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OBSERVATÓRIO NA TV
OBSERVATÓRIO NA TV
TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30
Você pode participar ao vivo
DDG: (0800) 216-689
Fax: (021) 232-3271
E-mail: obstv@tvebrasil.com.br
DOS TELESPECTADORES
E- MAILS
Carlos Santoro
Como você mesmo disse, Dines, é preciso separar muito bem a filantropia e as pessoas que trabalham por isso dos erros cometidos por dirigentes dessas organizações. Trabalho em projetos sociais da Legião da Boa Vontade há décadas e, como jornalista bem-informado, você sabe que são inegáveis as ações da LBV ao longo dos seus 50 anos. Como revelou o repórter de O Globo, Chico Otávio, os problemas administrativos da LBV surgiram nos últimos anos, quando Paiva Netto tornou-se mero líder religioso da instituição, entregando a administração da LBV a pessoas de uma certa família. Portanto, defendemos que essas pessoas respondam por seus erros (ou crimes, se assim a lei julgar) e que a entidade seja poupada, porque muita gente depende dela. Essa administração não representa os ideais dos que fizeram da LBV a maior ONG do Brasil.
Antonio Santos
Campo Grande / MS
A vergonha do país que se diz democrático é essa, todos acreditam no trabalho da LBV, e por um simples capricho (interesse mesmo) da Rede Globo de manipulações ou desculpe de comunicações eles publicam só o que lhes é benéfico! Queremos um jornalismo sério e sem medo, deixem a LBV se defender!
Iran Barboza
Cachoeira Paulista / SP
Fiquei indignado pela maneira com que o programa tratou a LBV, dando amplo espaço a um jornalista que confunde São José do Rio Preto com São José dos Campos e que, quando instado a mostrar as provas, mostrou matéria de jornal; e a apresentadora falando alto para os câmeras fecharem nos recortes que o jornalista do Grupo Globo mostrava. Por que o programa não tratou da CPI da Corrupção? Do acordo Teixeira/Pelé? Este país vive num faz-de-contas vergonhoso! Onde estão a ética e a imparcialidade do Observatório? O jornalista global acusou o presidente da LBV de receber da entidade, e disse ser isso ilegal. Ora, ele conhece os estatutos da entidade para dizer isso? Pois só o estatuto da entidade é quem diz o que pode e o que não pode... E, se o estatuto da LBV diz que não, ele deveria mostrar cópia do estatuto. Isto seria o óbvio. Mas, não era noite do Observatório, que só marcou gol contra na noite de 10/4/2001.
Mírian Matos Lima
São Paulo
Jornalistas Alberto Dines e Lúcia Abreu,
Acompanhei ontem o debate sobre as denúncias do jornal O Globo contra a Legião da Boa Vontade. Na minha opinião, muitas coisas ficaram sem explicação. A reportagem diz que os desvios de dinheiro começaram em 1997, na resposta da LBV as "supostas" mansões de Paiva Netto foram compradas na década de 80. Onde está comprovado o desvio de dinheiro? Após o porta-voz da LBV ter falado que os jornalistas não mostraram documentos provando as denúncias, Chico Otávio mostrou uma reportagem, que eu li, onde apresenta certidões em nome de Paiva Netto – compradas na década de 80. Eu pergunto novamente, onde está comprovado o desvio de dinheiro? Segundo o porta-voz da instituição, as casas constam na declaração do Imposto de Renda de Paiva Netto. Outra dúvida, o jornalista Percival de Souza disse que O Globo publicou várias matérias denunciando a instituição e que o jornal deu oportunidade para a LBV se defender e a LBV não aceitou. Logo em seguida o jornalista Chico Otávio disse que a LBV entrou na Justiça pedindo direito de resposta. Muito estranho!
