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OBSERVATÓRIO NA TV

 

OBSERVATÓRIO NA TV

TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30

Você pode participar ao vivo

DDG: (0800) 216-689
Fax: (021) 221-0566

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PARA COMEÇO DE CONVERSA
Editoriais de A.D. na TV

Editorial – programa 56 – 25/05/99

Nosso assunto de hoje é outro. Mas não podemos deixar de registrar o barulho da edição da Folha de São Paulo, hoje, terça-feira. O jornal publicou um resumo das 46 fitas que resultaram do grampo no BNDES e que mostrariam que o presidente da república ajudou a favorecer certos grupos no leilão da Telebrás no ano passado. Por ora, temos que observar o seguinte: a presidência deveria ter rebatido pronta e cabalmente as acusações implícitas na manchete da Folha. Respostas deste tipo não podem ser delegadas a terceiros. Quanto à matéria da Folha observamos o seguinte: não houve referência alguma na primeira página ao editorial em que o jornal reconhece que a obtenção da informação foi irregular. O leitor precisava ter a sua atenção chamada para essa questão. Registramos também que não houve nenhum esforço do jornal para oferecer o outro lado. Também não houve investigação: O jornal simplesmente foi o receptador das fitas de uma fonte anônima a quem interessava a sua divulgação e as transcreveu. Se é esse o comportamento suficiente e correto vamos discutir proximamente. Vamos tratar hoje de nós mesmos -- a rede pública de TV. Alguns setores da sociedade estão ficando incomodados com a evidência das emissoras educativas ou culturais e começaram a chiar. Bom sinal, sinal de que a mídia privada começa a sentir-se ameaçada por este polo alternativo. A primeira manifestação surgiu na semana passada quando um jornal de S.Paulo levantou a suposta "ilegalidade" da veiculação de comerciais na TV-Cultura. Decidimos discutir abertamente essa questão para mostrar as diferenças de atitude entre emissoras voltadas para o interesse público e uma certa mídia interessada em explorar a boa-fé da opinião pública.

 

Editorial – programa 55 – 18/05/99

Você deve ter reparado que as CPIs e suas revelações sensacionais saíram das primeiras páginas no últimos dias. Mas as CPIs continuam em funcionamento. A constatação tem vários significados. O primeiro deles é que a imprensa parece que está a reboque: movimenta-se quando os outros poderes se movimentam. Isso nos leva a algumas perguntas: nossa imprensa ainda sabe investigar? Ou ela só funciona quando acionada por outros interesses? A questão nos conduz a outras -- devem os jornalistas confiar cegamente nas suas fontes? E, quando os jornalistas confiam demais, não se estabelece uma perigosa relação de dependência? Se um político começa a aparecer demais no noticiário pode ter a certeza de que está assistindo um toma-lá-dá-cá: em troca dos vazamentos, a retribuição pelos favores prestados. Essa é uma discussão que você não pode ignorar, ela diz respeito à credibilidade da imprensa.

 

EMAILS:

 

Mensagens recebidas entre 25/05 e 1/06

CARTAS:

Ely Bueno Cunha, Rio de Janeiro
Aos apresentadores do excelente programa "Observatório da Imprensa"

Saudações,

Apreciadora dos vários programas da TVE que assisto com assiduidade e enorme interesse, venho a presença de ambos na qualidade de jornalista amadora – Curso de Jornalismo de Extensão Cultural, com um ano de duração – parabeniza-los pelas apresentações da área jornalística, onde se reaprende matérias de suma importância com as chances de conhecer, pela TVE, jornalistas bastante respeitados. Nesse último programa que lembrou os saudosos tempos do jornal "Correio da Manhã" do corajoso e fantástico Paulo Bittencourt, os convidados presentes citaram outros jornais daquela época que empregariam o mesmo estilo (coragem, independência, impetuosidade e total liberdade nas idéias e opiniões) e não entendi porque silenciaram sobre o excepcional jornal "Tribuna da imprensa" de minha preferência. (...)

 

FAX:

Romeu Ferreira Ribeirinho, São Paulo
Não seria interessante que se promovesse a oitiva da sociedade via fone/fax/carta/e-mail, criando órgão ouvidor em parceria – ABI/ABERT/Conselho Regulamentação/Representantes dos Ministérios – Justiça Comunicações? A partir da maioria de reclamações/impugnações chegadas da sociedade – classificadas por temas – seriam analisados os casos considerados prementes – impondo-se os pareceres como regulamentadores, caso a caso, criando jurisprudência que só seria alterada caso provocados novos pareceres? Caso considere a proposta válida, como poderemos trabalhar por ela? Como promover sua implantação e divulgação?

Sandra
Adoraria parabeniza-los pelo sucesso e audiência e também solicitar que me tiram algumas dúvidas sobre a mídia propriamente dita: quem é manipulado nesta enorme bola de informações? As grandes massas ou os veículos de comunicação pelos nossos líderes? Por que, ao que nos parece, todas as vezes que está para acontecer algum fato "bombástico" – politicamente me refiro – as grandes e pequenas emissoras colocam um par de "óculos cor-de-rosa" nas massas que infelizmente são condicionadas e impulsionadas involuntariamente a assistir fenômenos sexuais como Carla Perez ou Tiazinha do H e também futebol ou carnaval. Isso só consegue atingir às pessoas que menos têm senso crítico, é uma pena! Porque a mídia deveria estar ao lado do povão e não o atropelando. O que é conseqüência do quê? Quem é o verdadeiro vilão da história?

Sérgio de Souza Tôrres, Rio de Janeiro
Dado o enorme poder político, conseqüência do econômico, dos grandes conglomerados de informação, que tiraram do jornalismo sua função de coletar, analisar e divulgar fatos, transformando-o em fomentador/farejador de escândalos e tragédias; dado que o assim chamado Jornalismo Investigativo pode se constituir em instrumento de coerção de adversários ou concorrentes; dado que a investigação é prerrogativa do Estado; a liberdade de imprensa – pelos excessos – não pode se transformar em ameaça à sociedade?

Suely Carvalho, Cabo Frio / RJ
Prezados Senhores debatedores,

O povão quer cultura! De "incultura", eles já estão saturados. Este mesmo povão, tenham certeza, quer assistir, por exemplo, o programa "Direito em Debate", para saber seus direitos. Os "Ratinhos" da vida nada acrescentam. A TVE é fundamental na formação de opinião. Os anunciantes tem que ser ligados à cultura, como por exemplo: livrarias, jornais.

Grata

Willian Barros, Fortaleza / CE
Em prol da qualidade na programação das TVs públicas, é mais do que justo que sejam veiculados comerciais. As TVs privadas que se cuidem!!! Parabéns à TVE e TV Cultura!

Devanir Ferreira, Ribeirão Pires / SP - Publicitário
Assisti a um comercial de produto na TV Cultura. Achei estranho ver um anúncio de telefone celular. Não era propaganda institucional. O sr. Jorge da Cunha Lima, que já foi empresário de publicidade, poderia nos dizer: propaganda de produto, em TV pública, pode ser veiculada?

Juvenal Marques Jr, São Sebastião / SP
O que é certo, as TVs educativas, as quais eu assisto, abrirem espaço para algumas propagandas para a sua sobrevivência e as demais que tem suas concessões limitadas por leis e não cumpridas apresentando o nível baixo até hoje. Já que educação e cultura são necessidades primárias como alimentação, moradia etc, ou não são, porque as TVs comerciais com seus lucros não são taxadas de uma porcentagem para a suficiência das TVs educativas? Ou essa idéia é comunista?

Fernando Mello, Franca - Estilista
Venho através deste expressar minha indignação ao ver estes empresários se preocuparem com os poucos neste país que realmente estão fazendo o que eles deveriam estar fazendo, que é levar cultura e educação à comunidade brasileira que é tão carente. Estes empresários na maior parte dos casos adquiriram seus veículos através de barganhas políticas, com certeza não estão nem um pouco preocupados com cultura e educação, estão, sim, preocupados em ter seus lucros afetados. Tenho certeza que toda sociedade brasileira sabe da importância e da qualidade da TV Cultura e nós jamais podemos permitir que o poder que destrói este país com canais de TV que só levam violência e imoralidade para os lares brasileiros, venham nos tirar o direito de ter acesso a tudo o que eles não proporcionam que é cultura, educação.

Luís Claudio, Rio de Janeiro - Estudante da UFRJ
Pergunta a Alberto Dines

A invasão da publicidade privada nas TVs públicas não resultaria no fim do conteúdo qualitativo das programações destas? O aumento de verba nas Tvs não deveria surgir de outras fontes?

