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OBSERVATÓRIO NA TV
OBSERVATÓRIO NA TV
TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30
Você pode participar ao vivo
DDG: (0800) 216-689
Fax: (021) 2232-3271
E-mail: obstv@tvebrasil.com.br
DOS TELESPECTADORES
Rosângela Tomasi
Sou contribuinte. E acredito que, de certa forma, mantenedora da Cultura, TV do governo do estado de São Paulo; assisto a alguns programas de que gosto no referido canal, um bom exemplo de impostos bem aplicados. Não conheço a profissional Soninha (com 34 anos, penso que já pode ser chamada de Sônia). Mas em relação ao programa de 27/11, que trata da sua demissão, acredito que se ela trabalhasse numa emissora particular e a declaração dela na entrevista concedida desagradasse ao patrocinador, ela com certeza não permaneceria no programa e na emissora. Se for feita uma pesquisa entre os contribuintes acredito que a maioria (e na democracia conta a maioria) não gostaria de ver associado o uso da maconha a uma jornalista com o alcance que ela tem com seu programa.
Nota: maconha causa dependência. O dependente químico, quer da maconha, do álcool e de remédios, é uma pessoa doente. O organismo precisa deste recurso para viver bem, e a pessoa precisa de tratamento. Se o diretor do Detran, em campanhas públicas, alertar sobre os perigos do excesso de velocidade e em entrevista a algum jornal afirmar que dirige a 150 km/h, com certeza será afastado da função. A profissional expôs seu empregador a constrangimento com a declaração. Ela é inteligente e creio que tem experiência para saber como a mídia reage a tais declarações. Na minha opinião a administração da TV pode, no caso de julgar que o comportamento não foi adequado à função, demitir a funcionária. Não se pode criticá-la pela medida. A TV Cultura continuará sendo um bom exemplo de empresa bem-administrada com recursos públicos.
A televisão é formadora de opinião e um meio de educação do povo. Fiquei constrangida assistindo ao diretor da TV tendo que explicar a medida administrativa tomada, e mais ainda quando a apresentadora Xuxa foi mencionada por um dos participantes; não consegui aliá-la a qualquer profissional, programa ou linha de trabalho da TV Cultura.
Miguel Saad
Sou professor universitário (de Comunicação), em São Paulo, e acabo de assistir ao programa sobre o caso Soninha. Parabéns por ter dado esta oportunidade à apresentadora, já que a TV Cultura, até então, havia sido extremamente omissa. Não compreendi, porém, o convite àquele ator grosseiro da TV Globo, que foi extremamente infeliz nas suas colocações "pessoais". Além disso, achei que o programa limitou um aprofundamento no debate com a restrição de tempo para cada convidado. Teria sido melhor com menos entrevistados e mais tempo para cada um. Gostaria também de dizer que, com a divisão em blocos, o programa (o debate) se fragmenta um pouco, mas entendo que isto é para satisfazer o espectador brasileiro.
Carla Carvalho
Recife / PE
Na minha opinião, a TV Cultura foi correta em sua atitude. Não sou contra a utilização da maconha. Acho que o uso não-exagerado é problema só e unicamente de quem o faz. Mas a discussão não é esta. A Soninha é uma pessoa pública, por opção, e como tal deve se situar em seu contexto de trabalho. Ela fazia parte de uma TV pública e acima de tudo educativa. Trata-se de um espelho de confiança e credibilidade perante seu público, jovem, e que muitas vezes ainda não tem maturidade para se limitar quanto à utilização dessa droga. Já pensou? "Porque a Soninha, uma pessoa que eu admiro, fuma, também vou experimentar." Só que esse jovem não sabe parar e se torna um viciado. "Qual o problema? Usar maconha educa, sabia?! A Soninha fuma, também vou fumar pra ser igual a ela." Sem exageros. Ela pode fazer o que quiser e bem entender da vida pessoal dela, mas daí a tornar públicas suas atitudes está associando seus "feitos" ao seu trabalho, que é quem a torna pessoa pública. Mas errando é que se aprende. Isto serve para pensarmos mais na imagem de quem está associado a nós e pensarmos no que vamos dizer, antes de falar ao público. Afinal, ele também merece respeito e mais atenção!
