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OBSERVATÓRIO NA TV

 

OBSERVATÓRIO NA TV

TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30

Você pode participar ao vivo

DDG: (0800) 216-689
Fax: (021) 2232-3271

E-mail: obstv@tvebrasil.com.br

 


DOS TELESPECTADORES
José Manuel
Campinas / SP

Quando se aborda a influência que a apresentadora de um programa exerce sobre seus telespectadores, seria interessante perguntar por que o exemplo Soninha é um mal tão grande, ao passo que a Xuxa e sua mediocridade, falta de cérebro e produção independente são exibidas como exemplo admirável. Assim como existem pessoas que experimentam álcool e não se tornam alcoólatras, um processo semelhante ocorre com aqueles que experimentam a maconha.



Márcio Gomes
Professor universitário

Quero manifestar minha indignação pelo ato covarde da TV Cultura por ter despedido a apresentadora Soninha! Primeiro quero dizer que não sou usuário de drogas, mas defenderei até a morte o direito de os usuários expressarem suas opiniões, inclusive apresentadores de TV como a Soninha. Com este ato covarde da Cultura, vocês perderam a oportunidade de encarar tal assunto de maneira sincera e sem hipocrisia. Discriminar a Soninha por tal declaração é discriminar o direito da livre expressão de todos os cidadãos brasileiros. O fato é que a maconha existe e é consumida em todos os estratos sociais, até mesmo pelos mais brilhantes pesquisadores nas melhores universidades desse país, inclusive na USP, na qual curso doutorado.

Tv Cultura, meus pêsames!!!!



Ana Paula
Juiz de Fora / MG – Advogada

Fumar maconha não é crime! A lei antitóxicos pune o ato de trazer consigo a droga, e não simplesmente o ato de fumar. Fumar maconha não é um ilícito nem penal e nem civil. E, não sendo crime, a Soninha também não pode ser acusada de fazer apologia a crime inexistente em nossa legislação. O jurista presente está correto. O assunto é polêmico e estimula opiniões apaixonadas. Os participantes do programa que pretendem partir para uma discussão séria sobre todos os aspectos do fato precisam, antes de tudo, buscar informações corretas também sobre suas implicações penais.



Goiany Gomes
Vila Velha / ES

A Soninha ao meu ver é uma apresentadora meiga, simpática e passa uma idéia de mulher frágil e delicada. Foi uma grande decepção saber que ela é usuária de maconha. É claro que é quase impossível acabar com as drogas no Brasil e em qualquer outro país do mundo; mesmo com políticas eficientes e sérias as drogas vão existir. Agora o que em nada ajuda no combate às drogas é o fato de pessoas públicas e articuladas como a Soninha se utilizarem de meios de comunicação de massa para se dizerem usuárias de drogas. A Soninha foi, no mínimo, de uma infelicidade extrema ao fazer isso. Ela deveria isto sim, se tratar em silêncio. Quanto a sua demissão sumária, embora seja sempre a favor do emprego, digo que a própria Soninha provocou tal reação da rede de televisão; que preferiu não ter no seu quadro de funcionários uma pessoa que grita aos quatro ventos que é usuária de uma droga como a maconha. Certos tipos de profissão exigem de quem as exerce um comportamento coerente e dizer que fuma maconha é muito incoerente.



Paulo Fernando

Soninha é inteligente, e certamente, formadora de opinião. No entanto, já temos tanto a combater... Alcoolismo, tabagismo, banalização do sexo... E aparece alguém usando drogas, revelando esse defeito? Ou será que isso não é considerado defeito? Infelizmente, a fama de Soninha agora está sendo ampliada. Talvez seja isso que ela queira...



Gláucia

Parabéns pelo programa, sempre oportuno. Parabéns, hoje, principalmente, à Soninha, musa de todos os que querem anistia para o vegetal fora da lei. Por que não debater publicamente um tema tão inquietante? E por falar em censura e debate, falar em violência gera violência? Todos os tabus devem ser silenciados? Apesar de ser grande admiradora da TV Cultura, considero que o encaminhamento desse caso foi um erro. Meus filhos adolescentes, que sempre assistiram ao RG, e que são ótimos alunos na escola e excelentes companheiros, não vêem nenhum problema em Soninha fumar maconha. Eles não pensaram em passar a usar maconha por causa disso, mas ficaram impressionados com a atitude da direção da TV Cultura.