Fábio Martins Affonso, Rio de Janeiro
Caros membros do Observatório,

Gostaria, primeiramente, de agradecer a vocês pela exibição de um belo programa, o que, atualmente, é raro. Em relação aos temas debatidos, é óbvio que as Tvs públicas devem buscar recursos através da publicidade para que possam manter a crescente qualidade em sua programação.

Obs: Gostaria de uma consideração do Dines a respeito desta questão: Em um país onde as elites lutam para manter uma massa de energúmenos, a exibição de programas que mostram a realidade e geram cultura, não seria perigosa e por causa disto é que estão usando este tema da publicidade para enfraquecer as Tvs públicas?

E-MAILS:

Jacyntho Salviano, Minas Gerais
Acho que devem abrir a discussão acerca das outras Tvs espalhadas pelo Brasil a fora. Já que o programa está em rede. As tevês educativas nada mais são que cabides de empregos dos governos estaduais. Aqui em Minas fala-se até em corredor de 4 em 4 anos. Muda o governo, demite-se todos, muda a cara da TV, para defender o novo dono da cadeira do Palácio da liberdade. Deve-se tomar cuidado hoje para não transformar o Observatório da imprensa em porta voz da TV Cultura de SP. Mas concordo que o assunto deve ser debatido. Desde que seja para todas as tvs educativas do Brasil...

Vocês estão discutindo um tema importantíssimo, mas a partir de uma realidade que existe apenas na TVE e na Cultura de SP. Onde existem conselhos curadores que norteiam eticamente essas televisões. Mas no restante do país se a lei de 1967 for modificada pode virar um pandemônio. Imagine centenas de tevês regionais espalhadas pelo Brasil a fora que são dirigidas por deputados, senadores e seus apadrinhados. Aqui na TV Minas que é grande muda-se o perfil a cada mudança de governo? A realidade da TV Cultura de SP é bem diferente das tv educativas do restante do País. Pode parecer conservadora a minha opinião. Mas pelo contrário. Acho que TV Cultura de São Paulo deveria ser modelo obrigatório para todo país. Assim as tvs educativas não serão mais canais de informação, porta-vozes dos governos estaduais. Chamado jornalismo chapa branca!!!

Vocês acham que é possível fazer jornalismo responsável, pensando única e exclusivamente no interesse público quando a televisão é dirigida por pessoas ligadas aos governos estaduais?? Na TV Cultura de SP dá. Porque existe um conselho curador. Mas e pelo Brasil a fora?

Roberto Galassi Amaral - Administrador
Prezados Senhores debatedores,

É necessário explicar ao representante da Abert e a outros que compartilham suas idéias que TV pública é pública e não estatal. Se é pública é a sociedade que deve financiar sua atividade. E é esta a grande diferença com relação à rede privada, pois para ela o interesse é apenas privado e não público. É necessário ressaltar que há um conjunto expressivo de organizações da sociedade civil que hoje capta parte de seu orçamento com a iniciativa privada e nem por isso deixam de atender sua agenda que é pública. Pergunto ao representante da Abert, esta postura está a serviço de quem?

Maristela Cardoso, Novo Hamburgo / RS - Estudante
Pergunta ao Sr. Jorge da Cunha Lima:

Parabéns por incluir comerciais institucionais nos intervalos da TV Cultura! Com a inserção de publicidade regular na extraordinária TV Cultura, essa emissora não poderia, em benefício da ciência, da filosofia, e da universidade brasileira, incluir conferências de alto nível de notáveis homens e mulheres de ciência, arte e pensamento brasileiros e estrangeiros (penso no seminário que, nos anos 70, o psicanalista-filósofo Jacques Lacan ofereceu na TV estatal francesa, seminário aliás intitulado "Télévison")? Desejo-lhe saúde, felicidade e que continue a ajudar, com tanto interesse e com tanta competência profissional o povo brasileiro ou, pelo menos, a parcela dele que deseja aumentar o repertório cultural e a sensibilidade artística, teórica e científica, assistindo a programas televisivos de grande qualidade.

Caroline Almeida
Olá a todos,

Sou estudante de jornalismo e, quanto a divulgação de comerciais na programação da TV Cultura, acredito que, se não é a saída ideal para permitir que a emissora permaneça no ar, é a mais viável enquanto o Estado não se responsabilizar dignamente por ela. A pergunta que não cala pra mim quanto ao assunto é: até que ponto uma propaganda institucional pode prejudicar a recepção de um programa que é educativo, informativo, enfim de uma grade de programação que permanece exatamente a mesma, com conteúdos cada vez melhores. Um comercial institucional pode fazer tão mal assim à saúde dos telespectadores da TV pública? Não defendo a utilização dos comerciais da tv pública, mas, se órgãos governamentais já fecharam seus olhos diante dos sérios problemas administrativos que a TV Cultura já passou há pouco tempo, por que não buscar outras alternativas? Isso passa a ser uma questão de instinto de sobrevivência da TV.

Obrigada pela atenção

Fabiano Trigo, Sertãozinho / SP
É sabido de poucos neste país, mas as emissoras de rádio e televisão são isentas de impostos, como ICMS, por exemplo. Com o pretexto de devem manter independência, as emissoras privadas realizam contratos milionários e não pagam um tostão sequer aos cofres públicos. O pior é que além de não pagarem impostos, cobram dos governos, para a divulgação de propagandas, até mesmo de interesse popular, como campanhas de vacinação, campanhas de prevenção, etc. Se não bastasse, prestam ainda, um desserviço ao país e a população, fazendo campanha contra a veiculação dos horários políticos gratuitos, o único meio democrático de divulgação de idéias e planos políticos. Tenho uma proposta. Por que não desobrigar o horário gratuito em troca do pagamento dos impostos, e direcionar esta arrecadação às televisões públicas? Com certeza, o valor arrecadado será alto o bastante para colocar muitas TVs públicas em primeiro lugar no IBOPE.

Alair Fragoso, Pompéia / SP
Sou totalmente a favor das propagandas nas TVs públicas, assim como os Governos pagam propagandas nas TVs comerciais, qual o problema da propaganda para ajudar a manter a TV pública. Sabemos que é difícil o governo arrecadar tantos impostos e ainda quer aumentá-los, porque não deixar essa manutenção das TVs pelos patrocinadores?? O dinheiro destinado para as TVs pode ir para os hospitais que estão no caos e as Tvs podem continuar a manter a boa qualidade de programas que tem hoje. É muito melhor que privatizá-las.

Reinaldo Ferreira, Itatiba / SP
Gostaria de Perguntar ao Jorge da Cunha Lima:

Há um anúncio na TV Cultura de uma companhia aérea que é, sem dúvida, comercial e não institucional. Se isso ficar corriqueiro, não se corre o risco de dar ao governo o argumento de que TVs públicas não precisam de verba pública? E desse modo, um massivo investimento privado tornar-se-ia forte pressão sobre o que vai ao ar ou não? Cito o exemplo de que nos últimos anos não se debateu na imprensa o endividamento do Estado. Isso porque os bancos são grandes patrocinadores de TVs e, ao mesmo tempo, beneficiários da atual política econômica. Obrigado.

Wlad Farias, SP – Dir. e Apres. Progr. Internetando - Canal Comunitário
Gostaria de convida-los a ampliar a discussão abrangendo também os Canais Comunitários. Levados ao ar pelo terceiro setor e que não contam sequer com o apoio que o governo dá às tvs educativas. Elas sofrem ainda mais pois são mais restritas, mas são, sem dúvida nenhuma, alternativa a uma programação massificada e muitas vezes de péssimo conteúdo artístico e social. O mercado disputa verbas de apoio e investimentos da iniciativa privada a programas educativos e culturais. No momento em que estamos às vésperas de uma nova discussão do formato de apoio cultural vale a pena ressaltar a necessidade da liberdade do mercado em poder anunciar em projetos e propostas que tenham relevância social e cultural.

Roberto Willians de Santana, Rio de Janeiro - Sociólogo
Caro Alberto Dines e os demais debatedores,

Estamos assistindo na verdade, um falso dilema na medida que o que está em jogo, não é o grau de monopolização da mídia brasileira conforme existe na legislação americana e o direito à antena como há na legislação francesa??....

Atenciosamente

Sara Eduarda, Curitiba / PR - Coordenação Técnica Canal Comunitário
Uma Tv pública incomoda muita gente! Imagine então várias tvs públicas, incomodam muito mais! Além das tvs de rede nacional, os canais comunitários também vêm enfrentando dificuldades de construir sua programação. Aqui em Curitiba estamos no ar teimosamente desde agosto/98. A lei que regulamenta o terceiro setor será a nossa saída para buscar apoios culturais? Acho que o representante da ABERT demonstra seu preconceito às tvs públicas ao mencionar que não temos audiência. Temos e teremos muito mais, pois fazer programação de qualidade interessa à população!