Sou telespectadora desse programa há algum tempo e sempre o admirei pela isenção com que as matérias eram apresentadas, coisa que eu não percebi ontem: havia uma má vontade gritante em se buscar a verdade sobre essas matérias. Espero que vocês, jornalistas, façam realmente uma investigação para esclarecer a opinião pública, e não para induzir a opinião pública. Essa é uma questão muito séria! O povo brasileiro não é mais tão inocente quanto alguns jornalistas pensam. Não é raro ver injustiças sendo cometidas por meios de comunicação "conceituados". Como cidadã me preocupo com a inversão da lei que a mídia tenta apresentar, mostrando que o cidadão é culpado até que prove o contrário. Pensem sobre isso! Vou seguir o conselho do programa: nunca mais lerei jornal ou assistirei a programas de televisão da mesma maneira...
Orlando França da Silva
São Paulo
Escrevo na qualidade de cidadão e telespectador do Observatório da Imprensa, programa que tanto admiro, pela competência e isenção de seus apresentadores e produtores. Após assistir à edição de 10 de abril de 2001, tomei a liberdade de enviar esta correspondência ao prezado jornalista, a fim de protestar contra um golpe que se articula, no presente momento político e nacional, contra o Terceiro Setor, no qual atuo como revisor de textos. Nunca se viu tamanha agressão à área filantrópica, como agora ocorre, em razão de uma trama que envolve "imprensa marrom" e, provavelmente, barganhas políticas.
É lamentável que uma pequena parte da mídia tenha se curvado aos interesses escusos dos articuladores da campanha de difamação da filantropia, capitaneados pelas Organizações Globo, que escolheu como "boi de piranha" a Legião da Boa Vontade, LBV.
Bom observador, o jornalista Odir Cunha, em artigo no Jornal da Tarde (São Paulo/SP), edição de 25/3/2001, escreveu:
"A série de matérias (dos veículos de comunicação das Organizações Globo contra a LBV) surge justamente no momento em que o governo intensifica nos bastidores um processo para acabar com a isenção do INSS patronal para as entidades filantrópicas, como a LBV. Se a isenção cair, as entidades serão obrigadas a recolher de 22% a 26,5% dos seus ganhos ao INSS, além da taxa de 8% a 11% do INSS funcional. Com isso, obviamente, muitas terão de fechar as portas e a beneficência — vital em um país que esqueceu os pobres — receberá mais um duro golpe."
O Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro/RJ, em reportagem veiculada no dia 9 de abril de 2001, também tocou na ferida:
"O diretor de Arrecadação e Fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Valdir Moysés Simão, estima que se o governo acabasse com as isenções e todas as empresas pagassem as contribuições previdenciárias estaria resolvido o problema do déficit da Previdência, estimado em R$ 12 bilhões para este ano. Só com as entidades filantrópicas deixa-se de arrecadar R$ 2 bilhões por ano. Pela primeira vez, o INSS está fazendo uma ampla fiscalização sobre 6.800 entidades registradas no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) como beneficentes. O objetivo é cassar os registros de todas as que estiverem utilizando o título para fugir do pagamento de tributos e cobrar delas os impostos que deixaram de recolher nos últimos anos."
Não foi por acaso, portanto, a escolha da maior ONG filantrópica brasileira para servir de estopim nessa verdadeira trapaça contra o Terceiro Setor. E não é somente a LBV que perde com isso. Todas as instituições congêneres, por tabela, se vêem afetadas por esses ataques jornalísticos disparados pela Globo. Alguém neste país precisa se apresentar como o porta-voz e o defensor das entidades filantrópicas que, no momento, estão sob séria ameaça. Quem se habilita?
Por outro lado, é estranho que O Globo e empresas irmãs venham dizendo, desde 18 de março de 2001, que centenas de instituições serão investigadas pelo INSS, mas, ao mesmo tempo, preguem um discurso especialmente dirigido contra a LBV, utilizando um enorme espaço (ao todo, já foram mais de 12 páginas no jornal e cerca de 30 minutos no jornalismo da Rede Globo de Televisão, sem falar em notas e matérias no jornal Extra, na revista Época e nas redes de rádio Globo e CBN).
