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OBSERVATÓRIO NA TV
OBSERVATÓRIO NA TV
TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30
Você pode participar ao vivo
DDG: (0800) 216-689
Fax: (021) 2232-3271
E-mail: obstv@tvebrasil.com.br
CORRUPÇÃO SISTÊMICA
Oportunidade para ir até o fim (*)
Alberto Dines
Bem-vindos ao Observatório da Imprensa. Se você ainda não fez as contas, aqui vai o número preciso: este Observatório já tratou nove vezes da questão dos vazamentos de processos sigilosos, grampos e transcrição de fitas. Nosso site na internet, mais antigo, tem pelo menos 12 grandes dossiês sobre o assunto. Em todas as oportunidades, nossa posição é clara, transparente, inequívoca: para que uma informação seja considerada peça jornalística ela precisa ser apurada e checada por jornalistas.
Agora, quando parte da imprensa se levanta contra o vazamento de informações sobre as diligências policiais nos escritórios da empresa de Roseana Sarney, em São Luís, nossa posição não pode ser diferente. A antecipação das informações para os semanários foi incorreta.
Nós temos autoridade para dizer isso. É nossa obrigação ficar atentos ao desempenho da mídia. É o que o público espera de um programa como o nosso. Aqueles que sempre consideraram os vazamentos como "jornalismo investigativo" não têm esta autoridade moral. Além de grosseira incoerência, denota perigoso engajamento de jornalistas – teoricamente isentos – num vale-tudo eleitoral.
É preciso registrar que as diligências da Polícia Federal foram feitas dentro de rigorosos trâmites legais. O Ministério Público acionou a Justiça Federal, que por sua vez autorizou as diligências da Polícia Federal. E o resultado desta diligência produziu o aterrador flagrante daquele milhão, trezentos e quarenta mil reais encontrados nos cofres de uma pequena empresa de consultoria num dos estados mais pobres da Federação.
Sem a ajuda da imprensa, a luta para erradicar a corrupção jamais terá resultados. E se a imprensa quer se engajar na luta contra a corrupção é indispensável que abandone os preconceitos partidários e as jogadas pessoais para encampar todas as denúncias, e não apenas aquelas que interessam a este ou àquele veículo ou jornalista.
O relativismo moral e o moralismo relativo são absolutamente imorais. É bom não esquecer que sobre a imprensa também pesam suspeitas de favorecimento, sobretudo no âmbito da imprensa regional, onde as oligarquias políticas são ao mesmo tempo cartéis de mídia. A corrupção, assim, torna-se sistêmica, perene e impune. Precisamos aproveitar esta preciosa oportunidade para ir até o fim, desmantelando tanto os currais eleitorais como os alto-falantes que lhe dão proteção. Este Observatório está fazendo a sua parte.
(*) Editorial do programa Observatório da Imprensa na
TV, nº 188, no ar em 12/3/02
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