Fernando A.C., Curitiba / PR
Caros senhores,

Estou orgulhoso de ser brasileiro, dentre alguns poucos motivos, cito sem qualquer dúvida, de ser um assíduo espectador de uma das melhores emissoras de TV do mundo (sem exageros) !! Da TV Cultura e de suas parceiras TVEs. Salve toda a equipe da TV Cultura. Nota 99 para que não parem de buscar o melhor. Fico agradecido às ainda poucas empresas que gastam um pouquinho de sua verba publicitária em campanhas institucionais na TV Cultura. Na minha opinião deveria, de toda a verba publicitária dos governos Federal, Estadual e Municipal, um percentual ser gasto nas TVs Públicas (não menos de 30%). Em tempo, convém lembrar que o "povão" está, via de regra, em elevado grau de ignorância, mas burro não é e gosta de informação limpa e digerível sobre sua realidade.

Parabéns ao Observatório da Imprensa.

Robson Fontenelle
Boa Noite!

Sou editor numa TV pública que sobrevive de uma fundação com recursos da Prefeitura de Itabira, Minas Gerais. Nossa luta na tv, que tem sido vitoriosa, é provar que a tv é pública e comunitária e não estatal. Tem que estar em benefício do público e não de interesses do governo ou de grupos comerciais. Temos dificuldades financeiras e estamos procurando conhecer as formas com as quais TVE e Cultura estão levantando dinheiro para sobreviver. Mantemos um nível bom de jornalismo e estamos cada vez mais discutindo nosso papel na TV e na comunidade. E venho insistindo em investir cada vez mais no jornalismo com a compra de links, a produção de programas ao vivo de debates sobre os problemas da comunidade. Logo Pergunto: - Como sobrevivermos sem recursos num mundo onde a tv é cada vez mais rápida, dinâmica e usa de recursos poderosos com helicópteros, carros com equipamentos caros teleguiados e via satélite. Quer dizer que porque somos tv pública (Rede Cultura) não podemos investir e dispor dos recursos disponíveis ( publicidade institucional e merchandising cultural) ?

Patrícia Rodrigues
É uma pena, mas acho que a tv privada está preocupada com o abandono dos anunciantes que provavelmente preferem vincular seus produtos de acordo com a ética imposta pela TV pública. Particularmente, todos os anúncios que vejo na TV Cultura, da qual sou telespectadora de carteirinha, são de elevado bom gosto. Aliás, bom gosto atinge a todos, não só aos 'intelectuais', ou 'eleitos' que adoram seus umbigos..... obrigada pelo espaço.

José Luiz
Boa noite,

Acabo de assistir ao debate sobre propaganda nas TVs Cultura e Educativa . O que acontece é que a "grande mídia" está preocupada com a popularidade desta TV alternativa e está querendo bagunçar, não satisfeitas em contaminar milhões de pessoas com programações calhordas! Que se faça o debate, venceremos! Tenho TV a cabo e a comum, pois assisto a vários programas de vocês e incentivo meu filho e minha mulher a vê-los. Entre todas estas opções, as TVs Educativa e Cultura são as melhores . Qual das outras tem um Sem Censura , um Observatório de Imprensa , um Castelo Rá Tim Bum, Documentários, MPB, Jazz, Samba, Cinema, Educação? Vocês são um oásis no mar de lama da TV Brasileira! O Dines tá certo quando diz que não é só a "elite " (as aspas são minhas) que assiste, rebatendo insinuações do filho daquele apresentador ...

Abraços,

Vinicius Araujo - Jornal Comércio da Franca
Assisti ao programa da última quarta-feira (25/05/99) e gostei do que vi. O programa Observatório da Imprensa é muito útil para se discutir a comunicação brasileira nesta transação de milênio que vivemos. Espero continuar assistindo a este programa que tem um grau de excelência reconhecido no Brasil.

Rodrigo Garcia, SP – Est. jornalismo da Univers. São Judas Tadeu
Olá amigos,

Na segunda-feira (24-05), por volta das 22 horas, na TV Record, estava sendo apresentado o programa do Goulart de Andrade. O tema era o roubo e o comércio de veículos. Confesso que não acompanhei o programa do início, mas em determinado momento os repórteres foram a Foz do Iguaçu, com um carro importado e se passando por ladrões, procuravam um contato para levar o carro ao Paraguai. No dia seguinte, do lado paraguaio da Ponte da Amizade encontraram-no e foram até um depósito de carros roubados, onde seria fechado o negócio. Dentro deste depósito, a câmera oculta que carregavam, filmou vários veículos brasileiros, que se tratavam de golpe em seguradoras. Ofereceram pela perua Renault dos repórteres US$4000, o que eles rebateram tentando elevar o preço do veículo. Porém em determinado momento um dos paraguaios pega a chave do carro e diz confiante, esse carro é alugado (vejam o amadorismo). Em seguida o repórter diz que vai sair, que precisa pensar um pouco, então a câmera corta e quando volta já estão dentro do carro e o repórter dá a seguinte notícia:

- Nossa equipe foi descoberta. Estamos agora fugindo do Paraguai, por sorte estamos próximos à ponte. Porém nosso contato não conseguiu fugir e ficou nas mãos dos bandidos. Não sabemos o que será feito dele (o texto não é uma cópia na íntegra, mas o contexto é esse). Agora eu pergunto, que tipo de reportagem é essa? Nunca vi tanto amadorismo numa investigação. Eles pensaram que estavam lidando com amadores? E o pior, colocaram uma vida em risco, deveriam ser punidos por isso. Correto? Gostaria muito de ver algum comentário sobre o assunto, nos próximos programas. Gostaria também de dizer que concordo com a veiculação de propagandas comerciais nas TV Públicas, desde que não interfiram na programação. Inclusive acredito que há produtos, que só poderiam ser anunciados nas redes públicas. Alguém por acaso já viu propaganda de Instrumentos Musicais em TV Privada? (um exemplo).

Um abraço a todos.

Marcelino Yuki Tanaka
Ao programa Observatório da Imprensa,

Eu tive o prazer de assistir a parte do vosso programa transmitido no dia 25/05/99. O tema levantado foi bastante interessante e gostaria de expressar a minha aprovação quanto à programação da Rede Pública, no caso, à Rede Cultura de Televisão, que apresenta programas de muito boa qualidade. Sou plenamente favorável à veiculação de propaganda na rede pública, mas gostaria de fazer uma pergunta relativa àquela pesquisa (tema do 1° bloco do programa). A propaganda transmitida pela TV Cultura passa por alguma forma de "controle de qualidade"? Ou seja, existe alguma restrição às propagandas que apresentem teor de baixa qualidade ou inadequado para o público em geral? O que eu estou perguntando e ao mesmo tempo sugerindo é que a propaganda das redes públicas seja de tão boa qualidade quanto o são os seus programas. Por exemplo, não permitindo cenas apelativas, ou que comercializem produtos de baixa qualidade, etc. Não estou querendo ser nem moralista ou utópico, mas creio que seria uma questão interessante a ser analisada. Outra sugestão, seria abrir espaços publicitários para campanhas beneficentes. Por exemplo, permitindo que a APAE, faça campanha para angariar fundos. Mesmo que seja apenas em forma de boletins, pois estas instituições sobrevivem em condições de carência e também têm pouco amparo do Estado.

Atenciosamente

Sergio Galuppo, Campinas / SP
Anteontem tentei me comunicar no 0800 na hora de debate mas só deu ocupado. Minha sugestão é que deveria ser criado um imposto na TV particular, para subsidiar a TV Cultura. O imposto deveria ser gradativo como o é o imposto de renda. Quanto mais medíocre a programação mais imposto. Já que a concessão é estabelecida pelo governo, ele poderia criar normas, para que esses privilegiados donos de TV ajudassem um pouco, patrocinando a TV Educativa, a educar um povo semi analfabeto. Assim poderíamos criar patamares de 10% do faturamento bruto, 25 % com adicional de 10% como é a tributação de renda para pessoa física. Segue cópia do e-mail que mandei para a Rede Globo na semana retrasada com cópia também para várias emissoras de TV assim como para o Ministério da Justiça, Comunicações e Procuradoria Geral da República:

