totalmente vazia, puramente comercial? Não estariam concentrado perigosamente nas mãos destas emissoras poderes demais para formar opinião, e estas atitudes não estariam contaminando uma massa enorme de pessoas?

 

Marco Antônio Sá
São Paulo

O que está acontecendo com a imprensa em relação a estes shows que nada têm de realidade é um pouco o que está acontecendo neste Observatório. Fala-se demais sobre um assunto que não merece tanta atenção. Se a imprensa não desse tanto destaque será que haveria tanta audiência? Só porque este modelo é importado será que é isto mesmo, como disse o cara da Globo, uma tendência mundial? Precisamos mesmo copiar estes programas? Acho que a opinião mais proveitosa até agora foi a que qualificou estes programas de porcaria.

 

Arthuro Paganini

Sou estudante de Jornalismo da Universidade Tiradentes de Sergipe (UNIT). A guerra "audienciológica" foi lançada. A batalha pela vulgarização televisiva chegou ao seu ponto máximo, transformando o público em telezumbis guiados não mais pelo horário nobre, mas pelo horário fúnebre. A apelação pela audiência chegou de forma descarada, cujo objetivo é alienar o povo e destitui-lo da realidade social. A gerontocracia, Silvio e Roberto, quer fazer, com seus programas, um desmonte de algumas poucas consciências do povo brasileiro e montar inúmeras inconsciências, só pra ver se o povo esquece um pouco essa coisa de miséria, corrupção, impunidade, coisas banais desse tipo. O povo parou, parou para assistir ao tamanho da ignorância do SBT e da Globo. O mesmo povo aplaudiu, levantou, tirou o chapéu e agradeceu esse presente idílico-contemporâneo.

Temos agora que devolver com nossa gratidão, basta colocarmos 40 pontos de audiência, aí pronto, tá resolvido. A arte foi desconfigurada com o surgimento desses programas, os senhores surrealistas pararam suas obras para apreciar a oitava aberração do mundo. A distorção do real tornou-se algo lúdico para o Silvio e o Roberto, os mesmos que respiram asmaticamente nosso ar. Esses dois senhores acionaram o botão, o botão da inconsciência e da alienação, e fizeram palpitar mais ainda os anseios da população que sofre calada por uma mudança. O próximo projeto dos gerontocratas é criar um programa chamado Esse é o Brasil. E transformar a nossa realidade em instrumento de audiência para vender ao mundo. Acho que eles querem fechar o país e espalhar câmeras por todos os lados, pois só assim teremos como participar desse festival. Até que não é uma má idéia, porque quem não vai querer passar na telinha da Globo?

 

José Raimundo Pereira
Salvador

À parte a questão relevante de que os veículos de comunicação de massa devem cultivar a responsabilidade social ante o crescimento cultural e geral de um povo, em vez de banalizá-lo – conseqüência última de um sem números de programas televisivos que ultimamente proliferam, e, de outro lado, a própria natureza fútil, supérflua, dos programas em discussão, coloco aqui uma questão de avaliação psicológica daqueles que se dedicam a assistir a tais programas: quando alguém se dá ao prazer de gastar seu tempo em simplesmente ficar "ligado" no viver exótico e fútil de outros que se encontram em situação de exibição ou exibicionismo, não é sinal claro de que a própria vida e a consciência dessa pessoa lhe diz muito pouco ou quase nada; que se trata de um viver patético e sem sentido maior?

 

Regis Vianna
Ribeirão Preto / SP – Psiquiatra

Confinamento humano programado, controlado e assistido.

Assim devem ser entendidos os projetos de Casa dos artistas, do SBT, e do Big Brother Brasil, da Globo. A resultante dessa experiência "in anima nobile", isto é, realizada com seres humanos, deve demonstrar que o espaço físico inicialmente proposto, quando compartilhado num indeterminado – mas longo – período de tempo, por um grupo fechado de pessoas em relacionamentos inéditos, se tornará insuficiente para a convivência harmônica dos integrantes, podendo chegar à barbárie moral, física e intelectual. Com esta previsibilidade teórica, já constatada pelos estudos da Psicologia "in vitro e in vivo" com animais das mais variadas espécies, dos quais sabe-se perfeitamente dos resultados afetos ao instinto de sobrevivência, depreende-se que os promotores querem se servir dos predicados da espécie humana para demonstrar, na realidade prática, os sete pecados capitais.

