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OBSERVATÓRIO NA TV

 

OBSERVATÓRIO NA TV

TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30

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DOS TELESPECTADORES – 1
Jorge Henrique F. Cury

Gostaria de saber se a postura da Rede Globo seria a mesma em caso de seqüestro do filho do Sr. Roberto Marinho.

 

Elaine Meire Mattos
Administradora de Empresas – Osasco

Quando se fala ética em tudo, onde fica a ética na imprensa no caso da filha do empresário Silvio Santos?  

 

Marcel
São Paulo

Como fã deste Observatório (ou, como quer um jornalista mineiro, "laboratório" de boas idéias), não pude deixar de me regozijar com o sensacional artigo "Sem notícias de um seqüestro", brilhante, no mínimo. De uma hora para outra, a imprensa acorda, como que beijada pelo príncipe, e passa a noticiar todos os detalhes. Pelo menos em minha memória, ficará marcada para sempre a forma omissa de agir de alguns dos sacrossantos veículos que participaram do vergonhoso pool.

 

Antônio Pacheco

A Globo apresentou um longo arrazoado para justificar a publicação da notícia do seqüestro. Hoje, em entrevista à imprensa, o secretário de Segurança de São Paulo respondeu às ironias do governador Garotinho e também ao fato de "algum órgão da imprensa ter publicado as notícias do seqüestro" o que, em sua opinião, é prejudicial ao trabalho da polícia. A Globo, em sua emissora aberta e por cabo, noticiou a entrevista do secretário salientando a resposta a Garotinho mas... total silêncio sobre o que o secretário disse a respeito da divulgação que deu ao fato.  

 

Flávio O. P. Filho
Físico, professor-adjunto UFMG

Para mim o comportamento da imprensa é vergonhoso e põe por terra qualquer credibilidade. Não pelo fato de não haver noticiado o acontecido, mas por ter retrocedido em decisões de conduta editorial por pressão externa, de alguém com influência e poder. Me pergunto: a imprensa faria o mesmo por mim ou por qualquer outro cidadão? Mais ainda: será que isto é um caso isolado de ceder a pressões ou isto é normal nos bastidores? Destas coisas que nunca vem a público. A imprensa vive de vender notícia. Isto é fato. Portanto vive do interesse do público, e não do interesse público. Por pior que isto seja, esta é a realidade. Evidentemente o comportamento da imprensa no caso deste seqüestro pode ser facilmente extrapolado para muitas outras situações de conflito claro entre interesse público e do público. Pergunto: e aí? Só o Silvio Santos pode ser resguardado do interesse do público? Esta é a questão central sob minha ótica e que fere mortalmente a credibilidade da imprensa.  

 

Herminia Lupion Mello
Curitiba / PR

Fiquei pasma com a atitude da Globo, alguns dias atrás ao noticiar no jornal da noite uma blitz que a polícia ia realizar dentro de alguns minutos numa das favelas do Rio de Janeiro! Os malandros do morro deveriam dar um prêmio à emissora por colaborar com o crime organizado ao noticiar estas ações da polícia, neutralizando o elemento surpresa que no caso deveria ser fundamental. Hoje, no entanto, omitiram o horário em que será realizado o jogo do Guga amanhã... que foi o motivo que me levou a assistir ao jornal. Gosto muito deste programa, sou fã.  

 