Há muito tempo tenho observado o desserviço que a televisão brasileira (com exceção da TV Cultura) vem prestando ao País. De um modo geral as televisões exploram o sexo, erotismo, promiscuidade, violência, drogas homossexualismo etc...quando não, estão voltadas a assuntos fúteis que não acrescentam nada à educação e crescimento dos verdadeiros valores humanos. Não há dúvida que a televisão exerce influência tanto para o bem quanto para o mal no comportamento humano, principalmente em um País onde a maior parte da população não tem escolaridade nem sequer do primeiro grau completo. É sabido que quanto menos cultura um indivíduo possua, maior é o risco tomar decisões erradas. Na verdade, quando a televisão entra em nossos lares, ela está praticando uma espécie de "invasão domiciliar, trazendo muitas vezes em suas mensagens, maus exemplos de conduta e da moral. Fiquei estarrecido quando assistindo ao Jornal Nacional ouvi o repórter dizendo que o enfermeiro usava 20ml de "cloreto de potássio" na veia dos pacientes da UTI para matá-los, inclusive que após algum tempo seria impossível o IML determinar que a morte ocorreu em razão do uso deste produto. Acho que um jornalista não precisa dar detalhes para ser fiel ao seu juramento. Basta dizer "usava uma injeção letal " e pronto; a notícia está dada. Muitas pessoas irão morrer no futuro (com cloreto de potássio) em virtude dos ensinamentos dados pelo Jornal Nacional. Não sou a favor da censura, mas acho que certos princípios deveriam ser mantidos. Nem todas as pessoas estão preparadas para ouvir tudo, principalmente as que estão voltadas para o mal. Sou dentista há 27 anos, e até então, desconhecia que essa dosagem de cloreto de potássio seria suficiente para matar. Antes do Fantástico ter exibido os "Skin heads" da Alemanha, nos não tínhamos no Brasil tanta violência, guerra de gangues em bailes de periferia, etc....(apesar de a Alemanha possuir milhares de coisas interessantes que dignificam a natureza humana...mas essas coisas quase ninguém mostra ). Logicamente as TVs não são responsáveis por tudo de errado que está acontecendo por aí, mas elas têm na minha opinião sua parcela de culpa. Elas poderiam ajudar a minimizar esta situação, usando suas programações para educar um povo quase que completamente alienado. Estamos no que estamos pelo desamor, pela paternidade irresponsável, pela falta de religiosidade, pela corrupção impune, pelo desemprego, fome, desintegração da família, falência da moral, banalização da ética etc... etc... e tal. A televisão poderia trabalhar no sentido de educar para que uma série de coisas ruins que ocorrem no nosso País fossem aos poucos eliminadas. Como é que uma criança observando um crápula chutar a imagem da Padroeira do País através do vídeo de uma TV poderá no futuro ter respeito por algo? Vocês já viram algum Judeu profanar um templo Cristão ou de qualquer outra religião que seja em algum lugar do mundo? Sabem porque não o fazem? Porque eles têm berço, educação, princípios e principalmente família. No Estado de Israel em respeito a 3% da população Cristã que lá habitam, foi proibida a exibição de dois filmes: Je vous salut Marie e A última tentação de Cristo. E aqui? Certa ocasião, há muitos anos atrás, ocorreram inúmeros assaltos seguidos de homicídios na Rodovia dos Bandeirantes, próximo a uma região de periferia do município de Campinas. Os marginais atiravam pedras nos vidros dos carros e assim que estes paravam eles praticavam os assaltos e homicídios. Se não estou enganado, mataram desta forma 17 pessoas. Após serem presos, foi designado pela Assistência Judiciária Gratuita um advogado amigo meu para defendê-los. Quando este advogado foi ao presídio dizendo que estava ali para defendê-los e que queria saber o porque faziam isso, os dois que eram irmãos responderam: a vida inteira a gente quis ter as coisas; a vida inteira a gente quis ter carro; casa; roupa; comida, mas a única coisa que encontramos foi emprego de um salário mínimo. Daí, um dia a gente estava vendo televisão e um repórter perguntou para o Presidente: Se o senhor ganhasse um salário mínimo o que o senhor faria? O presidente respondeu "que daria um tiro no ouvido." Aí a gente pensou... o que? Eu me matar? Eu não,... eu vou é dar um tiro na cabeça dos outros, assaltar, roubar para poder ter as coisas que quero. Vejam como as palavras impensadas de um Presidente da República pode ter talvez (sem intenção é claro) influenciado esses indivíduos. Me desculpem, mas estou cheio de ver asneiras. Um querendo fazer campanha para arrecadar dinheiro para seqüestrador. Outro divulgando que pegaram os seqüestradores através do clipe nas cédulas. Um entrevistador mal educado que interrompe a resposta do entrevistado quebrando e desvirtuando o raciocínio do assunto. Porque vocês acham que o maníaco do parque conseguiu matar todas aquelas moças? Porque ele é mais bonito que o Leonardo DiCaprio ou porque elas, pobres, sem estudo, oriundas de lares desestruturados e sem perspectiva de futuro queriam uma vaga de modelo, manequim ou talvez na banheira de algum apresentador? Como ficou o Japonês dono de uma escola maternal que foi levianamente acusado pela TV, de prática de abuso sexual com criancinhas? Estou cansado de ver a TV dar ênfase para bandido, entrevistar traficante etc...e até querer verba do Ministério da Cultura para fazer filme sobre vida de bandido. Existem tantas pessoas boas, dignas, verdadeiros heróis nesse País como os Bombeiros, Professores etc... mas poucas TVs se interessam em exibi-los. Porque? Lamento muito, já passou da hora da Televisão Brasileira ser mais inteligente e responsável, e do Governo estabelecer melhores critérios quanto às concessões.

Roberto Ribeiro
Prezados Senhores,

Até que ponto pode a mídia (ou mais especificamente uma empresa jornalística como a "Folha de São Paulo") explorar com recursos sensacionalistas para ficar em evidência e vender mais?.. Compactuar com criminosos que praticam atos ilegais como um grampo telefônico?... Violar a privacidade pessoal fofocando aos quatro cantos o teor de conversas alheias? ... E servir-se de instrumento para que aqueles bandidos que praticaram o crime atinjam o seu objetivo inconfessável? O jornal exagerou, seja no tamanho da reportagem com várias páginas querendo conferir-lhe um status de dossiê, seja no envolvimento que se desejou atribuir ao presidente (as palavras deste eram falas banais como: "não" ...."também acho" ...."certo"...etc.). A "Folha", além de dar uma interpretação (e manchete) tendenciosa, não se preocupou em ouvir a outra parte (o governo). Não quero entrar no mérito se o que o presidente e seus assessores fizeram foi certo ou errado, mas no método utilizado para a reportagem. De agora em diante teremos vários grampeadores profissionais vendendo suas gravações ilegais para a imprensa?

Atenciosamente

 

Mensagens recebidas entre 18/05 e 25/05

Luis Izidio, Rio de Janeiro
Dines, poderíamos atribuir o tratamento dispensado por Veja ao Cinema Nacional ao polo cultural do país, ou seja, Rio, já que a revista tem base paulista?

Mauro de Queiroz
Prezado Alberto Dines,

Assisti com muito interesse, como de resto aos demais programas, o que foi ao ar no dia 11/5 e reprisado recentemente. Diante de uma mesa rica, porque composta por vários representantes ilustres do jornalismo e de várias regiões do país, me perguntei, lá pelas tantas: E os educadores?!? Porque não são chamados a se manifestar a respeito de questões que dizem respeito a população que compõem a sua clientela?!?! Sempre fui um observador, como todos aliás, do que a TV tem nos mostrado, ou não. Do papel subtrativo que a imprensa brasileira passou a cumprir a partir dos anos da ditadura, da linha tendenciosa que algumas emissoras dão as notícias que veiculam, como a TV Globo. Numa semana acena para o caos iminente, o aprofundamento da crise e, duas semanas depois, diz que os indicadores mostram uma retomada do crescimento, como que fosse possível, a economia de um país se comportar como um Io-Io.... Indo e vindo a cada quinzena... Vejo coisas como a divulgação da cotação do dólar no "Câmbio Paralelo" num país onde o câmbio é livre, segundo as autoridades monetárias... E não vejo a cotação do grama da cocaína, ou de escrava branca no mercado europeu... Algum órgão mais nobre como um rim ou um coração... Vejo isso tudo e me pergunto: A quem tudo isso interessa?! Será que interessa ao povo brasileiro?!? Percebi no programa que havia uma cautela enorme por parte de alguns dos entrevistados ao se aproximarem de alguma coisa que eles chamam de censura. Percebi que nenhum deles foi francamente a favor de uma regulamentação clara, como aquela que se vê no Estatuto do Menor e do Adolescente. Vemos, ao contrário, uma TV permissiva, ensejando uma sociedade promíscua... A programação que ia ao ar em horários após as 22:00h, vai hoje ao ar as duas, ou três da tarde. E sem que seu conteúdo seja alterado... Vemos a amante do amante da amante da novela das nove de então, hoje ser exibido em matinê... O que seria da Tiazinha ou a Carla Perez e seu Tchan, sem a permissividade e conivência das emissoras de TV. Vimos episódios como o da Xuxa, que teve seu ingresso na TV norte americana vetado, pelo alto grau de erotismo dela e das paquitas com seus shortinhos reduzidos. Vimos ainda mais recentemente a saída prematura do Paulo Henrique Amorim do ar, com os seus excelentes programas e não houve explicação para o fato. Porque um programa que tem sua audiência crescente sai do ar?!? Acho que interessa manter uma Censura Específica, da qual não se fala e manter uma liberdade de expressão que não traga qualquer ameaça a alguns setores da sociedade organizada. Gostaria de sugerir aos senhores que, a título de enriquecimento do programa, não tivessem apenas jornalistas analisando as questões da censura ou do que deve ou não ir ao ar, neste ou naquele horário mas que além de jornalistas, convidassem Educadores que podem fazer a sua narrativa, trazendo a influência da exibição maciça de violência e de erotismo que hoje vemos e o seu resultado nas salas de aula. Posso até, a título de colaboração, sugerir os nomes das professoras Ana Cristina Barreto Leite e Beatriz Rocha, ambas do Colégio Pedro II, unidade Umaitah I. Elas poderão trazer o seu depoimento e deixar claro que censura não é tudo. Mas educar necessariamente, é trazer limites para o comportamento e a convivência, coisa que já não acontece na nossa sociedade neo-colonizada. Aproveito para parabeniza-lo pelo corajoso e valoroso trabalho e enviar meus protestos de elevada estima e consideração...