As deformações de caráter dos confinados que se sabem observados em tempo real por uma platéia ávida de sensações extravagantes se patenteia e se reinventa a cada passo da consecução do experimento, gerando na audiência a expectativa do que poderá vir a acontecer quando o clímax da perversão for atingido, arrebatando-a e tornado-a cativa do apelo sadomasoquista e cúmplice de tais atos, caracterizando-se aí a obscenidade do projeto em questão. O aprendizado legado é questionável em todos os sentidos dos preceitos da ética pedagógica que uma sociedade civilizada pretende. A exposição banal dos aleijões de comportamento, sem a devida elaboração e o processamento dos quesitos resultantes da observação da sordidez desses fatos, tão cruamente apresentados, acaba por perverter costumes ainda em formação nos mais jovens, e deformar os conceitos já afirmados nos mais maduros, criando assim uma nova ordem, como a de "levar vantagem em tudo e apesar de tudo..." A caracterização específica desse grupo, que expõe suas mazelas em troca de uma recompensa material, generaliza e nivela por baixo tanto atores como platéia, definindo a grande audiência recebida pela apresentação, como parâmetro do que se pode esperar dos princípios que norteiam um povo no caminho da consolidação de seus propósitos como nação, na transformação e reconstituição do Estado que a representará perante a comunidade internacional.

 

Marcello Benites
Jornalista

A mídia impressa cobre com intensidade os reality shows, entre outros motivos, porque esse assunto vende jornais, vende revistas. Na minha opinião, este é o motivo mais importante para que a mídia impressa faça esta cobertura.

 

Orquimary Siqueira
Natal

Ao Sr. Gabriel Priolli: A preocupação dos intelectuais, certamente os que mais criticam a onda dos reality shows, não é somente com a questão da baixa qualidade do programa e da constatação cada vez mais clara do também baixo nível de exigência do telespectador, que busca na mídia muito mais entretenimento que informação. O cerne da questão está no que virá depois dos reality shows, se a TV a partir do sucesso da fórmula a usará para impor outro padrão em sua programação (pior do que o que vemos, diga-se de passagem), impondo modismos e criando consensos, ou seja, o que sempre fez. A questão está no papel da TV nos últimos 40 anos, que conseguiu transformar cidadãos potenciais em consumidores e agora quer transformar o consumidor "inocente" em voyeur. E isso é realmente preocupante.

 

Cláudio Manoel

Entretenimento de mau gosto este espetáculo real. Tem conseqüências graves. A mensagem é banal. Os Trapalhões era um inocente programa de diversão e sempre apresentou o negro, a mulher, índios – minorias – como objeto de escárnio!

 

José Benedito Dore Júnior
São Paulo – Advogado

Pergunto: será que a cobertura dada pela imprensa escrita incentivando a audiência dos reality shows não é motivada talvez para pegar carona na alta audiência obtida e carrear para seus leitores parcela dessa alta audiência para seus jornais ou revistas?

 

Bruno C. N. Ciribelli
Juiz de Fora / MG

Pode existir a possibilidade de os programas Big Brother Brasil e Casa dos Artistas terem relevância, quando se observa o aspecto da análise do comportamento humano. No entanto, a maneira com que as emissoras distribuem o assunto – recheada de emoções e situações desequilibradas e descompromissadas – vai de encontro à integridade moral do ser humano. Tais emissoras deveriam pensar que detêm um forte e popular instrumento de comunicação – que pode ter fins construtivos ou destrutivos; que pode curar um ser humano, como também envolvê-lo em profundo desequilíbrio. Agradecendo à TVE Brasil – sábia condutora do instrumento comunicativo – por essa oportunidade.

 

Júnior
Recife

Isto é uma falta de respeito com os telespectadores, não tem nada de cultura nestas duas besteiras. Mas, culpado são os próprios telespectadores que na hora destes programas deveriam desligar suas televisões ou mudar para outro canal que tenha algo de interessante, só assim estes idiotas que copiaram estes programas tirariam estas besteiras do ar.

 

Patricia Haddad
Rio de Janeiro – Estudante de Jornalismo

Reclama-se que a imprensa dá demasiada cobertura a este tipo de programa. Porém, que tipo de jornalismo se espera de um mercado que cada vez mais segrega maiores de 25 anos e busca contratar apenas jovens com nenhuma experiência e, obviamente, muito mais influenciados por tais programas?

 

Marcelo
Cascavel / PR

A polêmica inicial causada pelos programas do Ratinho, do João Kléber e outros do gênero não nos levaria a concluir que o caminho da banalização é senso comum na grande mídia brasileira?

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