E tem mais: surpreendi-me hoje ao folhear o Diário Popular, recém-adquirido pelas Organizações Globo. Soube que foi suspensa a coluna que a Legião da Boa Vontade lá publicava há vários anos, todas as quintas-feiras. Liguei para a redação, mas me disseram que os novos diretores do Diário Popular não informaram as razões da proibição à mensagem semanal do Paiva Netto. Eu, em particular, suspeito que a decisão seja mais uma retaliação à LBV, agora em sua praça-sede, São Paulo.
Além de as "denúncias" (sem provas concretas) sequer chegarem aos pés de um Lalau ou muito menos de uma Sudam, o jornal e a TV Globo nunca citam os nomes de outras entidades "suspeitas". Quem o fez, por sinal, foi a Folha de S.Paulo, mesmo tendo "pegado o bonde andando". Os "globais" chegaram a falar em 200 organizações investigadas. Quais são, afinal? Veja-se, por exemplo, uma das recentes chamadas de capa de O Globo: "LBV e mais 24 entidades filantrópicas vão perder o título de filantropia." Contudo, o respectivo noticiário interno é centrado só na LBV, dando seqüência ao bombardeio iniciado dias antes. E O Globo não fica só na reportagem: imediatamente, já estavam à disposição da reportagem deputados (que levaram representação ao Ministério Público Federal) e procuradores do Ministério Público (que manifestaram apoio ao jornal, contra a LBV). Isso sem falar em informações especulativas, colocadas como títulos de matéria, tais como afirmativas de que a LBV perderia o status na ONU e de que a Polícia Federal "investigará o caso LBV".
Pelos bastidores, fiquei sabendo que esse cerceamento à instituição repercutiu até em veículos indiretamente coligados à Globo, os quais, talvez pressionados, fizeram restrições ao conteúdo das mensagens institucionais da LBV que publicam (Zero Hora) e/ou chegaram a encampar a campanha anti-LBV (o Correio Braziliense, dos Associados, turbinou os ataques, indo questionar na ONU a situação da LBV, antes de O Globo). Afinal, Dines, estamos diante de um novo tipo de AI-5? Ou será uma Gestapo moderna?
Pode ser também que, por trás disso, esteja sendo praticada uma estratégia de enfraquecimento da corrente de pensamento popular voltada prioritariamente para o social. Vêm aí as eleições de 2002, e é preciso preparar o terreno para o establishment... A Globo, logicamente, já deve estar preocupada com isso. Embora a LBV seja, estatutariamente, apolítica e apartidária, combatê-la (e, portanto, atentar contra tudo e todos os que com ela naturalmente se afinam, ideologicamente falando) é combater, antes de tudo, uma idéia em ascensão. Olhando para dentro e para fora do Brasil, a quem interessa vencer essa guerra, considerando-se a proximidade das próximas eleições?
E o que as Organizações Globo ganhariam com isso? Mais hegemonia? Mais concessões? Mais espaço político? Nesse contexto, chamaram-me a atenção estes comentários do jornalista Sabastião Nery, em sua coluna no Diário Popular e Tribuna da Imprensa, em 5 de abril de 2001:
"Esta é uma novela de guerra nas estrelas, aliás, de guerra das estrelas, na tevê. Há quatro meses, a Legião da Boa Vontade (LBV) ganhou do Governo Federal, por intermédio do Ministro Pimenta da Veiga, das Comunicações, e do Presidente Fernando Henrique, um canal de TV aberta, em São Paulo, de onde será gerada uma programação para uma Rede Nacional de TV Educativa, não oficial, mas gratuita. A TV Futura, da Rede Globo, disputou o novo canal e perdeu. Foi um horror na floresta da televisão brasileira. Desde Esopo, La Fontaine e Monteiro Lobato, não se pode acordar o leão que dorme. O leão acordou e urrou. Rugiu e bramiu. Não faz muito tempo, já tinha entrado no ar, em São Paulo, em UHF, a TV LBV, canal 26, 'com excelente padrão de qualidade e programação dedicada à educação primária, secundária, vestibular, línguas e orientações gerais'. A Educação é uma das mais fantásticas máquinas de produzir dinheiro do mundo tecnológico, sobretudo com o Telecurso 2o Grau arrancando milhões do MEC e cofres públicos. A TV LBV (TV Paiva Netto) começou a tirar patrocinadores e investidores institucionais da TV Futura, o canal da Rede Globo para a Educação. Era a guerra pela Educação na TV. Exatamente como aconteceu com o camelô Silvio Santos e o bispo Edir Macedo, quando começaram a montar suas redes de TV, chegou a vez de Paiva Netto. O que até então era virtude e santidade passou a ser pecado e crime. Era Deus, virou diabo. Um Silvio Santos é bom; Silvio Santos e bispo Macedo é ruim; Silvio Santos, bispo Macedo e Paiva Netto é demais. A TV LBV era uma ameaça. Com 550 pontos de atendimento no país, 4,5 milhões de atendimentos por ano, escolas, creches, asilos, formação de mão-de-obra para 117 mil trabalhadores no ano passado, a tevê abriu para a LBV o infinito mercado da Educação, no país de 170 milhões, mais de 70% de analfabetos e mal alfabetizados. Podia acabar uma imensa universidade pública, via satélite. A Rede Globo não admitiu mais uma concorrência. E, quando a Globo não admite, O Globo emite".
