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OBSERVATÓRIO NA TV
OBSERVATÓRIO NA TV
TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30
Você pode participar ao vivo
DDG: (0800) 216-689
Fax: (021) 2232-3271
E-mail: obstv@tvebrasil.com.br
DOS TELESPECTADORES
Sueli Gillardi
Se Sônia é usuária de maconha e consome essa substância vez ou outra, seria de bom tom que isso ficasse retido em sua privacidade! Segundo a própria Sônia, vivemos num país onde as idéias são distorcidas. Ora, se ela é convicta disso, por que não ter uma atitude prudente, e se limitar ao silêncio? A maconha, como qualquer outra droga, causa danos à saúde. Portanto, sua declaração tem um peso substancial, principalmente entre jovens e adolescentes. Sendo ela uma apresentadora e formadora de opinião, deveria ter se mantido à parte. Pois causou um constrangimento à empresa na qual trabalhava, e, por que não dizer, ficamos todos escandalizados.
Ela estava consciente da repercussão de sua entrevista, e sabia segundo seu próprio depoimento à revista que tal declaração lhe custaria o emprego. Acho que se TV Cultura não tomasse uma atitude seria desconfortável para nós, pais, explicar aos filhos sobre os danos causados pela maconha e outras drogas mais pesadas. Ou não é sabido que a partir da maconha se procuram drogas com efeitos maiores quando esta já não leva às altas viagens? Parabéns à TV Cultura por sua atitude disciplinar.
Daniel Wood
Fiquei agradavelmente impressionado com a opinião de Carlos Vereza e a forma de expor o fato de que toda pessoa pública tem uma responsabilidade social. É irresponsável (pela própria formação da palavra), sem dúvida, assumir que a juventude está formada e tem preparo para decidir responsavelmente, em época de indecisão quase absoluta em suas vidas, e em meio a um sistema degradado como é o nosso, cultural e economicamente. Caso fosse socialmente aceitável tamanha irresponsabilidade, que é de fato anticidadã, não precisaríamos de leis como o Estatuto da Criança e do Adolescente. A prática privada de cada um é coisa diversa da vida pública. Se um apresentador não tem força de personalidade suficiente para estar próximo ao público e conservar-se ciente de sua responsabilidade pessoal na sociedade, é melhor que seja afastado. Isso não é advindo de uma posição "talibã" ou ligada a qualquer tipo de fascismo: fascismo, sim, é daquele que comete o disparate de achar-se livre de qualquer responsabilidade e falando as coisas por debaixo de uma capa de isenção que não existe, porque todo ato é social, todo ato é político, e reflete uma escolha que é de cada um, seja lá pelo que for.
Se as drogas falaram no lugar de Soninha na entrevista que ela deu, sinto muito por ela: cometeu um disparate que ela deveria tratar em particular com pessoas intelectualmente preparadas para tanto. Não se diga que o público brasileiro, já tão massacrado pela ignorância e pelo consumismo que o impede de pensar, pode ter uma boa visão de pessoas públicas a partir de uma revista como a Época, voltada para aqueles que pretendem saber algo sobre alguma coisa a partir de uma página. Se a Soninha não sabia o que estava dizendo quando falou, nem estava preparada para as conseqüências disso, infelizmente não devia ter aberto a boca.
O que ela demonstrou, contudo, é outra coisa, porque teve a chance de buscar reparação e demonstrar-se responsável. Mas dizer que isso é "desmascarar a sociedade" e por aí afora é um absurdo, principalmente quando lidamos com adolescentes, sempre maleáveis e prontos a desviar suas energias para qualquer tipo de ato que desafie o que está estabelecido... se bem que em termos de Brasil as coisas vêm sendo desestabelecidas a ponto de me deixar estupefato hora após hora. Não obstante meu interesse profundo na educação do ser humano e no desenvolvimento social do Brasil, não é fugindo de nossa responsabilidade que teremos um país melhor. É por isso que aplaudo Carlos Vereza e compreendo o que ele quis dizer com seu pronunciamento.