Pedro Angelo Simões Camin
Parabenizo a atitude da TV Cultura de despedir a Soninha. Essa jovem, no meu entender, está sendo muito protegida pela mídia... atitude muito "paternalista" da imprensa que pretende ser isenta. Estou decepcionado com o programa e a forma como o apresentador está tentando induzir uma "absolvição" da referida apresentadora, parcial por demais. Outros programas, sempre os assisti com gosto. Neste instante, estou achando chato e que não acrescenta nada. A apresentadora não é tudo isso que querem a ela creditar e esta discussão e este assunto já estão esticados por demais.
Suzana Reiter Carvalho
Santos / SP
O caso pode ter uma solução que interesse a todos. A Soninha poderia resolver deixar de fumar a maconha (deixando isso bem claro), a TV Cultura poderia recontratá-la (dando-lhe a oportunidade) e a população em geral seria beneficiada com a discussão e com o final feliz. Pensemos bem nisso e torçamos para a melhor conscientização da sociedade.
Ah, e parabéns ao Carlos Vereza pela ponderação e o bom-senso.
Cláudio Antônio Soares Lopes
Se uma pessoa qualquer confessar publicamente que discrimina uma outra pessoa pela cor da sua pele estará cometendo um ato ilícito? Provavelmente sim, porque as leis existentes no país determinam que atos e manifestações racistas são ilegais, o que não significa que não existam pessoas racistas no país. Fumar maconha, de acordo com a legislação atual é ilegal, e uma pessoa qualquer que declare publicamente que fuma maconha está cometendo um ato ilícito da mesma maneira daquele que declara praticar o racismo.
Sem entrar no mérito se a maconha deve ou não ser liberada, se faz mal ou não à saúde humana, se as políticas de combate ao tráfico e consumo de drogas são eficazes ou não, isto é assunto para legisladores e especialistas. Pelas leis atuais, tráfico e consumo de entorpecentes são crimes previstos no Código Penal. Quando uma apresentadora de televisão vem a público dizer que comete uma ilegalidade, no caso faz uso de maconha, é corretamente punida pela instituição a que pertence por ter confessadamente cometido um ato ilegal independentemente de sua natureza.
Ver pessoas da mídia fazerem a defesa de ato manifestadamente ilegal me leva à preocupação a respeito do entendimento ou do objetivo dessas pessoas. Acho que as ditaduras começam assim, quando grupos de pessoas, aproveitando o poder que têm, de mídia ou de armas, começam a contestar e descumprir as leis existentes, de acordo com suas conveniências. É bom refletirmos sobre isto.
Reginaldo Vasconcelos
O Observatório da Imprensa de anteontem foi imensamente infeliz, pela inglória e absurda tentativa de proteger, de si mesma, a inditosa jornalista Soninha. O nosso inoxidável Alberto Dines não conseguiu disfarçar a sua parcialidade no debate, quando interrompeu o abalizado depoimento do ator Carlos Vereza sobre os efeitos nocivos da maconha, e quando, já no encerramento do programa, clamou pela reversão da severa medida punitiva, que ele taxou de "injusta", tomada contra a Soninha pela TV Educativa.
Comecemos por essa imputação de injustiça, que não tem cabimento quando uma empresa decide demitir um funcionário. A demissão é um ato administrativo normal e rotineiro, que não requer justificativa. O ente público ou privado tem suas normas internas e o poder discricionário de dispensar os seus contratados, desde que cumprindo as obrigações previstas pela legislação trabalhista. Ademais, o argumento que reclama pelo direito de defesa da jornalista não procede. Que defesa pode ter alguém que é réu confesso? Disse na imprensa que consome droga ilícita, fazendo questão de frisar que não o faz premida pela circunstância patológica da dependência química. Não: consome a droga por pura desobediência civil, com isso estimulando pessoalmente o seu cultivo e o seu comércio, gravemente condenados pela legislação penal. Saber desse seu hábito já seria motivo para a empresa demiti-la. Mas a isso some-se o fato de que a moça foi inopinadamente à grande imprensa confessá-lo, expondo seu empregador à censura pública.
