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OfJor Ciência 2001 – Oficina OnLine de Jornalismo Científico é uma iniciativa do Observatório da Imprensa, Labjor e Uniemp.
IN VITRO
U.C.
Ambiente e sociedade
Os problemas sociais brasileiros, e não poderia ser de outra forma, acabam repercutindo diretamente no ambiente, banco de recursos naturais que tende a ser saqueado pela população marginalizada e por grupos interessados em lucros imediatos, sem qualquer preocupação coletiva ou a maior prazo. O Estado de S.Paulo (26/9, pág. A8) informa que o presidente da República criou por decreto a Estação Ecológica a Serra-Geral, uma área de 716 mil hectares no Jalapão (TO), nascente dos principais afluentes do Rio Tocantins. Também a Chapada dos Veadeiros (GO) foi ampliada, tudo por decreto, em quatro vezes sua área inicial, passando a 235 mil hectares.
O problema, neste caso – e isto o Estado não registra –, é que faltam recursos, especialmente em vigilância, para manutenção dessas áreas. O neoliberiamo também chegou ao ambiente e o governo vem passando para a iniciativa privada a gerência de parques nacionais brasileiros já consolidados. A Serra da Canastra, onde nasce o rio São Francisco, o da integração nacional, ainda não foi negociada. Mas está abandonada. As estradas são péssimas, inseguras, especialmente na parte superior do parque.
Rio São Francisco
Bela e angustiante reportagem assinada pelo repórter Fábio Eduardo Murakawa foi publicada pela Folha de S.Paulo (30/9/01, págs. C10 e C11). A Folha, baseada no USA Today, foi o jornal que ajudou a banir as reportagens especiais do jornalismo brasileiro. Em vez disso, adotou o jornalismo modulado, com espaços predefinidos para matérias. Anos depois retoma timidamente as reportagens especiais, exemplos de jornalismo de primeira linha. O texto de Murakawa, mesmo distribuído em duas páginas, ficou apertado, já que a segunda página é quase toda de anúncio.
Descoberto há 500 anos pelo italiano Américo Vespúcio, quem roubou de Colombo a homenagem para América, em vez de Colômbia, para o continente americano, o São Francisco é o retrato do Brasil. O desmatamento em suas margens joga, segundo Murakawa, o equivalente a 2 milhões de caminhões/ano de terra em seu leito desprotegido. O resultado é o assoreamento e a mudança ambiental. Em Xique-Xique, na Bahia, por onde passa o "Chicão", importa-se peixe da Argentina. As matas foram derrubadas primeiro para fornecer carvãos aos vapores, depois para o plantio de soja. Então, ficamos assim: exportamos soja e importamos peixe, às margens do que talvez seja o mais importante dos rios nacionais, com uma população crescentemente miserável.

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