Atenciosamente...

E. Ando
O Jornal Hoje, da Rede Globo, noticiou, na edição do dia 21/05/99, que o Brasil deixa de arrecadar R$ 800 bilhões de impostos por ano !!!! ???? Ou seja, valor equivalente ao próprio PIB do país. Portanto, de acordo com o Jornal Hoje, a carga tributária no Brasil seria maior do que o próprio PIB, que é uma coisa inédita até mesmo em países comunistas. A dupla Giuliana Morrone / Sandra Annenberg deveria ser indicada para receber o prêmio Nobel da "economia" pela fantástica "descoberta" e inovação em "economia" !!!??? O fato é que o Secretário da Receita Federal declarou que existe valor equivalente a outro PIB do país que não é alcançado pela tributação (por diferentes impostos e alíquotas), o que é muito diferente de se afirmar que o valor da arrecadação seria equivalente a 100% daquele valor, como foi noticiado pelo Jornal Hoje.

Renato Delmanto - Editor do Caderno de TV do Jornal da Tarde
Caros amigos, parabéns pelo programa, que abre espaço para discutir a ética da nossa profissão. Foi impressão minha ou o Jornal Nacional de sexta-feira (14/5) não noticiou o grid de largada da prova Rio 200? Ao menos no bloco em que se falou de futebol (Flamengo e Palmeiras) e dos treinos em Mônaco, nada foi dito. Qual seria a razão? O fato de a prova da Indy ser transmitida pelo concorrente SBT? E a notícia de uma prova da Indy ser realizada no Rio, não é importante? E o fato de um brasileiro ser pole position, também não? O telespectador da Globo não merece saber dessas coisas?

 

Mensagens recebidas entre 11/05 e 18/05

Ana Lúcia Amaral, São Paulo / SP
Em princípio, seria mais adequado que as empresas de comunicação se auto-controlassem. Mas a experiência tem demonstrado que o auto-controle tem a ver com o grau de maturidade das partes envolvidas. As nossas TVs não estabelecem uma competição, que poderia permitir uma forma de controle, mas uma padronização, uma homogeinização, nivelando tudo por baixo. A tudo se acresça o baixíssimo nível de escolaridade do povo de um modo geral, que torna difícil a possibilidade de se compreender a mensagem que é passada, de se fazer um juízo crítico, e daí se fazer uma escolha, do que será visto ou não. Liberdade de expressão com responsabilidade. Comunicação é serviço público! Um mínimo de regramento precisa haver, ao qual todos devem se submeter.

Rafael Fhai
Ao Sr. Dines

Não fica a cargo do chefe da família, que tem a responsabilidade de educar seus filhos, escolher a programação e os horários que seus filhos assistirão a tv? O controle por algum órgão governamental ou órgão da comunidade não implicaria em uma educação em massa passada a população?

Rita Slompp, Curitiba / Pr

Sendo a TV um veículo de comunicação em massa, a preocupação deveria ser com a população que não sabe distinguir o que é bom ou ruim. Os programas "apelativos " não empobrecem também culturalmente as pessoas?

Robson Fontenelle, Itabira / MG – Jornalista
Gostaria de dirigir uma provocação aos debatedores: - No momento em que o Governo a portas fechadas discute a regulamentação do rádio e tv, a TV Manchete é vendida pelos seus fundadores controladores - Grupo Bloch - mesmo estando sob júdice com o Grupo IBF – que há 7 anos teria comprado a empresa. É sabido que a lei proíbe a venda de uma concessão pública. A venda, apontada como solução para a sobrevivência da empresa levada à falência pela incompetência administrativa da família Bloch ( afirmo com conhecimento de causa visto que fui funcionário daquela casa por 5 anos e lesado pelo sr. Pedro Jack Kapeller- o Jaquito- e sua filha Jaqueline que não honraram as dívidas trabalhistas), burla a lei e enche os bolsos da família Bloch com 40 milhões de dólares (Jornais O Globo de hoje e O Dia de ontem). O telespectador, desrespeitado por ter sido privado dos telejornais locais e da qualidade de outrora dos telejornais nacionais, de uma série de programas e até mesmo de novelas tiradas arbitrariamente do ar sem um prévio comunicado. Como fica o respeito ao telespectador? E ao trabalhador destes órgãos de comunicação que é compromissado com a qualidade dos serviços prestados à comunidade? Como fica o papel das TVs comerciais? E essa guerra de bastidores entre emissoras denominadas educativa se as denominadas Cultura, retransmissoras das programação do Rio ou São Paulo? A TV pública tem que ser da comunidade ou veículo oficial de estados e municípios?

Ulisses
Inicialmente, parabéns pelo programa...

Em segundo lugar: até onde o que vocês estão propondo - regulamentação e coisa e tal - não se confundirá com censura prévia? Esta historia de selinho na tv é braba viu?

Um abraço

Roberto Bueno Mendes, São Paulo
Boa noite pessoal do Observatório da Imprensa. Eu queria saber de vocês, se não acham que o jornais manipulam as cartas dos leitores e só mostram as cartas que lhe interessam?

E. Ando, São Paulo / SP
Parabéns pelo aniversário e vida longa para o programa mais inteligente da TV. Meus cumprimentos e minha admiração pela excelência do trabalho desenvolvido pelo Dines e sua equipe.

Antônia - Estudante de jornalismo da UFMT
Parabéns, pessoal!

Para mim, o Observatório da Imprensa é realmente, o que eu precisava para ver mais televisão. Gostaria que vocês já falassem, no final do programa qual seria o tema do próximo programa para que a gente pudesse ficar comentando durante a semana.

Parabéns!

Wilson Moutinho Jr., São Paulo / SP
Caro Produtor:

Parabéns a vocês produtores e apresentadores do programa Observatório em seu primeiro aniversário. Espero e desejo a todos que esta comemoração aconteça por muitos anos mais. Gostaria que outras emissoras agissem como exemplo e produção de programas saudáveis e culturais como os da TV Cultura. É muito bom ter os programas da TV Cultura à disposição. Parabéns a todos e muitos agradecimentos pela existência da TV Cultura.

Flávio Lima Barcellos, Brasília / DF
Gostaria de dar a sugestão de os senhores fazerem um programa sobre o jornal Tribuna da Imprensa, que, para mim, é o único jornal independente na imprensa brasileira atualmente.