Acrescente-se agora o fato de que a Soninha vendia, através da entidade patronal, a imagem de ídolo juvenil, apresentando exatamente um programa para adolescentes na emissora educativa do país. Que defesa ela pode ter? Que defesa tem alguém que comete uma falta inequívoca e o declara às escâncaras? Dizer que os jovens não são bobos e não se vão influenciar por ela? Dizer que o consumo da maconha faz mal e provoca desgraças, mas é "tão bom!"? Dizer que o seu objetivo era influir para que a droga, reconhecida como nociva pela comunidade científica internacional, tenha o uso liberado pela legislação brasileira? Ora bolas! Isso tudo ela já disse, mas nada disso tem o condão de socorre-la. Os males provocados atualmente à saúde da população mundial pelas drogas lícitas são 100 vezes maiores do que os que as drogas proibidas provocam. Mas se estas deixarem de ser proibidas vão superar o álcool e o tabaco muitas vezes, no seu poder destruidor, já que além dos danos físicos interferem na química do cérebro de forma irreversível.
Esse dado demonstra quão absurda é a tese da descriminação, defendida pela jornalista Soninha na sua entrevista à revista Época, além da confissão do hábito criminoso – pois se quem presencia um crime e não reage nem denuncia é conivente com ele, imagine quem o estimula, adquirindo para consumo uma substância que tem a sua produção, a sua posse, o seu porte e a sua venda rigorosamente proibidos. Absurdo maior foi a desastrada alegação do jurista convidado para o debate, o qual argüiu em defesa da Soninha que "não está escrito em lugar nenhum que fumar maconha seja crime". Essa afirmação é um sofisma inominável, de quem não faz a hermenêutica correta, destorcendo o espírito da norma, para fazer valer um argumento falso. Se a legislação proíbe a produção e a comercialização de uma substância, está claro que visa coibir severamente o seu consumo. Consumi-la justifica a internação hospitalar compulsória, em caso de dependência irresistível, e a demissão por justa causa, quando tratar-se de consciente insubmissão social. Não é crime porque é uma prática contra a própria saúde, e a saúde pessoal não é um bem indisponível. Mas a saúde dos funcionários, seja física, mental ou social, é questão de interesse da empresa empregadora. Lamento.
Nei Diaz
Os muitos que erraram: errou Alberto Dines ao pautar um tema tão "inflamado" e encher o programa de participantes, a ponto de não se conseguir entender direito o que a pessoa queria dizer (já que a ditadura do tempo curto tolhe qualquer raciocínio). Colocar no ar programas entupidos de entrevistados e com tempo faz bem ao jornalismo? Duvido. Aliás, o que fazia Carlos Vereza no estúdio do Rio? Representava as Organizações Globo? Ora, ora, ora... Sejamos sérios ao menos uma vez na vida! Quanto aos erros da TV Cultura... Dines anda meio mal-informado sobre a TV Cultura. Os últimos meses da emissora têm sido marcados por um corte brutal na programação e pela deterioração na qualidade do seu jornalismo. O jornalismo opinativo praticamente sumiu, dando lugar à pauta informativa. Foram criados, para suprir a falta da opinião, telejornais com entrevistados que padecem do mesmo problema arrolado acima: a ditadura do tempo, que tolhe raciocínios e opiniões (principalmente essas).
Os buracos na programação da TV Cultura têm sido preenchidos com uma farta reapresentação de programas velhos e programas produzidos por outras emissoras educativas. Outra coisa que sumiu do noticiário da TV Cultura foi a crítica ao governo federal e ao governo estadual. Sobram as propagandas eleitorais para ambos. O fato é que a deterioração da programação da TV Cultura é flagrante e acompanha o nível de deterioração de outras emissoras abertas. A única diferença é que a TV Cultura é paga com dinheiro público.
