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OBSERVATÓRIO NA TV

 

OBSERVATÓRIO NA TV

TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30

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PESQUISA
Credibilidade comprometida
(*)

Alberto Dines

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa. Você sabe por experiência própria – aquela pessoa que pergunta a toda hora "você acredita em mim?" na realidade desconfia que as pessoas não confiam nela. O senso comum e a psicologia nos ensinam que a credibilidade não se apregoa, a credibilidade se conquista. Também o crédito, a estima e o respeito. A propaganda da boa fé é ilusória, pode até ser confundida com a má-fé. Exatamente isto aconteceu na semana passada, quando num congresso de jornais foi divulgada uma pesquisa anunciando que os jornais eram a segunda instituição nacional com mais credibilidade. A primeira era a igreja católica, com 30%, e em segundo lugar, com a metade da preferência, isto é, com 15%, vinham os diários.

Compreende-se que a primazia da credibilidade tenha ficado com a mais antiga instituição nacional, implantada logo depois da chegada de Cabral e que existe no mundo há cerca de dois mil anos. As revelações da igreja católica são permanentes, por isso tão respeitadas. Mas as revelações dos jornais que saem todos os dias tiveram a metade da confiabilidade dos entrevistados. É bom ou mau?

É exatamente isso que este Observatório vai discutir hoje. O primeiro dado que chama a atenção é que, já no dia seguinte à primeira divulgação, um dos maiores jornais brasileiros publicou vigoroso artigo do jornalista Luis Garcia em que sugere que se recoloque a rolha na garrafa de champanhe. Não há motivo para regozijos. Também o ouvidor da Folha de S.Paulo, Bernardo Ajzenberg, foi na mesma linha de ceticismo.

A questão não se resume à confiança do público nos meios de comunicação, já que a TV, o rádio, a internet e as revistas ficaram em situação muito pior. A questão é que a pesquiso-dependência que acomete a mídia brasileira acabou comprometendo a própria mídia naquilo que ela tem de mais importante – sua credibilidade. Agora mais do que nunca você não lerá mais os jornais do mesmo jeito.

(*) Editorial do programa Observatório da Imprensa na TV, nº 165 – no ar em 21/8/01



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