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OBSERVATÓRIO NA TV

 

OBSERVATÓRIO NA TV

TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30

Você pode participar ao vivo

DDG: (0800) 216-689
Fax: (021) 2232-3271

E-mail: obstv@tvebrasil.com.br

 


DOS TELESPECTADORES
Francisco Carlos de Moraes
Pelotas / RS

Soninha já é a Audrey Hepburn do Brasil, pela própria natureza. Agora, ela tem um futuro brilhante na publicidade, em reclames finos, do tipo "o barato sai caro". Cara, está mesmo saindo a despedida da Soninha, para a TV Cultura, e, principalmente, para o presidente da Fundação Padre Anchieta, que deve estar arrependido de não ter escrito seus poemas na areia. Aliás, a expressão "saindo de fininho", de Fernando Morais, é uma das melhores coisas que já li na imprensa brasileira (quando o Chiarelli foi meu professor de Direito do Trabalho ele insistia nesta distinção: "demissão" é pedido do empregado, "despedida" é iniciativa do empregador.) A "suíte" de Época, nesta semana, corrobora minha hipótese de que a revista não teve a intenção de prejudicar a Soninha – ao contrário, queria dar força a ela. Foi o que me ocorreu, na primeira vez em que vi o assunto "Maconha" anunciado na programação do RG.

Eu pretendia mandar uma posta sobre o assunto a grupos de discussão na internet, para chamar atenção para o programa, que merecia ter uma audiência bem maior. O tema era ideal para isso. Se não me falha a memória, houve algum problema – o site saiu do ar, a programação foi alterada, algo assim, e não pude fazer a minha campanha de divulgação. Quem conhece o programa da Soninha – além da carinha de anjo que ela tem – sabe que ele é só de coisas educativas e politicamente corretas, pior que um colégio de freiras ou um mosteiro tibetano. Eu não conseguiria convencer ninguém a ver um programa que quer convencer as pessoas a não gastar água – creio que antes do apagão e da campanha do governo.

Mas a Soninha é a melhor apresentadora da TV brasileira, um resquício de vida inteligente no país da Xuxa, da Carla Perez, Vera Gimenes, Adriana Galileu [sic], Sílvio Santos, Gugu, Faustão... E a questão da maconha era a única maneira de despertar a curiosidade malsã da plebe, sem apelar para uma idiotice qualquer. Nunca fumei maconha, até para não dizerem que minha opinião seria viciada. Mas acompanhei o comportamento de fumantes, e cheguei à conclusão de que ela é menos nociva ao comportamento das pessoas – provoca menos atitudes estúpidas – do que o álcool, as ideologias e os diplomas e títulos em geral, patologias que, eventualmente, posso apresentar, embora já tenha perdido duas vezes o meu diploma de Direito.

Curiosidade malsã: é a esse gênero (o da psicopatologia da vida quotidiana) que pertence a atitude "careta" em relação à maconha (sei disso porque já tive essa atitude, antes de conviver com pessoas que fumavam). É o outro lado do 11 de setembro – o mesmo tipo de paranóia, em que condenamos o que, por alguma razão, não podemos ter: a fantasia do prazer proibido, mesmo que puramente imaginário: o da maconha ou do poder e da riqueza dos americanos. Condenamos, acima de tudo, quem tem o que desejamos ter. (Aliás, esse é o sentido do final de Easy Rider, que representa tanto a despedida da Soninha como o atentado contra o World Trade Center.) Isto não é uma fantasia ideológica, que se apresentaria, no fundo, como uma verdade metafísica e indesmentível. É uma hipótese de trabalho, que, presumo, será confirmada nos próximos anos, pelo progresso da neurologia, da bioquímica e da genética. No fundo, é o que chamo de "síndrome de Caim"; em última análise, o conjunto de processos biológicos ligados ao que, na linguagem natural, chama-se "inveja".

Esse problema, a meu ver, só será satisfatoriamente resolvido pela engenharia genética. Até lá, continuaremos a ser lobos em peles de cordeiros, se me permitem parafrasear Hobbes, de acordo com os princípios biológicos da filosofia natural. O que é paradoxal é que quem diz que a maconha transforma as pessoas em indivíduos transtornados e violentos ou nunca viu ninguém sob o efeito da maconha ou está mentindo (mas seria uma mentira tão absurda que esta hipótese é muito pouco provável). E são pessoas "respeitáveis", geralmente dotadas de algum grau de autoridade, que dizem isso. É um mecanismo irracional, de origem biológica, que mantém esse tipo de situação – e, mais uma vez, acredito que a solução esteja na humanidade geneticamente modificada. O sonho de uma humanidade melhor é inviável com nossa atual estrutura genética. Não somos bons por natureza.

