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OBSERVATÓRIO NA TV
OBSERVATÓRIO NA TV
TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30
Você pode participar ao vivo
DDG: (0800) 216-689
Fax: (021) 232-3271
E-mail: obstv@tvebrasil.com.br
CENSURA NA TVE GAÚCHA
Geraldo Canali responde
Dines: Acho muito estranho que você – logo você, que se apresenta como o grande observador da imprensa brasileira – tenha levado tanto tempo para dizer que eu teria tentado interferir ou censurar seu programa no período em que fui diretor da TVE do Rio Grande do Sul. O que houve? Não era importante na época e passou a ser agora, dois anos depois que saí da direção?
E justamente agora que você está envolvido neste imbróglio todo que é o caso Joca?
Sinceramente, jamais imaginei que poderia merecer a sua projeção. Em todo caso, se é diversionismo ou mero esquecimento, deixe-me refrescar sua memória: não era eu. Era você que ligava para mim pressionando pela inclusão do Observatório na nossa grade, que estava sendo redefinida. Se liguei uma ou duas vezes foi para retornar chamadas suas. Depois até deixei de atendê-lo, tal era a insistência.
Mas isso já está chegando à lavanderia. Uma verificação nas contas telefônicas dos nossos ramais na época pode esclarecer tudo. Que lhe parece?
Em consideração aos seus leitores (afinal, o outro lado não tem que ser ouvido?), reproduzo aqui nossos argumentos da época:
1) Seu programa saiu das sextas-feiras e passou para as terças-feiras, justamente na hora que já tínhamos (aliás, há anos) o programa Frente à Frente, local, ao vivo e mais interessante para nós que o seu Observatório.
2) Por várias razões, umas óbvias e outras técnicas, estávamos evitando veicular com atraso, ou seja, gravados, programas ao vivo da TVE do Rio ou da TV Cultura de São Paulo, principalmente aqueles com participação direta do telespectador. E não substituiríamos um programa local, consagrado no horário, por outro de fora.
3) A TVE do Rio Grande do Sul não tinha qualquer obrigação de veicular programas de outras emissoras, nem mesmo o seu. Nosso interesse, desde o primeiro dia, foi o de exibir produção própria, sempre que possível, como era o caso.
4) As decisões de incluir ou excluir programas da grade não eram tomadas só por uma ou duas pessoas, mas através de uma discussão envolvendo o quadro, a direção e o Conselho, representativo da sociedade. Afinal, somos uma emissora pública e este processo é tanto um direito quanto uma obrigação.
Ao contrário do que você diz (sem confirmar?), só passei a apresentar o programa Frente à Frente depois que saí da direção. Enquanto diretor, apesar das recomendações do próprio Conselho, nunca quis apresentar programa algum, justamente para evitar estas maledicências, como a sua. As raras vezes que apareci no vídeo foram em situações de emergência e de absoluta necessidade.
Estou entre aqueles que ainda consideram a notícia bem mais importante que o jornalista ou o apresentador. Isso não é defeito nem virtude. É o que eu considero ser jornalista. Você prefere me chamar de "alto funcionário". Problema seu. Quando você me contratou, no Jornal do Brasil, me considerava jornalista. E até me distinguia com coberturas internacionais. Elogiadas, aliás. Posso comprovar, se a sua memória não o ajuda.
Comentamos, sim, sobre a participação do Augusto Nunes no seu programa. E disse que a passagem dele por aqui, como diretor da Zero Hora, tinha gerado controvérsias. Talvez por conhecer muito pouco a sua obra, é certo que não incluo o Nunes entre os meus ícones (você até já foi um deles). Mas é um grosso exagero concluir daí que eu o odeio e que, por isso, o Observatório da Imprensa não entrou na nossa grade. E o fato é que o Augusto Nunes logo saiu do seu programa porque quis. Eu logo saí da direção da TVE do Rio Grande do Sul porque quis. E o seu programa não entrou na nossa grade porque, até agora, ninguém quis.