Terá sido mera casualidade o fato de a campanha anti-LBV ter surgido justamente após a Fundação José de Paiva Netto ter recebido do Ministério das Comunicações a concessão de um canal para a formação de uma rede nacional de TV educativa? Pelo que sei, esse lebre foi levantada na imprensa por jornalistas tão observadores como o senhor, prezado Dines. Vejam bem: não é um canalzinho, como insinuaram no Observatório da Imprensa. É uma cabeça de rede, geradora, que poderá ter repetidoras em qualquer canto deste país. Em São Paulo — capital, será o canal 26 (UHF aberto). Dá para incomodar, pelo notável potencial da emissora, até porque, como disse a revista Jornal dos Jornais, citada no Observatório da Imprensa, "Paiva Netto é o maior comunicador do Brasil". Mas Paiva Netto não está nas Organizações Globo. Para mim, essa emissora de televisão da Fundação da LBV representa uma grande vitória do Terceiro Setor e mais uma afirmação da LBV no âmbito social brasileiro. Mas, ao que parece, querem enfraquecer a Legião da Boa Vontade, para que ela perca o título de entidade filantrópica e também a outorga televisiva dada pelo governo. Volto a perguntar: a quem interessa?
As denúncias veiculadas pelo jornal O Globo e pela Rede Globo de Televisão, as quais abastecerem outros veículos de comunicação, carecem de fundamento técnico e são visivelmente sensacionalistas. Pobre do Brasil, se esse golpe continuar ganhando força na mídia e nos bastidores do Congresso Nacional, e o Terceiro Setor não encontrar quem o possa defender... A Globo julgou a LBV (e conseqüentemente o Terceiro Setor) e tenta condená-la a todo o custo. Isso não é justo! Como contribuinte da LBV, sei que ela nada tem a esconder do público, pois sempre foi uma entidade transparente, tendo sido pioneira na contratação de auditores externos, antes mesmo da obrigatoriedade legal dessa providência.
Este cidadão que desabafa, prezado Dines, alimenta a esperança de que toda esta confusão seja esclarecida ao público sem demora. Tenho certeza de que o Observatório da Imprensa jamais assumirá uma postura subserviente aos interesses de grupos de comunicação que buscam, custe o que custar (ainda que seja o sofrimento do povo), manter sua hegemonia no que tange a poder político e controle da mídia. Estamos diante de um momento decisivo: o Terceiro Setor deve ser defendido desse golpe que vem sofrendo ou acabará sendo relegado a plano quaternário, no que tange a contribuir com soluções para o progresso do Brasil.
Torço para que a mídia brasileira, como um todo, não se alie aos detratores do trabalho realizado pelos que, neste país, assumiram o papel que os governos não cumprem, e muito menos os grandes conglomerados da área de comunicação.
Sem mais para o momento, despeço-me cordialmente, agradecendo a atenção dispensada.
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