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OBSERVATÓRIO NA TV

 

OBSERVATÓRIO NA TV

TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30

Você pode participar ao vivo

DDG: (0800) 216-689
Fax: (021) 232-3271

E-mail: obstv@tvebrasil.com.br

 


DOS TELESPECTADORES
Clyford Soares

Estudante de Economia da UERN, Pau dos Ferros / RN

Achei muito interessante o tema que vocês escolheram para este debate, pois a mídia deveria mostrar a realidade e a verdade a respeito dos possíveis cortes de energia (apagão). O que o governo está divulgando são algumas inverdades, colocando a culpa em São Pedro e nos governos passados. A falta de chuvas é uma tremenda mentira (ou falta de informação do governo em relação à quantidade de chuva que vem caindo nos últimos 5 anos na Região Nordeste, que é a maior nos últimos 20 anos). O que realmente está acontecendo se deve à falta de investimentos no setor de geração, pois os projetos do governo não saem do papel, como disse o professor Adilson Oliveira, da UFRJ: o governo gastou milhões de dólares na construção do gasoduto Bolívia-Brasil e não construiu as 44 usinas para utilização deste gás. Nós aqui no Rio Grande do Norte observamos todos os dias a queima de gás natural nos diversos campos de petróleo da Petrobras, 24 horas por dia, e este gás poderia estar gerando energia para alimentar o RN e alguns estados do Nordeste.

Isso a imprensa não mostra, por quê? Por que não construir as usinas movidas a gás? Será porque os grandes empreiteiros não aprovam, por serem obras de baixo custo e de curta duração (por volta de 90 dias)? Além de tudo, uma usina a gás polui muito pouco em relação às movidas a diesel, nem inunda terra como as hidroelétricas.



Sérgio de Souza Tôrres

Sugiro, como assunto de debate, uma reflexão que me foi suscitada ao ler o jornal O Globo. No mesmo caderno – que contém a seção de Opinião – em que foi publicado um excelente artigo do professor Carlos Alberto Di Franco a respeito de ética jornalística há uma notícia, sob o irônico título de "Notas", a respeito da chacina de quatro pessoas, três da mesma família, em Paciência. Treze linhas, uma coluna, página interna de amenidades, no meio de pequenos anúncios. Há poucas semanas o Rio foi abalado por episódio de igual selvageria, só que daquela vez no bairro de Santa Teresa, envolvendo vítimas da classe média e ligadas a personagens da administração estadual. A notícia foi veiculada nas primeiras páginas de todos os jornais, com cobertura completa, inclusive de televisão, entrevistas de autoridades, anúncio de medidas policiais, artigos de intelectuais e toda a parafernália midiática só reservada aos grandes acontecimentos. E durou dias e dias. Alguém há de dizer que a mídia não faz o fato, apenas o reflete.

Eu, que não sou jornalista, acho que esse tipo de tratamento contribui para sedimentar um viés de absorção da vida social segundo o qual algumas pessoas são mais "iguais" que as outras, o que está na raiz do que Zuenir Ventura chamou de cidade partida, ou seja, exclusão, que é uma forma um tanto mais branda de se falar em rejeição. E veja bem que eu não estou sequer falando no interesse comercial do veículo que se fundamenta na busca de circulação e audiência, para cuja obtenção tem que tratar o sangue vertido em Ipanema como mais "azul" do que o das vítimas de qualquer periferia. Tudo isso é óbvio e sabido, principalmente para jornalistas experientes. Mas, se o Observatório pretende (sadiamente) ser um instrumento de crítica construtiva do exercício fundamental do direito de liberdade de expressão, vai aqui a minha contribuição à guisa de estímulo.



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