Nenhum telejornal da TV Cultura questionou o descuprimento por parte do governo federal da ordem judicial que mandava pagar aos funcionários em greve o salário de outubro. Nenhum telejornal da TV Cultura noticiou as suspeitas envolvendo as obras do Rodoanel em São Paulo. Nenhum telejornal da TV Cultura noticiou as suspeitas de maquiagem dos índices de violência no estado de São Paulo.
Nos telejornais informativos a isenção jornalística lembra a do Jornal Nacional. Nos jornais opinativos a ordem é fugir da polêmica. Nisso tudo só se salva o Amorim (e com puxões de orelha)! Finalmente, erramos principalmente nós que colocamos na mão dessa gente um poder que ela não sabe e não merece exercer.
Nelson Roberto Niero Filho
O programa é muito curto. É a hora mais inteligente e prazerosa da TV brasileira. Mesmo quando não concordo com nenhum dos entrevistados, termino o programa bem comigo mesmo, sabendo que respeitaram minha inteligência. A Cultura acertou na decisão que tomou. Tem horas que precisamos agir e não titubear. Soninha não é boba, é jornalista da grande imprensa e sabia como as coisas são. Um detalhe que não foi abordado: qual a pauta da matéria? Pessoas "famosas" que fumam maconha e têm sucesso profissional e/ou dinheiro? Não li a revista. Não consigo ler Época ou Veja, me dão asco... Com a globalização, sem diploma, o monopólio global de um lado e do outro os pastores da ignorância. Caminhamos rapidamente para a mediocridade completa. O trabalho do OI ajuda a manter uma luz de esperança no bom jornalismo e na democracia.
Telma Regina Coimbra Serur
Gostaria de saber por que essa pesquisa da Soninha tem respostas tão restritas? Por que vocês não deixam um espaço em branco para "outros"? Tipo: um dos culpados pela demissão da Soninha é a hipocrisia que reina neste país? Como jornalista, com 25 anos de carreira, já tendo trabalhado com muitos políticos, sei – tenho certeza – que muitos deles, por exemplo, gostam de cheirar umas carreirinhas, porque ficam mais dispostos, falantes e sem bafo de maconha, para não darem bandeira. E tem os que gostam mesmo é de um fuminho. Inclusive em diversos cargos públicos, membros de poder etc. Não falavam que o Collor tem nariz de platina? Só que ele jamais vai dizer isto. Faz parte do jogo, que é manter sempre as aparências, mentir sempre, acima de tudo. Negar sempre.
Bill Clinton disse que já deu uma fumadinha. Duvido que tenha sido só uma. O fato é que tudo é cortina de fumaça. Soninha achou que podia se abrir, ser sincera, num país de calhordas, hipócritas. Ingenuidade? Vontade de ver alguma mudança? Se inventassem a maconha sem cheiro seria uma revolução: todo mundo se empapuçando, sem ninguém saber o que está acontecendo. O problema é só o cheiro. Bandido que fuma maconha não vai ficar bonzinho; ele vai continuar bandido. Se for assassino, vai continuar matando. Se for um cara que trabalha, sabe de suas responsabilidades, sustenta a sua casa, qual o problema? Só porque é contra a lei? E países como Holanda, Canadá e Inglaterra, esta última já descobrindo os efeitos medicinais da maconha?
Carlos Vereza já era um bolha. Papo-furadão, xaropão. Deve ter fumado muito e amoleceu os neurônios; agora fica com esse papo babaca de censor. Distorce a verdade, jogando indivíduos diferentes, usuários, numa vala comum. E ele, bebe muito? Se entorta de barbitúricos, para agüentar sua própria chatice? O papo é outro, mas parece a tal da discussão do fim do diploma para jornalista.