 

Mensagens recebidas entre 04/05 e 11/05

E-MAILS:

Maria Kenney
Numa longa e interessante entrevista de Maria Lídia com o autor do livro "O Desmonte de uma Nação" (que eu ainda não li) neste fim-de-semana pela CBN, tive a satisfação de ver - verbalizado - meu pensamento dos últimos anos. O autor atinou com a idéia de que a mídia está tão ou mais calada do que nos velhos tempos da supressão do "Estado de Direito", só que desta vez em conivência com o Governo e a Elite para que só as suas vozes sejam ouvidas, em detrimento da dos defensores do povo e do país, com a agravante ainda de serem pagas com o dinheiro do contribuinte. Isso sempre fica muito patente na época das eleições, mas agora isso ocorre até fora dele, porque? Onde está a mídia que não acha que é de extrema importância para o país narrar mais substancialmente os pronunciamentos da oposição, qualquer oposição; os movimentos dos Sem-Terra / Sem-Teto / Sem-Emprego / dos Sem-Nada; dos Sindicatos; as campanhas da Igreja; as manifestações públicas de protesto contra os desmandos do Governo, etc. Será que num dia tão importante para a Nação como este último 1Ί de Maio, em que a descrença, a insatisfação e a revolta do povo está tão patente em todos os cantos do país - com todos os canais tomados pela alienação dos programas de domingos - o máximo que a Globo se dignou a apresentar no "Fantástico" foi uma vista aérea do Anhangabaú e mais nada?! Será que essas manifestações populares, os pronunciamentos, os debates contra o governo, que estão fervilhando por todo o Brasil não têm para o público - ou para a mídia - a importância de uma CPI, de uma máfia da propina, de notícias policiais? Dou graças a programas como "Opinião Nacional", "Roda Viva", "Observatório da Imprensa" e outros da TV Cultura, às entrevistas da CBN, aos brados de "Isso é uma Vergonha" de Boris Casoy na Manchete e até as entrevistas do Jô Soares no SBT que agem diferentemente para que o povo brasileiro seja informado do que realmente está ocorrendo por trás dos bastidores e onde de fato uma nação está sendo desmontada. Por favor, traduza este meu protesto em um debate sobre o assunto.

Ana Paula
Olá toda equipe do Observatório da Imprensa! Gosto muito do trabalho de vocês. Fico feliz em saber que, assim como eu, existem pessoas que esperam mais os meios de comunicação do que uma simples indústria cultural. Estou no 7o. período de Ciências Sociais, desenvolvendo meu trabalho de conclusão de curso na área da Sociologia da Comunicação. Sem dúvida, cada programa que assisto enriquece mais meus conhecimentos.

Um grande abraço

Diana Arlindo, São Paulo / SP
Caros Produtores do Observatório da Imprensa na TV: Sou uma espectadora assídua do programa. Parabéns à equipe e, em especial, ao Dines. Tenho a maior admiração pelo OBSTV, mas creio que está na hora dos senhores mudarem o anúncio do programa. O atual perdura desde o tema apresentado em 09 de abril, sobre os cadernos femininos na imprensa brasileira. Aguardo a mudança da vinheta (estou certa?)

Um abraço a todos.

Luiz Augusto
Bichos como censura

É lamentável constatar o declínio profissional que vem apresentando o programa "Globo Repórter", exibido às sextas-feiras na Rede Globo. Famoso ao longo dos anos por apresentar grandes reportagens, atualmente o programa vem se portando talvez ecologicamente correto, porém, nem um pouco socialmente. Com tantos problemas sociais, econômicos e políticos que vem ocorrendo em nosso país, como é o caso das CPIs e outros tantos concomitantes, ele deveria estar mais atento a esses acontecimentos, entretanto, o renomado programa jornalístico se nega a ver esses problemas, para enxergar somente o mundo animal. Não que se tenha algo contra os documentários ecológicos, para isso a emissora possui programa específico que é o "Globo Ecologia". Agora o que é inaceitável é o Globo Repórter continuar com este anti-profissionalismo, se negando a reportar os acontecimentos do país e do mundo, abdicando assim, da sua função social e se revelando um agente manipulador com sua auto-censura.

José Américo Câmera
Companheiros,

Emocionado, assisti à matéria do Correio da Manhã. Emocionado pois sou funcionário de um órgão em estado de agonia. Vai morrer tal qual o C.M. Sou funcionário da rede Manchete. Sou (era) editor-chefe do Jornal da Manchete em São Paulo. Gostaria que vocês fizessem um paralelo entre os dois órgãos. Gostaria também de saber de vocês o porquê do governo FHC não ter interesse político em resolver o problema da rede Manchete. O ministro Pimenta da Veiga diz que lava as mãos. Mas, uma emissora de TV pertence ao povo e não ao Estado ou a algum empresário. Os funcionários da Manchete passam fome. Uma tragédia humana. Gostaria de um comentário.

Obrigado.

Meu abraço e meu respeito.

Leonardo B. Duarte, Campo Grande / MS
Num país onde a maioria da população é analfabeta ou semi-alfabetizada, é fácil de se entender o baixo índice de audiência em programas culturais que visam desenvolver uma visão crítica sobre a nossa realidade. Também não é fácil concorrer com a deslealdade de programas "vulgares" exibidos por emissoras comerciais que visam apenas o lucro comercial e os altos índices de audiência, usando, é claro, a alienação da maior parte da população brasileira.

No mais, gostaria de parabenizá-los pelo primeiro ano no ar, e que isso se repita por muitos e muitos anos.

Moisés de Oliveira Arioza
Caros amigos,

Gostaria de dar minha contribuição sobre Correio da Manha. Apesar de nascido em 1973 e não ter tido a possibilidade de lê-lo diariamente, tive oportunidade de conhecê-lo durante pesquisas na Biblioteca Nacional, quando fazia levantamentos sobre a cobertura da imprensa durante a invasão da República Dominicana, em 1965. Tomei alguns "pitos" do meu orientador porque a pesquisa não rendia, já que eu acabava lendo todo o jornal ao invés de somente a parte que me interessava especificamente. Sentia, no Correio da Manhã uma personalidade, uma integridade, que não se encontra facilmente em qualquer jornal, coisa próxima só sinto com o JB hoje em dia. Cumpre destacar os brilhantes artigos do Otto Maria Carpeaux que, apesar de sua enorme erudição, sempre escrevia um texto fluente e gostoso. Um mestre, enfim.

Abraços calorosos

Donizeti de Andrade, São José dos Campos / SP
Prezado Dines & equipe,

Quero deixar meu simples mas sincero reconhecimento ao trabalho que o Observatório da Imprensa vem fazendo. Não sou jornalista. Sou engenheiro de aeronáutica formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (onde sou Professor Adjunto), Ph.D pela Georgia Tech, especialista em engenharia de helicópteros e de aeronaves de asas rotativas. O fato é que gostaria muito que em minha área tivéssemos também um foro semelhante ao Observatório para discutir os problemas em que nos envolvemos no dia-a-dia. Não perco o programa. Sou apaixonado pela atividade de estar bem-informado e reconheço no trabalho de vocês um alento à cidadania. A mídia ganha cada vez mais força à medida que caminhamos para ser uma sociedade democrática, plena e esse trabalho que realizam fortalece, com qualidade, a base para os próximos passos, alem de legar às novas gerações de jornalistas o caminho da seriedade e do comprometimento com tão nobre trabalho.

Parabéns!

Walter Galvani - Jornalista
Estou assistindo com profunda admiração o programa sobre o Correio da Manhã. Mas achei imperdoável que ao serem citados os jornais centenários do Brasil, tenha sido omitido o CORREIO DO POVO, de Porto Alegre. O jornal da Caldas Junior foi fundado a 1. de outubro de 1895. Está no seu ano 104 portanto, a edição de hoje é a de n. 216 deste ano 104. É verdade que o Correio esteve fora de circulação, por problemas políticos e financeiros, de 16 de junho de 1984 a 31 de março de 1986. Mas, que é centenário é indiscutível. Inclusive, durante o período de 22 meses em que esteve fora de circulação, a empresa se manteve ativa com a rádio Guaíba e a TV2 Guaíba no ar. Um abraço.

PS: Parabéns pela escolha de Ruy Carlos Ostermann, ex-redator do Correio do Povo, para integrar o grupo de jornalistas do Observatório da Imprensa.

Luciano Fonseca, Salvador / BA
Há semelhanças entre o fim do Correio da Manhã, da Última Hora e da quase asfixia do Jornal do Brasil há poucos anos?

Marcelo Mello, Volta Redonda / RJ - Estudante de Jornalismo
Num país onde o atual presidente se curva ante ao neo-liberalismo, mesmo tendo sido o autor da teoria da dependência, um jornal com uma visão tão apocalíptica quanto o Correio da Manhã, sobreviveria hoje?

Marcos Fábio
Como cobrar uma postura crítica em relação ao Governo Federal se este investe uma verba significativa na imprensa? Quem paga acaba exigindo (direta ou indiretamente) fidelidade a seus princípios. Este é o princípio econômico. Se a grande imprensa fica submetida a interesses financeiros ela tende a ficar acrítica, as regionais e locais seguirão o mesmo caminho. Imprensa só será séria (em relação ao Governo) se for PROIBIDO aplicação de verbas Governamentais. Jornal só pode ser independente (relativamente) se tiver comprometimento com o leitor. Isto implica que sua sobrevivência deve vir de ASSINANTES, no máximo de pequenos anúncios.