O "bom selvagem" é uma ficção da filosofia política. O melhor que temos é a Soninha, mesmo, que se meteu nesta "fria" por ser selvagemente boa, e sabemos que ela é uma exceção. Não discuto o direito que a TV Cultura tinha de despedir a Soninha, independentemente até desta história da maconha. Todo empregador tem esse direito. O que acho absurdo é o sentido dessa medida, dentro de uma estratégia de gerenciamento da emissora. O nível propriamente cultural do programa, em relação ao público-alvo, não poderia ser mais alto. Mesmo com pouca divulgação, o trabalho de Soninha vinha tendo uma repercussão cada vez maior e mais favorável, em todos os meios. A polêmica da maconha somente aumentaria a audiência do programa e da TV Cultura como um todo.

E é preciso ser muito canalha para achar que alguém que assistisse aos programas da Soninha ou da TV Cultura estaria sendo influenciado por propaganda de drogas. Ao contrário, o efeito sobre o público em potencial que seria atraído por essa polêmica seria um efeito positivo, do ponto de vista dos objetivos educacionais e culturais da TV Cultura. Finalmente, vou denunciar que a Soninha é cúmplice do Serra, e temo que ela seja capaz de recorrer à violência para atingir objetivos inconfessáveis. Isso porque ela entrevistou o Serra, como ministro da Saúde, num RG da campanha contra o cigarro. Aí eu desconfiei que foi ela que me atirou uns copos na cabeça quando comecei a fumar no Hollywood Rock, no Rio, no milênio passado.

(Isto ficou parecido com uma coluna, que virou uma página, que criei há uns dez anos, no Caderno de Cultura do Diário da Manhã, neste sítio arqueológico de Sepolta. Chamava-se "Textículos". Sempre tinha uma epígrafe. Um comentário do Antonio Abujamra, no programa Provocações com a Soninha – que foi o verdadeiro fantástico, mas isso é outra história – lembrou-me uma frase. Que prefiro colocar no final, como hipógrafe, com perdão da palavra, porque é realmente "para baixo" – mas é a história da minha vida.).

"Queríamos transformar o mundo, mas foi o mundo que nos transformou."

(Do filme Nós, que nos amávamos tantoC'eravamo tanto amati, de Ettore Scola).



Alunos da Universidade Estácio de Sá de Niterói

Em resposta ao que foi dito pelo senhor proprietário desta Instituição, o Dr. Uchôa de Cavalcanti, gostaríamos de pedir que considerasse e publicasse nossa opinião.

Nós, alunos da Universidade Estácio de Sá, nos sentimos na obrigação, diante das palavras supostamente ditas pelo proprietário desta Instituição, de expor nossa opinião.

Entendemos, antes de mais nada, que cada pessoa tem sua forma de pensar e pedimos que entendam ou pelo menos tentem entender a nossa. Sabemos que o sistema educacional em nosso país é bastante precário (talvez por isso estejamos numa universidade privada). Temos também consciência de que nem todos aqueles que tem um diploma (seja ele de qualquer universidade) são reconhecidos ou bem-sucedidos, no entanto, o que nos traz a essa universidade não é simplesmente ter um diploma. Estamos aqui pois acreditamos na educação e no quanto ela é importante para o engrandecimento do ser humano e para o crescimento de um país. Felizmente temos ao nosso redor profissionais que pensam desta mesma forma. Sabemos que não estudamos na melhor universidade (embora as "melhores" estejam sem aula há mais de dois meses), mas estamos sem dúvida numa boa universidade, composta por profissionais que se dedicam ao máximo, tentando (e conseguindo) fazer o melhor. Graças a eles e por acreditarmos que quem faz uma universidade são os alunos é que estamos na Estácio de Sá, fazendo o melhor que podemos, contando com o apoio de excelentes profissionais e não permitindo que a visão capitalista de alguns empresários destrua o que temos de mais importante: o nosso objetivo de vida. Não sabemos se todas aquelas palavras contidas na reportagem foram realmente ditas pelo Sr. João Uchôa, no entanto se assim o foi, gostaríamos de dizer que o mais importante para nós não é a opinião dele, mas sim o compromisso que todos os profissionais pertencentes a esta Instituição têm com o ensino, e quanto a isso podemos afirmar que graças a eles temos a mais pura consciência do valor que tem a educação.



