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OBSERVATÓRIO NA TV
OBSERVATÓRIO NA TV
TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30
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CASO ABRAVANEL
Cobertura esquizofrênica
(*) Alberto Dines
Bem-vindos ao Observatório da Imprensa. Você
mesmo deve ter feito a comparação: no primeiro seqüestro,
o de Patrícia Abravanel, filha de Silvio Santos, a cobertura
foi controlada. Esta discrição de parte da mídia
foi o tema de nosso último programa. Mas no segundo seqüestro,
desta vez do próprio apresentador, a cobertura foi intensa,
veemente, ao vivo, ao longo de sete horas. Há uma certa esquizofrenia
em comportamentos tão diferenciados ou estamos enganados?
A discussão que a mídia travou sobre seu duplo comportamento
foi fugaz. Mais relevante para a imprensa foi colocar o governador
Geraldo Alckmin na berlinda questionando a validade de sua opção
de negociar com o seqüestrador. Mas é preciso levar
em consideração que há uma relação
de causa e efeito entre a intensa cobertura da mídia e a
decisão do governador de negociar com o bandido. Se o escarcéu
televisivo não fosse tão grande certamente que a pressão
sobre o governador seria menor. No caso do seqüestro de Patrícia,
quando parte da mídia se autocensurou, foi alegado que o
noticiário poderia colocar em risco a vida da seqüestrada.
No caso do pai, o próprio seqüestrador acompanhava o
desenrolar dos acontecimentos pela TV. Imaginem se aparecesse no
monitor a imagem de um atirador de elite apontando a arma para a
janela do cômodo onde estava. O bandido não poderia
assustar-se e puxar o gatilho? Convém lembrar que o segundo
seqüestro foi transmitido em horário em que crianças
e adolescentes ainda estão em casa. Se a tensão em
todo o país já foi grande imagine-se o que poderia
acontecer se houvesse tiros e sangue. É muito bom que os
meios de comunicação agora estejam oferecendo explicações
à sociedade sobre o seu comportamento. Melhor seria que não
fossem cobrados. (*) Editorial do programa
Observatório da Imprensa na TV, nº 167, no ar em 4/9/01

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