Werden Tavares Pinheiro
Aracaju / SE

Lastimável vergonha. De atitudes repressoras como esta. Eu não fumo e nunca fumei a tal "cannabis sativa", mas numa época como esta de sociedade pós-moderna acho aceitável que as pessoas tenham a liberdade de fazer o que quiser. Não uso álcool ou qualquer tipo de cigarro. Acho que a intenção da Soninha era a quebra do estigma de "doente" dos usuários. A diretoria da Cultura tem com essa atitude mostrado a sua cara de "antiquada" e "repressora". Que país é este em que vivemos em que TVS "formam nossas opiniões" e outras batem o martelo de opinião tão retrograda? Com que cara eu, estudante de Comunicação Social, vou defender a TV e a Cultura em minhas palestras? A "boa" cultura nos ensina a aceitar a cultura dos outros, a cultura da repressão (da não-tolerância) nos transforma em senhores da razão. E assim seguimos a cartilha do "não-questionamento", somos arcaicos, e hipócritas. Escutamos Bob Marley, D2, Caetano, e não entendemos mais nada. Soninha não me induziu, nem me induzirá nunca a fumar maconha, muito menos Alvares de Azevedo com seu ópio, ou Elvis com "sua" cocaína. Só a falta de cultura me levaria a isso, a falta de cultura dos outros em me aceitarem não-fumante. "Assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido!" Deixemos a mediocridade, e passemos a aceitar mais os outros!

P.S. se um apresentador admitisse ser homossexual, outro "estigma nacional", seria demitido? Eu acho que com essa mediocridade que houve, sim!



Marcos M. Bosso
Campinas / SP

Eu acredito que a Soninha está sendo utilizada como "bode expiatório" de um tema extremamente polêmico. Sou fã dela e acompanho o seu trabalho há muito tempo. Não sou a favor do uso liberado da maconha, pois acredito que toda forma de droga que prejudique a integridade da pessoa e acarrete riscos para a sociedade deve ser banida, porém está mais do que na hora de nossos políticos revisarem as leis e atualizá-las de acordo com a atual realidade. O problema maior é o tráfico de entorpecentes que gera violência e tantos problemas que já estamos cansados de presenciar.



Tiago Filgueiras Pimentel

A meu ver, a demissão da apresentadora Soninha em função de suas declarações à revista Época trai o princípio sobre o qual esta instituição se erige, qual seja, "oferecer à sociedade brasileira uma informação de interesse público e promover o aprimoramento educativo e cultural de telespectadores e ouvintes, visando a transformação qualitativa da sociedade" (retirado do próprio site da emissora). A postura das declarações da apresentadora é impecável, mesmo depois das edições (que os espíritos vulgares chamam "deturpações") que transformam declarações em slogans sensacionalistas. Como apontava ela, de certa forma defendendo-se mesmo antes de ser acusada (e julgada), a hipocrisia é muito mais danosa que aquilo contra a qual ela se mostra intolerante.



Marcelo Villela
Brasília / DF

Pergunta para Soninha: você certamente deve lidar bem com o vício ou uso da maconha. Mas como pessoa pública e formadora de opinião do público jovem, como se colocaria se sua postura levasse outros adolescentes ao uso da maconha, com possibilidade de dependência grave e todos os problemas a isso relacionados?



Claudio Bonan
Administrador

Por que a TV Cultura, que sempre adotou postura imparcial sobre assuntos polêmicos, foi tão autoritária, não discutindo nem colocando em discussão?



Flávio Simonetti
Jornalista

Uma das muitas coisas ditas sobre o caso da Soninha nos últimos dias, inclusive por ela, é que ela não sabia que seria capa da revista, e que se soubesse jamais teria posado para foto ou dado declaração tão contundente. Gostaria de saber se essa não é uma atitude hipócrita, pois desde quando um veículo de imprensa tem o dever de dizer a seus entrevistados qual o destaque de uma certa matéria? Para tomar somente um exemplo, como seria se a Rede Globo tivesse informado de antemão aos policiais da Favela Naval em Diadema sobre o conteúdo da matéria que levou vários policiais a julgamento por assassinato? Como fica o furo jornalístico num caso como esse?