Elmano Augusto, Brasília
Em artigo publicado no Correio Braziliense de hoje (04/05), o ex-ministro Jarbas Passarinho diz que em março de 1964, "a imprensa na sua quase totalidade clamava pelo golpe de Estado. Editoriais se sucediam, de jornais prestigiosos, acusando o presidente João Goulart de violar a Constituição e conspirar contra a democracia". No dia 31 de março, continua Passarinho, o Correio da Manhã concluía seu editorial assim: "O Brasil já sofreu demasiado com o governo atual. Agora, basta!". Gostaria de saber o que há de veracidade nessas afirmações do ex-ministro. Se procedentes, como se explica um jornal com tradição de combatividade como o Correio da Manhã apoiar o golpe militar contra um governo legalmente instituído?

Gerson Ruy S. Costa, Ribeirão Preto / SP - Fotógrafo e Arte-finalista
Cumprimento a todos. Sou o que se chama de "jornalista prático", comecei em um jornal pequeno, no interior, no qual fiquei por três anos fazendo de tudo, desde reportagens, fotografias e até mesmo diagramação. Sou um apaixonado pela profissão, pelo que poderia chamar de arte. Fundei um jornal em Ribeirão Preto / SP, que funcionou durante um ano e foi fechado por problemas financeiros. Hoje trabalho com publicidade, porém, ainda sonhando um dia voltar a redação de um jornal para enfim aprender mais e mais sobre a vida e sobre essa forma tão fascinante de escrever a história. Nesse exato momento o programa está acabando, teria até uma pergunta sobre o tema, mas não dá mais tempo. A minha sugestão é para que volte o tema sobre a importância da Faculdade de Jornalismo, quais os prós e os contras da reserva de mercado destinada aos jornalistas formados em universidade, o que isso traz de positivo para as pessoas (leitores, telespectadores, ouvintes). Será que as Faculdades formam realmente profissionais capacitados? Será que se consegue formar um jornalista no banco de uma faculdade? Fica aqui minha pergunta. Acredito que muitos bons jornalistas, hoje devidamente formados, já o eram muito antes de ingressar na universidade. Os altos valores das mensalidades impedem, na maioria dos casos, não só em jornalismo é claro, o ingresso no mercado de trabalho de pessoas com talento e bastante interessadas. Defendo o estudo, a formação pessoal, o aperfeiçoamento, o enriquecimento cultural, o desenvolvimento intelectual, para a formação de um bom profissional, mas até aí impedir de trabalhar uma pessoa que aprendeu a profissão na lida de uma redação, é estranho, muito estranho, se tratando de uma profissão que se aprende boa parte com a vida. Algo acontece nesse ponto. Poderia ser criada uma chance, pequena que fosse, remota, para que um "jornalista prático" pudesse trabalhar, sem precisar ter outro registro, ser classificado por outro nome e etc... Veja bem, longe de querer parecer amargo e muito menos chorão, mas não nos deixam nem brigar, nos impedem de entrar no ringue e ouvirmos "Que vença o melhor". Enfim, na minha opinião, a reserva de mercado é um resquício da ditadura, apoiado pela máfia das universidades, maquiada pela necessidade de profissionalização dos jornalistas, que pode muito bem ser feita de outra forma, como acontece com tantos outros ofícios. Adoro o programa, sou fã de todos vocês, do Dines aos convidados, e podem ter certeza que os ouço com muita atenção e respeito.

Um grande abraço a todos.

Luciana Leão, Recife
Caros editores,

Não sei se é comum o programa receber sugestões de temas para serem discutidos no programa Observatório da Imprensa. Mas, sem saber a resposta ainda, e sendo uma observadora assídua dos debates, sugeriria como pauta um debate sobre como a mídia impressa e falada vem tratando a questão da violência nas escolas. O primeiro ponto que surge - na minha visão - para ser colocada em discussão seria a seguinte pergunta: Será que a ação de policiais militares dentro das escolas, examinando as bolsas dos estudantes é uma forma de mostrar à população que "alguém" está fazendo algo? A matéria foi veiculada no jornal Hoje, edição da terça-feira (05/05), como sendo um bom exemplo. O segundo ponto seria questionar se não valeria mais a pena enfocar o problema da violência do ponto de vista da qualidade de vida da maioria da pessoas? Mostrando numa reportagem como andam os índices sociais - que não faltariam - com objetivo de denunciar o "caos" presente tanto nas escolas, como nos clubes, festas, ruas, e até mesmo nos lares. Não adianta a mídia martelar que o problema do brasileiro é tão somente o desemprego. Existem - e sabemos - que outros são mais graves e construídos pelo próprio homem. Uma outra leitura - um pouco mais polêmica, porque mexeria com o capital - são os programas, novelas, filmes, veiculados nos principais meios de comunicação que - logicamente diverte parte dos adolescentes, crianças, adultos e idosos - porém mostra o quanto é fácil ter acesso aos instrumentos nocivos. Por exemplo: Existem vários jornais que publicam manchetes de primeira página, com fotos enormes de pessoas que foram vítimas de alguma forma de violência. São imagens fortes, que qualquer cidadão pode ter acesso, pois basta olhar. Avalio como uma forma "equivocada" de mostrar a violência. Acho que o Observatório - se interessar - poderia voltar à discussão. Temos um gancho atual como a morte de estudantes em Denver, nos Estados Unidos, ou mesmo, aqui no Brasil. Basta lermos os noticiários diários de jornais e emissoras de televisão. Acho que ainda não sabemos tratar o assunto com o destaque que merece. Era necessário que os jornais, revistas e TVs aprofundassem mais as matérias, e com isto tentar motivar o cidadão a participar mais do debate. Bom, espero ter contribuído.

Saudações jornalistas e nordestinas.

Mônica Burakowski
Olá,

Sou uma estudante de Jornalismo da UFRJ - ECO e gostaria de parabenizá-los pelo excelente programa. É difícil, nos dias atuais, ver um programa tão bem elaborado e interessante. Interessei-me, especialmente, por esse último programa transmitido, sobre o "Correio da Manhã". Eu gostaria de saber se o programa pretende dar continuidade ao estudo do "Correio". Pretendo desenvolver uma pesquisa sobre esse assunto, portanto gostaria de saber se vocês podem me informar a respeito dos arquivos do jornal (de preferência no Rio de Janeiro, onde encontrá-los) e os e-mails ou possíveis contatos com os importantes participantes do programa. É muito importante para meu projeto, se puderem ajudar, ficarei agradecida. Além disso, vocês conhecem alguma bibliografia específica sobre esse assunto?

Aguardo ansiosamente a resposta.

Obrigada e parabéns pelo aniversário, que esse seja apenas o primeiro de muitos...

Atenciosamente.

Ana Lúcia
Prezadíssimo Dines,

Parabéns pelo primeiro aniversário do Observatório na TV. O programa foi muito bom, mesmo! Um pouco de recuperação da memória das coisas é sempre muito útil. Viu-se a história do país pela história de um jornal. A ida ao antigo prédio do Correio da Manhã, ouvir os depoimentos dos jornalistas como testemunhas vivas de nossa história recente -- 90 anos não é lá muito tempo -- permitiu àqueles que não vivenciaram aquele tempo a possibilidade de refletir um pouco sobre a evolução política do país, pela evolução do próprio modo de atuar da imprensa. E para essa reflexão a intervenção de Augusto Nunes foi precisa: é mister uma postura menos panfletária -- ainda que ela possa parecer ser mais libertária -- e mais profissional, com mais responsabilidade e serenidade. A escolha de todos os participantes foi muito feliz, mostrando-nos o elevado nível de uma geração de profissionais da imprensa, que parece-me em extinção... Exceção feita ao Augusto Nunes que pode ser considerado como o melhor da nova geração, ao lado de alguns poucos. Apenas como sugestão: a eleição de um tema central -- a linha de um jornal, como foi o programa de 4/5 -- permite uma abordagem com um pouco mais de profundidade do assunto. É apenas uma sugestão, reitero.

Um grande abraço.

 

CARTAS:

Antônio Lúcio, São Paulo
Ótimo programa de 27/04, principalmente em seu primeiro bloco. Sintetizou o papel da imprensa muito bem em relação ao episódio de Chico Lopes, que é o que vem acontecendo em relação a outros casos. Mas é bom lembrar que ciosidade do Ministério Público e mesmo da imprensa, falha ao ser parcial e ignorar as notícias divulgadas em órgãos concorrentes e mesmo se aprofundar para que investigações sejam realizadas a tempo e época própria dos acontecimentos. Onde estava o Ministério Público em 9/12/96 quando a Folha de São Paulo (lamento a sua ausência) via Luís Nassif já noticiava a existência de "anões nas regionais" na Prefeitura de São Paulo? E a imprensa que deveria ao menos ter a capacidade de ser solidária ao jornalista da Folha e se aprofundar no âmago da notícia? Esperando que o preto Celso Pitta assumisse o comando de São Paulo, para justificar o pensamento da procuradora Ana Lúcia Amaral (presente no programa de hoje) de que somente os pretos, pobres e prostitutas devem ir para a cadeia?

