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OBSERVATÓRIO NA TV
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TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30
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VENEZUELA, CHÁVEZ E A IMPRENSA
Faltou prudência à mídia? (*)
Cláudio Bojunga
Bem-vindos ao Observatório da Imprensa. Excepcionalmente eu estou substituindo o Alberto Dines – que vai estar de volta em breve – para coordenar nosso debate sobre a precipitação, ou não, da imprensa brasileira em relação à crise venezuelana. Bem, não se pode criticar jornais e revistas por acontecimentos inesperados e imprevisíveis, que revogam a notícia da véspera já devidamente comentada. E a crise venezuelana é candidata ao Guiness do golpe de estado seguido do contragolpe mais rápido da história recente. O Verissimo, na sua crônica de hoje, lembra a história do amigo que diz que vai se divorciar e você diz: que bom nunca fui com a cara dela, e dias depois o casal se reconcilia.
A impressão foi que a mídia brasileira em conjunto disse que não ia com a cara de Chávez, o que é perfeitamente compreensível e até aceitável. O problema foi que ela aparentemente reportou mal os fatos, induzindo seus leitores a acreditar que o povo venezuelano como um todo havia derrubado Chávez e aceito Carmona, que transgrediu a legalidade mais do que Chávez, ao fechar o Congresso, dissolver os tribunais jogando as eleições para as calendas. Confundiu-se, no caso, a voz do povo com a voz das classes média e alta, os empresários, a imprensa local e parte do exército, deixando de lado os descamisados da periferia e do interior e boa parte das forças armadas, que reverteram a situação.
Terá sido pela empolgação que o afastamento do populista Chávez despertou entre nós? Ou a falta de correspondentes especializados in loco? Em contraste com a OEA, o governo brasileiro e o argentino, assim como o Grupo do Rio, que condenaram imediatamente a aventura militar, a imprensa brasileira parece tê-la aplaudido e inocentado. Da mesma maneira que o FMI, que ofereceu logo ajuda a Carmona, em contraste com a má vontade demonstrada com a Argentina. E hoje soubemos pelo New York Times que os golpistas estiveram dias antes da quartelada em Washington, onde foram encorajados a tirar Chávez do poder. Era sabido que o governo Bush detestava esse personagem, amigo de Fidel, que queria interferir na estatal do petróleo, grande fornecedora dos EUA. A novidade é o retorno de Washington aos métodos da Guerra Fria.
Volto a perguntar: faltou prudência e cuidado à mídia brasileira? Faltaram observadores acurados? Teríamos induzido o público a acreditar no sábado que não havia elementos para a reviravolta que acabou acontecendo no domingo? Com a palavra, os nossos convidados, formadores de opinião de grandes jornais.
(*) Editorial do programa Observatório da Imprensa na TV, nº 150, no ar em 16/4/02
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