Preferimos entrevistas próprias, exclusivas e ao vivo. Por exemplo, com gaúchos como o escritor Luis Antônio Assis Brasil, os cineastas Jorge Furtado e Carlos Gerbase, os candidatos de todos, o prefeito Tarso Genro, do PT, o prefeito de Canoas, do PSDB, o maior crítico do governo do estado, o deputado Cézar Busatto, do PMDB, os presidente da OAB, do TRE, da Federação das Indústrias, da Federação do Comércio, o governador Olívio Dutra, o senador Pedro Simon, o deputado Nelson Marchezan, o ambientalista José Lutzenberger, para citar alguns. Ou personalidades de fora que passam por aqui. Exemplos: Sebastião Salgado, Edgar Morin, Maria da Conceição Tavares, Bautista Vidal, Roberto Carlos Ramos, Emir Sader e muitos outros. Ou, se o caso é a opinião de jornalistas, tivemos um Carlos Heitor Cony, um Ignacio Ramonet, um Rui Carlos Ostermann, um Carlos Wagner, um Bernard Cassen e um Washington Novaes, também apenas como exemplos mais recentes.
Teria sido bem melhor se não tivesse que interromper minhas férias para lhe responder. Deixei passar duas semanas. Mas não deixaria passar dois anos. Volto ao meu descanso. Sugiro que você aproveite o carnaval e bote todas as fantasias para fora. É o momento. Se for o caso, na volta lhe respondo. Mas, cá pra nós, olhe que tem pautas menos furadas e mais atuais que esta.
Com licença e um abraço do seu colega,
Geraldo Canali
Alberto Dines responde
Essa ladainha "você já foi meu guru agora não é mais" é empulhação. Se o missivista ainda trabalhasse comigo eu lhe diria – não engane o leitor com irrelevâncias e fixe-se nas relevâncias. A saber:
** É absolutamente irrelevante a discussão sobre quem solicitou a inclusão do Observatório da Imprensa na programação ao vivo da TVE. O Rio Grande do Sul era o único estado importante da Federação que apresentava o programa com dias de atraso. Se a iniciativa partiu da nossa produção ela cumpria com a sua obrigação. Se partiu da TVE-RS, a emissora fazia o que o público dela esperava.
** É absolutamente irrelevante o fato de que o missivista hoje exerça outras funções e eventualmente tenha mudado de idéia. Na ocasião foi protagonista inconteste de uma tentativa de intervenção e de censura a um programa.
** É absolutamente irrelevante o fato de que só agora, passados dois anos, o Observatório tenha tornado público o episódio. Não o fizemos na ocasião para não parecer provocação a um governador que tomava posse. Preferimos seguir os trâmites internos: a) informação ao então presidente da TVE; b) informação aos colunistas de TV da imprensa local; c) pedido de mediação para contornar o problema. O então presidente da TVE era Mauro Garcia. O pedido à imprensa local foi transmitido ao diretor de Redação da Zero Hora, Marcelo Rech. O pedido de mediação foi feito ao ex-deputado federal Ibsen Pinheiro quando, entrevistado no Observatório (maio de 2000) estranhou que o programa não fosse transmitido na grade da TVE estadual. Prontificou-se a mediar, tentou mas nada conseguiu.
** Relevante é o fato de o missivista lembrar-se de ter dito em conversa telefônica que Augusto Nunes era "persona non grata" no estado e por isso o programa no qual tinha uma participação (marginal, diga-se) não poderia ser levado pela TVE gaúcha.
** Relevante é o fato de que, quando Augusto Nunes deixou o Observatório (por razões alheias ao episódio), o missivista tenha indicado uma lista de profissionais para funcionarem como os Observadores locais.
** Relevantíssimo – e definitivo – é o fato de que depois de interromper a experiência com estes profissionais tenhamos sido banidos de vez da TVE gaúcha, e o único estúdio capaz de entrar em rede ao vivo tenha sido ocupado por um programa apresentado pelo missivista.
O resto é conversa de quem foi flagrado com a boca na botija. A.D.
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A.D. e José Antonio Vieira da Cunha
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