Augusto Nogueira
A Soninha foi vítima da Época. Se não fosse a Soninha seria outra pessoa pública a vítima. Entendo que a revista tinha a matéria e precisava de alguém famoso para fazer o marketing, ou seja, para vender. Entretanto, considero que a TV Cultura tem todo o direito de dispensar a apresentadora, como qualquer empresa dispensa um funcionário que não se enquadra no padrão da empresa. Gostaria também de fazer menção honrosa à participação do Carlos Vereza, que demonstrou conhecer o problema das drogas de fato, e não apenas como a maioria, que trata o tema apenas intelectualmente. Aos que não conhecem o problema de fato, sugiro visitarem algumas instituições que trabalham com a recuperação de drogados. A realidade é desastrosa, mas é preciso conhecer de perto e ver um drogado em sua fase de convulsões para entender do assunto de verdade.
Parabéns à TV Cultura pela abertura de espaço para discussão desse tema tão polêmico.
Heloisa C. Soares
Como repórter, creio ser um agente influenciador. Principalmente quando se trabalha com jovens, o depoimento influenciará em muito sua formação.
Aldo Novak
Soninha errou. Ela é muito inteligente, mas está dizendo absurdos. Como formadora de opinião, de enorme importância na mente de milhões de jovens, ela tem uma responsabilidade que supera em muito a própria liberdade pessoal. A TV Cultura agiu corretamente em demiti-la. Se ela julga que a revista errou, deve mesmo processar Época, mas uma emissora educativa tem que se pautar por regras muito mais rígidas do que uma emissora comercial. Ela merece mesmo todo o direito de defesa, o que me parece que esteja acontecendo agora, ou não está?
Julio César
Músico
Respondam uma só questão com a maior sinceridade e verdade possível: vocês acham que se todos os usuários e viciados em drogas confessassem o uso ou o vício no dia seguinte ainda existiriam profissionais em número e qualidade para colocar alguma emissora de TV do Brasil no ar?
Parabéns pelo ótimo programa!
A Cultura é um exemplo de mídia comunicativa e instruidora no Brasil! Assisto à Cultura desde meus 3 anos, e em toda a minha vida sempre achei a melhor emissora do mundo. Influenciou em meu caráter desde que eu assistia a Curumim e Bambalalão, e hoje me informa e esclarece com programação séria, inteligente e coerente. Tenho grande apreciação pela figura da Soninha e penso que ela é muito mais do que um outdoor, ela é sim uma pessoa sincera, inteligente.
Luzzio
Estive pela primeira vez hoje no site do Observatório da Imprensa, pensando em escrever a respeito do caso "Soninha", e me ocorreu uma idéia que, creio eu, não é nada original: criar um fórum no site em que as pessoas possam discutir os assuntos em pauta no programa. O conteúdo desse fórum poderia até ser vasculhado e aproveitado o que se achasse conveniente para o programa. Sobre o caso Soninha: o representante da Cultura disse, ao justificar a demissão da apresentadora, que a ela não teria isenção (ou credibilidade) para a condução de debates a respeito do uso das drogas.
Pergunto: e quem nunca teve uma experiência com as drogas, teria essa credibilidade? Vejo diversas vezes pessoas abordando assuntos sem noção da realidade, prejudicando qualquer tentativa de discussão realmente séria. Normalmente o bom senso, a coerência e a parcimônia não acompanham essas pessoas, exceção ao grande apresentador desse programa e a outros poucos.
Alexei Rodrigues
Não sou de levantar bandeiras. Tenho uma certa alergia a manifestações coletivas, dessas com cara de populares e espontâneas. Mas, metamorfose ambulante que sou, já participei de algumas. E nada me impede de vir a participar de outras. Como muitos de vocês, também caí no papinho global dos caras-pintadas vestidos de preto que, no embalo da Malu Mader e do Fábio Assunção, acreditavam estar vivendo, nas ruas do início da década de 90, o entusiasmo que a telinha mostrava em Anos dourados. Hoje, posso dizer com o peito inflado de orgulho canarinho que nunca ajudei a derrubar um presidente. Mas vi uma emissora de televisão faze-lo. Aliás, também a vi colocando-o no Planalto Central. Não vou dizer que todas as manifestações em que estive foram inúteis. Não. Mas de uns tempos pra cá, movimentos pela paz, pelo amor, contra o racismo, a favor ou contra o homossexualismo, passeatas pelos direitos humanos, velas nas janelas, sair de roupa branca, andar com os dedos em V, cabelo ao vento e sem lenço tampouco documento não colam mais. Pra mim, não. Elas me parecem mais histéricas que inteligentes.
