OBSERVATÓRIO NA TV

 

OBSERVATÓRIO NA TV

TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30

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DDG: (0800) 216-689
Fax: (021) 232-3271

E-mail: obstv@tvebrasil.com.br

 

MÁRIO COVAS
Cerimônia de adeus
(*)

Alberto Dines

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Este programa tem uma tônica: a controvérsia em torno do papel da mídia. Mas hoje não teremos controvérsias nem debates. Vamos tratar de uma unanimidade. E uma unanimidade num terreno que se situa além da mídia, mas é a essência da atividade jornalística – a busca da verdade. O Observatório da Imprensa se associa ao luto nacional pela morte de Mário Covas e aqui vamos prestar uma discreta homenagem a um ser humano de grande dimensão, que pautou sua vida perseguindo a verdade e pagando o preço de ser verdadeiro. Inclusive na longa agonia que, em nenhum momento, escondeu ou escamoteou.

Acostumados a ver a política associada à dubiedade, às vacilações e à hipocrisia, a figura de Mário Covas se recorta nitidamente deste cenário, e isto ficou claro nas poucas horas que transcorreram desde sua morte. A mídia de repente esqueceu seus interesses comerciais e jogou-se de corpo e alma a mostrar não apenas as celebridades, mas o cidadão anônimo que larga seus afazeres para prantear um morto que sequer conhecia, embora dele tenha um enorme orgulho. Só os grandes homens têm este dom de irradiar grandeza e transferir magnitudes. Covas é um deles. Digo "é um deles" no presente, e não "foi um deles", no passado, porque a verdadeira dimensão humana não pode ser afetada por uma alteração orgânica.

Covas não está vivo, mas existe. Não foi o político paulista que nos deixou, foi um estadista. Se não chegou a ser um chefe de Estado, nós o consagramos agora nesta condição. Se aquela eleição de 1989 não tivesse o desfecho que teve hoje certamente estaríamos em melhor situação.

A edição de hoje do Observatório da Imprensa pretendia debater a celeuma entre a mídia e os dirigentes esportivos, com a presença do deputado Eurico Miranda nos estúdios da TVE. O assunto fica adiado para a próxima terça-feira. Em lugar do Observatório, a TV Cultura apresenta uma mesa comandada pelo jornalista Paulo Markun, com flashes ao vivo do velório no Palácio dos Bandeirantes. Enquanto a TVE reapresenta um especial de Roberto D’Ávila com Mário Covas, realizado logo após a primeira cirurgia, em 1999.

Vamos nos limitar a esta breve manifestação. Cerimônia de adeus a um homem de verdade, homenagem à própria verdade.

Boa noite.

(*) Editorial do programa Observatório da Imprensa na TV, nº 142, no ar em 6/2/01



DOS TELESPECTADORES
Jonas Medeiros

Caro Alberto Dines, gostaria de saber sua opinião sobre alguns fatos que vêm ocorrendo nos últimos dias.

1) No caderno especial Tudo sobre a Folha, do dia 18/2/01, na pág. 6, Mario Sergio Conti escreve: "Seja como candidato, seja como presidente, Fernando Collor de Mello sempre considerou a Folha um jornal inimigo."

2) Hoje (3/3/01), Luís Nassif escreveu, em sua coluna no caderno Folha Dinheiro: "De maneira geral, a grande imprensa utilizou o mesmo procedimento (embarcar na candidatura de Collor), com exceção da Folha, que desde o início foi crítica da candidatura alagoana."

Isso considerando que Octavio Frias de Oliveira falou, em entrevista à sua excelente coleção Histórias do poder, que a Folha via com simpatia a candidatura de Fernando Collor de Mello, quando questionado se a Folha se posicionou a favor de Collor. É uma grande contradição os jornalistas da Folha não assumirem esta posição. Seria uma jogada de marketing para nos fazer crer que o jornal foi contra Collor "desde o início" (uma falácia)? Como o senhor vê esses casos? Não é uma vergonha?



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