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OBSERVATÓRIO NA TV

 

OBSERVATÓRIO NA TV

TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30

Você pode participar ao vivo

DDG: (0800) 216-689
Fax: (021) 2232-3271

E-mail: obstv@tvebrasil.com.br

 


DOS TELESPECTADORES
Bob Sharp
São Paulo – Jornalista

Esses reality shows, se não existissem, não fariam a menor falta, não entretêm e nem instruem. Uma emissora de TV não pode pensar só na receita de publicidade e contribuir para a idiotização da população.

 

Bárbara Mayumi
Osasco / SP

Minha televisão não tem uma imagem muito satisfatória da TV Cultura, mas consegui assistir a um pedaço do programa e vi o depoimento de um senhor que argumentava que esses programas estão "servindo" o mercado, na verdade, e que mesmo as televisões européias, por sofrerem privatizações, estariam no mesmo caminho. Ora, eu sempre achei que a qualidade da programação de TV fosse comandada (através da audiência) pela educação do povo, que seleciona o que melhor entende. Se na Europa encontramos um povo mais consciente (suponho), e mesmo assim a qualidade dos programas tem caído, posso imaginar que mesmo que o povo brasileiro tivesse um nível de educação melhor, ainda assim, os reality shows – e outros programas de baixa qualidade – estariam sendo exibidos?

 

Alex S. Sachetti Araújo
São Paulo

Quais seriam, em síntese, as possíveis soluções para evitar esse rebaixamento do conteúdo dos meios de comunicação de massa? Do ponto de vista político é viável, dentro da atual conjuntura política do país, uma democratização do controle dos meios de comunicação de massa? Obrigado e parabéns pela fantástica iniciativa de debater esse assunto.

 

Cláudio Araújo
Mestrando Unicamp

Em relação à colocação de que Casa dos Artistas segue um roteiro definido. Eu não consigo acreditar que algum programa de televisão (exceto jornalismo ao vivo) seja realmente espontâneo. Acredito mesmo que Ratinho, No Limite, Pegadinha do Faustão, Táxi do Gugu, Casa dos Artistas, Big Brother, entre outros, são todos armados, pré-combinados, visando exatamente atingir a um determinado público. Em relação à qualidade da televisão após a TV a cabo: ora, se estou pagando por uma programação posso decidir sobre o que e quando assistir. Porém, no caso da TV aberta, no meu entendimento, atinge um público grande sem acesso à opção da TV paga, e que é bombardeado por bestialidades televisivas. Os ondas de TV atingem a todos indiscriminadamente, e portanto deveriam ser bem-usadas. Não posso abrir minha própria emissora de TV e fazer uma programação de qualidade, pois a TV é concessão do governo, e penso que este deveria zelar por seu bom uso. Acredito que é possível se fazer uma TV comercial de qualidade, instrutiva, divertida e sem baixarias. A TV deveria ser usada como ferramenta de educação de massa, e não de alienação.

 

Sérgio
São Paulo – Geógrafo

Será que o tema em questão pode ser analisado do ponto de vista conjuntural? Vivemos na sociedade do espetáculo, onde o ter suprime o ser. Primeiramente, os veículos de comunicação são hoje muito mais a voz dos anseios capitalistas do que efetivos veículos culturais. Temos um entretenimento forçado, uma vez que no mundo moderno a falta de opção promove um conformismo que, unido ao analfabetismo cultural e à dinâmica do veículo TV, gera divisas para os atores hegemônicos do sistema capitalista.

 

Márcio Azevedo de Araújo
Engenheiro eletricista

Gostaria de parabenizar pelo programa. Sinceramente, estou cansado da televisão brasileira, enojado, na verdade. Mas vocês da TVE Brasil realmente são a salvação. Infelizmente, temos que ver as bestialidades da TV para poder comentar depois, que é o que vocês fazem. Como seria bom uma TV de verdade, sem sexo de maneira fácil, sem burrices com ar de inteligência, sem apelação em nome da liberdade de expressão, sem novelas sem arte, sem programas vazios etc. Eu estou cansado, e tenho apenas 27 anos, mas estou sem forças. Minha saída é a TVE e algumas rádios ou quando a grana permitir uma TV por assinatura! Pois é, TV por assinatura... Será que não é isso que a imprensa quer?

Sobre o programa de ontem, quando alguns convidados esbravejaram em defesa do BBB e Cia., digo que o público é como uma criança, se fizermos tudo que ele quer ele não estuda, não trabalha, não se instrui. O público deve ser forçado a um nível intelectual sempre maior para depois sim comprar um produto com valor agregado maior – que seriam os bons programas. Quero parabenizar Alberto Dines e Lúcia Abreu, que conduzem muito bem o debate. E finalmente pedir que Muniz Sodré não deixe de participar do programa.

 

Claudia

Pelo depoimento de alguns jornalistas presentes, os programas em questão são anódinos. Discordo, pois celebram o senso comum naquilo que têm de pior, mostram jovens unicamente preocupados em esculturar seus corpos, sem o mínimo constrangimento de desfraldarem sua ignorância e seu repertório intelectual nulo. Celebram a alienação, enfim. Que saudade de um tempo em que a política estava no repertório dos jovens brasileiros. Que saudade de um tempo em que ser jovem significava ser contestador, e não aferrar-se a um patético jardim da infância.