Rosaura

A pessoa responsável pelo caso Soninha é ela mesma, uma vez que se trata de uma pessoa adulta, que deve saber ou pelo menos deveria saber o que faz. Qualquer um pode fazer uso de maconha, mas não aceito que essa mesma pessoa faça programas na mídia para jovens. Quanto à TV Cultura, penso que agiu de maneira correta. E que defesa poderia ser feita por parte da apresentadora? Os fatos são de domínio público. O que ela queria explicar à emissora que confiava nela? Que a frase não era o importante? Que ela em seu programa não instrui, não forma opiniões? Para que servia então este programa? Hoje vi um jovem exibindo aos colegas, como um troféu, a frase "eu fumo maconha" recortada da capa da revista. Vai levá-lo a usar? Não sei, mas ele adorou saber que uma pessoa da mídia é usuária. Uma pessoa pública não tem direito de declarar que usa maconha. Muito menos uma pessoa que lida com jovens.



Ana Paula Habimorad

A Soninha conhece alguém que já morreu por causa das drogas? Ou acompanhou o processo de quem entra e não consegue sair?



Alexandre
Fotógrafo

O jurista Márcio Thomaz Bastos disse que fumar maconha não é crime. No sábado, dia 24 de novembro de 2001, o Diário de São Paulo publicou matéria, na página A7, sobre a prisão, em flagrante, de um sociólogo que fumava maconha dentro do Sesc Itaquera. O professor está preso até hoje. Se não é crime, onde é que o delegado arrumou argumentos para prendê-lo?



Roberto Araujo

Sim à discussão! A Soninha é ingênua de se expor assim, mas a Cultura é hipócrita e avestruz ao demitir a Soninha: isso significa demitir a própria discussão! E acho que a Soninha deve processar a Época por irresponsabilidade!



Ana

Caros, há poucos anos a Veja deu uma matéria de capa chamada "Eu fiz aborto", mostrando um enorme painel de mulheres famosas, incluindo Hebe Camargo. Até onde sei, aborto é ilegal, e nenhuma das mulheres em questão foi demitida. Por que Soninha?



Adê
Campo Grande / MS

Cara Soninha, este e-mail é para prestar solidariedade a você. Acho que sua postura na Época representa o pensamento de muitas pessoas, e você falou o que muitos têm vontade de dizer e não têm coragem. Sua postura foi exemplar, seu conceito para mim cresceu muito. Com relação à Cultura, perdeu, pela demissão sumária, sem direito a defesa. Espero que rapidamente consiga novo trabalho, quem sabe na assessoria de imprensa do Planet Hemp.



Leo Purri

Em um país onde leis colam ou não colam, homens públicos e instituições burlam publicamente leis e ética, um grande mercado mundial de álcool, calmantes, antidepressivos, a liberdade de expressão vira pó em empresa de telecomunicação?



Valéria
São Paulo

Sou estudante do 3º ano de Jornalismo em uma instituição reconhecida, dirigida por um ex-secretário de Cultura, professor e escritor. Tenho 25 anos e desde os 19 sou usuária de maconha, eu, meu namorado e meu grupo de amigos. Além de estudar, faço estágio em uma instituição jornalística. Moro no centro da cidade de São Paulo, com minha mãe e um irmão de 19 anos (um garoto tirado das ruas há cinco anos que hoje só nos dá orgulho)! Gostaria de participar, para dizer que realmente houve ingenuidade por parte da Soninha em acreditar que pessoas como nós poderíamos ser ouvidos com mais respeito e seriedade (confesso que na posição dela faria o mesmo). Quero dizer que eu e meu grupo, pessoas "normais" que têm família e responsabilidades, estamos sendo realmente vítimas de uma sociedade discriminatória. Fazemos uso constante da maconha inclusive na faculdade, nas dependências exteriores, claro! Mas o impressionante é que um grande número de pessoas faz o mesmo uso de maneira constante.

Pessoas jovens, inteligentes que estão buscando um espaço na mídia também e principalmente nos problemas mundiais. Eu e pessoas que conheço somos vítimas de uma polícia que extorque e penaliza de maneira brutal, por causa de um baseado (que, diga-se de passagem, realmente não provoca instintos violentos, e sim o contrário). Fui uma destas vítimas, paguei a um delegado R$ 260 para não passar por maiores danos em minha vida pessoal e profissional.

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