Mário Jorge

Quando, em 1989, se proibiu a genitália desnudada nos desfiles de escolas de samba do Rio de Janeiro, o motivo oculto era salvaguardar o tráfico de fitas VHS, principalmente a estrangeiros. Assim as cenas ousadas se tornaram exclusivas dessas fitas. Não por acaso algumas emissoras, ao fim do Carnaval, anunciam, cada uma, sua fita picante vendida a preço exorbitante. Exatamente quando o VHS se popularizou e começaram a vender fitas de Carnaval, uma onda de moralismo se abateu sobre o Carnaval. Coincidência? Ainda mais que o moralismo carnavalesco sempre só se aplicou sobre a mulher. Topless de mulher era gritado como apelação, de travesti não. Nunca um carro alegórico cheio de travestis com peitos de fora foi anunciado pelo locutor como apelação, de mulher muitas vezes. Por quê? Porque seio de mulher vende. Talvez agora deixem as mulheres em paz, já que elas estão cada vez mais parecidas com travestis, com tanta ginástica e silicone. Muito se falava em Carnaval-família, um conceito tão absurdo quanto festa junina de gala. Isso nunca foi denunciado. No rastro dessa prática imunda e vitoriosa assistimos desde 1993 a uma crescente onda subterrânea de puritanização da televisão. Todas as conquistas libertárias de 1985 foram perdidas e os instrumentos dessa prática vão desde interpretações distorcidas do Estatuto da Criança (fazendo-o passar por cima da Constituição) até conceitos pueris de bom gosto e baixaria. A antena parabólica está jogada às traças. Quando uma luta de boxe é transmitida anunciam que o contrato proíbe que seja transmitida pela parabólica. Por quê? Para que quem mora numa fazenda, por exemplo, seja impelido a comprar tevê paga. Uma maciça, ininterrupta e desarrazoada campanha contra a má qualidade da programação da tevê visando garantir que essa qualidade decaia, enquanto se finge buscar a qualidade. Tudo muito fácil dado o baixíssimo nível intelectual dos críticos dos jornais escritos (Folha de S. Paulo, O Globo...). A única diferença entre os críticos da década de 1950 e os de hoje é que os de ontem bradavam contra o biquíni (diziam o "indecente biquíni"), e onde ele aparecia diziam que era festival de nudismo. A quem não nasceu ontem o interesse mesquinho dessa campanha sinistra é óbvio: forçar o telespectador a adquirir tevê paga. O erotismo foi banido. Falou-se muito em horários. Se tal ou tal programa é impróprio para tal horário, então por que não existe noutro? Mas mesmo na alta madrugada não existe erotismo na tevê. Somente erotismo verbal. Fora isso só propaganda de erotismo pago. E por que não se exige a tal qualidade dos jornais escritos? Por que a tira do Geraldão, em quee ele aparece repleto de injeções e transa com a própria mãe, não é tachada de baixaria, enquanto o Ratinho é? Por que o sushi erótico do Faustão é tido como baixaria, enquanto a mulher deitada coberta de folhas em Beleza americana é filme de arte e concorre ao Oscar? Por que os jornais diariamente espinafram a televisão e ela nunca dá o troco? Porque é tudo jogo de compadre (igual jogo de decisão de duas partidas em que na primeira partida nunca o jogo é pra valer. Os dois têm de maneirar pra garantir a renda do segundo jogo). A própria televisão paga para que façam isso porque o telespectador que comprar tevê paga continuará vendo a tevê aberta do mesmo jeito. A esses manipuladores não interessa o código de defesa do telespectador. Qualidade consiste em não apresentar filmes mutilados nem enxertados, respeitar horários, exibir o que foi anunciado, não mudar horários a bel prazer, não enganar o telespectador. Qualidade nada tem a ver com moral. Por que o Procon não atua sobre a televisão, o jornal, o rádio? Atua sobre o teatro mas não sobre a televisão. Por quê? Na década de 80 o melhor programa era o Globo Rural. Eu não perdia um. Quando não podia ver gravava. Simplesmente tive de deixar de ver por causa da maldita Fórmula 1. Em todo domingo que havia corrida o programa era deslocado para antes ou depois. Não era possível deixar gravando porque o horário ficava muito disparatado e porque não havia aviso, no dia anterior, de que no domingo o Globo Rural seria exibido em tal horário. Nunca mais assisti ao Globo Rural. Os que tanto falam em tolerância fingem não ver que o puritanismo é uma manifestação de preconceito e intolerância. Os que aceitam casamento gay não têm o direito de bancar os moralistas. Outra coisa que nunca foi denunciada é a máfia dos críticos da imprensa escrita. Leiam qualquer crítica em qualquer grande jornal (ou pequeno): sempre falam mal. Sempre falam mal. Quem quiser que falem bem, pague.



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