 

Iron Menezes de Santana
Belo Horizonte / MG – Professor de História

Na minha opinião, não se trata de "idealismo" contestar a recente onda de desqualificação dos veículos de comunicação de massa. Ao contrário do que a jornalista convidada do Estado de S. Paulo afirmou, dizendo que há uma "continuidade" do mau gosto na TV com Casa do Artistas, eu imagino que exista hoje uma potencialização do mau gosto (que realmente existiu em todos os tempos, só que em menor escala), justificada enquanto "liberdade de expressão" ou enquanto realidade inevitável das imposições dos mercados internacionais de mídia, com conseqüências para os veículos nacionais sedentos de investimento. Na verdade deveria haver uma constante mobilização da sociedade civil e, como Dines esclareceu a uma aluna da UERJ no programa, dos multiplicadores de opinião no sentido de fortalecer a televisão por uma programação preocupada com o mercado, mas também com a formação da cultura brasileira. Parabéns pelo programa.

 

Daisy Prétola
Jornalista

Achei muito oportuno o debate de terça-feira – 19/2 – sobre o nível a que chegou a programação das nossas televisões. Tudo que vocês falaram procede. As televisões estão se deixando levar pela força do poder econômico e não estão acrescentando nada à nossa cultura. Tão pouco serviço estão prestando à população com este tipo de programa e outros mais. Nós sabemos que a televisão comercial não sobreviveria assumindo basicamente o papel de educadora. Assim fazendo ela fugiria da proposta básica que os canais convencionais têm de dar ao público entretenimento. Acontece que atualmente, ignorando completamente a qualidade, ela mergulha de cabeça na deseducação, apresentando um tipo de entretenimento chulo e de mau gosto. Que benefício tem o telespectador em saber que as pessoas que participam do Big Brother e da Casa dos Artistas conversam "abobrinhas" em péssimo português, dizem muitos palavrões, insinuam sexo embaixo de edredons, tomam banho sob a mira das câmeras, trocam de roupa, fingem romances, competem e, principalmente, se agridem?

A violência com a qual lidamos diariamente nas ruas já não é suficiente para nos preocupar? Sabemos que a violência, em determinados segmentos da nossa população, é proveniente de fatores que somam desemprego, condições precárias de vida e o descaso com que são tratadas as áreas da educação e da saúde. Junte-se a esses fatores o desamor e a falta de estrutura familiar. A maioria dessas pessoas nunca teve uma oportunidade, nunca teve escolha. Temos que admitir então que pessoas ditas esclarecidas e detentoras de canais de televisão, para ganharem audiência, exibam cenas e situações constrangedoras sem nenhum compromisso com a ética, apenas por causa do dinheiro?

E não pára por aí: o efeito-cascata propicia também que as colunas especializadas em televisão usem o sucesso deste tipo de programa para abrirem espaços enormes não só nos cadernos especializados como também nas primeiras páginas dos jornais e das revistas. Noto que no Brasil confunde-se ética com censura. Ética é um recurso preestabelecido de normas a serem seguidas para assim preservar a credibilidade da informação e a qualidade do entretenimento. A censura todos nós sabemos o que é, não? Por que não tiramos este ranço, dos 25 anos de ditadura – apesar de toda a censura conseguíamos ter músicas e peças de teatro de qualidade etc. – e batalhamos por um código ético de telecomunicações? Se ele existe, como certas leis no Brasil que "não pegam", há muito tempo deixou de ser usado.

 

José Renato Pastrello
Limeira / SP

Estou acompanhando, nesse instante, o debate no programa Observatório na TV, a respeito dos programas Casa dos Artistas e Big Brother Brasil. Embora ache que as opiniões estejam contemplando todos os aspectos que envolvem os programas e suas implicações na sociedade brasileira, me parece que todos ou desconhecem ou ignoram e desviam o aspecto central da discussão. Se alguém tiver que receber pagamento pelos direitos de criação, esse alguém seriam os descendentes de George Oewell, o criador da ficção 1984, livro escrito em 1948, que trata de um personagem nefasto (antes mesmo de existir TV), que via e dirigia a vida de todos. Em termos de cultura, o brasileiro deveria ser informado do que realmente é o Big Brother. E esse papel, ao meu ver, não está sendo desempenhado por ninguém. Todos discutem, mas poucos procuram saber da verdade. Parece que todos copiam as opiniões dos outros.

 

Alexandre Paiva

Estou vendo o Observatório sobre os reality shows, e tenho a seguinte opinião: não penso que as emissoras estão impondo um tipo de programação de alto nível de apelação, mas apenas satisfazendo um desejo popular. A vontade de ver a privacidade, especialmente seu lado conflituoso, pode ser notada em situações cotidianas como quando há um grave acidente de carro ou quando alguém ameaça se jogar de um prédio. A imprensa escrita notou este desejo há muitos anos, quando surgiram os jornais que cobriam os crimes pela cidade. Muito além de cobrir a violência, o que mais vendia exemplares destes jornais eram os closes nas pessoas brutalmente assassinadas. Em suma, as pessoas que curtirão programas tipo reality show (e não são poucas) são principalmente as capazes de parar em frente a uma banca de jornal para ver os cadáveres do dia ou algum acidentado no trânsito. É uma forma muito estranha de satisfação, uma afirmação com a tragédia do outro. Programas como estes atraem principalmente pelos conflitos e pelos "barracos" que possam proporcionar.

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