Porém, um fato vem me chamando a atenção há algum tempo e agora, tomou uma forma consistente. Sólida. Minto: gasosa. Quando Soninha, a apresentadora maconheira, declarou seu gosto pela erva e foi despedida da TV Cultura, eu fui acometido de uma súbita vontade de sair pela rua em sua defesa. Não com a camisa do Bob Marley, gorrinho com a folha de maconha bordada, as cores da Jamaica na bermuda, chinelão e gritando legalize já. Não mesmo, apesar de não ter nada contra. Mas nem sempre maconheiro rima com maloqueiro. Gente comum, assim como você, também fuma. Gente como eu. Ou a Soninha. Não pensem que a conheço ou sou seu fã. Talvez, se cruzasse com ela na rua, nem a reconheceria. Mas, assim como ela, trabalho, pago minhas contas, tenho minha vida e sou maconheiro. E pasmem: nunca roubei, matei, estuprei ou abusei de criancinhas.
Me parece tão ignorante julgar uma pessoa pelas drogas que consome que custo a acreditar que ainda exista gente que o faça. Por que não legalizamos? Por que insistimos em ficar nessa hipocrisia de não legalizar ao mesmo tempo em que convivemos com adolescentes fumando nas esquinas em qualquer horário do dia? E não me refiro às esquinas longínquas e mal-iluminadas do subúrbio. Refiro-me à esquina de minha casa e da sua também, ô cara pálida. Confundir quem trafica com quem consome, bandido com trabalhador, o joio com o trigo não é mais um erro. É ridículo. Tanto quanto sair nas ruas, cheio de determinação e coragem, olhar esperançoso, roupas brancas, clamando por paz a plenos pulmões achando que aquele trombadinha que lhe roubou o relógio tem que tomar tiro na testa.
Ricardo
A TV Cultura precisa se tornar mais democrática, em se tratando de uma TV pública. Mesmo no Roda-Viva os participantes sempre têm tendências governistas. O Observatório assistiu ao programa com o cientista social Otávio Iani? Alguns entrevistadores estavam questionando posicionamentos de Lula e Otavio Iani teria muito mais o nos dizer.
Lúcio Moreira
Salvador / BA
Concordo que o caso Soninha é difícil de ser julgado Porém, o que me fez escrever este e-mail foi a declaração do ator Carlos Vereza, que me pareceu perturbado com a situação e insistia, de forma até grosseira, em dizer que a pessoa de mídia tem uma "grande" influência sobre o público e que com a entrevista dada à revista Época a apresentadora estaria incentivando o consumo da maconha. Ora, se seguirmos este mesmo raciocínio, apresentadores, artistas e afins que são gays não poderiam nunca admitir isso no ar, pois teríamos como conseqüência inúmeros telespectadores querendo "experimentar" outras opções sexuais?!?!
Como sabemos, não é bem isso que acontece; deveríamos estar mais preocupados com os inúmeros filmes de violência que invadem nossas casas, ensinando como se rouba um carro, como acessar informações em computador alheio, construir armas artesanais e muito mais que vemos por aí. Sem falar nas novelas "globais", das quais o Sr. Carlos Vereza também participa, que tem sempre um vilão fazendo inúmeras maldades e inclusive ensinando às crianças. Para encerrar: se existe um vilão nesta estória é a revista Época, e não a apresentadora. A TV Cultura está perdendo uma grande chance de, com a repercussão do caso, abordar o assunto de maneira inteligente, inclusive contando com a experiência da referida apresentadora.
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