Malone Cunha

Belém / PA

Eu gostaria de perguntar para a Soninha se, na opinião dela, o fato dela estar sorrindo, aparentemente saudável na capa de uma revista e falando EU FUMO MACONHA não traz um impacto maior ao público, uma vez que se ela estivesse triste passaria a idéia de que ela fuma maconha mas está disposta a parar. Você não se sente magoada de ter sua imagem usada desta forma?



Francisco A. D. Sanches

SP – Estudante

Se o título da reportagem fosse Eu Bebo, ou Eu Ultrapasso Sinal Vermelho, a atitude da TV Cultura seria a mesma?



Fernando Pascoal

Brasília / DF

Acho que apresentadora Soninha e todos os outros que deram a entrevista erraram em assumir, pela mídia, ser usuários de maconha. O uso é uma decisão pessoal e, portanto, não teriam o direito de embaraçar tantos pais que tiveram que explicar aos filhos, em muitos casos precocemente, o que é a maconha, quais os seus males etc. Acho que este é um fato importante a ser lembrado. Se existem pessoas que gostam de maconha, cocaína, LSD, existem pessoas que consideram qualquer uma delas algo inútil para a vida em sociedade. Portanto, se a intenção era defender a descriminalização da maconha, acho que existem outros meios mais adequados. Concordo com a direção da rede Cultura, afinal ela se tornou suspeita para conduzir um programa direcionado ao público jovem. A apresentadora foi vítima do mal que impregna a imprensa. Sensacionalismo barato com o único objetivo de vender jornais, revistas etc.



Sergio Del Giorno

Soninha é um dos poucos alívios de inteligência e respeito ao telespectador (em especial adolescente), e foi corajosa ao assumir sua postura para uma grande publicação, sabendo que poderia ser usada como bode expiatório. Ou talvez tenha sido ingênua. Pois a forma como a reportagem é mostrada conta muito. Se ela não tivesse sido estampada na capa e nos outdoors, talvez estivesse tudo bem (alguém aí lembra da comoção do caso Cazuza na Veja?). Esse é o poder da imprensa, que, às vezes moralista, e nas mãos de grupos poderosos com interesses específicos e não declarados, faz um carnaval com certas coisas, deixando outras mais importantes para trás.

Quem nunca andou em redações não sabe que muitos jornalistas consomem drogas. E algumas bem mais pesadas que uísque rolam nos banheiros. E são esses caras que estampam a cara dos pé-rapados traficantes de esquina nos jornais e sentem-se com o dever cumprido. E talvez seja bom verificar que, possivelmente, grande parte da população brasileira seja consumidora de algum tipo de droga, lícita ou ilícita. Mas até aí essa informação fica guardadinha com cada um, assim como pequenos delitos, mentiras no imposto etc. E agora vem um promotor querer tripudiar em cima. Se fôssemos radicais defensores da liberdade de expressão, não responderíamos a idéias com tiros e pedradas contra quem tem coragem de colocar em debate assuntos cabeludos demais que todos preferem jogar pra baixo do tapete. Esse é um bom exemplo de que, quando tais temas vierem à baila, a lição é a seguinte: bico calado, pois esse é um caso típico de se matar o mensageiro pela notícia ruim. Em tempo, bastante interessante o que disse o ombudsman da Folha sobre a postura profissional, rápida e isenta da ESPN.



João Henrique

Curitiba / PR

Gostaria de comentar a irresponsabilidade de um órgão de imprensa do alcance da Globo e suas editoras. O caso da Soninha é um exemplo, porém acredito que está acontecendo hoje uma exposição irresponsável e maior de uma pessoa comum que participa de um programa apelativo no domingo à noite em horário nobre. Estão sendo divulgados comentários da pessoa que, eu tenho certeza, não está consciente do tamanho da exposição que está sofrendo. Não estou aqui defendendo os comentários e se a mesma é racista ou não... O caso é que me impressiona o tamanho da irresponsabilidade em expor essa pessoa que daqui a alguns dias voltará a ter uma vida normal, taxativamente pintada como racista. Como reagirá a população negra? Quero dizer, não há preocupação do meio de comunicação com as conseqüências da atitude, apenas a preocupação com a venda e a audiência. A que estamos expostos... Onde está a ética da mídia?