Quero ver mediquinho, advogadinho e engenheirinho, de canudo na mão, dividindo-se entre consultório-escritório-obra para encarar uma jornada de trabalho de cinco, seis, sete horas numa redação. Todos os dias. Papo furado. Querem escrever de vez em quando? Aparecer no jornal? Então vão ser colaboradores, que é para isso que essa figura existe no jornal. Os patrões estão adorando: vão minar nossa base de sustentação, implodir nossas garantias trabalhistas, vão acabar com o piso salarial (que nem é teto), desarticular a categoria, unicamente com o propósito de pagar baixos salários, de manipular profissionais ao seu bel-prazer. Além do que os jornais enxugaram suas redações (aqui no Paraná fechou a sucursal da Gazeta Mercantil e todas as outras, nos últimos anos).
Hoje, um jornal pode fechar sem jornalistas: é só apelar para a internet, agências de notícias e, se mesmo assim não tiver nada de bom, pode contar que as assessorias dos governos despejam nas redações diariamente calhamaços de releases (propaganda), que sustentam os jornais, falando inverdades, distorcendo o que é real, maquiando o que não precisa ser visto claramente. Tudo é hipocrisia e manipulação! Essa proposta nojenta, que se esconde por trás de uma suposta maior liberalidade para a manifestação do pensamento, só serve aos interesses do capital. É lesiva, abusiva, de má-fé. Por que não se abre a discussão sobre os motivos pelos quais jamais os jornalistas terão controle sobre os meios de produção, que, na esmagadora parte das vezes, está nas mãos de grupos políticos e empresariais?
E, finalmente, como fica a cara de pau do ministro da Educação, depois de haver liberado o funcionamento de trocentos cursos de Comunicação Social, até de forma totalmente incompatível com as necessidades de mercado? Como eles pretendem equacionar a questão dos prejuízos que os alunos tiveram, bancando os custos de sua escola, para depois ficar de mão abanando? É uma vergonha. Tem cursos, como um de Curitiba, universidade mesmo, que anuncia na TV escrevendo últimos sem acento agudo. Imagine o que eles ensinam lá. Pobreza de espírito, pobreza de conhecimento, miséria humana. A começar por essas cabeças que só têm em mente a destruição do país, da nossa gente e das nossas instituições (escola, inclusive). Que entreguem tudo para os estranjas e fechem as portas. Assim, quem sabe, batendo fundo e duro, o povo acorde. Finalmente, antes que seja tarde.
P.S.: Se a Soninha precisar de uma força, posso fazer um empenho, para tentar ajudá-la, com o meu salário, congelado há sete anos como funcionária pública, e contar umas histórias que sei que ela vai chorar, porque, no serviço público, sou jornalista, mas não no cargo, ficando à mercê de lotações em serviços totalmente estranhos à atividade de jornalista, toda vez que o patrão acha que você passou dos limites. Aí, um ano você trabalha como jornalista, no ano seguinte te colocam para atender balcão em vara criminal, no outro, te colocam de oficial de justiça para entregar intimações, no outro você vira assistente social, encaminhando jovens infratores, e, se der sorte, pode ficar mais um ano como jornalista. Até a próxima greve. É por isto que jornalista tem que ser neutro? Ficar em cima do muro? Porque senão quebra a cara.
Ana Paula
Queria dizer que ontem vi o programa de vocês e fiquei de queixo caído. Quer dizer que os jornalistas, figuras tão críticas, que vivem buscando furos em cima da vida dos outros, principalmente dos famosos, são míopes quando o assunto os atinge? Que beleza, hein? Ao jornalista Alberto Dines queria, com todo respeito, dizer o seguinte: se eu dou aula numa universidade federal, chego lá e falo aos alunos que fumo maconha, estou na rua. Não tem nem discussão... Qual é a dúvida? Quem tem um conhecimento mínimo da legislação brasileira e é ético sabe disso. Repito: qual é a dúvida? Por que com a Soninha seria diferente? Maconha é ilegal, avançar sinal, roubar, traficar etc. também. Até que se diga o contrário, essa moça está não só afirmando que faz algo fora da lei como, e isso deveria ter sido dito ontem, está bancando o tráfico de drogas.