 

FAXES:

Ana Cristina Souza, São Paulo
Senhores,

"Drogas, tráfico e consumo" é caso de polícia, o problema é "que polícia"! Por que a imprensa deveria funcionar como tal? Não me parece que esta seja sua função. Ela deve, sim, praticar em toda sua existência, o jornalismo investigativo, mas deve ter muito cuidado com o opinativo e interpretativo. Não é sua área de excelência a medicina e a química!!! A família, sim, deve exercer uma formação totalmente diferente! No mínimo, ler jornal, revista, etc. Educação! A imprensa deve ser mais coerente até porque, tem muito profissional despreparado para a profissão, o que piora as coisas.

Gilson S. Paula, São Paulo
Acredito que a super exposição de informações sensacionalistas levam à banalidade, pois coisas consideradas sensacionais até dois anos atrás são banais e hoje estão no dia-a-dia das pessoas. Se por acaso a imprensa voltar sua força para a divulgação das coisas éticas e socialmente corretas, a super exposição destas informações não vai levar, pelo mesmo princípio, a uma sociedade melhor?

Ps: Desconsiderando-se os fatores econômicos.

Renato Zouain, São Paulo
No caso da Escola Base, a imprensa, de forma desastrosa arruinou dois casais, pergunta-se:

1. A quem responsabilizar;

2. Quem reparará os danos morais e materiais?;

3. Até onde o jornalista pode divulgar (...) as notícias?

Sérgio de Souza Torres, Rio de Janeiro
Gostaria de ver respondida por Dora Kramer ou, na sua ausência, por quem o Sr. determinar, a seguinte questão:

As CPIs são de fato circos e palanques eleitorais, nunca um instrumento de investigação. Mas à mídia, interessa que assim seja, pois precisam de circulação e audiência para vender merchandising e propaganda. Acaba que os veículos de informação têm sua pauta determinada antes pelo Departamento Pessoal que pelo de jornalismo. Isso tem o nome de "Jornalismo Investigativo" uma coisa que não tem nada de investigação, menos ainda de jornalismo, no sentido moral e ético intrínseco no discurso dos que defendem a liberdade de imprensa como pilar da democracia. Passa a ser comércio puro e dos mais baixos níveis. Tanto pela ação de congressistas demagogos quanto de jornalistas profissionalmente deslumbrados.

Jorge Carlos Sade, Curitiba
Parabéns pelo imperdível Observatório da Imprensa! Um dos melhores programas de TV e com a marca do brilhante jornalista Dines sempre autêntico e corajoso desde os gloriosos anos 60 do JB!... Não posso deixar de cumprimentar Dora Kramer e Milton Coelho da Graça pelas posições tomadas no programa do dia 20 deste mês! Parabéns!

Abraços e sucessos!

Luciana Leão, Recife - Jornalista
A imprensa tem co-responsabilidade em quaisquer "desmensuras ou deslizes" cometidas por pessoas (quaisquer que sejam) contra o erário público, ao cidadão. Avalio que as recentes matérias publicadas nos jornais e revistas no Brasil traduzem a dificuldade de exercer com "excelência" a nossa atividade profissional. Os motivos são infinitos a partir da dificuldade de exercer o dia a dia, por exemplo, de investigar minuciosamente uma informação. O resultado são eventuais deslizes e erros na apuração e, como conseqüência o que poderia ser um exercício de cidadania, tornar-se um fator que eventualmente poderá complicar a credibilidade de um profissional, ou mesmo, de um veículo, ou até de nossa profissão. Concordo com Dora quando abordou o tratamento concedido pela revista Veja, no suposto envolvimento do ex-presidente do BC, Francisco Lopes. Espero ter contribuído. Temos que mudar o comportamento dentro das redações e discutir mais o nosso papel com a sociedade.

Abraços nordestinos

Lya Carvalho, Fortaleza
Se não fossem os meios de comunicação, esse país estaria mais no escuro do que nunca. Assisto a TV Senado e fico feliz em saber o que acontece por lá.

Matheus Lima, São Vicente
Como uma imprensa que não foi isenta na cobertura do processo de privatizações e não se aprofundou na investigação na compra de voto na reeleição pode cobrir com competência e independência as relações promíscuas do governo com os bancos?

Carlos Alberto Pires Júnior, São Paulo
O grande problema ocorrido nessa situação não estaria no fato de que a CPI como procedimento administrativo que é, deve manter princípios como o do inquisitório e do sigilo, ao invés de assumir caracteres nitidamente judiciais, como o da publicidade e da expectativa da ampla defesa?

Cleysson Fernandes
Gostaria de parabenizar toda a equipe pela excelente qualidade do programa! Apesar de sempre ter me identificado com as posições da esquerda e sempre ter votado em candidatos rotulados como radicais, hoje aos 30 anos, tenho uma visão muito clara e também muito receio de que essa CPI seja um massacre e, principalmente vire um palanque uma vez que alguns dos membros certamente serão candidatos às prefeituras de suas cidades. Os profissionais da imprensa, ansiosos por furos podem estar "inocentemente" servindo de cabos eleitorais nesse misto de investigação com espetáculo de vaidade. Não consigo crer na nobreza desta e de nenhuma outra CPI.

Abraços

José Fernandes Júnior
Na Europa os crimes ocorridos e os filmes violentos não possuem muito espaço na mídia. Lá a violência é menor do que nos EUA onde há uma pseudo-liberdade de expressão. No Brasil, adota-se o modelo de cultura de valorização do "vingador" e "justiceiro". Em tempo: Como dizia Hegel: "A informação gera a ação e a desinformação gera a conformação".

Paulo Fernando dos Santos, Sorocaba / SP
Quando os Procuradores da República, amparados por decisão judicial, tiveram acesso à carta do ex-presidente do Banco Central , - na busca de documentos investigativos relacionados à CPI do Sistema Financeiro, o que era legal - a julgar pelos fatos amplamente divulgados, não foi ético. Diante da publicidade adotada e autorizada, o correto seria o Ministério Público elaborar um "kit" de informações básicas do episódio, divulgando-o de forma uniforme a toda imprensa. A partir de então aspectos investigativos e opinativos correriam por conta e risco de comportamentos individuais. O privilégio de hoje, pode ter um custo muito alto amanhã. Informações privilegiadas podem fazer como disse a brilhante jornalista Dora Kramer, "virar o jogo", pois aquele que hoje dá privilégios pode querer cassar a liberdade amanhã. Nunca é demais lembrar, que para chegar a liberdade de hoje, nos anos 60 e 70, houve redações de jornais invadidos, censores autorizando ou não notícias, e outros atos de exclusão. A busca pela informação nas redações dos jornais e revistas não pode ser "moeda" de troca; a fonte seca e liberdade é que floresce. No presente episódio a divulgação antecipada dos fatos – com alguns sabendo mais, outros sabendo pouco, propiciou aos advogados do ex-presidente do Banco Central , a vitoriosa estratégia de testemunhas para a CPI, em réu pelas evidências jornalísticas. No caso o réu venceu, e o que se queria saber talvez nunca se saiba. Hoje conclui-se que a mudança de dia anteriormente marcado pela CPI, para depoimento do Prof. Francisco Lopes , fez parte da estratégia pois com o adiamento a imprensa se encarregou de botar mais lenha na lareira. Deu no que deu. Ter que publicar receitas culinárias em suas páginas, como ocorreu há 30 anos passados pelo "Estadão" foi uma página que não deve ser arrancada da história, para jamais ser esquecida, e ser repetida.

Manuel Alexandre Magalhães, Rio de Janeiro
Sou médico, e freqüentemente me revolto com a execração pública de colegas que são acusados por "erros médicos", tendo seus nomes divulgados sem preocupação de se verificar a veracidade das denúncias, só importando a sensação. Se a imprensa não é norteada pela ética, creio que a lei seria seu limite. Por isso é fundamental a regulamentação da imprensa por lei mais específica.

Manoel da Silveira, Rio de Janeiro - 16 anos
Eu acho que a imprensa deve se valer da capacidade crítica do leitor / ouvinte e apenas informar com a maior imparcialidade possível. Posso citar o caso de Kosovo, onde atualmente se procura transformar o Milosevic num monstro e se despreza totalmente o contexto histórico.

Arnaud, Rio de Janeiro
Em relação ao debate sobre a atuação da imprensa relembro um dístico que vinha no cabeçalho do pequeno jornal de minha cidade do interior mineiro nos idos anos 50: "A imprensa é a vista de uma nação e uma nação cega é uma nação que se perdeu" Ruy Barbosa.

Atenciosamente.



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