Sylvia Manzano

Eu, que tanto gostava de alguns programas da Cultura, estou triste, mas vou ter que dar um gelo nela. Pra mim, a TV Cultura envelheceu 20 anos em um dia. Só isso.



Francisco Veloso

Dines, você convidou pessoas para concordarem com você?

Ao jurista: se fumar não é crime, é crime vender. Soninha agora não está na obrigação legal de dizer quem fornecia a ela?

Soninha: você é inteligente e sabia que provocaria uma grande discussão. Sua demissão parece hoje ser um prêmio, pois você se tornou bastante conhecida. Se a maconha for liberada no Brasil, você deverá ser a principal garota-propaganda. Parabéns.



Luiz Ramos

Açúcar, cocaína, infidelidade, religiões extremistas, talvez não sejam os piores "hábitos" do ser humano, como é amplamente divulgado todos os dias pela mídia. Existem dentro de cada um de nós ações e reações que não conseguimos ver, não analisamos. não medimos conseqüências do que elas podem nos causar; somos "viciados" em achar que o próximo é opressor, exerce sua autoridade sem medir esforços, e que este também é totalmente "viciado" em só mandar, não consegue entender ou/e discutir nossas opiniões, ou saber se existem "comandados". Mas será que também não existem pessoas que acham que existem "viciados" em submissão? Pode não existir o resto do convívio, o dia a dia com nossas esperanças de um mundo melhor? Existem viciados ou sádicos com pegadinhas aos domingos? Existem viciados ou psicóticos em "novelécas" no nosso convívio que nada têm a ver com nossas comunidades regionais? Existem também os que têm "vício" em não ter paciência com "viciados da mídia", ao verem estes se entregarem a projetos pessoais e mesquinhos, fazendo média com pessoas sem lastro, sem crédito e principalmente "jogando fora" as melhores cabeças do nosso convívio... por puro "vício".



Denise

São Paulo

Numa instituição de respeito como a TV Cultura, foi um erro da Soninha ter exposto um tema da situação, por mais que tenha sido na boa intenção, mas mesmo assim eu concordo e a apoio, pois na realidade em que vivemos se torna necessária uma reflexão mais profunda no tema. Na minha opinião, a TV Cultura foi muito repressora quanto ao "problema", deveria ser mais flexível, pois a intenção dela, creio eu, é de argumentação.



Margarete Monteiro Pinto

Jornalista

Uma pena que a melhor emissora da TV brasileira recompense um dos pouquíssimos exemplos de cabeça pensante da nossa medíocre TV dessa maneira... Soninha foi corajosa e se negou a fazer parte da hipocrisia que impera no mundinho individualista de cada um. A TV Cultura, em vez de dar suporte à sua funcionária – que teve sua imagem usada de má-fé pelos espertinhos canalhas da revista Época -, se acovardou e preferiu se juntar ao coro dos medíocres, se negando a participar da discussão (ou da descriminação da maconha ou do abuso de poder da revista) e, o que é pior, a dar suporte a ela. Ela mostrou a cara pra falar de algo em que acredita, correu riscos e pagou caro, muito caro. Foi apunhalada nas costas pela revista e jogada na sarjeta pela empresa onde trabalhava. Quem perde somos nós, telespectadores, que teremos menos uma pessoa decente na TV. Que bom que ela se espantou com a atitude da revista. Quando pararmos de nos espantarmos, aceitaremos tudo passivamente. A revista errou e isso deve ser dito. Não é porque ela usou de recursos já conhecidos que justifica seu erro. Usar um recurso técnico como o lead também não valida sua postura. Passemos a questionar o lead então! Há incontáveis maneiras de se fazer uma manchete e infinitas de se fazer uma capa. Profissionais criativos e inteligentes é o que não faltam nas redações para isso. Só que optaram pela maneira errada e nem a Soninha e nem os leitores têm que aceitar isso só porque é uma "técnica" recorrente ao jornalismo.

Vereza, se o sr. se espanta tanto por ela ter se espantado com a atitude da revista, nós também podemos nos espantar de vê-lo defendendo tão veementemente a postura da revista, se nem parte do seu quadro de funcionários o Sr. faz parte e se nem jornalista o Sr. é.