Ou vocês jornalistas, corporativistas sim, "não sabem" que o dinheiro vai para algum traficante? Tal jornalista que defendeu a Soninha não é ingênuo a esse ponto. Então, o bate-boca de ontem soou muito hipócrita. Muito deprimente. Acho que só advogado de criminoso, mães de criminosos e viciados defendem viciados. Quem consome droga alimenta o tráfico. Como vai fazer discursinho de que quer curtir a sua liberdade? Essas pessoas que consomem droga e os que as apóiam (sabe-se lá por que motivo...) deveriam viver um mês na favela para ver o que é realidade: todas aquelas crianças e adolescentes envolvidos com o tráfico, com a vida destruída porque tem gente pra comprar e "curtir sua privacidade". Curtir "um barato" com os amigos. Pois é...
Achei deprimente ainda a postura da apresentadora, que fica se fazendo de vítima. Mas como o Brasil alimenta a mediocridade ou a banalização da impunidade, logo logo um amigo jornalista arranja um emprego pra ela... Só dou graças a Deus que não seja a TV Cultura, que está de parabéns. Fora Soninha!! Nossa geração agora é mais esperta. Quer viver mais. Não quer se destruir. Essa moça tem é que se tratar.
Renato Cohen
Aprecio e admiro o trabalho de Alberto Dines em prol de uma mídia mais honesta. Porém o programa sobre o caso Soninha passou dos limites: não restrinjam o tempo de fala dos participantes. Só faltou dizerem: "1 minuto para falar, 30 segundos de réplica e 15 de tréplica". Percebem que sempre os convidados perdem a paciência com as constantes interrupções? Diminuam o número de convidados! Não há problema, queremos discussão, e não depoimentos pela metade. Lembro-me que Noam Chomsky disse, a respeito de um famoso programa de entrevistas da TV americana (Nightline), que propositadamente nunca os entrevistados tinham mais que 30 segundos para uma resposta, ou seja, as idéias transmitidas eram sempre simplistas. Recebam minha crítica de espírito aberto.
Verônica
Excelente o programa exibido e a reflexão que despertou. Só achei que a revista Época foi muito covarde em não participar da discussão.
Almir e Cristina Zancul
Acho que, entre outras, uma outra questão a ser discutida, no caso do consumo de uma droga ilegal, é o fato de que quem consome está contribuindo para o tráfico de drogas. Quem compra maconha estimula o tráfico, e essa não é uma questão de ponto de vista.
Silvia Garcia
Não pude me abster de comentar o programa do dia 27/11/01. O caso Soninha foi tratado num contexto em que as partes oponentes manifestaram-se mantendo a harmonia e a boa educação, devo dizer que a mediação foi perfeita. O tema está distante do tom alienante que alguns insistem em atribuir-lhe, influenciando direta ou indiretamente a vida de um sem número de pessoas independente do nível socioeconômico. A atitude equivocada não foi peculiaridade de apenas uma das partes. O pontapé inicial foi dado pela jornalista, que esqueceu que o profissional de mídia tem vida pública e não deve expor seus conflitos em contextos inadequados. A negligência quanto à inteligência emocional foi confundida com espontaneidade, e bastou um toque de publicidade para acender o estopim.
Típico exemplo da contra-cultura oriunda da ditadura, a apresentadora não soube tratar a liberdade de expressão com harmonia, faltou maturidade profissional e pessoal, já que qualquer profissional não é avaliado apenas pela competência técnica. Por outro lado a empresa TV Cultura falhou quando tratou o caso sem acionar um departamento social que cuidaria do problema, como em qualquer empresa organizada: um funcionário não é simplesmente dispensado por ser usuário de drogas. Acontece antes de tudo uma tentativa de recuperação, o usuário é tratado como um doente digno de respeito e de maior atenção, não apenas por altruísmo. Ela poderia ser afastada temporariamente da tela. Sob o signo de que a imagem maculada da apresentadora feriu os princípios éticos da empresa, acabou vestindo Soninha de heroína, e assistimos da primeira fila ao desfecho.
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