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OfJor Ciência 2001 – Oficina OnLine de Jornalismo Científico é uma iniciativa do Observatório da Imprensa, Labjor e Uniemp.


IN VITRO
U.C.

Desmatamento amazônico

A bancada ruralista brasileira, com a truculência bovina que caracteriza sua filosofia de ação, ainda não desistiu do projeto de ampliar as áreas desmatadas nas propriedades amazônicas. O presidente da República (Estado de S.Paulo, 28/9/01, pág. A12) diz que não vai permitir a redução da área verde. A restrição ao desmatamento tem sido assegurada, ao menos teoricamente, pela sucessiva reedição de medidas provisórias. O projeto dos ruralistas ainda vai a plenário (Folha, 28/9/01, pág. A8). Se aprovado, o que não deve surpreender incautos, o presidente promete vetar. Essa gente acostumou-se com os tais "projetos de impacto" do regime militar, sob a vista grossa da imprensa ou com apoio descarado, e agora tem dificuldades de se comportar.



Miseráveis do sertão

Francis Bacon, o pai da ciência moderna, expressou a esperança de que a ciência possa mudar para melhor a vida dos homens. Esta, certamente, é uma razão adicional para alimentarmos esperança de dispor de uma política científica minimamente eficiente e comprometida socialmente, no sentido em que lhe deu Francis Bacon. Caso contrário não terão fim iniciativas como a noticiada pelo Estado de S.Paulo (17/9/01, pág. A7): "FHC lança programa entre miseráveis do sertão". A notícia, referente a São José da Tapera, a localidade mais miserável do Brasil, vem no mesmo tom assistencialista do governo, sem qualquer contextualização histórica.

O problema, como se pode observar a olho nu, não se restringe ao sertão. A Folha (23/9/01, págs. C1 a C5) diz que fome tortura pelo menos 250 mil pessoas, a maioria crianças menores de seis anos, só na cidade de São Paulo, o centro mais desenvolvido do país. A Folha, que contribuiu para banir as reportagens especiais, retoma temas de importância básica, enquanto o Estadão mantém fidelidade canina ao poder. A conseqüência disso é a necessidade de esterilização das cédulas de real, contaminadas por inúmeros e perigosos microorganismos, conforme detectado por uma pesquisa da Universidade Gama Filho, do Rio (Estado de S.Paulo, 29/9/01, pág. A11). A ameaça contida nas cédulas do real é outra imagem nítida da precariedade da saúde pública brasileira.



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