Rogelio Casado

Psiquiatra e psicoterapeuta

Eu e minha família repudiamos o tratamento dado pela TV Cultura de São Paulo ao caso Soninha. Perdeu-se uma excelente oportunidade de tratar a questão "uso de maconha" sem a habitual hipocrisia ou discurso pseudo-científico de ex-usuários. Violou-se o direito de resposta da apresentadora, sem considerar o oportunismo mercadológico da Época, que gerou todo esse "imbróglio". Lembro que a imagem do saudoso Mussum foi associada à cachaça – esse orgulho nacional – sem que causasse um rubor sequer nos paladinos da boa moral. Abraços de solidariedade à Soninha.



Luiza

É um absurdo o que o representante da TV Cultura argumentou: 58% (ou sei lá quanto) significa número, será que ele se deu ao trabalho de ler as opiniões dadas? Será que ele não viu o quanto de preconceito e opinião da mídia estavam reproduzidas? Ninguém tem irmão, filhos, primos, amigos, parentes que fumem maconha? Espero que não, pois se tiverem espero que não sejam tão duros no julgamento. Quanto ao Sr. Carlos Vereza, tenho a dizer que alguns dos meus amigos começaram a fumar maconha depois de tanto beber. Por que ele não vai discutir bebida ou cigarro, que são drogas abertas? Vai em frente, Soninha, não tenha medo de ser você mesma, enquanto há tantos hipócritas na TV, na mídia em geral.



Pedro Cardoso da Costa

SP – Bacharel em Direito

Entendo mesmo que há muita hipocrisia nesta discussão. Se a TV foi coerente com a demissão, precisa verificar se a posição da emissora nos debates defende que o governo aja com prudência. Se for assim, agiu incoerentemente ao demiti-la. Alguém já fez algum levantamento dos danos causados pelo álcool. Entretanto, as propagandas estão por quase todas as emissoras livremente; o cigarro sempre foi sinônimo de "posição" social destacada. Acho que as pessoas encontram muitos culpados e se culpam pouco. Sempre os outros. A TV tomou a decisão mais fácil e talvez mercantilista. Marcio Thomaz Bastos deveria insistir em que o uso da maconha não é crime; e crime é definido mesmo em lei. O que não está definido como tal, não é crime.



Saulo Stefanone Alle

Ao advogado Thomas Bastos, gostaria de fazer uma observação: sua primeira manifestação não colaborou em nada para a compreensão do assunto pelo ponto de vista jurídico, pelo público do lado de cá ou pelos debatedores daí. Todo o seu "preciosismo" sobre o verbo do tipo penal só serviu para confundir o espectador. Especialmente, se pensarmos em alguém que fuma, sem possuir a droga (e possuir a droga certamente se encaixa em qualquer dos "verbos" descritos na lei como crime). Espero que o interesse pelo esclarecimento da matéria com simplicidade norteie suas próximas participações.



Leopoldo Duarte
Brasília / DF

Desculpe a ignorância, mas quais os benefícios da maconha (da bebida alcoólica ou do cigarro comum)? Acho que nenhum ou quase nenhum. Portanto, para que autorizar a Souza Cruz a produzir cigarros de maconha? Quais os benefícios que isto traria à sociedade? Acho que este é um aspecto importante, que a imprensa deveria discutir. Mas, infelizmente, isto jamais venderia uma revista qualquer...



Tarciso

Gostaria realmente de saber: por que a Soninha (uma grande apresentadora) foi demitida pelo simples fato do uso da maconha, e nada aconteceu ao nosso presidente da Republica (FHC) quando disse que também fumou maconha? A questão da ética da instituição Cultura, aonde foi parar? Por que até agora só ouvi falar em leis?

A discussão das leis na minha opinião não é bem colocada nesse momento, pois a Cultura deveria ter pensado na ética antes de tudo. Não concordam? Até porque a Soninha não fumou maconha em serviço... coisa parecida seria se qualquer cidadão fosse multado por um policial fora de serviço! Absurda foi a demissão pela questão legal! Tudo porque ela falou a verdade! "Não diga a verdade, minta" Ora vamos...

Resumindo, mais importante que a lei nesse momento não seria a ética, devido à função de educar da TV?


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