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OBSERVATÓRIO NA TV

 

OBSERVATÓRIO NA TV

TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30

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ELEIÇÕES 2002
Não ao marketing
(*)

Alberto Dines

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa. Ecos da nossa última edição que você precisa saber: os dois jornais de São Paulo, no último fim de semana, fizeram matérias sobre deficientes visuais. Este assunto não pode cair no esquecimento. Registramos também que o Diário do Povo, de Campinas, não conseguiu contato telefônico durante o programa, mas nos mandou detalhes sobre seu jornal em Braille, que circula desde julho do ano passado. É mensal, com 50 páginas, e distribuído gratuitamente. Pedidos pelo e-mail <cescola@rac.com.br>.

Hoje, vamos tratar das eleições de outubro e novembro de 2002. Se você acha que é cedo, está certo: a campanha oficial ainda não começou, os candidatos negam que são candidatos. No máximo se assumem como pré-candidatos. Mas hoje, neste país, nada se faz em matéria de política e administração pública sem desgrudar os olhos do calendário eleitoral. E justamente porque é cedo está na hora de tentar estabelecer novos paradigmas sobre a campanha eleitoral.

Ainda há tempo para evitar que o debate partidário seja comandado apenas pelo marketing político, como está parecendo. Se o voto não pode ser comprado nem a política deve ser encarada como atividade comercial, não faz sentido que o marketing comande o processo de apresentação de programas e propostas e, em última análise, de escolha de representantes e governantes.

Esta é uma questão em torno da qual é fácil obter consenso. Teoricamente todos são contra os abusos do marketing, mas no calor da campanha, na hora de avaliar preferências e na febre de obter bons números nas sondagens de opinião, impera o vale-tudo. E neste vale-tudo entram os truques de marketing, os disfarces programáticos.

Na esteira, entra a mídia preocupada apenas em fazer barulho. Os políticos por instinto e treino sabem explorar seu charme e carisma. Isto é inerente àqueles que precisam conquistar simpatia e voto. O que parece abusivo e preocupante para uma democracia tão jovem como a nossa é a preponderância dos "técnicos de propaganda". Como destacou recentemente Cristovam Buarque, isso lembra o Dr. Goebells, o artífice da ascensão de Hitler. Está na hora de evitar estas aberrações.

(*) Editorial do programa Observatório da Imprensa na TV, nº 162, no ar em 31/8/01

 



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